Categoria(s) do post: Comida

Recentemente tenho testado um formato aqui para casa que já fiz algumas vezes na vida, mas desta vez retomei como hábito, que é o de fazer marmitas para a semana inteira. Em algumas épocas da minha vida isso foi muito útil, como por exemplo:

  • quando eu fazia faculdade e trabalhava fora. eu cozinhava no final de semana e deixava a comida pronta para levar para o trabalho.
  • quando eu comecei a trabalhar em outra cidade e precisava ir de fretado todos os dias. chegava tarde em casa e precisava acordar muito cedo, e não conseguia cozinhar.
  • quando fiz uma dieta low carb.
  • quando fiz a minha cirurgia de redução do estômago e precisava ficar atenta ao que comia e às quantidades das porções.

Vantagens dessa prática:

  • saber o que estou comendo (preparo, ingredientes, quantidade de sal etc.)
  • economizar dinheiro com alimentação
  • não depender do que tem na rua ou em restaurantes de terceiros; controlar o que eu como
  • curtir o ato de cozinhar e o ato de organizar as marmitas
  • sentir que estou dedicando um tempo para a minha saúde

Desde dezembro, mais ou menos, venho fazendo minha transição para o veganismo. Por já ter tido duas vezes quadro de anemia devido ao pós-operatório da cirurgia bariátrica, minha transição é mais complexa. Mesmo assim, é uma meta de vida e, só de reduzir o que consumo de carne (não apenas na comida), já sinto que estou contribuindo para um mundo melhor. Plus, minha saúde melhorou muito, pois descobri que tenho intolerância à lactose. A alimentação vegana fez toda a diferença.

Meu marido e meu filho não são veganos ou vegetarianos. Por isso, quando faço as marmitas, são marmitas para mim, mas tudo o que eu preparo, eles também aproveitam, apenas cozinhando as proteínas no dia a dia. Eu achei engraçado como algumas pessoas (sempre mulheres) me perguntaram horrorizadas no Instagram como que eu fazia as minhas marmitas e não fazia as comidas deles! Que esposa desnaturada! Gente, meu marido é formado em gastronomia. Antes mesmo disso, ele que já cozinhava em casa. Ele sabe se virar e gosta de fazer as coisas. Não precisa a esposa dele fazer não. Aqui em casa a gente sempre equilibra as atividades para que ninguém se sobrecarregue. Fiquem tranquilas. 🙂

No meu caso, eu senti a necessidade de fazer as marmitas para cuidar melhor da minha alimentação. Justamente por ter um estilo de alimentação diferente deles, para mim era mais difícil deixar isso “solto” no dia a dia. Como eles já têm a rotina deles de alimentação, quem precisava de ajustes era eu mesma.

Sobre as receitas, eu uso como base um vídeo maravilhoso da Luiza, que tem um canal chamado “Larica Vegana”. Ela tem esse vídeo em que ensina como fazer marmitas para a semana gastando menos de 50 reais. Eu comecei com ele, com as receitas que ela ensina. Logo, se você quiser saber as receitas das minhas marmitinhas, assista o vídeo. Eu assisti, anotei os ingredientes, e depois em casa fui fazendo seguindo o passo a passo do vídeo dela. Eu juro juro juro que tentei gravar enquanto fazia, mas ficou muito complicado gravar sozinha e cozinhar. Um dia que meu marido estiver em casa, vou pedir para ele gravar enquanto eu faço. Quando acontecer, posto no YouTube. 😉

A primeira vez que fiz eu procurei usar os ingredientes que ela usa, para dar certinho. Depois, fui adaptando. Eu preparo 14 marmitas – almoço e janta durante 7 dias, e congelo. Geralmente essa quantidade dura até uns 10 dias pois, muitas vezes, devido ao trabalho, acabo almoçando ou jantando fora. Mas todas as vezes em que posso levar comida ou trabalho em home-office, eu consumo as marmitas.

Pontos que acho que vale a pena citar:

  • Uso potes de plástico mas, em algum momento, quero migrar para os de vidro, pois acho que são melhores em diversos aspectos (durabilidade, limpeza etc).
  • Algumas pessoas não gostam de comida congelada. Meu problema é com a comida que fica na geladeira, porque pega o gosto de outras coisas. Congelada fica ok. Vale dizer que a comida na geladeira dura até 3 dias e a congelada pode durar MESES. Por isso ela fica com o gosto melhor.
  • Todos os dias, antes de dormir, tiro as duas marmitas do dia seguinte do congelador e deixo na geladeira. Isso faz com que elas estejam descongeladas na hora que vou esquentar, nas refeições.
  • Tenho sempre uma lancheirinha comigo, isso é básico. E nessa lancheirinha eu levo a minha marmita quando vou trabalhar no escritório. Lá tem geladeira e microondas.

Além da marmita, como a Luiza ensina no vídeo, eu também preparo uma salada, já deixo lavada (sem tempero) na geladeira, e vou comendo ao longo da semana. Eu prefiro comprar a salada daquelas já higienizadas por ser mais prático para mim no dia a dia. Sei que é mais caro, mas meu tempo vale dinheiro também, e esse é um custo que compensa. Compro duas vezes na semana a salada, porque ela estraga mais rápido.

As marmitas na foto acima estão exatamente como a Luiza ensina no vídeo. Funciona basicamente assim: eu preparo algumas bases antes. Arroz, lentilha, legumes para fazer um purê e macarrão. E depois vou fazendo outros processos, para criar as marmitas, quando tudo estiver pronto. Ela ensina um mix muito legal no vídeo dela e é esse mix que eu fiz nas marmitas da foto acima (ex: macarrão com molho e lentilha, arroz com purê e legumes etc).

Para mim, ter arroz, macarrão e purê sempre como base é bem legal, porque esses alimentos permitem mudanças. Por exemplo, você pode mudar o tipo de macarrão semana a semana, pode mudar o tipo de arroz, pode mudar o que vai no purê, temperar de maneira diferente. Lentilha também você pode substituir por feijão na semana seguinte etc.

Eu sou muito preocupada com a questão nutricional, por isso para mim é importante que as refeições tenham variedade e nutrientes adicionais, como o levedo que a Luiza recomenda, que complementa a vitamina B12.

Depois que aprendi com o vídeo dela, fiz algumas modificações, especialmente de tempero, porque isso eu estranhei um pouco. O molho de tomate, por exemplo, já amo demais o meu. Fiz o da Luiza para ser uma boa aluna mas, depois que peguei a técnica, fui personalizando de acordo com o meu gosto. E é bem gostoso poder variar depois que você aprende a “manha”.

Passo a passo, como eu preparo as marmitas para a semana

  • No meu planejamento semanal, vejo até quando as marmitas vão, de acordo com os meus diversos compromissos, e escolho um dia na semana em que poderei dedicar algumas horas para o preparo das próximas. Eu reservo 4 horas para o preparo, mas geralmente levo 2 horas e pouco (eu gosto sempre de estimar um tempo maior caso haja imprevistos).
  • Um dia antes ou no próprio dia (se eu for cozinhar de tarde ou de noite), verifico o que já tenho em casa para ter ideias para as marmitas e listar o que preciso comprar. Faço as compras. Ou seja, a ideia é aproveitar sempre o que já tem. Como as bases das marmitas sempre são mais ou menos as mesmas, não preciso ficar “bolando receitas”. Caso eu veja alguma receita que fique com vontade de fazer ao longo da semana, na internet, aí sim eu deixo anotado para usar como referência no dia em que farei as compras.
  • No dia reservado para preparar as comidas, eu trabalho em casa. Isso diminui meu tempo de deslocamento e consigo trabalhar normalmente, mesmo tendo esse compromisso. Considero como se fosse uma reunião. 🙂 Se eu trabalhasse todo dia em escritório, obviamente esse dia seria sempre aos finais de semana.
  • Aprendi assistindo Masterchef: começo colocando as panelas para ferver água. A panela para o macarrão, a panela para os legumes do purê, a panela para os grãos (lentilha etc.) e a panelinha para o arroz. Vale lembrar que, no caso de grãos que precisam ser hidratados, é importante colocá-los algumas horas antes ou até na noite anterior (por exemplo: grão de bico).
  • Enquanto as águas vão fervendo, eu corto os legumes que vão nas duas assadeiras no forno, tempero e coloco. O forno vai pré-aquecendo nesse meio tempo.
  • Vou lavando toda a louça à medida que vou usando os materiais. Essa é a famosa dica da vovó que sempre funciona.
  • Depois, vou seguindo as instruções de acordo com o vídeo da Luiza, que recomendei lá em cima.
  • Ao final, congelo as marmitas. Sempre sobra bastante comida, que aí guardo em potes para os meninos também consumirem ao longo da semana. Minha refeição do dia e do dia seguinte acaba vindo dessas sobras das marmitas também.

É uma delícia, quando tudo está pronto, colocar os potinhos em cima da mesa e ir montando, promovendo variedade.

Uma pergunta que pode surgir é se não enjoa comer a mesma comida durante uma semana. Sinceramente? Pode enjoar, mas você pode dar uma modificada com a salada, ou até complementar com outro alimento, se tiver um tempinho para fazer. Como eu alterno as marmitas nas refeições (em uma como o macarrão, na outra purê e assim por diante), não é que enjoo exatamente. Como posso explicar? Ah sim: o custo benefício compensa. É isso. Quando eu penso em enjoar, no fundo eu agradeço por já ter uma comidinha saudável prontinha, sem me dar trabalho, e sabendo que eu conheço a procedência, o preparo, os ingredientes. Então nem vejo pelo lado do enjôo, mas sim por todos os benefícios. E vale lembrar que você pode optar por comer outra coisa durante a semana, se quiser. Não existe uma polícia da marmita kkk.

Quando eu preparo a comida, sempre preparo as bases em uma quantidade maior, que ficam para os meninos. Aí, durante a semana, eles complementam com frango grelhado, bife, hambúrguer ou o que mais der vontade. Muitas vezes eles jantam na casa da minha sogra, ou gostam de pedir pizza no final de semana, ou eles mesmos têm vontade de comer outra coisa (“vamos fazer estrogonofe hoje?”). Enfim, funciona numa boa aqui em casa dessa maneira. A rotina de alimentação é bem fluida e prática.

Devido à cirurgia, eu como muito pouquinho em uma refeição (entre 250 e 300 gramas), então preciso me alimentar com mais frequência. Além das marmitas, tenho os meus lanchinhos, que vou fazendo ao longo do dia. Por exemplo, quando faço lentilha, o que sobra eu bato e faço um creme salgado, que distribuo em potinhos para usar de lanchinho ao longo da semana. Sempre tenho frutas. Faço também sanduíches com os legumes que sobram, ou verduras, no caso de pepino ou tomate (que no caso é fruta, hehe). Também gosto de fazer tapioca, especialmente no café-da-manhã. Enfim, os lanchinhos estão garantidos igualmente.

Vale citar que faço acompanhamento com uma nutricionista e sempre realizo novos exames clínicos. Isso é importantíssimo em qualquer condição de alimentação.

Eu gasto muito pouco no mercado (mercado aqui inclui o super, a mercearia e a feira) para preparar essas marmitas. De fato, beira os 50 reais. Lembro que na semana retrasada eu gastei 43, e ainda sobrou muita coisa. Eu gosto de enfatizar isso porque as pessoas acham que, para comer vegano, você gasta muito. Gasta se comprar industrializados e comer fora, como no caso da alimentação com carne também. 😉

Espero que o post tenha sido útil. Preparar as marmitas é uma maneira organizada de garantir uma alimentação saudável no dia a dia, além de economizar, é claro.