Categoria(s) do post: Carta da Editora

Construir uma narrativa pessoal, dentro de um tema específico, e expondo para uma grande quantidade de pessoas na Internet, não é uma tarefa fácil.

Quando eu comecei o blog, em 2006, não tinha a menor noção disso. Dessa narrativa. Eu via o blog como um espaço na Internet onde eu pudesse compartilhar textos e dicas sobre organização, sem uma ordem “certa”. O que eu quisesse compartilhar, eu compartilhava. E não acho isso ruim – especialmente no caso dos blogs, a espontaneidade é importante. Mas tão importante quanto a espontaneidade é você reconhecer que está dentro de uma narrativa pessoal de aprendizado, e que é uma arte você conseguir expôr isso para o mundo de uma maneira levemente organizada.

Porque, afinal de contas, o que os blogs trazem é uma ordem cronológica das postagens. Muitas pessoas já me perguntaram porque eu mantenho posts antigos (em que eu pensava de maneira diferente sobre algumas questões), e a resposta é que manter esses posts antigos é importante para a construção da narrativa. O que eu pensava sobre GTD até 2014 era diferente do que eu passei a pensar depois, quando comecei a trabalhar com a metodologia (é outra abordagem de aprendizado pessoal). E muito mais diferente do que quando eu tirei as certificações, a partir de 2015. Enfim, é uma história que foi sendo construída e toda essa construção pôde ser acompanhada aqui, no blog.

Em resumo, o que quero dizer é que a cronologia dos textos é importante. A sequência com a qual os textos é postada é tão importante quanto o conteúdo deles.

Sobre a minha carreira. Vocês pensam que é fácil para uma pessoa que trabalha com Internet preencher, no médico, no hotel, e em todos aqueles lugares em que preenchemos formulários com nossos dados pessoais, o campo “profissão”? Eu costumo ir no tradicional e escrevo “publicitária”, que é a minha formação formal, na universidade. Não preencho com escritora, professora, blogueira, creator ou, pior, “influencer”. Mas também sou todas essas coisas.

Um texto que postei este ano traz um pouco isso, que é o questionamento de procurar saber se é possível você tocar uma empresa e ser pesquisadora ao mesmo tempo. Também respondi uma dúvida da leitora, sobre se eu ainda achava efetiva essa ideia de fazer mestrado e ministrar aula em faculdades. Será que a profissão de professor tem futuro? Etc. E a linha em comum entre as duas respostas é que eu tenho algo que eu quero fazer na vida – um propósito. Mas que a maneira pela qual eu poderia exercer esse propósito na verdade eram inúmeras, e são apenas formatos. Se for escrevendo, se for lecionando, se for sendo coach, se for sendo atendente de loja, se for sendo gestora de uma equipe, que seja. Sempre tive a habilidade de encontrar o propósito em tudo o que eu fazia, e acho que essa é a prática principal para a gente se sentir bem fazendo o que faz, não importa o que esteja fazendo.

Eu ainda acredito muito em todos os recursos de planejamento de organização para a produção de conteúdos para o blog e os diversos canais do Vida Organizada. Mas, cada vez mais, eu tenho resgatado a essência da busca dessa narrativa como linha diretiva e, por mais que eu tenha um tema, a espontaneidade pinta e borda dentro dele, porque eu enxergo esse conteúdo em absolutamente tudo no meu cotidiano para trazer em forma de post, de vídeo etc.

Um exemplo é o projeto de leitura da bibliografia inteira do Napoleon Hill. Comecei esse projeto no ano passado, pois queria fazer um trabalho de análise e trazer para vocês um comparativo entre os diversos volumes. Concluí o meu projeto de leitura (li todos os livros), mas eu senti que ainda não era o momento de postar aqui. Engraçado, não é? Mas, para mim, faz todo sentido. Eu ainda não tinha encaixado na narrativa. Agora, em dezembro, eu pretendo falar sobre finanças, prosperidade e mindset positivo para o sucesso, e agora sim o tema se encaixa.

O blog se apresenta então como uma mistura do seu tema principal, das coisas que estão acontecendo no mundo no momento, mas também tudo aquilo que eu, a autora, estou vivendo, pensando, sentindo. Então um texto sobre um mesmo assunto escrito hoje será diferente do post escrito há cinco anos. E esse é o grande valor dos blogs, assim como de toda produção escrita e de arte que existe no mundo – fala mais sobre quem está escrevendo do que sobre o tema que está sendo apresentado.

Eu amo esse trabalho. <3