Categoria(s) do post: Social, Família

Este post é uma resposta ao artigo da Rita Lisauskas no Estadão, não como uma crítica, mas buscando uma forma de diálogo.

Às vezes eu acho que alguns adultos se esqueceram de como era quando eram crianças ou adolescentes.

Eu gostava de muita coisa “ruim”. Besteirol mesmo. Não tinha qualquer parâmetro e não adiantaria nada minha mãe ou meu pai me proibírem de ver. Aprendi com os meus erros. Cresci. Estudei. Firmei meu caráter.

Eu não acho que ver um cara xingando vá fazer com que eu tenha vontade de xingar também. A gente subestima muito as crianças. Eu já achava errado bullying desde cedo, assim como achava errado brigar, xingar, tratar mal. Se eu visse alguém na tv (na época) fazendo todas essas coisas, jamais que isso me influenciaria.

O que eu realmente acredito é no diálogo. E o diálogo só acontece quando a gente gera empatia e se aproxima do outro.

Comecei a acompanhar todos os canais no YouTube que o meu filho gosta de assistir. Felipe Neto, Gato Galático, Falaí Dearo, BRKS Edu. Ele só assiste com a minha supervisão ou com a do meu marido. E isso permite o diálogo. Dou risada das besteiras, o que gera uma aproximação que também me permite falar quando acredito que algo não seja tão legal: “olha, isso aí é errado!”. E ele me ouve.

A gente traz para situações do dia a dia. Trago sujeitos do cotidiano – a prima, a avó, o tio. E isso faz com que a gente problematize as coisas e dê risada das outras, que realmente são engraçadas (e que não envolvem debochar dos outros ou outras atitudes que não considero legais).

Se eu proibir em casa, ele vai ver escondido ou conversar sobre isso com os amigos, na escola, em outros lugares. E, quando crescer, ele vai esconder outras coisas de mim, pois a mãe não tem proximidade.

Lá em casa, ele vem me contar quando “fez bagunça” na escola e não conta para o pai, porque um dia eu comentei com ele que eu era da “turminha da bagunça, porém nunca ninguém na minha turma teve nota baixa, apesar das brincadeiras, e nem nunca desrespeitamos os professores”, e isso fez com que ele confiasse em mim para contar a verdade.

Não estou dizendo que o meu modo é o modo certo de se fazer as coisas. Existem tantas maneiras de educar crianças quando existem pessoas no mundo. Mas eu sinceramente acredito que o diálogo e a transparência são a base da minha maternidade, e se eu quero ter um relacionamento de confiança com o meu filho, tem que ter essa via dupla, sempre com respeito, é claro.

PS: Muitas das coisas que foram ditas no texto foram injustas. O Felipe Neto trabalha com o YouTube – é natural que ele divulgue os seus produtos. Ele não tem o canal para “dar uma de alegre”. O ponto sobre a participação dele no evento do supermercado, ele mesmo já fez um vídeo explicando, e já faz bastante tempo. Achei que foi bem tendencioso o texto da Rita de modo geral, e bem raivoso. Sei lá! No mais, eu, como creator, tenho aprendido muito acompanhando todos esses canais que, queiramos ou não, têm milhões de seguidores. Vale a pena nos abrirmos para o aprendizado, em todas as frentes…