15 Jan 2014

Desapego na prática

Qual é a sua maior riqueza?

A sua riqueza pode ser levada nos bolsos? Carregada nos braços? Levada na mochila? (#sdds Amor sem escalas)

A maneira mais radical de se pensar em desapego é saber que um dia morreremos (pode ser hoje) e que não levaremos absolutamente nada conosco. Então, de que adianta nos apegarmos a tantos objetos? De que adianta perdermos tempo lustrando uma louça que nunca é usada? Ou lamentando a respeito de pessoas e sentimentos que não fazem sentido? Fica a reflexão.

Se você for assaltado(a) na rua, qual o maior bem que o assaltante pode levar? Ele pode tirar a sua vida. Esse é o medo. Celular, dinheiro, carteira – essas coisas não importam. Você pode ficar bravo(a) porque perdeu seu celular sem pagar a primeira prestação ainda (que tristeza), mas se você pode reclamar sobre isso, é porque ficou viva(o). Sobreviveu a esse assalto. Então do que está reclamando mesmo..?

Aquela velha história de: “se a sua casa pegasse fogo, o que você salvaria?”. Ou: “se você fosse para uma ilha deserta e pudesse levar 3 coisas, o que levaria?”.

Nossa riqueza não está em nossas coisas, mas em nossos sentimentos e lembranças. Nosso aprendizado.

Gosto sempre de citar uma frase do Thoreau, em que ele fala que “feliz é o homem que consegue carregar todos os seus pertences em um carrinho de mão”. E sabe por que isso é verdadeiro? Porque quanto mais coisas temos, mais preocupações surgem.

Oras, se você ganha um alto salário, não tem medo de ser roubado(a)? De ser sequestrado(a)? De perder o dinheiro em um erro do banco, em uma aplicação errada, em uma compra impulsiva?

Se você compra uma TV de 55 polegadas, não vai ficar mais preocupado(a) se o seu filho vai arranhar com um lápis de cor?

Se você compra um tablet, não vai ficar preocupado(a) em sair na rua com ele?

Se você compra um carro, não precisa pagar IPVA, DPVAT, licenciamento, seguro, reparos, gasolina e uma série de outras coisas?

Agora, o que acontece com as experiências que você tem em viagens, no dia a dia, nos momentos com a família, os relacionamentos, os insights ao observar a natureza, o conhecimento adquirido com estudo, tudo? Isso ninguém pode roubar da gente, pois está dentro de nós. Não está em objetos.

Logo… todo o resto… é substituível. Talvez a gente nem precisasse ter, se estivesse focando no que é mais importante, que são as sensações descritas anteriormente.

Quando eu falo em desapego na prática, o que eu quero dizer é: imagine-se sentada(o) no meio do deserto, da rua, do campo, da praia. Sem nada. Absolutamente nada.

Imagine que você tenha acordado nesse lugar e não tenha casa para ir, telefone para ligar para alguém. Mal tenha a roupa que está vestindo o seu corpo.

Então você descobre que o mundo explodiu (fictício hein, haha, envolvam-se no exercício) e você foi o único sobrevivente. Nada restou. Não existe mais iPad, celular, carro, shopping, móveis. Nada.

Você sentiria falta dessas coisas ou das pessoas que não verá nunca mais?

Outro dia eu escrevi sobre a moça que morreu de câncer e foi fotografada pelo seu marido, com o título “vamos todos morrer mesmo”.

Achamos que, se tivermos uma doença terminal, vamos “aproveitar a vida” e deixar o que não importa de lado, especialmente coisas materiais. Podemos vender o que temos para viajar para um lugar que sempre sonhamos conhecer. Ou nos desfazer de apegos materiais sem sentido, que vamos mantendo somente por hábito.

O que acontece, meus amigos, é que estamos TODOS sofrendo de uma doença terminal chamada TEMPO.

Todos nós vamos morrer. Pode ser hoje, pode ser amanhã. Pode ser daqui a 80 anos. Mas essa é a nossa certeza.

Sabendo disso, por que nos apegamos tanto ao que não é necessário?

Não se trata de viver sem coisas, pois todos precisamos de objetos no dia a dia. Não só pela utilidade, mas por hobbies, ou por afeto, para ter por perto coisas que gostamos, colecionamos ou nos deixam alegres.

Trata-se de não fazer isso dominar a sua vida. De ter o entendimento de que vai acabar. De não deixar de viver um momento com seu marido, sua namorada, seus filhos, porque precisa limpar a coleção de bonecos do Star Wars ou fazer uma reunião profissional desnecessária em um sábado à tarde.

O desapego é com relação ao que não importa. E, no fundo, todos nós sabemos o que não é importante. Mesmo assim, continuamos fazendo – por motivos diversos, eu sei. Muitas vezes, eles são obrigatórios, ligados ao trabalho, por exemplo. Mas, no fundo, nada é obrigatório.

Se você parar para pensar que é livre para viver, sentir, aprender e viver desapegado do que não importa, a vida ficará mais leve, tranquila. A gente se preocupa demais com o que não precisa. E você sabe que eu não estou falando só de coisas materiais.

Desapegar é isso. Não é jogar fora as coisas. É um estado mental. A praticidade está em acionar esse “click” na nossa cabeça e passar a enxergar a vida de acordo com o que importa, parando de se preocupar com o que não for importante.

Solte o balão.

"E deixe ir"

E deixe ir

14 Jan 2014

Repassando o nosso dia

Imagem: https://www.facebook.com/firefluffart

Imagem: https://www.facebook.com/firefluffart

Continuando a nossa linha de posts com foco na simplicidade do dia a dia, eu gostaria hoje de fazer a seguinte sugestão: que você, todos os dias, antes de dormir, repasse mentalmente como foi o seu dia. Não sei se isso acontece com vocês mas, quando coloco a cabeça no travesseiro, mesmo estando muito cansada eu ainda fico alguns minutos acordada, pensando na vida. A ideia é direcionar esse pensamento. Em vez de ficar com preocupações aleatórias, estou sugerindo que você repasse todo o seu dia – desde a hora em que acordou até a hora que deitou na cama.

O que você fez? Como se sentiu? O que poderia ter feito diferente? Você gostou da conversa que teve com determinada pessoa? Sentiu-se mal por algo que você disse? Fez alguma ação que fez você se sentir extremamente bem?

Esse pensamento é uma reflexão simples para sabermos se estamos vivendo de forma coerente com o que acreditamos e achamos que deve ser. Ao refletir sobre as nossas ações, temos a oportunidade de mudar o que achamos errado e fazer o certo da próxima vez.

Ao final desse pensamento, agradeça. Agradeça pelo seu dia, por estar vivo(a) para viver mais um dia em mais um ano de vida. Por ter a oportunidade de acordar e ter autonomia sobre sua própria mente, independente das condições externas.

Eu venho fazendo isso e acho bom porque me ajuda a dormir de forma mais tranquila, como se não estivesse me esquecendo de nada, sabem? Fico com uma sensação de missão cumprida. A nossa mente parece entender que estamos “fechando” o dia e, assim, nos preparamos para dormir bem. Isso faz muita diferença no nosso dia a dia, pois dessa forma não ficamos só executando uma coisa atrás da outra sem pensar no que estamos fazendo e nos desviando do foco.

13 Jan 2014

Análise: Bullet journal

Depois que a Rita indicou o Bullet journal pela primeira vez, fiquei curiosa para conhecer e fiz alguns testes. Quando ela escreveu um post sobre como tem utilizado e se organizado atualmente, me deu vontade de escrever um pouco sobre isso também, em parte porque algumas pessoas perguntaram minha opinião a respeito, então segue minha análise pessoal.

Eu tenho um post no blog, de 2008, onde eu explico como utilizava a minha agenda na época. Eu já usava esse sistema de bullets porque ele é muito intuitivo. É algo que funciona sim, e muito favorável. Basicamente, você utiliza um caderno como gerenciador de tarefas, agenda, tudo, e o que diferencia tarefas de lembretes e compromissos são os bullets que você coloca ao lado de cada informação.

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O vídeo no site explica muito bem e, apesar de estar em inglês, as imagens são auto-explicativas.

Penso que a grande vantagem de um método como o bullet journal é favorecer quem gosta de usar papel. Para quem já se organiza com meios digitais, pode não haver nenhum atrativo. Apesar de que, sinceramente, dá para implementar a ideia no Evernote, por exemplo, ou em qualquer outro gerenciador de notas online, como o Google Drive.

Já falei várias vezes aqui no blog sobre o caderno que uso como caixa de entrada, e é basicamente a mesma ideia – com a diferença que você não tira de lá e passa para outro sistema. Sua forma de consulta das tarefas e compromissos é em um só lugar, sem a necessidade de ficar passando informações de um lugar para o outro. A vantagem é a simplicidade mesmo, mas a desvantagem é que as informações não ficam tão bem organizadas e, para quem utiliza o GTD, tarefas não aparecem por contexto etc. Também pode não valer a pena fazer manualmente um calendário.

A primeira coisa que me veio à mente quando comecei a fazer os testes com o método foi: podemos muito bem usar uma agenda tradicional para implementá-lo, com a vantagem de que já existem o calendário e os dias marcados. Você usaria a agenda, então, como caixa de entrada. Ficaria bem parecido com o post de 2008 do blog, onde eu expliquei como eu utilizava a minha agenda. A diferença é que, além dos bullets, eu separava as informações por cores (um método que, para mim, no papel, funciona de maneira muito eficaz ainda hoje).

Fazendo o teste e algumas pesquisas para postar no blog, me vieram à mente então os seguintes prós e contras:

Prós

  • Muito simples de implementar. Basta usar qualquer caderno, ou mesmo folhas soltas e prender com um clipe. Também podem ser usadas fichas… enfim, é bem flexível. E dá para começar agora mesmo.
  • Você carrega toda a sua vida com você para todo o lado, sem depender de conexão com a Internet e bateria de dispositivos.
  • É rápido: basta escrever.
  • Não precisa pensar muito: você vai inserindo as informações ao longo do dia, sem ordem estabelecida.
  • É bom para a turma do papel, que não gosta de usar meios eletrônicos para organizar sua agenda e tarefas.
  • Não é rígido, então você pode personalizar de acordo com as suas necessidades.

Contras

  • As informações não ficam organizadas. Apesar de ele sugerir a criação de um índice no começo, você tem que ficar folheando para saber que tarefas tem que fazer. Apenas comparando com o GTD, quando basta você olhar a sua lista dependendo do contexto onde está e trabalhar em um item por vez, sem ter que ficar “procurando”. Ou seja, pode perder tempo com isso.
  • Não só as tarefas, mas as referências que você anotou ficarão lá. Se você jogar fora seu caderno no final do ano, perderá todas as informações ou terá que passá-las para outro lugar, o que quebra um pouco a ideia de “ter tudo em um só lugar”. É um processo a mais. No entanto, se você implementar o método em um programa como o Evernote, não terá esse problema.
  • Não tem backup. Se perder ou esquecer seu caderno em algum lugar, adeus informação. Fora a segurança dos seus dados e a sua própria segurança física, pois são informações sobre onde você estará em tal dia e horário, o que vai fazer etc.
  • Não tem busca. Claro, por ser no papel. Mas pense em quanto tempo você pode perder buscando as informações, depois que o bullet journal estiver, sei lá, em novembro.
  • Não há integração de calendários. Então, se você é mãe, pai, gerente ou, de alguma maneira, precisa compartilhar sua agenda com outras pessoas (e verificar a delas), a agenda no bullet journal fica acessível somente para você.

Particularmente, sou fã das coisas escritas em papel – por isso gosto do meu caderno, que uso como caixa de entrada. Acredito sim na eficácia desse método do bullet journal, pois é muito prático ter seu caderno sempre à mão. Para quem gosta de escrever no papel, é uma solução boa. Eu recomendaria implementar o método em uma agenda tradicional mesmo, daquelas de uma página por dia. A Rita tem uma solução excelente, que é usar um caderno onde você pode tirar e pôr folhas, como em um fichário, e assim você não precisa carregar informações ultrapassadas de janeiro quando estiver em junho.

Porém, hoje é muito difícil lidar com um sistema que fique disponível somente para mim, então as ferramentas online, compartilhadas, funcionam melhor na minha vida atual. Além disso, acho perigoso andar com agendas cheias de informações pessoais por aí. No quesito agenda, também tenho a questão de compartilhar a minha, a do meu filho e a do meu marido no Google Calendar, o que é muito prático e funciona para a gente. Se eu fosse usar uma agenda de papel, teria que ficar atualizando manualmente com os compromissos deles, o que não me parece prático. Claro que essa é a minha particularidade, não regra geral.

Por fim, gostaria de incentivar que cada um faça seus testes por aí. Vale a pena sempre testar ferramentas e métodos novos para se organizar, até encontrar aquela que se adeque melhor às suas necessidades.

Alguém já conhecia o bullet journal? Compartilhe suas vantagens e desvantagens. Obrigada!