Estudos

24 Feb 2015

Como se organizar para estudar em uma faculdade à distância

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Este é um tema que muitos leitores me pedem para escrever a respeito, então seguem dicas pontuais para ajudá-lo(a) a se organizar para estudar em uma faculdade à distância. As dicas servem também para quem estiver fazendo outros cursos online, como idiomas, pós-graduação e cursos livres.

  • Escolha uma boa instituição. Apesar de serem uma realidade (e não só uma tendência), os cursos online são novidade para muitas instituições e a maioria delas ainda não sabe lidar muito bem com essa demanda, tanto em termos de disponibilidade de plataforma quanto de organização para atender os alunos, agendar provas e outras atividades. Para escolher uma boa instituição, a melhor maneira é colher referências com outras pessoas que estudem lá. Converse com amigos ou procure depoimentos na Internet.
  • Tenha uma agenda para anotar os compromissos e datas relacionadas ao seu curso. Dependendo do que você estiver estudando, pode ser necessário entregar atividades diariamente ou diversas vezes por semana. Sem um controle desses prazos, você poderá se perder e deixar de entregar trabalhos.
  • Dedique diariamente um tempo aos seus estudos. Mesmo que você não tenha aulas todos os dias, habitue-se a estudar em um determinado horário para não perder o ritmo.
  • Faça anotações de aulas e resumos em folhas de sulfite e depois digitalize para o Evernote. Eu recomendo isso porque gosto de escrever no papel (me ajuda a estudar), mas você pode fazer diretamente no programa, se não quiser escrever no papel.
  • Utilize outros programas na nuvem como o Dropbox para guardar arquivos que estejam em andamento, como trabalhos e textos que você ainda está produzindo. Quando estiverem prontos, você pode arquivar no Evernote.
  • Utilize o Google Drive como plataforma para fazer trabalhos em grupo, caso seu curso tenha essa demanda.
  • Encontre aquele horário do dia em que você se sente mais disposto(a) e concentrado(a) para estudar. Nada de fazer isso quando estiver cansado(a).
  • Estabeleça limites quando estiver estudando. Avise a família para não interrompê-lo(a) se a porta do quarto estiver fechada, por exemplo. Avise que estudará até o horário X e atenha-se a ele!
  • Organize seu material de modo que fique de fácil acesso quando você estiver estudando. Se usar um notebook para estudar ao redor da casa, mantenha uma caixa com todos os suprimentos (folhas de sulfite, lapiseira, borracha, canetas, marca-textos) e leve-a com você quando mudar de cômodo.
  • Registre suas horas de estudos para analisar uma vez por semana e verificar se investiu seu tempo da melhor maneira possível. Promova mudanças para a semana seguinte, se for o caso.
  • Explore os recursos oferecidos pela instituição. Seu curso pode ser online, mas você pode utilizar a biblioteca presencial para emprestar livros ou estudar em períodos de dificuldades de concentração em casa.

Você já fez algum curso online? Como foi a sua experiência?

20 Feb 2015

Universidade pessoal – reflexões de uma pessoa autodidata

Escrevo este post para falar um pouco sobre a minha experiência como pessoa autodidata e o por que das minhas escolhas. Já escrevi aqui no blog uma vez o que eu entendo pela coisa de estudar a vida inteira e amo aquele post… Acho que foi escrito de forma bem apaixonada e reflete bem o meu sentimento com relação a esse assunto. No entanto, sempre que falo sobre estudos ou publico alguma foto no Instagram mostrando algum momento de estudo no dia a dia, surgem muitas perguntas como: “Como você consegue estudar com um filho pequeno em casa?” ou “Como você arranja tempo para estudar?”, então este post serve para contar a minha experiência pessoal e também para mostrar algumas dicas que talvez ajudem vocês.

Trabalhar em casa facilita. Isso porque consigo gerenciar minhas horas de trabalho de modo que já inclua algum tempo de estudo entre elas. No geral, deixo para fazer atividades que demandem mais concentração enquanto o meu filho está na escola, sejam de trabalho ou de estudo, porque assim consigo me concentrar melhor. Mesmo trabalhando no escritório, dá para ouvir os outros barulhos da casa e, a não ser que eu coloque o fone de ouvido com música tocando em um volume alto, eu não consigo me concentrar.

Também já percebi que sair de casa ajuda em muitos momentos. Já fui trabalhar em outros lugares – café, padaria, livraria – porque facilita. É até bom mudar de ares de vez em quando, especialmente para quem trabalha com criatividade, como eu. Este foi um formato de trabalho que eu construí para mim com o passar dos anos. Não foi fácil, não foi sempre assim e não é o modelo ideal. Ele ainda está em construção. Porém, já vejo grandes vantagens em fazer como eu faço hoje.

Quando eu trabalhava fora, eu aproveitava o meu tempo para estudar de três maneiras: 1) acordava mais cedo que todo mundo e ganhava pelo menos uma hora de estudos, mas odiava fazer isso, porque não gosto de acordar cedo, 2) estudava no meu horário de almoço no trabalho e 3) estudava depois que meu filho ia dormir. A não ser que você esteja estudando para um concurso ou fazendo um curso fora todos os dias, dificilmente alguém precisa de mais horas de estudos do que isso. Para mim, sempre foi suficiente.

As pessoas me perguntam como eu tenho tempo, mas bem, acredito que essa seja a principal vantagem de ser organizada! Você consegue priorizar e fazer o dia render. Organizem-se! Essa é a principal vantagem da organização – ter tempo para fazer tudo o que for importante para você. Claro que também entra a questão da motivação e da força de vontade. Não adianta dizer que não tem tempo para estudar mas passar todos os dias vendo tv ou navegando na Internet sem objetivo.

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Eu acredito que também faça muita diferença gostar de ler e estudar. Tenho hoje em casa uma biblioteca com quase 800 livros (e crescendo) que muitas pessoas vêem e me perguntam: “nossa, mas você lê tudo isso?”. E eu respondo: “quem não leria?”. Vejo livros como objetos de trabalho. Tenho livros que leio por hobby, como os livros do Tolkien na foto acima (tenho a edição brasileira, a portuguesa – para comparar a tradução – e a americana, para estudar inglês). Mas a grande maioria dos meus livros é composta por livros de trabalho, que tenham a ver com a minha profissão, o meu trabalho mesmo da vida, desde organização a temas como administração, vendas, internet. São livros de estudo, para ler, reler, estudar capítulos e temas específicos. Quando acho que o livro não tem mais nada para oferecer, dôo para instituições de caridade ou colegas que estejam precisando.

Ou seja, se ler é um hobby, estudar faz parte da vida. Você nunca me verá entediada em uma fila de banco porque estarei lendo alguma coisa em vez de escrever bobagens no celular (não que eu não faça isso também… ninguém é de ferro). Mas eu costumo ver muitas pessoas falarem que não têm tempo para ler ou estudar e desperdiçando essas pequenas janelas de tempo do dia a dia com bobagens que nem percebem. Aliás, desculpem pelo termo. Não existe bobagem, quem sou eu para julgar. O que existe é tempo gasto sem intenção. Se você dedicou uma hora do seu dia para escrever bobagens no seu Facebook e isso foi algo que você realmente fez de propósito porque queria desestressar, excelente! Mas, se você fez isso porque não tinha nada melhor para fazer com o seu tempo, porque deixou o dia rolar, então foi perda de tempo sim.

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Eu me considero uma pessoa autodidata porque gosto de ter autonomia sobre os meus estudos. Isso não impede que eu faça cursos e troque ideias com pessoas mas, no geral, o aprendizado é tocado por mim mesma, não um professor, coaching ou orientador. Há alguns anos, tomei a decisão de não fazer mais uma faculdade, porque percebi que preferia gastar o dinheiro da mensalidade com livros novos e cursos esparsos. Já sou formada! Tenho meu diploma, pós-graduação. Não preciso de outra faculdade, apesar de achar maravilhoso emendar um curso no outro. Porém, depois que meu filho nasceu, a realidade mudou. Eu não teria como dedicar todas as noites da minha semana a um curso que eu estava fazendo apenas por hobby, porque é isso que é mesmo. Apesar de tudo o que a gente estuda influenciar no nosso trabalho (pelo menos eu acho), fazer uma nova faculdade apenas para aprender, para mim, é um hobby, porque estudar é um hobby para mim. É diferente de escolher fazer um MBA para dar um up no currículo. Os objetivos são diferentes.

Também pensei o seguinte: eu gosto de tantos assuntos! Se for estudar História (minha paixão), vou ter que estudar História do Brasil Colonial, que acho chaaaato. Gosto de Pedagogia mas, se for fazer faculdade de Pedagogia, vou ter que aprender matérias que não me interessam. O mesmo vale para Administração, Artes plásticas, Astronomia, Biologia, Ciências Sociais e todos os outros cursos que já me interessaram.

Por isso, com o tempo eu fui desenvolvendo um negócio que chamei de “universidade pessoal”. Eu não preciso fazer uma faculdade para estudar aquele assunto. Posso estudar por mim mesma, com a vantagem de não ter que estudar o que não tem nada a ver comigo.

Para fazer isso, eu seleciono alguns temas que tenho interesse em estudar atualmente e foco neles. Exemplo: vendas. Atualmente, com o blog, os workshops, a loja, eu percebi que me falta know-how desse assunto. Portanto, trata-se de uma disciplina que quero estudar e entra no meu ciclo. Aliás, é através do estudo por ciclos que eu administro a coisa toda (leia mais sobre o estudo por ciclos aqui).

Outras: inglês, italiano, oratória, crítica literária, empreendedorismo, GTD (sim!), investimentos, andragogia. São assuntos que eu estou estudando agora. Que faculdade me proporcionaria essa amplitude de temas aleatórios? Como poderia existir um curso perfeito se cada pessoa é de um jeito e tem interesses diferentes? Então esta sou eu e este é o meu esquema chamado de universidade pessoal, que acredito que todas as pessoas tenham. Quais são as suas disciplinas de estudo no momento? O que você precisa estudar para o trabalho, para a casa, para a sua vida? Aprender a desenhar, jardinagem, web design. Todos temos interesses. Todos os interesses podem virar objeto de estudo.

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E aí a forma como você vai estudar varia igualmente. Para estudar inglês, eu defini qual era o meu objetivo: ficar fluente para estudar fora, tirar uma certificação, trabalhar com pessoas que conversam em inglês. Ou seja, era tudo sobre fluência. Como eu poderia aprender fluência em um idioma sem conversar com ninguém? Não dá. Por isso, me matriculei em um curso online onde estudo tanto fluência quanto pronúncia e gramática. Para treinar a conversação, tenho um amigo que está estudando também e, de vez em quando, marcamos um happy-hour para conversar em inglês. Para alimentar vocabulário, leio artigos em inglês na internet e livros na língua original – como o “Senhor dos Anéis” lá em cima.

Italiano não, já é outra história, como comentei em um post anterior. Estou na fase do aprendizado, estudando gramática, tirando dúvidas com a minha avó (que é fluente), ouvindo músicas para me acostumar com a pronúncia. Oratória: pesquisei quais os melhores livros no mercado e estou lendo. Uso os treinamentos de GTD e os meus workshops como laboratório para implementar e treinar o que estou estudando. Treino na frente do espelho, recebo orientação de uma profissional sobre voz e pronúncia, gravo vídeos, faço testes. Cada disciplina demanda recursos de aprendizado diferentes. E eu adoro isso! Posso me entendiar muito facilmente e, com esse esquema, consigo exercer minha criatividade até mesmo estudando.

Sobre o local físico para estudar, não preciso de nada mais sofisticado que uma cadeira, mesa e silêncio. Tenho um escritório em casa com porta que tranca e abafa a maioria dos ruídos, o que já ajuda muito, mas é uma necessidade de trabalho que, por sorte, ajuda com os estudos também. Se não fosse no escritório, faria o mesmo no meu quarto, quando precisasse estudar. E mais uma vez, vale lembrar: sair de casa e ir para outro lugar. Tem gente que estuda em biblioteca, por exemplo. Nunca fui, mas acho uma excelente opção. Quando estou sozinha em casa, sento no sofá para ler, porque é mais confortável. Enfim, depende muito.

O que algumas leitoras me perguntaram no Instagram é como eu faço para estudar tendo um filho pequeno. Eu não consigo entender muito bem o problema porque aqui em casa fazemos todo o trabalho em equipe e sempre educamos nosso filho dentro de uma rotina, com disciplina para horários de dormir etc. E olha que nem sou tão rígida – apenas temos algumas orientações que seguimos para dar segurança ao filhote mesmo. Quando ele era bebezinho, de acordar de madrugada para mamar, eu aproveitava quando estava acordada para ler uma coisa ou outra, mas de maneira bem informal. Fui voltando a ter uma vida “normal” só depois que ele já tinha uns seis meses e dormia a noite inteira. E claro que ele só dormiu a noite inteira com essa idade porque tínhamos uma rotina que supria suas necessidades, não o deixava agitado. Não acontece do nada.

Mesmo depois, com ele crescendo mais, o tempo de qualidade que ele passava com o pai dele, eu aproveitava para fazer as minhas coisas. Desde estudar até assistir algum filme que só eu gosto e meu marido não, ou sair com as minhas amigas. Quando eu trabalhava fora, aproveitava todo meu tempo livre com ele e ia estudar depois que ele dormia. Hoje em dia, que trabalho em casa e ele frequenta a escola durante meio período, é o tempo que eu aproveito para fazer as atividades que demandam mais concentração, como eu falei acima. Não tem segredo, de verdade. É questão de organização da rotina e de adequar os horários. É claro que uma família sem rotina e sem força de vontade não vai conseguir o mesmo efeito, porque nada “acontece” – nós fazemos acontecer! Tem que ter força de vontade, motivação e um pouco de disciplina. E quando digo “um pouco”, é um pouco mesmo! Não é para ser rígido – somos uma família, não um batalhão do exército.

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Tem muito também da questão de saber aproveitar o tempo da melhor maneira possível. Eu leio muitas revistas porque trabalho com conteúdo, então a inspiração vem de todo lugar. Leio revistas que tragam matérias sobre produtividade, organização, simplicidade, psicologia, literatura – enfim, o que tiver a ver com o meu trabalho e os meus estudos. Como administrar tudo isso? Bem, eu costumo deixar a revista na minha pasta de trabalho (tenho uma pasta executiva que uso para trabalhar quando saio de casa) e ler na condução, esperando o almoço, o ônibus, na fila do banco. Quando falta pouco para acabar a revista, destaco as matérias que ainda quero ler e levo somente essas comigo, em vez de levar a revista inteira. Tenho uma pastinha dentro da minha pasta que se chama “read / review” (a “ler / revisar” do David Allen), onde coloco todo esse material. Ao longo do dia, vou lendo e despachando. Outro dia mesmo, estava acompanhando o desfile das escolas de samba no Carnaval, e aproveitei para ler algumas reportagens, como na foto acima. É assim que eu aproveito meu tempo.

Quem está lendo este post pode pensar: “credo, ela só estuda! tem que ter um equilíbrio!”. Claro, gente. Eu não só estudo não. Eu trabalho, cuido do meu filho, limpo a casa, faço minhas atividades rotineiras e de hobbies que gosto. Mas, quando a gente aprende a se organizar, o tempo rende. E é aquilo que eu falei da intenção: executar com significado. É ok ficar uma hora inteirinha com as pernas para cima, descansando, se aquilo foi uma escolha sua porque você realmente quer e precisa descansar. Outra coisa totalmente diferente é você fazer isso sendo que tem um monte de coisas mais importantes para fazer. Às vezes, descansar é o mais importante mesmo. É disso que se trata a organização: definir o que é importante – o que é prioridade! Sem fazer isso, nunca haverá tempo não só para estudar, mas para fazer qualquer outra coisa.

Algumas dicas finais que podem ajudar:

  • Defina um orçamento mensal para comprar livros. Eu faço isso porque, senão, eu gasto muito mesmo. Algumas pessoas podem precisar fazer porque, senão, não compram nenhum, se esquecem etc.
  • Leve sempre algum material de estudo com você, seja onde for. Nunca sabemos quando vai aparecer um tempinho e ficar esperando sem fazer nada é meio inadmissível, sabe. A gente se estressa, o tempo demora mais para passar e desperdiçamos minutos preciosos.
  • Planeje sua semana (aprenda sobre o GTD, vai ajudar muito), distribuindo suas atividades nas 168 horas que cada uma contém.

Bons estudos!

10 Feb 2015

Estudando um idioma sem pressa – como se organizar

É comum encontrarmos artigos na Internet com dicas para aprender um idioma rápido, como ficar fluente em pouco tempo para uma viagem ou o vocabulário corporativo mais utilizado para reuniões de negócios em outra língua. O que vejo pouco por aí é sobre o estudo de idiomas pelo simples prazer de aprendê-los, ou pelo menos com um pouco mais de tempo, sem uma finalidade específica.

Eu estudo dois idiomas atualmente.

Inglês, como não poderia deixar de ser, para fins profissionais. Apesar de conseguir me virar bem com o inglês, a fluência sempre tem a melhorar, além de aspectos gramaticais. Como não falo inglês no meu dia a dia (moro no Brasil, afinal), se eu não praticar, nunca vou melhorar e, pelo contrário – posso até ir deteriorando o que eu já aprendi.

Italiano, que é o meu idioma preferido no mundo inteiro. Não tenho uma finalidade específica além de estudar como hobby, por ter família italiana, por querer conversar em italiano com outras pessoas que também falem.

Percebo que o meu estudo para ambos os idiomas são bastante diferentes. Eu venho estudando inglês desde a adolescência, mas passei a me dedicar mais seriamente quando passei a utilizar no meu meio profissional. Uma coisa era ler artigos – outra era viajar para os Estados Unidos para fazer um curso em inglês ou ministrar uma palestra nessa outra língua. Além do que, é fácil entender inglês quando é um inglês ou um (vá lá) americano falando. Tente entender o inglês que outras pessoas com fluência tão insuficiente quanto a sua falam, ou com sotaques diferentes! Portanto, quanto mais conhecimento e fluência você tiver, melhor. Por isso, há cerca de dois ou três anos, eu comecei a fazer um curso de inglês online (até comentei no blog – clique aqui para ler). Foi excelente. Treinei essencialmente minha conversação e pontos gramaticais específicos, direcionados. Tinha parado há algum tempo de fazer, mas resolvi retomar. Continuo fazendo online, que prefiro. Gosto mais da dinâmica e também considero mais ace$$ível, além da flexibilidade de horários.

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09 Sep 2014

Como tem funcionado a minha capacitação como instrutora da Call Daniel

Desde que comentei que uma das minhas atividades atuais é ministrar treinamentos sobre o GTD na Call Daniel, alguns leitores têm me pedido para escrever um pouco sobre como tem sido o meu processo de capacitação, pois postei bastante sobre isso nas minhas redes sociais. No geral, funciona assim: para ser instrutor GTD, o processo é longo e super bem organizado, porque o foco é total na qualidade. O que aconteceu no meu caso é que eu já utilizo o GTD há muitos anos (oito, para ser mais exata) e também já trabalhava como professora e palestrante, o que ajuda em termos de experiência. Porém, foi tudo muito intenso e, agora que já estou “formada” (mas sempre aprendendo, claro), perguntei para o Daniel se eu poderia falar sobre a capacitação aqui no blog e ele disse que sim (tinha um pouco de receio de expôr algum processo interno da empresa, mas ele achou ótima a ideia, pois assim mostra como uma pessoa se torna instrutora da Call Daniel).

Como começou

Inicialmente, eu precisei assistir muitos treinamentos, com todos os instrutores já consagrados. O legal da Call Daniel é que as empresas que contratam a gente são empresas que querem melhorar a qualidade de vida dos funcionários, ensinando-os a serem produtivos, então todas elas já têm programas muito legais de aprendizado, de integração e outras para formar bem cada colaborador. Há empresas gigantescas, com espaços voltados ao aprendizado, assim como empresas menores, que não se limitam para fazer acontecer. Em todas elas, a sensação de participar do treinamento é emocionante, de verdade. Algumas pessoas já são organizadas, outras nunca ouviram falar em método algum, mas tem pré-disposição a se organizarem, enquanto outras sofrem com a falta de organização e usam o treinamento para aprenderem a equilibrar todos os projetos da vida. Não é raro termos depoimentos que nos comovem ao final de cada treinamento, porque quando a gente se organiza, consegue diminuir muito o estresse e ter mais qualidade de vida.

O mais interessante de assistir diversos treinamentos é você conhecer não só a cultura de cada empresa, como a forma de transmitir o conhecimento de cada instrutor. Ver o Daniel em ação é sempre bacana, aprendo muito. O Márcio envolve a turma. A Renata é uma mãezona, sabe citar exemplos pessoais como ninguém e aproxima todos os participantes. A Joice é super didática e pontual. O Jacques parece aquele amigo batendo um papo com você, enquanto te ensina a fazer tudo da melhor forma possível. Dá para se sentir parte de uma família, e acho que é mesmo. Enquanto assistia esses treinamentos, me perguntava muitas vezes como seria o meu estilo como instrutora. Será que alguém já sabe me dizer?

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Ser palestrante, se comunicar com um público, é uma atividade maravilhosa. Toda vez que eu vou ministrar um treinamento ou fazer uma palestra, fico um pouco nervosa antes. Basta entrar e me apresentar, contar minha história e ver os sorrisos no rosto das pessoas, eu passo a fazer parte daquele grupo, de igual para igual. É uma sinergia que só quem já deu aula sabe. E chegar ao final de um treinamento sabendo que eu ajudei pelo menos uma pessoa a se organizar melhor é algo que me deixa imensamente satisfeita.

A preparação

Mas então, depois de assistir os treinamentos (e gravar o áudio, o vídeo, fazer muuuitas anotações), eu deveria montar o meu script. O script é uma espécie de roteiro com tudo o que eu vou falar no treinamento. O Daniel trabalha com ilhas de conteúdos, ou blocos, então eu deveria montar uma proposta de script com base nesses blocos de assuntos e ir treinando em cima deles. Ao mesmo tempo, eu também deveria gravar alguns vídeos, para que o Daniel pudesse avalisar postura, dicção, gestos e outros detalhes. Isso foi um grande aprendizado para mim. Gravar os vídeos foi a parte mais trabalhosa de todo o processo, especialmente porque eu estava de mudança na época, mas deu tudo certo. Hoje, já faço tudo muito diferente do que gravei, pois aperfeiçoei meu script, mas os gestos continuam os mesmos. Foi bem importante essa etapa.

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Também aconteciam “relâmpagos”, que é como a equipe chama algumas webconferences que fazemos via Skype com o Daniel e mais um instrutor, a fim de avaliar a performance do instrutor em formação. Então eu, por exemplo, entrava no meu relâmpago e deveria ministrar meu treinamento ao vivo durante alguns minutos. Eles ouviam e, se tivessem alguma correção, toque ou comentário, bastava falar. Eu fiz alguns pares de relâmpagos e gostei muito do resultado. O que eu mais gostei da capacitação é que não havia ponto sem nó – cada etapa foi muito bem planejada e tinha sua função. O Daniel corrigiu muitos detalhes importantes durante esses relâmpagos, especialmente com relação ao script. Ele me deu toques preciosos como “valorize mais a sua história” ou “cuidado para não passar a parte conceitual muito rápida, pois você já usa o GTD há muitos anos, mas a maioria das pessoas nunca ouviu falar nisso”.

Enquanto tudo isso acontecia, eu refinava meu script para que ele ficasse cada vez mais adequado (afinal, existe uma certificação a zelar – a Call Daniel é a única certificada pela David Allen Company a ministrar treinamentos sobre o GTD no Brasil), mas sem perder a minha cara, o meu estilo.

Meu primeiro treinamento

Depois desse processo inicial, foi agendado o meu primeiro treinamento: eu ministraria a parte da manhã (o treinamento, no geral, tem oito horas de duração) e um outro instrutor, a parte da tarde. Acredito que tenha me saído bem, mas ainda faltava bastante conteúdo a ser aperfeiçoado, especialmente na parte técnica da ferramenta utilizada (Outlook). Portanto, o treinamento ao vivo foi essencial para eu ver onde deveria focar meus esforços. Até comprei um Office 2013 para o meu novo PC, que comprei exclusivamente para trabalhar melhor em casa e me adaptar à ferramenta.

Meu segundo treinamento aconteceu algum tempo depois e já seria de um dia inteiro. O treinamento de um dia inteiro era um pouco mais complicado porque implica em (vejam só) gerenciamento preciso do tempo. Não dá para correr com os assuntos, assim como não dá para ir muito devagar, senão corre-se o risco de chegar ao final do dia sem conseguir passar todo o conteúdo! Para ajudar, um instrutor me acompanhou e fez muitas anotações ao longo do dia, para que tudo corresse bem – o que aconteceu, felizmente. Aliás, uma das particularidades da Call Daniel que eu mais gosto é essa coisa de sempre ter mais de um instrutor em sala (sempre tem pelo menos mais uma pessoa da equipe). Isso permite que a turma toda receba atenção (por exemplo, se o instrutor está atendendo alguém, a outra pessoa da equipe pode ajudar outra pessoa com dúvidas), além de sempre aperfeiçoar os treinamentos, pois a pessoa que dá suporte também faz anotações, registra ocorrências e compartilha suas percepções. Isso é muito rico!

Por fim, depois desse segundo treinamento, eu ministrei três seguidos que deram muito certo. Algo que me ajuda muito é estudar o perfil da turma um tempo antes e repassar o script de acordo com as suas necessidades, fazendo pequenas modificações, se necessário. Por exemplo, uma turma de gestores tem um perfil (e necessidades) diferente(s) de uma turma de analistas jr, e essas necessidades não podem ser ignoradas. Repassar o script também me deixa calma, segura para ministrar o treinamento. Então tem dado muito certo, porque procuro seguir rigorosamente o tempo para cada bloco e envolver bastante os participantes ao longo do curso.

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Depois dessa maratona, eu já fazia parte oficialmente da turma de instrutores e estava apta a ministrar os treinamentos. Vale citar que toda turma recebe uma avaliação do curso (que envolve avaliação do professor) e felizmente minhas notas foram sempre boas. Isso motiva muito e toda a equipe celebra esses resultados com todos os instrutores. São todos muito apaixonados pelo que fazem.

A rotina

Todo instrutor também tem um kit para usar nos treinamentos. Eu deixo o meu dentro de uma maleta personalizada (que foi presente de uma leitora) e contém cabo, adaptadores de tomada e VGA, carregadores, laser pointer (caneta de passar slides e apontar coisas na tela com laser), fita crepe (para pendurar folhas do flipchart) e canetas pilot reservas. É muito útil deixar tudo separadinho e organizado para acessar facilmente quando, como diz o Jacques, é “dia de treinamento“. :)

Quinzenalmente, é realizada uma reunião da equipe de Learning, onde todos discutimos os projetos em andamento, falamos sobre as necessidades das turmas, identificamos possíveis mudanças e melhorias, além de definir que instrutor vai em cada treinamento. A cada semana, a Call Daniel realiza muitos treinamentos, muitos mesmo. Portanto, não dá para definir os instrutores com uma antecedência maior do que essa (a não ser que sejam casos muito específicos), pois as situações mudam muito. Por exemplo, se a Renata vai dar um treinamento no Rio de Janeiro e for marcado outro para o dia seguinte, claro que compensa mais ela ficar por lá e fazer os dois. Pode parecer óbvio mas, no dia a dia, com tantos agendamentos, pode confundir. Então nos reunimos quinzenalmente para fazer o tetris com a agenda de todos e definir quem ministrará cada treinamento. No geral, cada instrutor faz, em média, dois treinamentos por semana. O Daniel é muito preocupado com a qualidade e não quer sobrecarregar ninguém.

Minha rotina de aprendizado nunca termina. Quando não é dia de treinamento, eu sempre gosto de dar uma ensaiadinha em algum ponto do meu script, para não esquecer. Também pesquiso muito sobre pedagogia empresarial, educação para adultos, psicologia de grupos, técnicas de oratória, entre outros assuntos relacionados, para sempre me aperfeiçoar. Hoje, ministrar treinamentos, workshops e palestras é o meu negócio principal, então eu preciso me dedicar bastante. Gosto de ver palestras no YouTube e do TED, para me inspirar e tirar ideias. E estou sempre relendo os livros do David Allen porque – incrível – sempre que releio aprendo alguma coisa nova. Esse cara é o cara.

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E é isso. É bastante trabalhoso, mas é um trabalho que traz muitas realizações. Como minha missão é inspirar as pessoas a serem organizadas, procuro viver uma vida coerente com ela e buscar atividades que me ajudem a fazer do que faço um verdadeiro legado. Espero estar conseguindo. Estou muito feliz.

06 Feb 2014

Como se organizar para aprender um idioma – planejamento

Imagem: Blue eye, brown eye

Imagem: Blue eye, brown eye

Olá pessoal! Hoje vim escrever um pouco sobre o planejamento para aprender um novo idioma. Estou passando por isso no momento, para aprender espanhol, e pretendo fazer um segundo post depois, contando o que deu certo ou não.

No meu caso, eu sou aquela pessoa que não sabe pronunciar nem “mojito” direito. Preciso começar do zero mesmo. O primeiro passo, então, é descobrir em que nível de aprendizado você está – qual sua situação atual. Porque sim, pode ser que você já tenha alguma base… Ano retrasado, quando estudei inglês, eu já parti direto para um curso de conversação, porque era minha necessidade naquele momento e eu já tinha uma base teórica relativamente ok. Identifique qual seu nível de conhecimento antes de mais nada.

O segundo passo é saber qual o seu objetivo. Para que você quer aprender esse idioma? Alguns exemplos:

  • Viajar nas férias para um país onde esse idioma é falado
  • Mudar para um país diferente
  • Trabalho
  • Ministrar um curso em outro idioma
  • Simplesmente hobby

Conhecer seu objetivo é fundamental, porque isso vai direcionar o tipo de estudo que você vai ter. No meu caso, eu preciso aprender espanhol por causa do meu trabalho. Logo, o foco deve ser o aprendizado rápido e a conversação. Uma pessoa que queira estudar um idioma somente por hobby pode fazer isso de forma muito mais devagar, utiliizando outros materiais. É outra pegada.

Saber qual seu objetivo também te dará uma noção da prioridade e do prazo que você tem para aprender esse idioma. São noções importantes em qualquer projeto.

Depois de definir seu objetivo, você precisa aceitar suas condições de dinheiro e de disponibilidade de tempo. Quando você poderá estudar? Uma vez por semana, duas horas? Três vezes por semana, uma hora cada? Somente aos finais de semana? E recursos financeiros, você tem? Quanto poderá investir nisso? 100, 200, 500 reais por mês? São limitações importantes que devem ser levadas em consideração. Avalie também suas possibilidades de deslocamento.

Até agora, você já sabe:

  • Seu nível no idioma
  • Por que precisa ou quer aprendê-lo
  • Qual sua prioridade
  • Em quanto tempo precisa aprender o idioma
  • Quanto dinheiro tem para investir
  • Quanto tempo pode disponibilizar
  • Como pode se deslocar (ou não)

Vamos dar como exemplo uma pessoa que precisa aprender inglês para ir para a Disney nas férias, que acontecerão em setembro.

  • Nível no idioma: Básico, só o que aprendeu na escola. Não sabe falar nada.
  • Objetivo: Se virar bem nas férias.
  • Prioridade: Alta, porque o acontecimento tem data (menos de um ano).
  • Prazo: Sete meses.
  • Dinheiro: Até 300 reais por mês.
  • Tempo: Disponível para fazer até duas aulas por semana no máximo, de cerca de uma hora de duração, ou aos sábados de manhã.
  • Deslocamento: Não dirige, então depende de transporte público. Tem uma escola de idiomas a poucos quarteirões de casa.

Bem, a necessidade dessa pessoa é a seguinte: ela precisa se virar quando viajar para a Disney, mas não precisa de um nível avançadíssimo em gramática, por exemplo. Logo, ela não vai ingressar em um curso extensivo, que não lhe ensinará o que ela precisa para ir viajar em poucos meses. Ela pode procurar a escola perto da sua casa para expôr seu objetivo e conhecer as opções. Geralmente as escolas de idiomas têm diversos planos adaptáveis a essas situações.

Formatos

Você aprender um idioma das seguintes formas:

  1. Fazendo um curso em uma escola de idiomas
  2. Fazendo um curso online, geralmente de conversação
  3. Estudando sozinho(a)
  4. Conversando com amigos fluentes no idioma, para treinar
  5. Fazendo aulas com um(a) professor(a) particular
  6. Convivendo com pessoas que falam esse idioma o tempo inteiro, se virando e aprendendo

A escolha depende de cada um, depois de analisar todos os pontos anteriores. Eles devem ser levados em consideração, mas a decisão é pessoal. Uma combinação dos formatos sempre otimiza o aprendizado.

No meu caso, por exemplo, eu não tenho como me deslocar para fazer um curso de espanhol em uma escola. Meus horários variam bastante e eu preciso adaptar meus estudos a isso. Como também não pretendo ficar anos e anos estudando, quero algo mais rápido e efetivo, voltado à conversação. Por esses motivos, eu optei por fazer aulas com uma professora particular a cada 15 dias e estudar sozinha em casa nos intervalos. Foi a opção que se encaixou melhor na minha vida no momento. Depois de um tempo, pretendo contar aqui como foi.

Uma dica que todo mundo costuma dar quando a gente quer aprender um idioma é inserí-lo no dia a dia, seja mudando a configuração no Facebook (para ficar no idioma desejado) ou colocando post-its pela casa, com o nome das coisas. Também vale a pena ler notícias, sites, textos e livros simples, para se acostumar com o vocabulário. Treinar é fundamental! Portanto, tente escrever pequenas frases e parágrafos sem consulta, para ver quais são as dificuldades ao formar frases e estudar o que for ponto fraco. Também existem aplicativos com jogos e outras funções para aprender idiomas. E lembre-se de ouvir músicas naquele idioma, para decorar e pegar vocabulário, gírias e expressões.

Prometo voltar com esse assunto daqui a alguns meses para compartilhar a minha experiência. Espero que o post ajude quem esteja pretendendo aprender um idioma novo e não tenha ideia de por onde começar. Se você também tiver dicas, por favor, deixe nos comentários! Obrigada!

05 Feb 2014

Dicas para quem trabalha o dia inteiro e estuda

Imagem: Jonathan Jones 2

Imagem: Jonathan Jones 2

Quem trabalha em tempo integral sabe que o tempo de trabalho não se restringe às oito horas (ou mais) no local de trabalho, mas também ao tempo de deslocamento, acordar, trocar de roupa, enfim, uma série de outras atividades. Por isso, quem trabalha oito horas por dia acaba tendo cerca de 11 horas por dia dedicadas a essa área da vida e, se a gente levar em conta que dorme oito horas toda noite… bem, sobra muito pouco tempo para o resto, não é? Por isso, quem resolve estudar mesmo trabalhando em tempo integral precisa ter umas táticas de sobrevivência, e eu quero compartilhar algumas dicas minhas neste post.

Capítulos, não livros

Tenho uma dica que vai parecer blasfêmia aos bibliófilos de plantão (eu inclusa), mas depois que desapeguei, confesso que mudou minha dinâmica de estudos.

Uma vez li uma frase do Alexandre Meirelles que dizia algo como “quem gosta de livro bonito não passa em concurso”. Também já tinha ouvido falar que muitos concurseiros desmontavam os livros grandes, formato brochura, difíceis de manusear, para mandar encadernar em volumes menores. Achava isso absurdo, até olhar meia dúzia de livros enormes na estante que eu nunca conseguia terminar de estudar justamente porque não tinha como carregar aquilo.

Levante a mão o concurseiro ou estudante que já não foi viajar com uma mala só para os livros. Sério, gente, isso é uma coisa que faz parte da minha vida desde que eu entrei na faculdade. Tenho tido dores nas costas desde então, pois gosto de usar mochila.

Aí eu descobri que… se a gente desapegar… e pensar no livro de estudos como um instrumento e não uma obra de arte… dá para a gente separar as páginas de cada capítulo, grampear, usar clipes, encadernar de novo… mas levar somente o necessário por aí. Blasfêmia? Pois é. Mas, com livros de concurso, isso funciona que é uma beleza. Porque aí fica fácil de carregar, dá para levar no trabalho, ler no ônibus, na hora do almoço, sem ficar manuseando livros enormes.

A dica é polêmica, mas funciona. Faça o teste. No mais, livro de concurso geralmente fica desatualizado de um ano para o outro, praticamente. Não se apegue. Você quer passar ou ter um livro bonito para tirar foto e pôr no Instagram?

Programe as leituras

Você pode separar os capítulos que pretende ler por dia e já deixar o montinho separado. Aí, basta levar com você para todos os lugares. Banheiro, trânsito, cantina, almoço, sala de espera, fila. É muuuito provável que você acabe lendo tudo o que tinha programado.

Feito é melhor que perfeito

Ler “por cima” um capítulo é melhor do que ler nada. Eu era muito cismada e pensava “não vou ler tal capítulo na sala de espera do dentista porque não vou conseguir ler inteiro” ou “não dá para ler na fila porque preciso ir grifando”. Gente, minha dica é: apenas leia. Leia, mesmo que superficialmente. Depois você revisa. A ideia é que, se você estiver lendo sempre, vai rever aquele material toda hora. A atenção vai chegar e a repetição da leitura pode te ajudar na memorização e no entendimento de passagens futuras.

Eu acredito piamente que vale mais a pena ler um livro inteiro como se fosse uma revista (mesmo se for um livro de Direito) para ter um entendimento geral e só depois aprofundar que demorar um ano inteiro para chegar ao final de um livro, lendo em detalhes. Até você terminar o livro, já se esqueceu do que estudou lá no começo.

Pouca atenção, muita atenção

Não deixe de estudar somente porque está em um momento de pouca atenção. Se você estiver com um momento livre, mas sem pique para ler, resolva exercícios. Leve sempre uma provinha da banca com você e resolva as questões. Existem livros só de questões – tenha um deles e faça até terminar.

Algumas pessoas fazem palavras-cruzadas e sudoku para relaxar. Você faz exercícios. Simples assim.

No mais, conheça seu corpo. Se você sabe que em tal horário livre você estará bem disposto, aproveite para estudar teoria, aprofundar em alguns assuntos. Não desperdice esse tempo com revisões e exercícios. Aliás, treinar exercícios quando está cansado pode ser super útil para a hora da prova.

Leia a lei

Essa vale para os concurseiros e estudantes de Direito. Leia a lei. Um pouco hoje, um pouco amanhã. Tenha um daqueles mini-códigos e leve com você o dia inteiro. Dê sua pequena rezadinha antes de dormir com seu CTN ou súmulas do STF. Decorar a lei não é algo que se faz do dia para a noite e, lendo um pouco todos os dias, você vai integrando ao seu conhecimento das outras disciplinas e aprendendo sempre um pouquinho mais.

Não faça quadros horários

Sei que o William Douglas é o mestre-mor dos concursos, mas eu não acho que fazer um quadro horário seja uma ferramenta efetiva em todos os casos. Ela funciona muitíssimo bem para quem se dedica em tempo integral aos estudos, sem dúvida. Essa pessoa pode se programar, remanejar disciplinas. Quem trabalha o dia todo e tem poucas horas por dia para estudar precisa estudar no improviso, quando tem tempo disponível.

O estudo por ciclos do Alexandre Meirelles é um método maravilhoso e eu recomendo a todos que realmente tentem antes de qualquer outra coisa, mas o que vai funcionar de verdade é entender o que é melhor para você. Se você tiver três horas hoje para estudar e estiver empolgadíssimo(a) com Direito Tributário, por que pararia somente porque, no seu ciclo, você deveria estudar somente duas horas dessa disciplina? Isso pode funcionar para você, mas também pode não funcionar. Você não tem muito tempo… não se prenda a métodos, mas sim ao estudo, às horas-bunda-cadeira. De nada adianta gastar tempo que podia ser de estudo com elaboração de planejamento de estudos. É útil? Claro que é, mas deixe para fazer em um momento que não seria dedicado aos estudos. Você não tem o privilégio de desperdiçar tempo (alguém tem?).

Não registre o tempo de estudo

Pode parecer outra blasfêmia, mas sério, deixe para um segundo momento, lá na frente, daqui a alguns meses, quando já estiver com uma rotina de estudos consolidada e quiser verificar quanto tem estudado efetivamente. Mas não faça isso no começo, pois pode te engessar e fazer você ficar ansioso(a), mais preocupada(o) com o tempo que com o estudo em si. Mas, se funcionar para você, vá em frente. É bom registrar o quanto estudou e o quê. Eu só acho que, no começo, pode tirar seu foco de preocupação.

Tenha um companheiro de estudos

Ter um amigo ou alguém com quem você possa conversar sobre os estudos é muito útil e reconfortante, pois nem sempre nossos amigos, namorados(as) ou esposos(as) entendem o que estamos passando. Se o amigo estiver estudando para o mesmo fim que você, tanto melhor, pois vocês podem ensinar um ao outro, revezar materiais, trocar dicas e, principalmente, um motivar o outro. E isso não tem preço, faz muita diferença na disciplina.

Invista em diferentes formatos

Constituição Federal em mp3 para ouvir em viagens e no trânsito, apostilas em pdf para ler no celular, vídeo-aulas – tem uma infinidade de recursos hoje em dia para quem quer estudar e aprender. Não desperdice isso. Identifique tempos “perdidos” no seu dia a dia (exemplo: trânsito) e pense sobre como você poderia aproveitá-lo melhor. Será que ouvir uma aula ou o áudio da lei não ajudaria?

Revise o que você estudou

Se há uma unanimidade entre os aprovados e grandes “passadores de provas” é que o conteúdo deve ser revisado com frequência. O Alex Meirelles (sou fã mesmo, o cara é fera!) recomenda um esquema muito legal de revisão, que é:

Revisão antes de dormir, rapidamente do material estudado
Revisão no dia seguinte
Revisão uma semana depois
Revisão um mês depois, e depois ocasionalmente, cada um com as suas necessidades

Eu gosto muito, mas aí você precisa ter um registro legal disso. Talvez ter uma agenda exclusiva possa resolver. Eu confesso que já tentei e funciona bem se eu fizer só aquilo, mas na maioria das vezes eu tinha umas 18 revisões em um único dia e tempo de menos, aí desanimava. O que dá certo para mim é a revisão “natural”, meio intuitiva, que faço ocasionalmente, sem frequência definida.

Independentemente do método que utilizar, revise. Matéria não revisada é matéria esquecida.

Tenha sempre um material com você

Essa dica pode parecer redundante depois de tudo o que eu falei acima, mas é imprescindível que você tenha sempre algum material de estudo com você – sejam os capítulos destacados dos livros, uma apostila, um tocador de mp3 com áudio, um livro, um resumo, enfim… A ideia é tornar mais fácil estudar que fazer qualquer outra atividade, no seu tempo vago. Foi no banheiro? Em vez de ficar no What’s App ou jogando Candy Crush, revise algum conteúdo!

Pare de se comparar com quem está em condições diferentes

Quando eu comecei a estudar, ficava pensando “aff, queria poder estudar o dia inteiro” ou “é muito mais fácil para quem não tem filhos”. Oras, e aí? Vai mudar sua realidade? Nope. Então faça limonada desse limão. As condições variam para todas as pessoas e você precisa aproveitar que está vivo e com plenas condições de estudar. É isso que basta, não importa se você estuda uma ou 12 horas por dia.

O cara que estuda o dia inteiro vai passar primeiro? Não necessariamente, mas geralmente sim. Isso significa que você deve desistir? Com certeza não! Muitas estatísticas já mostraram que, dentre os aprovados nesses concursos grandes (Receita Federal, por exemplo), a maioria estava trabalhando. Pode demorar mais tempo sim para você passar, mas concurso não é prova de velocidade, e sim de resistência (célebre frase). Tem gente que presta um, dois, passa no terceiro concurso! Se cada um aconteceu a cada quatro anos, faça as contas! Claro que não estou dizendo para você passar daqui a dez anos em um concurso, mas para não desanimar se não passar depois de um ano estudando. Para quem trabalha fora em período integral, a realidade é outra!

Não deixe de viver

A vida é curta. Passar em um concurso é importante, mas tem outras coisas acontecendo. Faça o seu melhor, mas não deixe o que é importante completamente de lado. Quando tiver edital na praça, ok, se mate aí de estudar, durma menos, faça o que puder, desde que esteja com saúde. Mas, antes disso, vale a pena viver se matando, sem dormir direito, acordando 4h da manhã, ficar sem ver filho(a), esposo(a), família, amigos? Aprenda a restringir algumas atividades, mas não corte tudo. Isso nem faz bem.

Tenha um dia de folga durante a semana, ou dois períodos. Aí você pode, por exemplo, sair na sexta à noite com os amigos, uma vez ou outra, ou ir na terça à noite ao cinema, desde que estude aos finais de semana. O que não dá é para usar isso como desculpa para não estudar nunca nas horas vagas! Mas não é o caso. Faça alguns sacrifícios, mas não deixe de viver a sua vida. Nenhum salário de cinco dígitos compensa deixar de acompanhar o crescimento do seu filho, os momentos com o amor da sua vida ou o aniversário dos seus pais.

Tudo depende do seu critério. Já cansei de levar material de estudo pra churrasco na casa da minha cunhada, fazia um social básico e depois ia estudar dentro da casa. As pessoas até se acostumam, reconhecem seu esforço. Não precisa deixar de ir ao churrasco, se adapte. Tem visita em casa? Troque uma ideia, dê um abraço, explique que está estudando e tchau. O bebê está chorando? Se não consegue se concentrar, às vezes vale fazer uma pausa e voltar com concentração total depois. Sempre avalie. Cada caso é um caso… não se martirize, mas faça sempre o melhor que puder. Se você estiver se sentindo culpado(a), talvez valha a pena dar um tempo justamente para aliviar a tensão emocional. Muitas vezes, cinco minutos de “chutar o balde” funcionam para a gente voltar com menos estresse depois.

Respeite seu corpo

Se estiver estressado(a), pare, respire, medite, descanse, veja um filme, relaxe. Você não vai conseguir absorver nada mesmo. Se estiver com sono, percebendo que nada mais entra na sua cabeça, durma um pouco. De repente você percebe que fica bem se dormir das 20h às 22h e estuda das 22h às 2h, dormindo de novo. Não existem regras, mas tente criar uma rotina, até mesmo para o seu corpo não estranhar. O que é ruim é acordar num horário em um dia, dormir cada noite em uma hora diferente. Você vai se cansar muito mais. Agora, se o horário for meio maluco, mas for rotineiro, o corpo fica bem. Conheça seu corpo e respeite seu ritmo!

Pegue leve

Alguns dias são melhores que os outros. Em alguns dias estamos mais dispostos – em outros, super cansados. Não existe dia perfeito, nem condições perfeitas, para ninguém, nem mesmo para quem estuda o dia todo. Sua métrica de sucesso tem que ser os exercícios que você resolve e acerta. Se isso estiver acontecendo, independente do método de estudo que você estiver utilizando, é porque está fazendo alguma coisa direitinho, então continue! Não importa se o seu jeito de estudar é diferente do do William Douglas ou do Alexandre Meirelles – não são regras! Se funciona para você, é o que importa.

Estudar e trabalhar não é fácil! Envolvem mil e uma questões além do tempo para estudar. Porém, com pequenas intervenções ao longo do dia, dá para você estudar várias horinhas sem nem perceber. Descubra o que funciona para você e siga em frente. Ah, e sem medo de mudar. O importante é estudar. ;D

03 Feb 2014

A decisão de voltar a estudar depois de ter um filho

Revista Crescer, fevereiro 2014

Revista Crescer, fevereiro 2014

A revista Crescer de fevereiro tem uma participação minha na matéria “De volta à escola”, sobre mães que voltaram a estudar depois do nascimento dos filhos. Eu falo um pouco sobre como foi fazer a pós-graduação enquanto ele ainda era bebê, e então eu percebi que não tinha falado sobre essa experiência aqui no blog. Como estamos em tempo de volta às aulas, pode ser um assunto legal de abordar.

Eu decidi fazer a pós-graduação no final do ano de 2010, quando meu filho tinha oito meses de idade. O curso começou em março de 2011, às vésperas de ele completar um ano de idade. Como eu estava trabalhando durante a semana, optei por fazer o curso aos sábados o dia inteiro, para não ficar sem meu tempo com ele durante a semana (além do que eu já ficava, no trabalho).

Eu tinha me formado em 2006 e, em 2008, ingressei em uma nova faculdade (História), que acabei não concluindo por falta de disponibilidade (meu trabalho não me permitia chegar na faculdade a tempo, mas eu tentei!). Em 2009, engravidei. Logo, eu posterguei demais a minha pós-graduação. Hoje em dia concordo com quem diz que a pós deve ser feita logo depois que a gente termina a faculdade, senão acaba adiando muito. Eu adiei porque não tinha certeza do que queria fazer, exatamente, e isso foi até bom, pois acabei fazendo um curso bastante específico e que tem tudo a ver com o que eu queria fazer mesmo.

Acabei optando pela pós-graduação em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais, um curso oferecido pelo Senac, que cursei em São Paulo. Como o curso era aos sábados, mesmo quando nos mudamos para Campinas eu ainda pude continuar frequentando o curso. Foi difícil, gente, uma das épocas mais ocupadas da minha vida, mas deu tudo certo. Só não pensei em desistir porque já tinha feito um investimento enorme de tempo e dinheiro, e terminar era mais fácil que abandonar, ficar sem nada e depois ter que começar tudo de novo!

Foi importante fazer a pós pelo meu momento profissional. Eu tinha acabado de voltar ao mercado de trabalho depois da gravidez, e quem é mãe sabe como isso é complicado. Para a minha idade, eu já “deveria” ter uma pós-graduação (muitas pessoas da mesma idade já tinham feito há mais tempo), então eu me sentia defasada. Como meu marido deixou o seu emprego para se dedicar aos cuidados com o filhote e a casa, eu sabia que precisava dar um “up” na minha carreira se quisesse conseguir um emprego melhor (e ganhando mais).

A pós foi essencial para alcançar esse objetivo, pois em poucos meses eu consegui um trabalho muito legal e, no mesmo ano, entrei na empresa onde eu estou agora, o que nos possibilitou uma mudança de qualidade de vida para o nosso filho, mudando para o interior. Eu não teria sequer participado do processo seletivo em ambos os cargos se não estivesse cursando a pós-graduação.

Muitas pessoas me escrevem perguntando se devem fazer uma faculdade com um filho de três meses em casa ou se vale a pena fazer um curso em outra cidade com filhos pequenos. Essa decisão é muito, muito pessoal mesmo. Não tenho como opinar pois não conheço a estrutura familiar de cada um, muito menos as motivações e o momento profissional. O conselho que eu dou é sempre o seguinte: faça o que for inadiável. No nosso caso, minha pós já deveria ter sido feita antes, então era uma urgência sim. Chegamos a um acordo em casa, e jamais teria conseguido sem o apoio de toda a família. Meu marido levava o filhote para passear na casa das avós todos os sábados, e muitas vezes elas revezavam nos cuidados com ele até eu buscá-lo no final da tarde.

O fato de ter feito a pós aos sábados não significa ter tempo livre durante a semana, pois eu também precisava me organizar para ler, estudar e fazer trabalhos. Aí não tem jeito: o negócio é se organizar. Eu estabelecia um dia da semana para me dedicar a isso de noite, e escrevia tudo o que tinha para escrever. Ao longo do dia, respondia e-mails relacionados ao grupo e assim ia caminhando. Mas foi bem difícil sim. Tem que ter muita força de vontade.

Por exemplo, eu tinha limites de faltas, então administrava isso para poder usar em emergências. Uma vez meu filho estava com princípio de pneumonia e o limite de faltas já tinha passado… fiquei com ele o dia todo no hospital e depois pedi quase de joelhos para o professor não me dar falta, o que me reprovaria naquela matéria. Por sorte as pessoas se compadeciam. Mas olha, fui para o curso doente várias vezes, várias vezes. Tudo para economizar faltas. O aniversário do meu filho foi no domingo, porque eu não tinha os sábados…

É importante pensar que uma mudança dessas é um projeto familiar, e não só seu. Imagina só se eu resolvo fazer a pós e meu marido não concorda? Ia ser uma guerra a cada sábado…

Foram 18 meses de aulas e seis meses de TCC. Tenho muito orgulho de ter conseguido concluir o curso, pois eu sei como foi difícil, morando em outra cidade e com nosso filho ainda pequeno. Porém, nós sabemos que foi a melhor coisa que eu fiz, pois vieram consequências muito boas desse esforço. Além do meu emprego em si, abriu outra fonte de trabalho, que foi a possibilidade de dar aulas – sonho que realizei no ano passado.

Por isso, se você tem filho(s) e pretende voltar a estudar, o que eu te digo é para decidir isso em família. Se não for necessário, sinceramente, espere mais um pouco. Meu marido mesmo, vai fazer faculdade só agora, quase quatro anos depois do nascimento do nosso filho. A família tem que ter prioridades. Se o seu estudo for uma prioridade, você deve encontrar um meio de fazê-lo, mas sem trabalho em equipe, será impossível.

Lembre-se que, quando as crianças crescerem, as coisas ficarão mais simples. Minha faculdade de História, por exemplo, vai ficar para quando meu filho estiver entrando na dele, provavelmente. =) Sei que, quando abrimos mão da nossa carreira para engravidar, dá uma vontade enorme de voltar com tudo depois que os filhos nascem, até mesmo pelo instinto materno que a gente tem, de querer cuidar de tudo. Mas a vida não precisa acontecer só quando eles estiverem pequenos. Talvez dar um tempo, esperar um pouquinho, seja a melhor solução. Só você pode avaliar.

Boa sorte.