GTD

16 Sep 2014

Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote – Parte 8 – Gerenciando notas na prática

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Hoje o post traz a Parte 8 do Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote. Confira os posts anteriores na tag Guia definitivo GTD e Evernote. Hoje finalmente falaremos sobre como gerenciar as notas na prática, depois da explicação de todos os níveis e uso das tags.

Se você não sabe o que é GTD, clique aqui. Se você não conhece o Evernote, clique aqui.

Importante: este guia é para uso avançado de ambos, então não focarei em princípios básicos nesta série. É fundamental conhecer o método GTD e saber manusear o Evernote para acompanhar.

Eu utilizo como base o guia mostrado pelo Matt Martin, do site After The Book. Ele usa uma estrutura com apenas dois cadernos e todo o restante gerenciado por tags (ou etiquetas). É assim que faço também. Meu guia é baseado no dele, mas eu preenchi alguns gaps que ele deixou (e que eu identifiquei à medida que ia usando) e está em português.

Como funciona o processamento de notas nesta estrutura

Eu criei uma nota que servia como guia no início do meu uso dentro dessa estrutura. Hoje, o processo já se tornou dedutivo para mim, mas a nota ficou guardada como referência, para ajudar neste post. Portanto, vou falar adiante como eu processo cada tipo de nota: tarefa, projeto, arquivo de suporte a projeto, área de foco, objetivo e lembretes.

Como processar tarefas

A orientação é criar uma nota por tarefa, pois desta forma consegue-se manusear livremente cada tarefa.

Ao processar, cada tarefa deve ter as seguintes tags:

  • Contexto*
  • Prioridade
  • Duração*

Se for uma nota avulsa, tagear também com a tag da Área de foco.
Se fizer parte de um projeto, tagear com a tag do projeto.

Ou seja: ou a nota é avulsa, ou ela faz parte de um projeto. Se for avulsa, a tag deve ser a da área de foco. Se for parte de um projeto, em vez da tag da área de foco, deve ser a tag do projeto.

Nomenclatura título tarefa: “- Fazer tal coisa”. Eu uso o hífen no começo para, visualmente, a tarefa se diferenciar das outras notas. Funciona muito bem para mim, mas é opcional.

* Nem todas as tarefas são próximas ações. Elas podem estar Aguardando resposta ou estar na Revisão pessoal, com tags como “Ler”, “Comprar” etc. Próximas ações são tarefas que não dependem de mais nada para serem realizadas – apenas fazer.

Muitos leitores me perguntaram se eu tageio as notas com “Próximas ações” também. Não acho necessário. Eu prefiro usar o mínimo de tags possível – somente o que for preciso para entender do que se trata a nota mesmo. Se vocês utilizarem o modelo com sete cadernos proposto no post anterior (parte 7), já terão uma lista com todas as suas tarefas. Se usarem o modelo com dois cadernos e quiserem ter uma lista com todas as tarefas, para referência, podem usar a tag Próximas ações. Ok? Fica a critério de cada um. Eu não vejo necessidade de ter uma lista com todas as minhas tarefas (não tem finalidade alguma), mas apenas por contexto, curação, prioridade ou projeto. Algumas notas, como projetos, objetivos, eu gosto de ter todos listados juntos porque são necessários ao fazer a revisão semanal. Tarefas, não. Mas, mais uma vez, trata-se de uma escolha pessoal.

Tarefas concluídas

  1. Quando uma tarefa for concluída, mudar nomenclatura para “00/00/00 – Tarefa X”.
  2. Trocar para a tag “Tarefas concluídas”
  3. Tirar tags de contexto, prioridade e duração
  4. Manter as outras (área de foco ou projeto)

Dentro de um projeto, gosto de mesclar as notas de tarefas concluídas em uma única nota, que chamo “Tarefas concluídas – Projeto X”. A vantagem de colocar a data no início do assunto de cada uma delas é que, ao mesclar, elas ficam como um registro de quando foram feitas.

Como processar projetos

Todo projeto deve ter uma nota master do projeto, que chamo de MPN (master project plan). É nesta nota que você vai inserir as informações sobre o seu projeto (todas as que você quiser e achar necessárias). A ideia da MPN é a seguinte: se alguém (seu gestor, sócio, subordinado ou outra pessoa) quiser saber um status do projeto, você compartilha esta nota com ele, pois ela terá todas as informações necessárias. O que cada um inserirá é pessoal e depende das necessidades do projeto, da equipe, do profissional e por aí vai.

Para cada novo projeto, crie então uma nota master e a tageie com as seguintes etiquetas:

  • 10.000ft – Projetos em andamento – Aqui, o objetivo é ter uma tag que liste todos os seus projetos em andamento. Você precisará dessa relação ao fazer a sua revisão semanal.
  • Área de foco
  • Objetivo relacionado
  • Tag do projeto

Nomenclatura título projeto: “[MPN] Projeto”. Gosto de colocar “[MPN]” no título da nota porque é fácil de identificar visualmente.

Crie uma tag específica para o projeto. Exemplo de tag: “! Projeto”. O uso do ponto de exclamação é aleatório e poderia ser qualquer outro caractere especial. Eu apenas optei pelo ponto.

Projetos concluídos

Ao concluir um projeto, deve-se mudar a tag do mesmo para “2014 – Projeto concluído” e arrastá-la para dentro de “Projetos concluídos”. Ao fazer isso, verifique quais notas deseja tagear como notas de referência, pois muitas delas podem servir no futuro para outra coisa. Notas de reuniões, mapas mentais, arquivos digitalizados e por aí vai. Essas notas deixam de ser arquivos de suporte a projetos para se tornarem referência.

Fundamental entender o que está em andamento e o que está arquivado no GTD. Quando usamos tags, estamos definindo isso. Logo, se uma tag de tarefa tem um contexto, é porque ainda não foi concluída. Ao ser concluída, ela não pode mais ter a tag de contexto, somente a de tarefas concluídas. O mesmo vale para projetos. Não mantenha tags de coisas em andamento para não se confundir. Sempre mude as tags.

Como processar arquivos de suporte a projeto

Quando um projeto está em andamento, tudo o que for relacionado a ele (e não for nem MPN, nem tarefa) é considerado arquivo de suporte a projeto. O David Allen utiliza este termo para diferenciar o que está em andamento do que está arquivado.

Notas que já estão arquivadas em referência geral podem ser usadas como arquivos de suporte a projetos? Claro que sim. Não precisa tirar de referência – apenas coloque nela também a tag do projeto em questão, para ficar fácil de acessá-la junto com os outros arquivos do projeto.

Uma nota que seja arquivo de suporte a projeto deve ter somente a tag do projeto. Quando o projeto for concluído, caso haja interesse em arquivá-la como referência geral, utilize as tags adequadas. Pode manter a tag do projeto concluído, se você achar necessário ter como referência futura. A escolha é sua. Não há regras escritas em pedra aqui, apenas sugestões.

Como processar áreas de foco

Ao definir uma área de foco da sua vida, vale a pena criar uma nota sobre ela, explicando do que se trata. Nada muito complexo – apenas uma definição. Esta nota deve ser tageada com “20.000 ft – Áreas de foco”, pois assim você pode ter uma visão geral ao fazer a sua revisão semanal.

Crie também uma tag para a sua área de foco, dentro da tag citada acima. A tag deve ser assim: “= Família”. O uso do sinal de igual é aleatório e poderia ser qualquer outro caractere especial. Eu apenas optei por ele.

Como processar objetivos

Crie uma nota master para o objetivo. Eu utilizo a nomenclatura com um asterisco na frente apenas para facilitar. Exemplo: * Objetivo Z. Nesta nota, eu escrevo informações que descrevam o objetivo. Nada muito complicado também – é apenas para saber do que se trata, quando pretendo alcançar, o que espero dele etc.

Crie uma tag específica para o objetivo. Falei mais sobre essas tags na parte 6 deste guia. Favor ler, para entender melhor como fazer.

Tagear, além disso, com a área de foco relacionada.

Objetivo concluído

Mantenha somente a nota do objetivo arquivada (exclua a tag). Tageie em “Objetivos concluídos”.

  • Mude título da nota para “2014 + Objetivo concluído”
  • Mantenha as outras tags
  • Linke notas afins (projetos, tarefas avulsas relacionadas)

Nem toda tarefa e nem todo projeto estará relacionado a um objetivo – vale lembrar. Também fazemos coisas que não contribuem com objetivos que temos.

Como processar lembretes

Sempre que precisar inserir algum lembrete no sistema, utilize somente a tag do dia ou do mês dentro do Tickler. Não utilize o sistema de lemberetes do Evernote. Além de ficar poluído visualmente, o GTD não propôe o uso de alertas, mas sim uma revisão diária e semanal para facilitar a execução. Isso será assunto do nosso próximo post.

Pessoal, estamos quase acabando esta série de posts. Espero conseguir concluí-la ainda esta semana. Nos próximos dois posts, falarei sobre como funciona a execução diária e a revisão semanal dentro desse sistema, e então encerraremos.

Obrigada por tudo e espero que muitas das dúvidas de vocês tenham sido esclarecidas com o post de hoje (acredito que sim). Até o próximo.

10 Sep 2014

Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote – Parte 7 – Processando notas e adendo sobre cadernos

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Hoje o post traz a Parte 7 do Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote. Confira os posts anteriores na tag Guia definitivo GTD e Evernote. Hoje falaremos sobre o processamento das notas e farei um adendo quanto ao uso de cadernos.

Se você não sabe o que é GTD, clique aqui. Se você não conhece o Evernote, clique aqui.

Importante: este guia é para uso avançado de ambos, então não focarei em princípios básicos nesta série. É fundamental conhecer o método GTD e saber manusear o Evernote para acompanhar.

Eu utilizo como base o guia mostrado pelo Matt Martin, do site After The Book. Ele usa uma estrutura com apenas dois cadernos e todo o restante gerenciado por tags (ou etiquetas). É assim que faço também. Meu guia é baseado no dele, mas eu preenchi alguns gaps que ele deixou (e que eu identifiquei à medida que ia usando) e está em português.

Entendendo o processamento

Processar é um passo básico do GTD mas, como tenho recebido muitas dúvidas sobre o processo, achei importante fazer uma explicação breve aqui.

Quando nós coletamos informações, sejam quais forem (lembretes, anotações, tarefas, ideias etc), elas devem entrar na nossa caixa de entrada que, no caso do Evernote, é no caderno Entrada. Para fazer isso, não é necessário inserir tag alguma – estamos apenas coletando. A ideia aqui é ser rápido e prático, apenas inserindo as informações ali para que a gente não esqueça nem perca pelo caminho.

Também usamos uma nota por informação para facilitar o manuseio das notas, como veremos a seguir.

Essa coleta é feita durante o dia inteiro. Sempre que tivermos alguma ideia, anotamos para não esquecer. O caderno Entrada também agrupa o que entra enviado através de e-mails ou aplicativos como o Clearly ou Web Clipper do Evernote.

Sempre que tivermos um tempinho, ao longo do dia, devemos processar as notas que estão no caderno Entrada.

O que significa processar? Significa pegar nota por nota e se perguntar: O que é isso? É uma ação (tarefa)? É um projeto? É apenas referência? É um arquivo de suporte a projeto? E por aí vai.

Ao fazer esse processamento, nós vamos classificar cada nota, atribuindo-lhe tags, ou etiquetas. Quando fazemos isso (colocamos tags ou etiquetas), estamos processando uma nota. Logo, quando terminamos de inserir as etiquetas, a nota deve ser transferida para o caderno Processadas.

Não deverá existir nenhuma nota dentro de Entrada com tags. Se você já classificou a nota com tags, significa que ela já foi processada e, portanto, deverá ser transferida para o caderno Processadas.

É assim que você saberá diferenciar o que está processado (e organizado) do que o que ainda não foi e, portanto, precisa da sua análise.

Adendo sobre o uso de cadernos

Ao montar este guia, pude prestar muito mais atenção ao meu sistema e promover melhorias.

Uma melhoria que identifiquei é com relação ao uso de cadernos. Portanto, montei outras duas versões, alternativas ao uso de somente dois cadernos. Com que objetivo? Principalmente, pelo seguinte: o uso de dois cadernos é minimalista e simples, atendendo a maioria dos mortais. Se você trabalha exclusivamente com computador e notebook, deve funcionar lindamente. Porém, para quem utiliza mais dispositivos móveis, pode ficar complicado.

O Evernote tem uma funcionalidade que se trata de escolher alguns cadernos para manter offline no seu dispositivo. No começo, tudo bem manter o caderno Processadas no seu dispositivo como offline, mas o que acontece quando se tem mais de 10 mil notas? Sim, além de ocupar a memória do seu dispositivo, a sincronização fica lenta e ninguém quer perder praticidade esperando o aplicativo sincronizar. Outro ponto é com relação ao compartilhamento. E quando compartilhamos cadernos com outras pessoas? Não dá para compartilhar o caderno Processadas inteiro, porque senão as pessoas terão acesso a todas as nossas informações e ninguém quer isso.

Eu tenho duas soluções para apresentar nesse caso, e então vocês poderão escolher a que mais agrada a vocês dentre as três apresentadas neste guia. Nenhuma delas foge do nosso sistema de organização por tags. Isso nunca vai mudar, independentemente do uso que você fará dos cadernos.

A primeira solução é a seguinte: manter uma pilha (veja o que são pilhas) de cadernos que você pode nomear como “Projetos em andamento” ou “Cadernos compartilhados”, dependendo da sua necessidade. A ideia é manter todos os cadernos compartilhados em uma única pilha, deixando assim, visualmente:

Entrada
Processadas
Cadernos compartilhados (pilha)

Um adendo sobre compartilhamento de cadernos, que descobri somente esta semana: se você compartilhar cadernos que tenham notas com tags, a pessoa com a qual você compartilhou também receberá as tags, bagunçando o sistema dela. Portanto, se for compartilhar um caderno, procure não usar tags, pois gera um bug e não é possível para a pessoa apagar as tags que vieram migradas do seu sistema. Está bem? Ou seja: se compartilhar cadernos, tenha em mente que precisará fazer de forma diferente da apresentada neste guia para as notas que estarão lá dentro. Eu não compartilho cadernos com notas tageadas. Quando preciso compartilhar, minhas notas não têm tags. Eu prefiro criar um caderno com informações novas e que sejam suficientes para a pessoa que estará recebendo, em vez de compartilhar todo um caderno com notas pessoais e outras anotações que eu preferiria manter de modo privado.

Outra ideia é criar cadernos temporários para projetos específicos em que você precisará baixar as notas para deixá-las offline com antecedência, como no caso de viagens (especialmente internacionais). A mesma regra dos cadernos compartilhados se aplica aqui: crie uma pilha para esses cadernos específicos e, quando concluir o que for relacionado, arquive dentro de Referência geral e delete o caderno. Ficará assim:

Entrada
Processadas
Cadernos offline (pilha)
– Viagem para Acapulco
– Viagem para OZ

A vantagem de ter cadernos específicos é a de não precisar baixar todo o conteúdo do seu caderno Processadas para o seu dispositivo. Mais uma vez, isso é opcional. Se sentir essa necessidade, não precisa desfazer todo o seu sistema com tags aprendido neste guia – apenas crie cadernos temporários.

A segunda solução, para mim, se tornou mais viável e confesso que acho a melhor alternativa ao uso de apenas dois cadernos. Lembrem-se: a estrutura de tags continua a mesma. Não estamos mexendo em tags, mas otimizando o uso de cadernos, apenas. É a seguinte estrutura de cadernos:

1. Entrada
2. Tickler
3. Tarefas
4. Projetos
5. Suporte a projetos
6. Big picture
7. Referência geral

Wow, grande mudança, não? Qual a ideia aqui?

Continuamos com um caderno padrão, que é o 1. Entrada. Os cadernos estão numerados para ficarem nessa ordem específica. Tudo o que inserimos no Evernote deverá entrar nesse caderno primeiro, até processamos as notas, como expliquei lá em cima.

Ao processar cada nota, atribuiremos etiquetas de acordo com a sua finalidade, como já fazíamos antes. A diferença aqui é que não teremos um único caderno para guardar tudo, mas outros seis. E o que vai em cada um deles?

Em 2. Tickler, colocaremos tudo o que for lembrete ou informação que não caixa em absolutamente nenhum outro caderno. Se você quiser montar sua agenda no Evernote, pode inserir aqui todos os seus compromissos.

Em 3. Tarefas, colocaremos todas as tarefas, próximos passos. Não é para colocar tarefas concluídas, mas apenas tarefas que você ainda precisa fazer. É fundamental, no GTD, ter a noção do que está ativo e do que está inativo. A ideia aqui é ter uma lista com todas as suas tarefas, facilmente acessível e que você possa deixar offline, se quiser.

Em 4. Projetos, ficarão todos os projetos em andamento. Atenção: quando eu for falar sobre o gerenciamento das notas, no próximo post, introduzirei o conceito de MPN (master project note, ou nota master do projeto), que basicamente é uma nota com todas as informações sobre o projeto. Somente esta nota deve ficar neste caderno, e não todas as notas relacionadas a projetos (arquivos de suporte, tarefas etc). Vai ficar mais fácil de entender no próximo post. Da mesma forma, o objetivo aqui é ter uma lista separada com todos os seus projetos em andamento. Isso facilitará muito quando você fizer a sua revisão semanal ou se precisar compartilhar essas informações com alguém. Uma ideia inclusive é fazer deste caderno uma pilha (uma pilha com o nome 4. Projetos) e, dentro dela, inserir um caderno para projetos compartilhados. Assim, em vez de criar uma pilha para isso, você pode organizar dentro dessa estrutura. Fica a dica!

Em 5. Suporte a projetos, devem entrar todas as notas que são relacionadas a projetos em andamento. Esta é uma alternativa ao uso de um caderno por projeto para deixar off-line. Este caderno não ficará tão pesado quanto um único (Processadas) para você manter offline e ter fácil acesso a todos os seus arquivos de suporte a projetos quando precisar. Também é mais prático que ter um caderno por projeto. Uma nota de suporte a projeto é uma nota que não é MPN nem tarefa, que é útil enquanto você trabalha em um projeto (notas de reuniões, brainstorms, ideias, arquivos digitalizados, planilhas, ppts, relatórios e uma infinidade de opções). São arquivos que, quando você finalizar o projeto, poderão ser arquivados dentro da sua referência geral. Veremos mais sobre essa dinâmica no próximo post.

Em 6. Big picture, vamos inserir todas as notas relacionadas a objetivos, que vimos na parte 6 deste guia.

Em 7. Referência geral, ficarão todas as notas arquivadas – ou seja, que não estão em uso. Basicamente, tudo o que já entra com as tags específicas de referência geral mesmo.

Se você também tiver cadernos compartilhados, pode organizar os sete cadernos acima em uma pilha chamada GTD e deixar outra pilha para os cadernos compartilhados. Assim:

* GTD (use o asterisco para ela ficar como primeira da lista)
Cadernos compartilhados

Pessoal, isto aqui são apenas alternativas para o uso dos cadernos. Em resumo, você pode usar os seus cadernos de três maneiras neste guia:

  1. Apenas dois cadernos, Entrada e Processadas. Formato padrão, que facilita o manuseio. O ponto contra é sobrecarregar um único caderno e, se quiser manter dados offline ou compartilhá-los, teria que fazer essa configuração com o caderno inteiro, o que não é viável. Porém, se você não precisa compartilhar com ninguém nem manter cadernos offline em dispositivos móveis, é o mais indicado.
  2. Manter a estrutura de dois cadernos, mas criar uma pilha para cadernos compartilhados e outra para cadernos offline temporários, para utilizar em dispositivos móveis quando tiver necessidade. Lembre-se sempre do adendo sobre as tags, para não bagunçar o sistema do seu amigo.
  3. Usar a estrutura com sete cadernos, de modo que possa deixar apenas alguns dele offline em seus dispositivos, pesando menos. A estrutura de sete cadernos também possibilita uma visão mais prática do que é tarefa, do que é projeto e por aí vai.

A estrutura de tags nunca muda – ela continua a mesma, com base nos seis níveis, como explicado até então. Achei importante oferecer essas opções para cadernos porque é um gap do sistema, e fatalmente teremos que lidar com essa questão uma hora ou outra, quando estivermos usando intensamente o aplicativo.

No próximo post, vou falar finalmente sobre o gerenciamento das notas e como fazer tudo funcionar na prática. Já estamos finalizando e prevejo somente mais dois ou três posts até o fim da série. Dúvidas, por favor, postem nos comentários. Obrigada!

09 Sep 2014

Como tem funcionado a minha capacitação como instrutora da Call Daniel

Desde que comentei que uma das minhas atividades atuais é ministrar treinamentos sobre o GTD na Call Daniel, alguns leitores têm me pedido para escrever um pouco sobre como tem sido o meu processo de capacitação, pois postei bastante sobre isso nas minhas redes sociais. No geral, funciona assim: para ser instrutor GTD, o processo é longo e super bem organizado, porque o foco é total na qualidade. O que aconteceu no meu caso é que eu já utilizo o GTD há muitos anos (oito, para ser mais exata) e também já trabalhava como professora e palestrante, o que ajuda em termos de experiência. Porém, foi tudo muito intenso e, agora que já estou “formada” (mas sempre aprendendo, claro), perguntei para o Daniel se eu poderia falar sobre a capacitação aqui no blog e ele disse que sim (tinha um pouco de receio de expôr algum processo interno da empresa, mas ele achou ótima a ideia, pois assim mostra como uma pessoa se torna instrutora da Call Daniel).

Como começou

Inicialmente, eu precisei assistir muitos treinamentos, com todos os instrutores já consagrados. O legal da Call Daniel é que as empresas que contratam a gente são empresas que querem melhorar a qualidade de vida dos funcionários, ensinando-os a serem produtivos, então todas elas já têm programas muito legais de aprendizado, de integração e outras para formar bem cada colaborador. Há empresas gigantescas, com espaços voltados ao aprendizado, assim como empresas menores, que não se limitam para fazer acontecer. Em todas elas, a sensação de participar do treinamento é emocionante, de verdade. Algumas pessoas já são organizadas, outras nunca ouviram falar em método algum, mas tem pré-disposição a se organizarem, enquanto outras sofrem com a falta de organização e usam o treinamento para aprenderem a equilibrar todos os projetos da vida. Não é raro termos depoimentos que nos comovem ao final de cada treinamento, porque quando a gente se organiza, consegue diminuir muito o estresse e ter mais qualidade de vida.

O mais interessante de assistir diversos treinamentos é você conhecer não só a cultura de cada empresa, como a forma de transmitir o conhecimento de cada instrutor. Ver o Daniel em ação é sempre bacana, aprendo muito. O Márcio envolve a turma. A Renata é uma mãezona, sabe citar exemplos pessoais como ninguém e aproxima todos os participantes. A Joice é super didática e pontual. O Jacques parece aquele amigo batendo um papo com você, enquanto te ensina a fazer tudo da melhor forma possível. Dá para se sentir parte de uma família, e acho que é mesmo. Enquanto assistia esses treinamentos, me perguntava muitas vezes como seria o meu estilo como instrutora. Será que alguém já sabe me dizer?

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Ser palestrante, se comunicar com um público, é uma atividade maravilhosa. Toda vez que eu vou ministrar um treinamento ou fazer uma palestra, fico um pouco nervosa antes. Basta entrar e me apresentar, contar minha história e ver os sorrisos no rosto das pessoas, eu passo a fazer parte daquele grupo, de igual para igual. É uma sinergia que só quem já deu aula sabe. E chegar ao final de um treinamento sabendo que eu ajudei pelo menos uma pessoa a se organizar melhor é algo que me deixa imensamente satisfeita.

A preparação

Mas então, depois de assistir os treinamentos (e gravar o áudio, o vídeo, fazer muuuitas anotações), eu deveria montar o meu script. O script é uma espécie de roteiro com tudo o que eu vou falar no treinamento. O Daniel trabalha com ilhas de conteúdos, ou blocos, então eu deveria montar uma proposta de script com base nesses blocos de assuntos e ir treinando em cima deles. Ao mesmo tempo, eu também deveria gravar alguns vídeos, para que o Daniel pudesse avalisar postura, dicção, gestos e outros detalhes. Isso foi um grande aprendizado para mim. Gravar os vídeos foi a parte mais trabalhosa de todo o processo, especialmente porque eu estava de mudança na época, mas deu tudo certo. Hoje, já faço tudo muito diferente do que gravei, pois aperfeiçoei meu script, mas os gestos continuam os mesmos. Foi bem importante essa etapa.

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Também aconteciam “relâmpagos”, que é como a equipe chama algumas webconferences que fazemos via Skype com o Daniel e mais um instrutor, a fim de avaliar a performance do instrutor em formação. Então eu, por exemplo, entrava no meu relâmpago e deveria ministrar meu treinamento ao vivo durante alguns minutos. Eles ouviam e, se tivessem alguma correção, toque ou comentário, bastava falar. Eu fiz alguns pares de relâmpagos e gostei muito do resultado. O que eu mais gostei da capacitação é que não havia ponto sem nó – cada etapa foi muito bem planejada e tinha sua função. O Daniel corrigiu muitos detalhes importantes durante esses relâmpagos, especialmente com relação ao script. Ele me deu toques preciosos como “valorize mais a sua história” ou “cuidado para não passar a parte conceitual muito rápida, pois você já usa o GTD há muitos anos, mas a maioria das pessoas nunca ouviu falar nisso”.

Enquanto tudo isso acontecia, eu refinava meu script para que ele ficasse cada vez mais adequado (afinal, existe uma certificação a zelar – a Call Daniel é a única certificada pela David Allen Company a ministrar treinamentos sobre o GTD no Brasil), mas sem perder a minha cara, o meu estilo.

Meu primeiro treinamento

Depois desse processo inicial, foi agendado o meu primeiro treinamento: eu ministraria a parte da manhã (o treinamento, no geral, tem oito horas de duração) e um outro instrutor, a parte da tarde. Acredito que tenha me saído bem, mas ainda faltava bastante conteúdo a ser aperfeiçoado, especialmente na parte técnica da ferramenta utilizada (Outlook). Portanto, o treinamento ao vivo foi essencial para eu ver onde deveria focar meus esforços. Até comprei um Office 2013 para o meu novo PC, que comprei exclusivamente para trabalhar melhor em casa e me adaptar à ferramenta.

Meu segundo treinamento aconteceu algum tempo depois e já seria de um dia inteiro. O treinamento de um dia inteiro era um pouco mais complicado porque implica em (vejam só) gerenciamento preciso do tempo. Não dá para correr com os assuntos, assim como não dá para ir muito devagar, senão corre-se o risco de chegar ao final do dia sem conseguir passar todo o conteúdo! Para ajudar, um instrutor me acompanhou e fez muitas anotações ao longo do dia, para que tudo corresse bem – o que aconteceu, felizmente. Aliás, uma das particularidades da Call Daniel que eu mais gosto é essa coisa de sempre ter mais de um instrutor em sala (sempre tem pelo menos mais uma pessoa da equipe). Isso permite que a turma toda receba atenção (por exemplo, se o instrutor está atendendo alguém, a outra pessoa da equipe pode ajudar outra pessoa com dúvidas), além de sempre aperfeiçoar os treinamentos, pois a pessoa que dá suporte também faz anotações, registra ocorrências e compartilha suas percepções. Isso é muito rico!

Por fim, depois desse segundo treinamento, eu ministrei três seguidos que deram muito certo. Algo que me ajuda muito é estudar o perfil da turma um tempo antes e repassar o script de acordo com as suas necessidades, fazendo pequenas modificações, se necessário. Por exemplo, uma turma de gestores tem um perfil (e necessidades) diferente(s) de uma turma de analistas jr, e essas necessidades não podem ser ignoradas. Repassar o script também me deixa calma, segura para ministrar o treinamento. Então tem dado muito certo, porque procuro seguir rigorosamente o tempo para cada bloco e envolver bastante os participantes ao longo do curso.

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Depois dessa maratona, eu já fazia parte oficialmente da turma de instrutores e estava apta a ministrar os treinamentos. Vale citar que toda turma recebe uma avaliação do curso (que envolve avaliação do professor) e felizmente minhas notas foram sempre boas. Isso motiva muito e toda a equipe celebra esses resultados com todos os instrutores. São todos muito apaixonados pelo que fazem.

A rotina

Todo instrutor também tem um kit para usar nos treinamentos. Eu deixo o meu dentro de uma maleta personalizada (que foi presente de uma leitora) e contém cabo, adaptadores de tomada e VGA, carregadores, laser pointer (caneta de passar slides e apontar coisas na tela com laser), fita crepe (para pendurar folhas do flipchart) e canetas pilot reservas. É muito útil deixar tudo separadinho e organizado para acessar facilmente quando, como diz o Jacques, é “dia de treinamento“. :)

Quinzenalmente, é realizada uma reunião da equipe de Learning, onde todos discutimos os projetos em andamento, falamos sobre as necessidades das turmas, identificamos possíveis mudanças e melhorias, além de definir que instrutor vai em cada treinamento. A cada semana, a Call Daniel realiza muitos treinamentos, muitos mesmo. Portanto, não dá para definir os instrutores com uma antecedência maior do que essa (a não ser que sejam casos muito específicos), pois as situações mudam muito. Por exemplo, se a Renata vai dar um treinamento no Rio de Janeiro e for marcado outro para o dia seguinte, claro que compensa mais ela ficar por lá e fazer os dois. Pode parecer óbvio mas, no dia a dia, com tantos agendamentos, pode confundir. Então nos reunimos quinzenalmente para fazer o tetris com a agenda de todos e definir quem ministrará cada treinamento. No geral, cada instrutor faz, em média, dois treinamentos por semana. O Daniel é muito preocupado com a qualidade e não quer sobrecarregar ninguém.

Minha rotina de aprendizado nunca termina. Quando não é dia de treinamento, eu sempre gosto de dar uma ensaiadinha em algum ponto do meu script, para não esquecer. Também pesquiso muito sobre pedagogia empresarial, educação para adultos, psicologia de grupos, técnicas de oratória, entre outros assuntos relacionados, para sempre me aperfeiçoar. Hoje, ministrar treinamentos, workshops e palestras é o meu negócio principal, então eu preciso me dedicar bastante. Gosto de ver palestras no YouTube e do TED, para me inspirar e tirar ideias. E estou sempre relendo os livros do David Allen porque – incrível – sempre que releio aprendo alguma coisa nova. Esse cara é o cara.

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E é isso. É bastante trabalhoso, mas é um trabalho que traz muitas realizações. Como minha missão é inspirar as pessoas a serem organizadas, procuro viver uma vida coerente com ela e buscar atividades que me ajudem a fazer do que faço um verdadeiro legado. Espero estar conseguindo. Estou muito feliz.

08 Sep 2014

Gerenciamento do tempo hoje (o que é para fazer todo dia e toda semana) – GTD

Eu costumo postar aqui no blog regularmente um texto explicando como estou me organizando atualmente, para mostrar para vocês e quem sabe servir como referência. Atualmente, tenho organizado todo o meu sistema dentro do Evernote e apenas a agenda no Google Calendar, pois compartilho com meu marido e ele já está acostumado com essa plataforma (eu também prefiro ter a minha agenda lá). Para quem está chegando no blog agora e não me conhece, eu utilizo um método chamado GTD para me organizar.

Muitas pessoas ficam um pouco confusas sobre a ordem de hierarquia de execução no GTD, diária e semanalmente, então fiz um desenho para postar aqui, porque achei mais simpático que fazer inteiro digital:Novo Documento 63

Todo dia

A ideia é a seguinte: diariamente, eu olho as seguintes coisas, na seguinte ordem:

  1. Minha agenda no Google, para ter ideia dos meus compromissos e afazeres que demandam mais tempo. Sim, eu também coloco tarefas na agenda, desde que elas demorem mais de uma hora para serem feitas. Eu penso que, se uma tarefa demora de 10 a 30 minutos, eu posso deixá-la fora da agenda, pois vou encontrando tempo no meu dia a dia para encaixá-la. Agora, se ela demora mais tempo, se eu não colocar na agenda, vai ser muito difícil eu encontrar uma brecha ao longo da semana para executá-la. Por isso, quando monto meu planejamento semanal, já faço essa priorização. A ordem de execução é a seguinte, então: começar pelo que está na minha agenda.
  2. O tickler. Se você não sabe o que é um tickler, por favor, veja aqui e aqui. Depois de executar o que eu tinha programado para o meu dia na agenda, passo para o tickler. Vale lembrar que algo só deve estar na agenda ou no tickler se for extremamente essencial estar ali. Não é uma lista de desejos, mas prazos reais. Por fim, mesmo que eu consiga terminar tudo o que tinha na agenda e no tickler para o dia em questão, se sobrar um tempinho, antes de ir para as próximas ações, eu tento adiantar algo dos outros dias. Isso é bom porque, se uma tarefa tinha como prazo amanhã, hoje já consigo adiantar e deixo meu tempo amanhã livre para outras atividades (a seguir).
  3. Minhas listas de próximas ações, que organizo por prioridade, contexto e tempo disponível. Eu costumo olhar primeiro as de prioridade alta, que são as ações que eu tenho que concluir ainda esta semana. Dentro delas, filtro pelo contextos em que estou e pelo tempo disponível para trabalhar naquele contexto. Se eu já fiz as tarefas do dia, adiantei algumas da semana e ainda consigo executar algumas aqui, considero meu dia muito produtivo.
  4. Minhas caixas de e-mails. Tenho três. Nunca acesso e-mails quando começo a trabalhar, pois isso mata a minha produtividade (a chance de ficar só respondendo e-mails e não “trabalhar de verdade” é enorme). Portanto, gosto de trabalhar em algumas tarefas do dia antes de abrir meus e-mails. Geralmente, das 8h30 às 11h eu consigo resolver MUITA coisa, para só então ver e-mails. Claro que, se você precisa ver seus e-mails com uma frequência maior, você deve fazê-lo. Estou apenas contando como funciona para mim. Por fim, abro meus e-mails pela primeira vez no dia (então tem mais e-mails do que terá à tarde, por exemplo), e levo cerca de uma hora para processar as três caixas de entrada. Lembrando que processar significa: deletar o que é lixo, arquivar o que é referência, jogar para listas o que for ação e responder o que demandar menos de dois minutos. Por fim, uso o período de checagem da tarde para responder e-mails maiores e mais demorados.

Ao longo do dia, eu fico coletando ideias que me vêm à mente, envio coisas para a caixa de entrada do Evernote, os e-mails continuam entrando na caixa de entrada. Também processo toda essa “stuff” que chega, em espacinhos ao longo do dia. E também gosto de pelo menos uma vez por dia digitalizar os papéis que chegam, pois a experiência de deixar acumular para digitalizar uma vez por semana não funciona para mim (fico com preguiça de investir um tempão apenas para essa atividade).

Toda semana

O GTD tem um processo chamado Revisão semanal, quando montamos nosso planejamento para a semana em questão (se for segunda) ou para a semana seguinte (se for sexta ou outro dia). Uma vez por semana, eu faço o seguinte:

  1. Analiso a minha agenda e já verifico os compromissos agendados. Muitas vezes, preciso tomar algumas providências. Faço o mesmo com a semana seguinte e o espaço de um mês, pois posso ter eventos que demandem minha atenção desde já (por exemplo, uma viagem internacional daqui a três semanas). Ao planejar a minha agenda, vejo as do meu filho e do meu marido também (que estão compartilhadas comigo) para me programar. Gosto de deixar um respiro de duas horas durante o horário comercial, para atender imprevistos, e também insiro os tempos de deslocamento, almoço e outros, pois eles me ajudam a ter uma noção melhor de quanto tempo tenho para realizar minhas atividades.
  2. Analiso minha lista de projetos em andamento, para garantir que todos estejam com uma próxima ação definida. Já verifico se há ações relacionadas que demandem mais tempo, de forma que possa ir inserindo na minha agenda, se necessário. Percebam que a agenda vai se preenchendo sozinha, praticamente, só com as demandas da semana mesmo.
  3. Dou uma olhada na minha lista de objetivos para 1 a 2 anos, para garantir que meus projetos estejam caminhando em direção a eles. Pode ser que algum projeto tenha que ser adiado e outro, priorizado. Este é o momento de fazer essa reflexão.
  4. Vejo minha lista de Algum dia / Talvez, que são todos os projetos ou tarefas que quero fazer, mas não eram prioridade até semana passada. O que acontece com essa lista: à medida que a gente vai executando outros projetos e alcançando objetivos, começamos a abrir espaço na nossa vida para atividades que não eram prioritárias, mas queríamos muito fazer (por exemplo, um curso de italiano). É assim que a gente vai inserindo novos projetos, especialmente ligados a hobbies, na nossa vida. Mas também pode acontecer de eu ter tantos projetos que passo mais de uma semana sem adicionar nada do que está aqui. Tudo bem, pois não é o meu foco atual. O importante é revisitá-la semanalmente para garantir que tudo esteja sob controle.
  5. Analiso a minha lista de tarefas avulsas para verificar se alguma delas mudou de prioridade e deve ser feita esta semana. Mais uma vez, se alguma que demandar bastante tempo tiver que virar prioridade, eu a coloco na minha agenda.
  6. Zero a minha caixa de entrada. Isso significa que eu resolvo todos os meus e-mails pendentes até o final daquela semana (se eles tinham essa prioridade). O importante é deixar a caixa de entrada vazia, ou seja: o que tinha para resolver esta semana, eu resolvi. O que demanda ação para depois, processei nas minhas listas. O que tinha que ser arquivado, foi arquivado. E por aí vai.

Gosto de fazer minha revisão semanal na sexta-feira de manhã, pois aproveito o período da tarde para zerar minhas tarefas para aquela semana e também as minhas caixas de entrada de e-mails.

Para checar o que preciso fazer todos os dias, gasto um minuto ao ligar o computador para bater os olhos no meu dia e ver o que está planejado para ele e vou executando com a agenda aberta. Não uso alertas, pois me atrapalham. Com a agenda aberta, consigo controlar bem. Ao final do dia, dou uma olhada no meu dia seguinte para ver se preciso antecipar algo ainda de noite (separar uma roupa porque vou ter uma reunião externa logo cedo, por exemplo).

Na revisão semanal, costumo levar de uma hora a uma hora e meia, mas porque eu tenho muitos projetos. No geral, leva-se de meia hora a uma hora no máximo para fazer esse planejamento. Se estiver demorando mais, a não ser que você tenha muitos projetos (mais de 60), deve ser porque você está executando coisas em vez de planejar.

E é assim que eu tenho me organizado atualmente. Tem sido muito bom e produtivo.

05 Sep 2014

Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote – Parte 6 – Metas, objetivos e visão

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Hoje o post traz a Parte 6 do Guia definitivo do Vida Organizada para usar o GTD no Evernote. Confira os posts anteriores na tag Guia definitivo GTD e Evernote. Hoje falaremos sobre os últimos três níveis do GTD, que correspondem às metas para os próximos dois anos, visões para 3 a 5 anos e a vida no geral.

Se você não sabe o que é GTD, clique aqui. Se você não conhece o Evernote, clique aqui.

Importante: este guia é para uso avançado de ambos, então não focarei em princípios básicos nesta série. É fundamental conhecer o método GTD e saber manusear o Evernote para acompanhar.

Eu utilizo como base o guia mostrado pelo Matt Martin, do site After The Book. Ele usa uma estrutura com apenas dois cadernos e todo o restante gerenciado por tags (ou etiquetas). É assim que faço também. Meu guia é baseado no dele, mas eu preenchi alguns gaps que ele deixou (e que eu identifiquei à medida que ia usando) e está em português.

Sobre os períodos de tempo

O David Allen faz essa divisão:

  • Metas para 1 a 2 anos
  • Visão para 3 a 5 anos
  • Vida, onde entram os objetivos maiores

Quando falamos em metas, é legal lidarmos com o período de 1 a 2 anos, realmente, porque é um período mais razoável para gerenciarmos nossos projetos em andamento que apenas 1 ano (como nas resoluções de ano novo). No geral, o que está em nosso radar de hoje até daqui a 2 anos é o que temos controle no momento. Passou disso, vira visão, pois muito ainda pode acontecer até lá. Ou seja: se estiver dentro desse período de 24 meses, podemos lidar com metas. Se passar disso, o que podemos ter é somente uma estimativa. Legal, né?

Na minha organização pessoal dentro do Evernote, eu faço um pouco diferente e configuro assim:

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Lendo o livro de produtividade do Tim Ferriss, eu aprendi que não é legal ficar planejando metas para períodos muito longos, porque senão a gente tira o senso de urgência e acaba usando a meta longa como desculpa para adiar o projeto. Profundo, não? Mas foi por isso que eu resolvi quebrar as minhas metas de hoje a dois anos em mais períodos, para ser mais específica, e também ter noção do que deve ser prioridade para finalizar logo mesmo!

Portanto, eu tenho, no nível 30.000 ft – Metas para 1 a 2 anos, objetivos para até 3, 6, 12 e 24 meses. Depois, no nível 40.000 ft – Visões para 3 a 5 anos, eu tenho objetivos idealizados até 3 e 5 anos. Coloco o ano na frente para ter uma ideia, mas não acho necessário. E, em 50.000 ft – Vida, eu inventei um montão de modas, que me ajudam muito. Vou falar sobre cada uma dessas etiquetas mais para baixo.

Diferença entre projeto e objetivo

Uma pergunta recorrente é a diferença entre projeto e objetivo. Para facilitar, meu parâmetro pessoal para definir o que é projeto e o que é objetivo é o seguinte:

Se é uma ação pontual, que eu resolvo com uma única tacada, é uma tarefa.
Se é uma tarefa que demanda diversos passos para ser concluída, é um projeto.
Se é um projeto com diversos sub-projetos, é um objetivo.

Faço dessa maneira e assim fica descomplicado para mim.

Por exemplo: eu tenho um projeto que é “organizar meu apartamento novo”. Só que, dentro desse projeto, eu tenho sub-projetos, como “organizar o guarda-roupa”, “organizar a despensa”, “organizar a área de serviço”. “Organizar meu apartamento novo”, então, se torna um objetivo. Ok?

Se algum desses sub-projetos já estiver em andamento, vira uma meta para 1 a 2 anos. É assim que eu distingo.

Se é um objetivo em que ainda não foi iniciado nenhum projeto relacionado, é muito provável que ele esteja no nível 40.000 ft – Visões para 3 a 5 anos. Se deveria ser prioridade, então eu deveria ter pelo menos um projeto associado a ele para que ele possa vir para um nível antes, de metas para 1 a 2 anos. Não é mecânico – demanda reflexão da nossa parte, feita na revisão semanal.

Nível 30.000 ft – Metas para 1 a 2 anos

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A ideia é criar sub-tags para as metas de 1 a 2 anos.

Mais uma vez, dividir em objetivos para 3, 6, 12 e 24 meses foi uma escolha minha, bem pessoal. Você pode manter todas as suas sub-tags de metas para 1 a 2 anos dentro da tag 30.000 ft – Metas para 1 a 2 anos. Ou ainda pode criar sub-tags como “Objetivos – 2014″ e “Objetivos – 2015″. Fica a seu critério. Mais uma vez, eu prefiro assim apenas porque, para mim, funciona melhor.

Eu coloco um asterisco na nomenclatura da tag porque, quando digito * na nota, o Evernote me lista todos os objetivos e fica mais fácil de selecionar o que eu preciso. Também coloco os meses na sequência porque eles ficam agrupados e fica mais fácil de reconhecer. Não vou ficar desmembrando a árvore de tags toda vez que for processar uma nota.

Os objetivos serão associados a projetos. No próximo post, eu vou falar sobre como usar as notas, tags e cadernos na prática, então peço apenas mais um pouquinho de paciência para essa demonstração. É importante explicar nível por nível antes de entrarmos nessa parte.

Nível 40.000 ft – Visões para 3 a 5 anos

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É importante lembrar que as visões para 3 a 5 anos são apenas isso: visões. Estimativas. Não tem como a gente saber exatamente o que vai estar fazendo daqui a 3 ou 5 anos, mas podemos ter uma ideia, pois isso pode guiar nossos passos aqui no presente. Eu mesma vivo reformulando essa seção. Mais para baixo, vou falar da hierarquia dos níveis e tudo ficará mais claro. Mas a ideia é fazer essa reflexão anualmente ou sempre que entrar (ou sair) uma área de responsabilidade da sua vida.

Na nomenclatura da tag, eu uso dois asteriscos – mais uma vez, para agrupar os objetivos semelhantes. O mesmo vale para o 03 e o 05, que agrupam os objetivos com esses períodos de tempo.

Nível 50.000 ft – Vida

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Chegamos à minha parte preferida, que é a visão geral da nossa vida! É por isso que o GTD é um método tão incrível – não se trata de gerenciar tarefas e agenda, isso é o mínimo. Estamos falando em encontrar uma maneira de viver uma vida coerente.

Dentro de 50.000 ft – Vida, eu coloco a famosa categoria do GTD, “Algum dia / Talvez”, onde colocamos todas as ideias interessantes para a nossa vida mas que não há espaço para trabalhar nelas atualmente. Essa tag deve ser vista semanalmente pois, à medida que vamos concluindo projetos e alcançando objetivos, podemos investir em coisas novas e que nunca “tivemos tempo”.

Em Big picture, eu faço um apanhado da minha vida no geral. Até hoje, me pergunto se não poderia ser uma tag de referência, mas ela é ativa demais para ficar arquivada lá. Em Big Picture, eu tenho uma nota para cada ano da minha vida, onde anoto marcos e informações especiais, para fazer um resumão mesmo. A ideia é ter um registro de todos os anos que vivi, e fico feliz por ter começado a fazê-lo agora, e não com 70 anos (não ia conseguir me lembrar de nada). Então, se eu digitalizo algumas fotos da minha formatura no ensino médio, por exemplo, basta linkar a nota na nota de ano correspondente, ou inserir uma foto nela, para ficar bonitinha. Dá para fazer a acontecer aqui. A ideia é tão legal (eu acho) que daria para fazer um post inteiro sobre ela, mas é que demanda digitalizar muito material que ainda não digitalizei, para ficar um post bacana. Mas pretendo fazer assim que conseguir.

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Dentro da tag “2014” (ano corrente), eu tenho as notas acima, que vou atualizando à medida que tenho essas informações. Quando o ano for concluído, basta mesclar todas as notas e arquivá-la como “2014” dentro da tag “Big picture”, junto com os anos anteriores, e renomear a tag “2014” para “2015”. Bem divertido!

Também gosto de deixar “Objetivos concluídos” dentro de “Big picture”, porque acho que tem a ver. Apesar de atualmente estar arquivando os objetivos com suas tags correspondentes, estou me perguntando se não vale a pena ter uma única nota para o objetivo concluído e, dentro dela, eu linkar o que eu quiser que tenha sido relacionado: outros objetivos, projetos afins etc.

Em “Objetivos de lngo prazo”, entram todos aqueles objetivos que eu levarei até pelo menos 10 anos para alcançar. Mais uma vez, se trata de uma visão, de uma perspectiva. A nomenclatura terá três asteriscos. Exemplo: “*** Comprar uma casa em Campos do Jordão”.

Em “Objetivos de vida”, coloco todos aqueles objetivos que são o seguinte: quando eu estiver no meu leito de morte, o que gostaria de ter feito na minha vida? Ser uma boa mãe, uma boa esposa, uma boa líder, deixar um legado, ter estabilidade financeira – cada um tem os seus objetivos de vida. A nomenclatura, em vez de ter um asterisco, tem um sinal de mais, só para me lembrar da cruz e da morte. Ou seja, vou morrer um dia, então preciso me apressar para chegar nesses objetivos importantes para mim.

Por fim, tenho a tag “Valores e princípios”, que também é sugestão do David, onde eu tenho uma nota para cada percepção de vida sobre diversos assuntos. Exemplos: “Minha visão da maternidade”. “Minha visão sobre minha carreira como organizadora profissional”. “O que eu penso sobre o aprendizado de idiomas”. E por aí vai. A ideia é registrar todo tipo de reflexão que eu tenha a respeito de princípios e valores da minha vida. Para quê? Oras, para ter parâmetros para tomar decisões.

Hierarquia de objetivos, projetos e tarefas

Fica mais fácil explicar o funcionamento de todos esses níveis quando a gente utiliza um exemplo, então aqui vai:

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A ideia é que seu objetivo de vida, aquele finalzão, que você vai querer se dar por satisfeito(a) no dia em que estiver morrendo, se transforme em uma ação imediata que você possa fazer no presente. Assim como dar significado às tarefas que estejam em sua TO-DO list hoje. Você sabe que uma simples busca na Internet pelas taxas de juros de uma caderneta de poupança tem que ser feita porque ela contribui para que, no futuro, você consiga guardar dinheiro para dar entrada em um apartamento que um dia deixará de herança para a sua família, promovendo estabilidade financeira para ela.

GTD é ou não é sensacional, minha gente?

Como lições de casa, hoje quero pedir para você:

– Pensar nos seus valores e que objetivos de vida você tem, lá no íntimo do seu ser. Esses objetivos podem mudar, mas dificilmente irão, porque fazem parte de nosso caráter. Você observará isso, mas lembre-se de que eles não estão escritos em pedra. Faça essa reflexão e liste os objetivos que pretende ter atingido no dia em que estiver partindo desta para uma melhor.

– Pensar em um objetivo de longo prazo (acima de 10 anos) que contribua para que o seu objetivo de vida seja realizado. Eles devem estar relacionados. Faça isso para cada objetivo de vida. Se não conseguir encontrar um objetivo de longo prazo para um objetivo de vida, questione-se se esse objetivo de vida realmente é real para você.

– Pensar em um objetivo para daqui a 3 a 5 anos que tenha a ver com o objetivo de longo prazo, como no exemplo acima. Por exemplo, se eu quero deixar dois apartamentos para deixar de herança, um objetivo para daqui a 3 a 5 anos pode ser comprar um apartamento na planta. Faça isso também com todos os seus objetivos de longo prazo.

– Pensar em metas para 1 a 2 anos que estejam relacionadas com seus objetivos de 3 a 5 anos. Vale o mesmo raciocínio explicado anteriormente.

– Verificar se sua lista de projetos atuais batem com suas metas de 1 a 2 anos. Se tem projetos que não tenham nada a ver com elas, faça uma análise – está faltando objetivo ou sobrando projeto insignificante? É assim que a gente aprende a definir prioridades.

– Por fim, garantir que todos os seus projetos tenham pelo menos uma próxima ação definida. Se não conseguir, pergunte-se se o projeto é coerente com sua fase de vida atual. Talvez ele deva ir para “Algum dia / Talvez”, ou outro deva sair para ele entrar.

Ou seja, bastante coisa para fazer antes do próximo post, hein, pessoal? :)

A ideia é analisar a vida como um todo mesmo, dar esse chacoalhão inicial, para depois ir simplesmente administrando. É o que o GTD promove e o Evernote proporciona. Mas o cérebro ainda é só o nosso mesmo.

Até o próximo post.