Thais Godinho

Posts por Thais Godinho.

23 May 2015

Como eu estou inserindo mais atividades de lazer no meu dia a dia

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O tema do mês no blog é Descanse e, com ele, venho tentando inserir mais atividades de descanso e lazer no meu dia a dia.

O principal passo que tomei foi o de inserir na minha revisão semanal do GTD o item: planejar tempo para sono e diversão. Ou seja: todos os dias, nem que seja minimamente, eu tenho que cumprir duas coisas:

  • Dormir uma quantidade suficiente de horas à noite
  • Fazer algo que me deixe bem e feliz

Tenho dormido uma média de 7 a 8 horas por noite, que é a quantidade necessária para eu me sentir bem. Se eu dormir mais do que isso, já me sinto com menos disposição. Com relação ao sono, o que tem funcionado muito bem para mim é acordar todos os dias no mesmo horário, especialmente aos finais de semana. Ou seja, se eu acordo todos os dias às 8 horas, aos sábados e domingos também acordo nesse horário. Isso tem sido muito bom porque meu corpo responde lindamente e não fico cansada, parece até mágica. Além disso, tenho mais tempo para mim pela manhã, porque meu marido e meu filho acordam mais tarde.

Fazer algo que me deixe bem e feliz pode ser algo maior, que demande deslocamento (como ir a uma livraria ou ao cinema), ou coisas pequenas, como ler um livro, ver um capítulo de série no Netflix ou simplesmente conferir as atualizações dos meus canais preferidos no YouTube. Tem sido tão fantástico dedicar todos os dias esse tempinho para mim que noto de longe a diferença no meu estado de espírito ao longo de toda a semana desde que comecei a fazer isso.

Venho de duas semanas com muitos compromissos profissionais e viagens, então ter estabelecido essas duas premissas acima me permitiu passar por esses momentos com um pouco mais de disposição. Se não “nos obrigarmos” a ter esses momentos de descanso e lazer, é normal acabarmos ficando apenas cumprindo obrigações, uma atrás da outra.

Eu também gostaria de dizer que sou uma pessoa de hábitos simples e que fica muito feliz com pequenas coisas do dia a dia, então acho que isso ajuda. :) Tenho me permitido sentar no chão e brincar com a minha cachorra quando eu chego em casa, em vez de passar correndo, ou ficar conversando sobre assuntos variados com o meu filho jogada no sofá sem pensar nas coisas que eu ainda preciso fazer, ou até mesmo beber demoradamente um copo de leite com mel antes de dormir, refletindo sobre o meu dia. Tudo isso são coisas que deixam meu dia a dia mais feliz.

22 May 2015

Reflexões sobre o destralhamento radical da Marie Kondo

Destralhamento é o primeiro passo do processo de organização. Essa frase é importante porque traz dois conceitos que considero essenciais para a organização pessoal, que são: 1) destralhar é necessário para organizar a casa, porque não é possível organizar tralha, e 2) a organização é um processo. Venho há vários dias refletindo sobre essa questão, levantada pela Marie Kondo em seu livro, sobre a organização ter que ser radical para funcionar. Quis dividir essas reflexões com vocês.

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Há uns seis anos, eu promovi esse destralhamento geral na minha casa e, tal qual a Marie fala, isso se refletiu na minha vida. Terminei um relacionamento, pedi demissão do meu emprego e abri mão de uma série de coisas e sentimentos que eu pensava, na época, não serem importantes para mim. Eu já comentei sobre essa fase aqui no blog (clique aqui para ler um dos textos sobre isso).

O grande problema de qualquer mudança radical é que você acaba não processando muito bem a coisa enquanto você está fazendo. Tomar decisões no calor da situação pode te fazer optar pelo caminho errado e te levar ao arrependimento mais tarde. Você também pode se desfazer de valores importantes.

É claro que não estou usando isso como desculpa para manter tralhas em casa. Estamos falando de pessoas que realmente guardam muita tranqueira e isso torna as suas vidas um pouco infelizes. É comum também ver pessoas assim com problemas relacionados à ansiedade e dificuldade em seus relacionamentos. Assim como a Marie, eu também penso que a organização pessoal influencia na vida em todos os aspectos, não apenas na imagem da casa arrumada. E que uma casa organizada e sem tralha se reflete no seu astral com relação à vida e te permite ser mais feliz em outras áreas. Nisso estamos de acordo.

Porém, eu posso falar sobre a minha experiência e o que vi acontecer com outras pessoas nesses nove anos que eu trabalho com organização, e até mesmo antes. Na época em que destralhei tudo, eu mergulhei em uma depressão que só fui identificar anos depois, quando tinha passado. A Clarice Lispector tem uma frase que me toca muito, que é “cortar os defeitos pode ser perigoso, pois nunca se sabe qual o defeito que sustenta o nosso edifício inteiro”. Com a nossa casa eu acho que é a mesma coisa. Jogando tudo de uma vez você tem que decidir rápido e nessa onda você pode se desfazer de coisas importantes para você. Eu sou desapegada e busco manter somente aquilo que eu gosto, mas foi um processo.

Ter feito isso de forma radical me deixou com um sentimento horrível de vazio – e isso não quer dizer que eu era materialista, mas porque nossa vida é composta por coisas, sentimentos e pessoas. É perigoso pensarmos em só manter aquilo que nos faz feliz porque nem tudo na vida são flores. Não podemos descartar algo apenas porque não é do nosso agrado. Mas atenção: não estou dizendo aqui que temos que aguentar situações que acabam conosco (como relacionamentos abusivos, empregos que nos sugam até a alma e não levam a nada e uma pilha de revistas sem uso em casa). Estou dizendo que faz parte da maturidade da vida de cada um saber identificar quando a mudança interna pode ser mais importante e quando a externa é necessária também.

Eu concordo com a Marie quando ela diz que, se a gente for destralhar a casa, pode destralhar por categorias: todas as roupas, todos os livros, todas as panelas. Isso realmente ajuda no processo porque você tem uma visão do todo. Mas me incomoda essa visão do “tem que ser assim”, porque cada pessoa é de um jeito e cada jeito traz consigo visões, anseios e necessidades. Quem sou para chegar na casa de alguém e falar: “jogue fora essas fotos”? É por isso que não trabalho em campo como personal organizer – eu acredito que cada pessoa possa aprender por si só o que é importante para si mesma e promova as mudanças que ela acha necessárias na sua vida, não a que a Thais, a Marie ou seja lá quem for diga que precisa ser feita.

Também estou de acordo com a Marie quando ela diz que devemos ter uma relação de gratidão para com os nossos pertences, porque isso faz com que não deixemos nada largado em cantos e caixas. É importante a gente ter uma casa que nos traz alegria, assim como a nossa vida – mas não quer dizer que, se alguém me falar algo que me desagrada, eu tenho que cortar a pessoa da minha vida! O que essa pessoa me falou pode gerar um aprendizado inestimável se eu tiver a atitude de receber essas palavras e processar o que foi dito, questionar minhas atitudes e promover mudanças que serão boas para mim e para todos ao meu redor. Quando a gente toma decisões somente com base no que a gente acha, pode acabar afastando pessoas e se tornando uma ilha, além de perder a oportunidade de aprender e evoluir em termos de sentimentos mesmo.

Por fim, o que eu quero dizer é que a organização radical é uma possibilidade, mas pode não se aplicar a todo mundo. Talvez, no seu momento atual, valha a pena chamar uma personal organizer e fazer esse trabalho com você, apenas porque você realmente não tem pique (e tempo) para cuidar disso sozinho. Ou então talvez você queira pegar um final de semana e trabalhar nesse destralhamento. Porém, não há nada de errado se você quiser fazer isso aos poucos, porque cada pessoa tem seu tempo.

Apesar de, hoje, ver que o destralhamento radical me deixou deprimida na época, ter passado por isso foi importante porque me ensinou a respeitar meu próprio ritmo. Se eu não tivesse feito, como saberia? Hoje, penso que todas as decisões que tomei foram precipitadas e faltou maturidade da minha parte, por isso penso muito bem antes de tomar qualquer decisão radical.

Sou a favor de cada um se conhecer, conhecer seus valores, ter objetivos de vida, porque isso são referências que nos ajudam na tomada de decisões. E vai muito além de encher um saco com roupas que eu não quero mais nesse momento. O saco pode ficar cheio sim, mas como resultado de um processo que cada um vai construir, seja em um dia ou em alguns meses ou anos, porque cada um tem o seu tempo para fazer as coisas. Eu penso que, se existe qualquer regra quando se fala de organização pessoal, é que as regras devem ser escritas pela gente e por ninguém mais.

Leia os livros, leia os posts do blog, mas no fundo você sabe que ninguém conhece mais a sua vida do que você mesma/o. Então trabalhe nesse conhecimento, porque ele será o responsável por você olhar para um vaso na sua casa e saber que ele não tem nada a ver com você, assim como qualquer outro objeto, relacionamento, pessoa ou situação. Leve isso um dia ou um ano. Não estou dizendo nenhuma novidade aqui – considero senso-comum. Ambos funcionam: ser radical ou não. Depende de você, do seu momento, da sua vontade e necessidade. O que não vale a pena é deixar de tomar decisões e atitudes quando se identifica um problema.

20 May 2015

Resenha: A mágica da arrumação (Marie Kondo)

Eu recebi mais de 40 mensagens, comentários e e-mails perguntando a minha opinião sobre a personal organizer japonesa Marie Kondo, que ficou famosa agora no Brasil devido à ampla divulgação do lançamento do seu livro aqui, “A mágica da arrumação”, publicado pela editora Sextante e respaldado por publicações de grande porte como a revista Veja e o jornal Folha de SP. Já tinha lido a versão original em inglês (The life changing magic of tyding up) e agora acabei de terminar a versão em português, podendo escrever uma resenha para quem tiver curiosidade sobre a minha visão pelo que ela aborda.

A Marie é uma personal organizer que está fazendo um sucesso tremendo não apenas no Japão, como em todo o mundo. Ela é um fenômeno. Ela é nova (30 anos), e uma mulher, então é muito legal ver alguém “da nossa área” fazendo sucesso assim e levando o tema organização pessoal para a vida das pessoas.

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Eu gostei muito do livro (a tradução da Sextante, por sinal, está fantástica – cabe o elogio), mas discordo da Marie em diversos aspectos.

Uma das principais crenças dela é que não existe arrumação eficaz feita aos pouquinhos – somente a organização radical ensina a pessoa de verdade a se organizar e não acumular mais tralha. Eu concordo e discordo. Concordo que o ideal é sim a pessoa fazer a organização radical porque aí isso vai ajudá-la a ver o resultado imediato do seu trabalho. Porém, sei que a realidade das pessoas é diferente. Ninguém consegue fazer essa organização radical porque na vida não existe extreme makeover. Você consegue fazer se morar sozinho e se organizar nas férias, ou se contratar uma personal organizer para arrumar tudo para você. Aí sim dá e até recomendo! Porém, se não é o seu caso, não precisa se frustrar pensando nesse ideal. Dá para se organizar aos poucos sim.

O livro dela é um livro sobre destralhamento. Eu fiquei muito surpresa quando li pela primeira vez, porque acabou tão rápido – é um livro tão simples! O conceito de destralhamento é essencial para a organização e fico feliz por existir um livro tão repercurtido como o dela no mercado, pois as pessoas realmente tendem a acumular muitos objetos e não é possível organizar tralha. Quem conheceu e gostou do livro pode ir atrás de outros autores bem bacanas sobre esse assunto, ou pesquisar sobre minimalismo.

Eu acho que ela é bastante radical em alguns aspectos e traz dicas certeiras em outros. Apesar de ser contra a tralha, ela gosta de agradecer e se relacionar de forma mais afetuosa com os objetos. No último sábado, levantei o tópico no meu workshop “Organize sua casa” e todos que já tinham começado a ler o livro tiveram a mesma impressão.

Muito do que ela fala pode ser novidade para o público em geral, mas já é notícia velha para quem trabalha como personal organizer. Não traz nada de novo para quem trabalha com isso, apesar de eu recomendar a leitura fortemente a todas as profissionais da área. Acredito muito que a organização pessoal deva ser um conceito integrado, que a organização da casa se reflete na organização da vida (e vice-versa), e o livro dela fala basicamente sobre isso também.

Todo o método KonMari se baseia na ideia de que na sua casa devem ficar somente os objetos que te trazem alegria, e nisso concordo demais com ela. É uma boa filosofia de escolha.

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A grande vantagem do livro é que, em português, não temos muito material sobre o assunto detralhamento a favor da organização, então ele é um bom presente a todos nós apaixonados por organização pessoal.

E você, já leu esse livro? O que achou? Deixe sua opinião nos comentários!

19 May 2015

Atividades que você pode fazer no aeroporto se não tiver Internet

Eu viajo bastante, então acabei desenvolvendo uma lista de atividades que posso fazer quando estiver fazendo escalas, conexões ou esperando em um aeroporto e não tiver acesso à Internet. Seguem algumas sugestões:

  • Organizar o Evernote. Essa é a minha preferida! Adoro aproveitar o momento de viagens e sem Internet para organizar minha caixa de entrada no Evernote, excluir notas obsoletas e organizar meu arquivo lá enfim.
  • Ler um livro. Sempre levo um livro ou um e-reader comigo e gosto de aproveitar esse momento de paz para ler um pouco.
  • Processar a minha caixa de entrada. Tenho uma pasta “In” no meu “escritório móvel” (minha pasta), onde insiro todos os papéis que vou coletando ao longo do caminho. É excelente aproveitar esse período no aeroporto para processar com calma o que estiver ali.
  • Digitalizar comprovantes. Mesmo que você esteja sem Internet, pode usar seu celular, tablet ou câmera para digitalizar os comprovantes que acumulou ao longo da viagem. Isso pode ser especialmente útil se você prestar contas para a empresa que estiver custeando a sua viagem.

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  • Ler uma revista. Se você quiser distrair a cabeça, pode ser uma boa ter uma leitura leve com você nesse momento, ou mesmo uma revista de atualidades para saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo com um pouco mais de profundidade que as notícias diárias que vemos de relance na Internet.
  • Escrever sobre seus pensamentos. Não precisa fazer um diário, mas pode ser bom rabiscar um pouco sobre a vida, escrever como está se sentindo ou fazer mapas mentais de projetos.
  • Retornar alguns telefonemas. Esse é o momento ideal para ligar, trocar recados, conversar e avisar da sua partida aos familiares.

E você, o que costuma fazer quando está sem Internet esperando no aeroporto?

17 May 2015

Resenha: Getting Things Done, David Allen (a nova versão 2015)

Há cerca de nove anos, eu li o livro do GTD pela primeira vez. GTD, para quem está chegando agora no blog e não conhece, é uma metodologia de produtividade criada pelo David Allen, que eu utilizo há muitos anos. (Clique aqui para entender do que se trata)

Da primeira leitura para cá, praticamente tudo mudou na minha vida e, grande parte dela, por causa do método GTD. Eu li e reli esse livro tantas vezes que já perdi a conta. Depois que me tornei instrutora da metodologia, então, venho estudando o livro de maneira muito mais intensa, com o objetivo de entender a metodologia de forma profunda para ensinar de forma cada vez melhor às pessoas interessadas em aprendê-la.

No dia 17 de março de 2015, foi lançada uma nova versão do livro. O David reescreveu o livro inteiro, completamente. Não quis ler tão rápido porque quis aproveitar para re-implementar todo o meu sistema do zero, como se fosse a primeira vez, porque assim eu (penso que) absorveria melhor todos os novos ensinamentos.

Por já ter lido o livro, participado de alguns webinars com o próprio David Allen e ter lido alguns comentários pela Internet sobre a nova edição, eu achei que seria legal escrever uma resenha com a minha visão sobre a nova edição, o que tem de novo, o que tem de diferente, e assim tirar as principais dúvidas de quem ainda não teve a oportunidade de ler.

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É um livro novo? A metodologia é a mesma?

Sim, é um livro novo, mas a metodologia é a mesma. O David simplesmente reescreveu todo o livro original que dá origem ao método (publicado no Brasil pela Ed. Campus com o título “A arte de fazer acontecer”). A metodologia não mudou.

O que acontece é que, quando o David escreveu a primeira versão do livro, ele quis colocar toda informação possível lá. Isso fez do livro do GTD um livro com uma quantidade enorme de informação que, muitas vezes, para quem está começando, é desnecessária. Muitas pessoas me falam que têm dificuldade em aplicar o GTD apenas lendo o livro, e que então buscaram cursos ou artigos pela Internet para ajudar na implementação. Sabendo dessa dificuldade, ele reescreveu o novo livro deixando a leitura muito mais simples e fluida, facilitando a vida de todo mundo.

Já tem versão em português?

Não. O livro foi lançado em março deste ano e a tradução já está sendo feita pela editora brasileira, mas esse é um processo que leva tempo. Não tenho a previsão para a publicação em português, mas eu chuto que eles devam publicar entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro de 2016.

Onde comprar o livro importado?

Tanto a Amazon quanto a Livraria Cultura importam a versão física do livro (leva umas seis semanas para chegar), mas a maneira mais fácil é comprar e ler a versão digital, tanto para Kindle quanto para Kobo. Vale lembrar que não é necessário ter os e-readers para ler – basta baixar o programa gratuito nos sites da Amazon e da Livraria Cultura ou na loja de apps do seu celular/tablet.

Não tenho como ler o livro novo agora. Posso ler o livro antigo e ainda aprender GTD?

Claro que pode! Como eu disse, a metodologia é a mesma. É claro que, se você puder ler o novo em inglês, sugiro que já leia a versão nova.

O que mudou nesse novo livro?

Algumas mudanças na própria nomenclatura de alguns termos do GTD já vinham sendo implementadas pelo David nos seus últimos livros e materiais publicados, como o nome dos cinco passos e os termos de horizontes de foco. Essas mudanças então foram transpostas para o novo livro, seguindo a coerência do seu trabalho.

Os cinco passos deixaram de se chamar coletar, processar, organizar, revisar e executar e agora se chamam capturar, esclarecer, organizar, refletir e engajar. O sentido é o mesmo, mas menos mecânico e operacional e mais intelectual.

Um ponto que me chamou muito a atenção foi como o livro foi escrito para todos, da dona de casa ao CEO da empresa multinacional. A versão original era muito focada no ambiente corporativo e dava a impressão de que o GTD não era para todo mundo.

A fluidez do novo livro é impressionante, tornando a leitura muito mais leve para quem está acessando a metodologia pela primeira vez. Você também sente o David bastante confiante sobre tudo o que ele fala – afinal, foram mais de 15 anos desde o lançamento do livro original e muita coisa aconteceu com ele de lá para cá, em termos de experiência de trabalho com o método no mundo.

Existem alguns capítulos novos, como um sobre GTD e as ciências cognitivas (fantástico) e um sobre como alcançar a maestria no GTD. Eu também senti que todos os capítulos já existentes tiveram um up bem legal. O capítulo sobre projetos está fantástico e dá muito mais ênfase ao planejamento natural de um projeto, que muitas vezes acabava passando batido antes frente a tantas informações.

No livro original, muitas vezes o David citava artigos de tecnologia como palm tops. A tecnologia muda muito rápido e o GTD é uma metodologia que independe de dispositivos, softwares e aplicativos, então ele procurou deixar isso bem claro no novo livro, mantendo a metodologia desassociada de tais tecnologias temporais. A metodologia é atemporal.

O que o livro não tem

Guias para implementação da metodologia em programas ou ferramentas específicas. O David tem o grande cuidado de mostrar que a metodologia é independente de qualquer tipo de tecnologia e que a pessoa que a aprende pode implementar em qualquer lugar. Não adianta fazer um guia com ferramentas se daqui a uma semana vão lançar uma versão mais nova e atualizada e o livro vai ficar desatualizado. O novo livro foi escrito para ser atemporal.

Quem quiser guias para aplicação, pode conseguir no próprio site da David Allen Company e nas centenas de opções publicadas por fãs do GTD na Internet. :)

Essa é a minha resenha do novo livro e eu espero que possa ter tirado as principais dúvidas a respeito. Caso eu não tenha falado sobre algum aspecto em específico que você tenha curiosidade, por favor, poste nos comentários. Obrigada!

12 May 2015

Como preparar uma palestra

Desde que comecei a ministrar palestras, entre 2011 e 2012, recebi alguns comentários de leitores pedindo para falar um pouco sobre como se organizar para fazer uma palestra. Amanhã vou realizar uma palestra e, enquanto revisava minha apresentação pela última vez, me veio a ideia de escrever este texto.

Muitas pessoas pensam que, para criar uma palestra, é necessário abrir um documento do Power Point e começar a inserir informações ali. Na verdade, eu acho que esse é um dos últimos passos.

#1 O que realmente faz diferença para mim é, em primeiro lugar, saber quem será o público dessa palestra. Nem sempre a gente sabe, especialmente quando é um evento aberto ao público em geral, mas sempre dá para ter uma ideia. Se um cliente me contrata, eu recebo um briefing dizendo o que esperam de mim, então posso trabalhar em cima disso.

#2 Saber quem é o público me leva a um dos pontos principais, que é definir o propósito da minha palestra. O que eu quero alcançar com ela? O que eu quero que os participantes entendam quando nos comunicarmos?

#3 Depois, é fundamental saber o tempo disponível, o formato, se haverá espaço para perguntas, se teremos uma hora de conversa e uma hora de exposição, se serão duas horas de bate-papo, qual a estrutura do loca, se haverá microfone, se haverá projeção e outros recursos técnicos. Tudo isso direciona o formato da palestra.

#4 Com esses dados em mãos, dá para bolar uma estratégia para a palestra. Que pontos vou abordar? Não dá para falar de tudo! Então gosto de trabalhar três pontos fortes ao longo de todo o conteúdo, porque gosto do poder das tríades (abraços para o Christian). Ter três pontos me faz ter um norte e, a partir deles, destrincho um mapa mental com ideias no geral. Eu fico estudando essas ideias durante um tempão, porque acho esse processo criativo importante, além de adorar fazer.

#5 Algo que acho super importante é o todo ter coerência com o que já falo quando abordo outros temas. Por exemplo, não vou falar que sou contra mulher ser dona de casa se eu defendo o feminismo no blog e em outros materiais. O exemplo foi drástico, mas serve para ilustrar. Vejo muitos bons profissionais entrando em contradição diariamente. Essa coerência inclusive delineia a sua palestra, pois você a usa como princípio (“será que isso que eu estou falando corresponde àquela outra coisa?”).

#6 Com tudo isso já pensado, eu abro um arquivo PPT e monto um template que tenha a minha identidade visual. Crio os slides “fixos” que, no meu caso, são apenas dois: um slide onde me apresento, falo do meu livro, quem eu sou, e o slide final, com o “obrigada!” e os meus contatos. Todo o resto, eu gosto de criar do zero, pois acredito que toda palestra, mesmo que eu já tenha falado sobre o assunto antes, seja única. Não apenas por respeito ao público e ao cliente, mas porque eu mesma mudo também. Conceitos são amadurecidos, ideias se renovam, e acho legal ter esse cuidado com a coerência do meu discurso mesmo, que é uma impressão de quem eu sou e do meu trabalho.

#7 Eu gosto de ser expressiva com imagens ou poucas palavras, o que tem a ver com a minha missão (“inspirar”…), então esse é uma espécie de estilo pessoal nas minhas apresentações. Acho importante que cada palestrante encontre o seu. Sua apresentação tem que ter a sua cara. Se você revisar seu PPT e achar que não está legal ou está entediante, provavelmente está mesmo! O negócio é seu – mexa até ficar bom para você.

#8 Por fim, revise, ensaie, releia suas anotações. Quanto mais familiarizado você estiver com a sua apresentação, mais fluida ela será no momento da sua palestra.

#9 Salve em diversas mídias para não ficar na mão na hora. Computador que vai usar, pendrive e Dropbox costumam bastar, mas você pode usar outras.

No geral, eu costumo levar de uma a duas semanas para organizar uma palestra, dependendo da quantidade de tempo trabalhada nela diariamente. Muitas vezes, a maior parte do tempo está apenas na maturação do conteúdo mesmo. Existe a parte trabalhosa de montar o PPT, colher as imagens certas, acertar as fontes de maneira proporcional etc. Eu gosto de trabalhar com antecedência para ter certeza da qualidade.

E é assim que eu me organizo para preparar uma palestra atualmente. :) Fiquei com vontade de escrever um texto sobre como me organizo como palestrante, como me tornei palestrante e outros assuntos relacionados, que já me pediram também, mas isso eu deixo para outro post.

Temos leitores que também fazem palestras? Se você já fez uma apresentação no seu trabalho ou na faculdade, pode até não trabalhar diretamente com isso, mas já deve ter percebido que algumas dicas servem para você. Por favor, poste suas impressões nos comentários. Obrigada!

12 May 2015

Palestra gratuita do Vida Organizada amanhã no Shopping D&D

Olá pessoal! Amanhã estarei no Shopping D&D (aqui em São Paulo) realizando uma palestra gratuita sobre organização pessoal. Será uma oportunidade bem legal de a gente se conhecer e bater um papo. Que tal? Vamos lá? Adoraria ver alguns leitores do blog que tenham disponibilidade!

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A entrada da palestra é grátis e o RSVP deve ser feito pelos telefones 11 3043-9030 e 3043-9024.

Espero vocês lá!