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Recentemente terminei a leitura do livro “A Casa Minimalista”, do Joshua Becker, publicado recentemente (2019) em português pela editora Agir aqui no Brasil.

O Joshua ficou mais conhecido aqui no Brasil no último ano devido à sua participação no evento Organize Brasil, em que esteve como palestrante convidado. Lá nos Estados Unidos ele é bem conhecido – tem um blog com milhões de acessos e outro livro sobre minimalismo já publicado, o “Becoming Minimalist”.

O que eu mais gosto nessa história é o fato de termos um homem escrevendo sobre organização da casa. Pensem bem a respeito! Por mais privilegiada que seja a posição dele, temos um homem falando sobre organização da casa. Acho isso muito importante e um marco da mudança que estamos vivendo culturalmente no mundo, ainda que aos poucos.

As imagens acima são promocionais da editora e foram retiradas da página do livro na Amazon. 😉

Veja a sinopse oficial da editora: “Gastamos muito dinheiro comprando coisas para nossas casas, e muito tempo na organização, na limpeza e na manutenção dessas coisas. Nos raros momentos de folga para curtirmos a casa, ela ainda não se parece com o local onde gostaríamos mesmo de morar. O que fazer? Este livro vai apresentar um novo jeito de viver, tendo menos coisas em casa — menos bens materiais, menos itens de decoração, menos acúmulo – e mais espaço e tempo para apreciar o que realmente é importante para você. Uma casa (e uma vida) minimalista. Um guia prático para ajudar todas as pessoas a aderirem a esse estilo de vida.”

O que me chamou a atenção nessa leitura?

Em primeiro lugar, a capa lindíssima. Parabéns, Agir, pela escolha.

Em segundo lugar, minha profissão. Leio TODOS os lançamentos relacionados a organização pessoal, da casa e produtividade.

Mas acho que o relevante aqui é explicar por que eu passei essa leitura na frente de tantas outras que estou fazendo nesse momento, e não dá para explicar isso sem contar um pouco do teor do livro.

Existem muitas pessoas falando sobre minimalismo hoje em dia. O assunto é uma tendência mundial, e fico feliz pela abrangência. No final das contas, acredito mesmo que todos nós devamos focar no que é essencial e nos livrarmos do resto, mesmo que isso seja um movimento que leve mais tempo (veja este vídeo recente em que conto exatamente sobre essa mudança de perspectiva para períodos mais conturbados na vida).

Acredito muito no poder da compassividade. De a gente ter um olhar para a gente mesmo e para os outros com mais compaixão. Isso se chama empatia, também. Entender que cada pessoa tem o seu momento, a sua situação, e que provavelmente está fazendo o melhor possível dentro das circunstâncias em que está inserida.

Mas eu também sei que existem fatores internos que, muitas vezes, nos bloqueiam para coisas que gostaríamos de fazer e isso nos prejudica, que seja transbordando um sentimento de frustração. Por isso recomendo que todos façam terapia, pois faz muita diferença nesse entendimento como um todo. Além de ser saudável ter um profissional da mente sempre de olho em você para perceber nuances que talvez você não tenha percebido.

Cada vez mais eu vejo que cresce uma consciência de que os recursos naturais do nosso planeta são finitos, e que quando jogamos um objeto no lixo, a gente só está delegando o problema para o governo, que jogará aquilo em um aterro, ou para um catador de lixo, que aproveitará o objeto. Não existe “jogar fora” do planeta Terra. Então cada vez mais as pessoas estão desenvolvendo essa percepção e comprando menos, usando menos sacolinhas plásticas, a coisa toda.

Por outro lado, estamos cada vez mais envolvidos em muitas atividades e com menos tempo para fazer qualquer coisa que não seja estritamente necessária. Lembro de quando eu era pequena e ia visitar minha bisavó no interior, e todas as amigas velhinhas dela tinham aquelas casas com cristaleira, objetos de prata etc etc – que até hoje algumas pessoas ainda têm, mas sabemos que cada vez menos. Por quê? Porque tomam tempo. Muitas vezes, não encontramos tempo sequer para lavar a louça e cuidar da roupa – quanto mais lustrar a prataria!

E existe outro aspecto também, que é a diminuição do tamanho das casas. Vivemos em apartamentos e residências cada vez menores, ou pela questão do preço ou porque não precisamos ter um lugar tão grande para limpar! Lembro que, em 2016, quando nos mudamos para um sobrado de três andares (!), o primeiro arrependimento veio nesse sentido. Uma casa enorme dá mais trabalho de limpar. Uma casa enorme pode nos fazer criar uma necessidade esquisita de preenchê-la com mais coisas.

Bom, e aí a gente chega no conceito de casa minimalista.

Vale relembrar o que já disse algumas vezes aqui no blog que o minimalismo não tem a ver com ter poucas coisas. Não tem a ver com escassez. Tem a ver com você ter o mínimo essencial necessário para você viver. E é óbvio que esse mínimo essencial varia de pessoa para pessoa. Adoro quando o Joshua (outro desta vez, o do Minimalists) diz: “se você ama seus livros, fique com seus livros! não é para se desfazer de coisas que sejam importantes para você!”. Apesar de eu ter algumas ressalvas com o trabalho deles, ainda acho que eles têm bons insights a respeito do minimalismo.

Vale a pena ler mais um livro sobre minimalismo?

Uma seguidora no Instagram pediu para eu escrever a resenha para ela avaliar se valia a pena comprar esse livro, já que ela já tinha lido muitos outros sobre minimalismo. Penso que apenas cada pessoa pode fazer essa avaliação. Gostos são muito pessoais. Recomendo ir até uma livraria e dar uma folheada, pois acredito que só assim sua avaliação pode ser mais completa sobre ele servir ou não para você.

Particularmente, por mais que a gente saiba sobre um assunto, a gente nunca sabe TUDO. Eu sou uma pessoa apaixonada pelo conhecimento e por estudar, então todo livro que sai sobre os temas de meu interesse eu quero ler porque acredito que sempre aprendo alguma coisa nova.

O que diferencia esse livro do livro da Marie Kondo, por exemplo? Bem, ela tem um método e um passo a passo. O Joshua não tem esse passo a passo, apesar de ele dividir os capítulos do livro de acordo com o “como destralhar” cada ponto da casa, começando pela sala de estar, depois os outros. Então também tem uma espécie de tutorial, mas é diferente. O livro traz muito mais inspiração, dicas práticas e insights mesmo.

O livro é dividido em três partes: 1) você, 2) espaços (cômodos da casa) e 3) futuro.

Na primeira parte, ele apresenta o método dele e faz uma introdução para que o leitor entenda o que ele quer passar como casa minimalista.

Na segunda parte, ele traz um passo a passo para minimizar a casa. Achei os primeiros capítulos muito bons e robustos e depois achei que ficaram mais abstratos e menos complexos. Pode ter sido só impressão minha mesmo. Talvez eu que estivesse mais empolgada no início e depois me acostumei com o ritmo.

Na terceira parte, ele traz algumas ideias para que você repense a casa onde vive hoje.

Ao longo de todo o livro você encontra frases impactantes, depoimentos e muitas dicas adicionais. Considero o livro bastante interessante para todo mundo que se interesse pelos assuntos de organização da casa e sobre minimalismo, mas claro que apenas cada um pode tirar suas próprias conclusões.

Você pode comprar seu livro aqui pela Amazon e, comprando por esse link, você ajuda o Vida Organizada a ganhar uma pequena comissão, que sempre ajuda na manutenção deste canal. Obrigada!

Você já leu esse livro? O que achou dele? E, se ainda não leu, comenta aqui embaixo o que você pensa sobre minimizar a casa? Um beijo.