Categoria(s) do post: Diário da Thais

Foram muitos os acontecimentos que levaram às decisões que eu tomei – e continuo tomando – na minha vida.

Às vezes eu me surpreendo ingenuamente achando que todo mundo conhece essa minha história e está ciente da maneira como eu levo a minha vida.

Todo mundo tem tanta pressa! Tá correndo tanto o tempo todo. Se eu não cuidar, acabo entrando nesse mesmo estado pilhado e, sinceramente, eu quero continuar mantendo distância dele.

Para mim, é absolutamente normal ficar vários dias sem olhar e responder e-mails e esquecer que o What’s App existe. Lembro da época em que eu tinha um celular simples que apenas fazia ligações. Ninguém ficava esperando respostas instantâneas. Eu ia viajar e deixava o celular em casa. Sei que o mundo mudou, mas tudo tem limite. E eu preciso colocar os meus limites.

Se eu fizer uma viagem a trabalho durante uma semana, eu não tenho a menor obrigação de ficar respondendo mensagem ou correndo com prazos imaginários (que as pessoas querem forçar porque é prioridade para elas e elas querem que seja a sua também).

Em algum momento, no passado recente, eu tomei a decisão de priorizar a minha saúde perante absolutamente todas as coisas.

Construí um estilo de vida e de trabalho que me permite – de maneira muito privilegiada e eu sei disso – falar “não” para bastante coisa.

Faz parte da minha personalidade, e da minha jornada espiritual, de desenvolvimento humano, ter uma mente de compaixão. Sempre olhar para o outro com empatia e gerar o profundo desejo de ajudar. Isso é maravilhoso e muito importante, mas precisa ser equilibrado. Eu preciso ter esse olhar compassivo comigo mesma também.

E o que aconteceu, nos últimos dois anos especialmente, foi colocar sempre o outro em primeiro lugar. Passei por cima de necessidade emocionais minhas para abrigar e ajudar outras pessoas e durante meses isso me sobrecarregou de tal maneira que resgatou minha depressão lá das profundezas. Demorei para perceber. Voltei a ter hábitos nocivos para mim, vários. Sabe quando você “despiroca” como válvula de escape? Foi o que aconteceu comigo do final do ano passado até mais ou menos fevereiro ou março deste ano. Agora eu consigo enxergar melhor, com distanciamento.

Não quero colocar a responsabilidade sobre como me sinto em cima de ninguém. Os sentimentos são meus, e eu sei disso. Mas eu também consigo olhar com um pouco mais de objetividade algumas situações e perceber como foram atitudes das pessoas e não simplesmente reações a algo que eu tenha feito. E que ocorreram abusos, excesso de expectativas e cobranças, em um momento em que eu não estava tão bem e que se aproveitaram disso. O mundo é difícil. Enfim.

Junho foi um mês em que eu comecei a lembrar de todas as percepções e aprendizados e decisões dos últimos quase três anos e eu não apenas quero, como PRECISO voltar aos meus bons hábitos de sempre. Não porque eu sou a Thais do Vida Organizada, mas porque são hábitos que me fazem bem. Eu quero ver o meu filho crescer, quero ter uma velhice saudável, desenvolver longevidade com a mente boa. Ok, a pandemia foi difícil pra todo mundo – pra mim também. E, por mais que a pandemia ainda não tenha acabado, vivemos um outro momento. Sempre, aliás. Mas eu me sinto na hora de retomar esses hábitos de antes da pandemia. Eu não sou a mesma pessoa, mas muitos hábitos pertencem a mim, e eu quero me empoderar deles novamente, porque isso é quem eu sou.

Contando um pouco sobre como foi este mês.

Tive duas viagens a trabalho. No começo de junho fui ao Rio de Janeiro participar de um evento do Damasio, um dos meus mentores, e foi tão bom viajar, ver pessoas, interagir! Curti muito! Duas semanas depois eu fui para Brasília para o mastermind do Érico Rocha e não foi uma viagem legal para mim, por vários aspectos. E o corpo sente tanto que acabei pegando COVID lá, o que foi o tema do restante do mês, pois ainda estou me recuperando. Fiquei bem mal nos últimos dias, Paul pegou também, mas felizmente teve dois dias de sintomas e já melhorou. Obrigada, vacina! Ele também começou a fazer aulas de teclado e está tocando lindamente, além de ter passado bem o semestre na escola nova. Está de férias. Eu escrevi um artigo para o Doutorado, finalizei o semestre na licenciatura e comecei um novo curso de História. Quem me acompanha há mais tempo sabe desse desejo. Agora vai! Tudo EAD (menos o Doutorado).

Ah, participei da Festa do Livro Político da PUC também e fui à Feira Literária que teve no Pacaembu. Amo. Foram eventos bem gostosos.

No trabalho, abrimos vagas, estamos passando por várias mudanças internas, especialmente de ritmo. Abrimos uma nova turma do Método Vida Organizada e replanejamos o segundo semestre. Iniciei um projeto profissional novo na RNP e me sinto muito motivada em trabalhar com algo diferente em paralelo com o Vida Organizada (tava precisando).

Estou fazendo uma revolução aqui em casa no meu home-office, reorganizando a minha biblioteca, e vou começar a fazer novas coisas no meu escritório externo, assim que melhorar do COVID.

Iniciei um tratamento com uma nova médica psiquiátrica e um novo medicamento. Vamos ver como vai a adaptação. Gostei muito dela.

Termino o mês melhor do que o comecei, o que sempre considero uma métrica feliz. <3 Que venham os próximos meses.

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16 comentários

  1. Carol comentou:

    Terminar melhor do que começar é sempre muito bom! Eu tenho dado um tempo de me expor em redes sociais já tem alguns meses. Respondo no whatsapp de trabalho apenas no horário comercial e saí de alguns grupos, vejo apenas o que eu gosto e me faz bem. Acho que entender o que me faz bem tem sido substancial no meu momento de vida e é incrível como olhando no celular e fazendo 10 mil coisas ao mesmo tempo, a gente esquece de olhar pra dentro.

  2. Thais comentou:

    Quando você fala “pra mim é perfeitamente normal não responder o whats, passar três dias longe de todo esse excesso de internet” eu me recordo do porquê te sigo!!! Como é bom saber que não somos anormais e te acompanhar nos traz sempre esse sentimento.

  3. Lia Houf comentou:

    É hilário ou até assustador como as pessoas acham que o tempo dos outros está a disposição dos outros … passamos tanto tempo dando cortes … exigindo respeito …
    Se têem essa cara de pau com a Thais que tem essa bandeira da auto-preservação como premissa … imagina com nós pobre mortais.
    Eu trabalho home office com atendimento … em de tempos em tempos … preciso vir aqui p aprender a dar limites …
    Obrigada Thais

  4. Luciane comentou:

    Também uso essa métrica Thais! Tudo de bom para você!

  5. BRUNA comentou:

    ” Eu quero ver o meu filho crescer, quero ter uma velhice saudável, desenvolver longevidade com a mente boa.”

    Estou grávida e é exatamente essa minha vontade também! Estou buscando meios para poder alcançar isso… estou com 32 anos e sinto agora mais do que nunca a necessidade de finalmente decidir sobre muitas coisas importantes que vão definir meu futuro!

  6. Nadir Cecilia Candido comentou:

    Inspiradora você.

  7. Roberto Travassos comentou:

    show, gostei

  8. Luca comentou:

    Oii, Thais! Fico feliz que estão recuperados/recuperando bem do covid! 😉

  9. Ana Carolina Melaré comentou:

    Ando afastada das redes sociais desde a Páscoa e mesmo te amando, não tenho acompanhado muito Tb. Foi uma decisão consciente de detox mesmo Junto com uma cirurgia que acabou me deixando com uma leve depressão e desmotivação total.
    Eu a todo momento nesse período lembrava de vc, de fazer o Mínimo Viável Diário e pensava, em minhas fantasias: “a Thais que usa esse método que realmente funciona, não estaria assim caída como vc! Usa o que vc aprendeu com ela, use como alavanca para sair do buraco”. Mas mais e mais eu me afundava até me deixar realmente ficar ali.
    E lendo seu mês (e por isso escrevi sobre a “fantasia”) percebi que ninguém está imune aos tombos da vida, às lições que aparecem (mesmo quando parece que temos tudo controlado – e sabemos que não temos) e que precisamos lidar 3 dar a volta por cima.
    Thais, vc realmente é minha musa (no bom sentido! Rs)! Pq vc é gente como a gente, vc faz acontecer ao mesmo tempo que tem seus momentos difíceis, mas não tem medo de mostrar sua fragilidade e ao mesmo tempo a força de superação.
    E eu só agradeço sempre por ter te conhecido (mesmo que virtualmente) pq vc sempre ilumina e enriquece e minha vida é de muita gente que te segue! Tudo de bom sempre para vc! 💜

  10. Thaís comentou:

    Thaís, como sempre, desejo o melhor para você e sou grata pela sua presença aqui e nas redes sociais.

    Se puder em algum momento discorrer mais sobre o assunto, eu queria muito saber como é para você estar nesses eventos onde as pessoas têm uma mentalidade tão focada em resultado, produtividade a qualquer custo, isso sem contar nas ideologias tão diferentes daquilo que você nos conta que busca combater e não reproduzir na sua vida.

    Tem horas que eu vejo o marketing digital como uma possibilidade para mim, mas aí só vejo “gurus” que me parecem ter saído da mesma forminha “farialimer” que defende coisas que não suporto nem ouvir… E queria saber se é tudo isso que eu penso, ou estou com as referências erradas.

    Indiretamente relacionado, morro de curiosidade de saber porque Napoleon Hill é tão importante para ti, haja visto que tudo o que ele produziu foi baseado na ideologia do sonho americano, do ficar milionário, etc. Eu já li algumas coisas, tem horas que me ajuda, mas tem outras que fico travada, e como confio muito na sua curadoria, queria entender melhor como você lida com isso em especial (a questão ideológica). Eu li todos os textos que você já publicou sobre o assunto, mas isso em particular me deixa ainda muito intrigada, não porque quero “apontar contradições” em você, mas para talvez encontrar uma possibilidade de caminho para mim.

    <3

  11. Lilian comentou:

    Sua transparência e resiliência são inspiradoras, sempre. Boa recuperação e um 2o semestre de paz! Namastê.

  12. Gabriela comentou:

    Você é incrível, Thais! Obrigada por tanto <3

  13. Maria Carolina Avellar comentou:

    Não li até o fim ainda. Parei no meio para me emocionar com tamanha identificação, comentar e agradecer por seu trabalho, sua vida e exemplo, Thais. Obrigada por me inspirar e ensinar tanto. Gratidão e admiração profundas!

  14. Thaís Gabrielly comentou:

    Te acompanhar me ajuda muito em organizar minhas rotinas, ver você falando das pausas também é inspirador. Eu comecei a adoecer em junho pelo ritmo acelerado e pelas urgências que não cabem a mim resolver. Um dos meus desejos é fazer seu curso para aprender a lidar com as demandas que não abro mão e reorganizar, distribuir e reavaliar aquelas que fazem mais sentido pros outros que para mim. Obrigada por manter o blog, o YouTube e o insta no seu ritmo. Tenho diversas frases suas espalhadas pela casa, e as coloco para poder me lembrar do mais importante: eu mesma. Que o seu segundo semestre seja ainda melhor. Abraços!

  15. Fabíola Borges comentou:

    Algumas coisas se conectam com o que andei e ando passando. Também acabo colocando muito os outros em primeiro lugar, e nos últimos meses vinha trabalhando a autocompaixão. Fiz o CCT, o Treinamento de Cultivo de Compaixão elaborado pela Stanford. Foi muito bom e recomendo! Mas logo que se encerrou fiz uma viagem planejada há tempos, peguei Covid, e em processo de alugar um ap com o namorado, tivemos que comprar tudo e fazer a mudança ainda sentindo os efeitos de pós-covid. Tudo isso andou desestruturando meus hábitos, deixando os exercícios e alongamentos de lado, me levando a comer muito mais besteiras, o que retomou vários desconfortos e incômodos relacionados à saúde. Cheguei num momento de cansaço, hora de rever meus objetivos, simplificar. E sempre que me encontro assim, dou uma lida nas postagens que perdi em seu blog e volto a me organizar e encontrar uma rotina um pouco mais tranquila. Só agradeço 🙏