Categoria(s) do post: Finanças

Outro dia eu compartilhei a revisão atual do mapa com as áreas da minha vida e perguntei se vocês queriam que eu falasse mais sobre como eu organizo os meus investimentos, e vocês falaram que sim. Então aqui está o post. 😉

Eu acho que é importante começar este post dizendo que não me considero nem certa nem errada com meus investimentos. Isso aqui é apenas a maneira como eu faço porque, neste momento de vida, me sinto mais segura assim. Pode ser que existam formas melhores de se fazer mas, se há, implementarei no meu tempo, conforme sinta necessidade.

Digo isso porque falar sobre investimentos é como pisar em um campo minado (aliás, como muitos temas hoje na Internet). Você começa a escrever a respeito e já tem alguém com uma plaquinha dando sugestões ou dizendo que você está errado por isso e aquilo.

Uma das coisas mais importantes que aprendi sobre finanças foi com meu amigo Luca (que já fez algumas lives comigo sobre isso no canal) que é o fato de finanças serem algo muito mais emocional que objetivo. As pessoas, especialmente os brasileiros, lidam de forma mais emocional com o dinheiro, justamente por vivermos em um país que no momento voltou ao mapa da fome e traz tanta insegurança à maioria de nós.

Como empreendedora, me considero uma pessoa ousada mas, como investidora, sou conservadora. E não fico esperando que eu mude esse perfil com o passar do tempo. Até achei que seria uma característica de quem está começando e ainda não se sente tão seguro até ler no livro do Gustavo Cerbasi (Investimentos inteligentes) que ele mesmo se considera conservador. E ele é craque há décadas em finanças. Então não tem essa ideia de “grau evolutivo” que era uma crença que eu tinha.

Com toda a sinceridade, o que me travava no lance dos investimentos era não ter muita ideia de como e onde aplicar. Foi só quando passei a ter objetivos para o dinheiro que eu me vi naturalmente buscando a melhor maneira de investir em cada um deles. Então este post servirá apenas para demonstrar como eu faço.

O primeiro investimento é uma reserva de emergência. Eu considero reserva de emergência em duas etapas. Uma é um valor razoável que acho importante ter ali, de fácil acesso, no banco, para imprevistos do dia a dia que geralmente não se paga com o dinheiro do dia a dia, que basicamente é o salário do mês. Por exemplo, quando a minha avó morreu, a gente teve todos aqueles custos com velório, caixão, flor etc. A reserva de emergência – parte 1 serve para isso. Usou o dinheiro, repõe o quanto antes. Para mim, essa reserva precisa estar acessível ao meu marido também. A gente só não tem uma conta conjunta porque não vou criar maaaais uma conta, mas eu acho que seria o ideal. Faria assim, se fosse iniciar hoje. Eu tenho essa conta em um banco estatal e armazeno a reserva de emergência em um investimento simples de liquidez imediata – ou seja, que posso resgatar a qualquer momento. É como se e colocasse na poupança. Não é um dinheiro para render muito e me deixar rica – é apenas um dinheiro guardado que é melhor deixar num investimento melhor que deixar na conta corrente. É isso. Eu vou evitar valores neste post por questões de segurança (nunca se sabe quem pode estar lendo), mas realmente não é uma quantia grande – apenas o suficiente para imprevistos diversos.

O segundo tipo de reserva de emergência é aquela que cobre todas as suas contas durante 6, 12, 24 meses e além. Essa eu já considero a reserva para a aposentadoria, porque meu plano é investir ali para ter essa reserva durante algum tempo e ir estendendo para mais anos de vida. No entanto, a liquidez imediata é importante, então o que faço é: invisto no Tesouro Direto em diferentes categorias. Tenho um investimento com a liquidez imediata, que é para situações de emergência mesmo, assim como investimentos no Tesouro 2035 e 2045 – esses já mais voltados para uma suposta aposentadoria.

Entra aqui também a reserva de emergência da empresa, que está na conta de pessoa jurídica, então é outro investimento – um CDB de liquidez imediata também. Rende menos mas entenda que o objetivo é ter acesso, não rentabilidade alta. Essa reserva de emergência tem o objetivo de pagar as contas da empresa por um ano, caso algo aconteça. E a ideia é aumentá-la para dois anos, enfim, porque isso dá segurança a todo mundo que trabalha nela em vários sentidos.

Todos os outros são investimentos menos prioritários e focados em projetos.

Por exemplo, a educação do Paul. Tenho dois objetivos financeiros, que são: guardar dinheiro para a faculdade dele e para um suposto intercâmbio que talvez ele queira fazer daqui a alguns anos. Tenho controle sobre as decisões do Paul com 16 ou 19 anos? Não tenho. Mas a minha parte, que é guardar esse dinheiro, eu posso fazer. Então trata-se de um CDB simples onde invisto esse dinheiro com foco na educação dele. O que tiver de dinheiro investido ali ele poderá usar no futuro para a sua educação. Ponto. Não precisa ter liquidez imediata (iniciei lá atrás para o resgate em 10 anos).

Eu tenho outro fundo que é referente aos meus estudos. É como se fosse uma reserva de emergência para pagar as mensalidades do doutorado, por exemplo, que, se não for usada, continua ali rendendo para um possível pós-doutorado futuramente, se eu quiser mesmo fazer. Penso assim: se não quiser fazer, pelo menos o dinheiro está investido. Nunca fará mal ter dinheiro guardado. Esse aqui é um investimento que faço de pouco em pouco, com o que economizo no dia a dia com compras. Ou seja, toda vez que não compro, sei lá, uma camisa de 100 reais, eu pego esses 100 reais e coloco nesse investimento. É um CDB com liquidez de 12 meses.

Outro investimento é sobre “casa”. Aqui, entra o valor guardado para mudanças na nossa casa ou o apartamento da minha mãe. Está tudo junto, mas penso em separar. Quero ter um “fundo mãe” com dinheiro para ajudá-la, se necessário. E o investimento da casa fica lá. Vamos comprar um terreno? Mudar para outra casa em algum momento? Fazer uma reforma? Não importa essa decisão por enquanto – o dinheiro está sendo investido. O “fundo mãe” eu vou migrar para um CDB de liquidez imediata (pois ela é idosa e pode precisar a qualquer momento) e o da casa fica onde está, com liquidez de 12 meses.

Outro fundo que tenho é o de viagens. É um valor pequeno que mantenho ali investindo de pouco em pouco para ter qualquer viagem em família paga para quando quisermos fazer. Liquidez imediata.

E tenho outro com liquidez de 12 meses para troca de carro.

Por fim, tem o investimento em renda variável, que considero um “plus”. Não dependo desses investimentos, apesar de saber que a rentabilidade deles é melhor a longo prazo. São “dinheiros que sobram” e que eu vou colocando ali, para testar mesmo o mercado e aprender sobre ações. Por enquanto, 15% dos meus investimentos estão em renda variável. Dá para ter uma ideia então de como eu invisto aqui.

A essa altura do post, você pode estar se perguntando como eu organizo esses investimentos na questão do acompanhamento mesmo. Vou explicar.

Diariamente, faço aportes. Como comentei, todo dinheiro que eu economizo eu coloco em algum fundo. Não faço isso TODOS os dias mas é uma questão recorrente, diária quase, e bem regular.

Semanalmente, verifico a minha conta corrente para entender meus gastos e ver onde eu poderia ter economizado mais.

O principal mesmo eu faço mensal e sazonalmente.

Mensal, é a quantidade de dinheiro que separo para investir, de acordo com o que posso retirar de lucro da minha empresa. Eu também acompanho a rentabilidade dos investimentos.

Sazonal, eu revejo meus objetivos financeiros e se quero mudar os investimentos que estou fazendo. Faço essa revisão acessando a minha carteira e refletindo sobre eles.

Vale dizer que toda essa organização foi fruto de ter colocado finanças como a minha área de foco este ano e aplicar o que fui estudando sobre o assunto, mas esse aprendizado é para a vida.

Se você tiver alguma dúvida sobre como faço, por favor, deixe um comentário. Procurei escrever tudo aqui neste post de uma maneira que mantivesse também uma certa privacidade em torno das informações, mas espero que tenha sido útil.