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Como eu faria se estivesse começando uma nova graduação hoje em dia.

Surgiu esse tema em um comentário no YouTube e nós achamos que seria legal trazer essa ideia para cá.

Bem, a primeira coisa seria entender o propósito dessa nova formação na minha vida para poder escolher o curso. Vejo a graduação como o estudo de base para uma nova profissão. Não é a linha de chegada, mas de partida. Você vai se formar como profissional, tendo uma base importante para estar um pouco mais preparada/o para “ir para o mercado” naquela ou em área semelhante. Muitas pessoas acabam não trabalhando em suas áreas de formação – mesmo porque as graduações são formações importantes para a vida no geral – mas claro que, quanto mais experiência e coerência você desenvolver em sua atuação, em múltiplos aspectos, melhor será até para você aplicar o que for aprendendo.

Se eu fosse começar lá atrás, na época em que prestei vestibular, eu teria feito um curso que eu simplesmente queria fazer. Na época, eu queria História, Ciências Sociais ou Filosofia. Fui completamente desestimulada pelos “meus adultos” (inclusive professores) que me convenceram a ir para uma área um pouco mais mercadológica, e escolhi Jornalismo. Hoje em dia, eu teria ido no que eu queria mesmo. Teria feito um desses três cursos, mesmo porque “amarguei” boa parte da minha vida profissional lamentando que não tinha me formado como professora e não estava estudando e trabalhando em áreas que eu gostasse.

Se eu fosse fazer uma segunda graduação hoje, com quase 40 anos, igualmente eu escolheria uma área que eu gostasse e em que quisesse atuar. Mas uma coisa é certa: faria EAD. Não tenho mais condições, com meu filho, trabalho, empresa, e outras atividades, de frequentar uma faculdade diariamente – e isso mesmo sem a questão do COVID-19. Então optar por um curso que tivesse sua versão EAD seria o principal.

Fazer a graduação EAD me permitiria organizar os horários de estudos com o que funcionasse melhor para mim, até mesmo assistindo aulas ao longo do dia ou escolhendo momentos da semana à noite.

E lembre-se que mesmo sendo EAD é importante que o pólo seja perto para que você consiga levar documentos, fazer provas e resolver problemas futuros porque, afinal, uma graduação tem em média quatro anos, e em algum momento você terá que ir algumas vezes ao pólo para fazer qualquer coisa aleatória. Melhor que seja perto.

Dito tudo isso, suponhamos que eu tenha feito a prova, passado e a matrícula foi efetuada. Excelente!

A primeira coisa seria pegar a grade do programa para ter uma ideia do total de horas no primeiro semestre e fazer uma conta básica: quanto tempo de horas/aula terei por semana?

Nesse exemplo acima, de uma licenciatura em Ciências Sociais, podemos verificar que o total de horas-aula do semestre é de 430 horas.

Levando em conta que o semestre é praticamente de agosto a final de novembro (quatro e não seis meses), isso dá 16 semanas e, dividindo as horas acima, dá 26 ou quase 27 horas por semana. Se você parar para pensar, é como se fossem 5 horas de aula por dia, em 5 dias da semana, ou mais ou menos 4 horas por dia, se contar os sábados também. Caso queira assistir aulas todos os dias (uma meta não realista, na minha opinião), você teria que dedicar 3,8 horas por dia, o que não faz muita diferença para seis dias em termos de horas, mas pode fazer diferença em termos de descansar um dia, pelo menos.

Vale lembrar que não apenas as horas-aula contam como também as leituras e demais atividades. Acredito que seja uma boa considerar a grade horária de aulas como se você estivesse presencial. Talvez seja interessante se organizar para assistir aulas todos os dias em determinado horário – de manhã, por exemplo. Mas se você tiver uma organização um pouco melhor estabelecida, pode querer distribuir as aulas ao longo do dia, fazendo 2h de manhã e 3h à noite, por exemplo, ou 2h de manhã, 2h, de tarde e 1h de noite. Depende muito da configuração de vida e vontades de cada um.

Se fosse comigo hoje, certamente eu preferiria fazer as 5h por dia e fazer algo como 1,5h de manhã, 1,5h de tarde e 2h de noite. Mas o ideal mesmo seria definir no meu planejamento semanal, pois sei que teria semanas em que poderia alocar mais tempo aos estudos e, em outras, menos. Nada é engessado.

Em termos de organização física para o início da faculdade, eu de cara buscaria uma caixa organizadora para colocar papéis, ementas de disciplinas, artigos, textos, trabalhos e outras papeladas relacionadas à faculdade. Por mais que a gente digitalize, existem coisas que precisamos ou preferimos ter em papel. Eu, por exemplo, para ler, prefiro impresso. Então o negócio seria disponibilizar esse local, que pode ser uma caixa ou pasta (você escolhe), e também uma prateleira para os livros, uma superfície de trabalho, local para armazenar materiais de papelaria (cadernos, canetas, marca-textos etc). Como eu tenho meu home-office, isso não seria um problema mas, se eu não tivesse esse espaço, eu montaria um “escritório móvel” com uma mochila, para “montar acampamento” em outro lugar da casa sempre que fosse estudar e, ao terminar, guardaria tudo de volta para manter arrumado.

Eu não teria um caderno para a faculdade, mas sim usaria um único caderno para todos os meus registros de aprendizados, como já faço hoje com o que chamo de commonplace book. Faço anotações marcando a data de hoje e escrevendo na sequência, sem separar por matérias. Acho mais fácil organizar e categorizar os estudos pela data em que os fiz que pelo tema das aulas, já que muitas vezes esses são entrelaçados. Mantendo em um único caderno, fica mais fácil para estudar, levando só um material comigo para cima e para baixo, mesmo em casa. Quando fiz faculdade, lá em 2003, eu já usava um único caderno que dava para o semestre inteiro e isso facilitou não apenas os meus estudos como o peso que eu carregava (ou deixava de carregar) todos os dias.

Penso que uma das coisas mais importantes antes de começarem as aulas é a organização digital dos arquivos. Primeiro, ter uma pasta (ou marcador, se Gmail) no e-mail chamada “Faculdade”, para colocar todos os e-mails que precisar armazenar a respeito. Se precisar de algo, basta verificar lá. Também fica mais fácil de revisar de tempos em tempos para fazer uma limpeza.

Se eu já tivesse feito uma faculdade, provavelmente ficaria assim:

📁 Faculdade > Jornalismo
📁 Faculdade > Ciências Sociais

Depois, eu criaria uma página no Notion para a graduação, onde eu agruparia todo tipo de referência relacionada. E veja: usaria o Notion pois é a ferramenta que estou usando para material de referência no momento. Você pode aplicar a mesma estratégia em qualquer outra ferramenta de referência: Google Drive, Dropbox, Evernote, One Note, Trello etc.

Ao iniciarem as aulas, tudo entraria no fluxo. Que fluxo?

  1. Planejamento semanal. Toda semana, eu veria as aulas da semana, as leituras e atividades e me programaria para executá-las dentro do possível na minha agenda e com a lista de afazeres. Dia de prova: agenda. Prazo final de entrega de trabalho: agenda.
  2. Planejamento de vida. Concluir a faculdade por si só seria um objetivo de médio prazo que ficaria nesse “painel” (a ferramenta que preferir usar) com o objetivo “Concluir a licenciatura em Ciências Sociais”. No planejamento de objetivos de curto prazo (hoje a dois anos), eu poderia inserir as metas conforme apropriado. Alguns exemplos: ler os livros clássicos dos três maiores autores, concluir os quatro semestres da faculdade, definir o tema do TCC e coisas do tipo. Vale dizer que nunca nenhum objetivo é obrigatório. Você pode ou não ter. Se quiser, pode ir além do objetivo da conclusão da faculdade em si, pensando em coisas como: ser efetivada como professora em uma escola legal, entrar no mestrado, entre outras coisas. O planejamento de vida serve para te dar perspectiva e mais intencionalidade a qualquer atividade relacionada.
  3. Planejamento do ano. Eu faria o “recorte” da faculdade para o ano em questão. 2021? Tudo o que pretendo concluir com relação à faculdade este ano, até o final de dezembro. O primeiro semestre, 7 disciplinas (e você pode considerar cada uma um projeto, se quiser), além de outras atividades que podem parecer importante para você: esclarecer como funciona a iniciação científica, procurar um estágio, formatar currículo como professora, criar um currículo Lattes (se ainda não tiver), fazer curso de alemão e por aí vai. É pessoal. Como estamos na metade do ano, não tem necessidade de um planejamento semestral, mas algumas pessoas gostam de pensar no período de um ano não no ano corrente, mas nos 12 meses (tipo, de julho 2021 a julho 2022). A escolha é sua. O importante é entender como trazer para este modelo de planejamento.
  4. Planejamento do trimestre. Para o terceiro trimestre do ano (julho, agosto e setembro), quais são exatamente os recortes do que você tem para o planejamento da faculdade para o ano em questão? Basta olhar o planejamento do ano e ver se algo precisa ser feito neste trimestre ou não. Provas, trabalhos, datas, ou até mesmo tópicos como “me ambientar na nova faculdade”, “estudar os artigos dos meus professores” ou “ler livros X, Y e Z para as disciplinas A, B e C”. Por ex, uma das disciplinas do semestre chama-se “Cultura Brasileira”. Nela, você tem 8 livros obrigatórios e 20 leituras complementares. Você pode querer ler os 8 livros obrigatórios nesses três meses, ou um por semana durante dois meses, e isso entrar no seu planejamento do trimestre. Aqui também podem entrar eventos, congressos e outras datas importantes relacionadas ao seu curso.
  5. Planejamento do mês. Ao planejar um novo mês (por ex, agosto), você pode olhar os planejamentos anteriores (ano, semestre, trimestre) para determinar quais serão os grandes marcos ou prioridades do mês relacionados à faculdade. Aqui você estreita um pouco mais e prioriza as atividades. Por exemplo, pode ser que você tenha um congresso no trimestre, mas ele acontecerá só em setembro. Logo, não precisa se preocupar com ele em agosto, a não ser que o prazo para inscrição seja, vamos ver, dia 25/8. Aí você coloca “fazer inscrição no congresso de setembro” no seu planejamento de agosto. Entendeu? Junto com ele, você pode pensar em outros tópicos, como aulas, trabalhos que precisará apresentar, provas e leituras. Se você se comprometeu a ler 4 livros daquela disciplina por mês, determine quais serão essas 4 leituras. Um livro pode ter 120 páginas e você o lê rápido, enquanto outro tem 756 e você pode querer começar no início do mês para terminá-lo até a última semana. São inúmeras variáveis que você deve avaliar de acordo com a personalização da sua vida. “Ah Thais, mas e se eu quiser planejar julho, enquanto ainda não começaram as aulas?”. Bem, veja o que você já pode fazer. Organizar seu espaço de trabalho? Seus materiais para guardar referência? Revisar materiais escolares? Entregar documentos para a matrícula? E assim vai.

Depois do planejamento do mês, você vai planejando semanalmente, conforme a gente viu lá em cima e, no dia a dia, escolhe o que fazer de acordo com os prazos, prioridades, vontade etc.

Esse planejamento pode ser feito literalmente em qualquer ferramenta – tem gente que gosta de caderno, de bullet journal, de planilha – o céu é o limite. Só não deixe de passar para as suas ferramentas de organização (agenda e listas, essencialmente), quando o planejamento tiver elementos importantes que você precisa se lembrar de fazer.

Sua agenda será essencial para mostrar as aulas e outros elementos que precisam ser feitos em um dia ou em um horário específico. O print acima é da agenda do Google, que é uma ferramenta gratuita, mas você pode usar a agenda que quiser. Gosto da visualização semanal, mas também é opcional.

Caso queira planejar assistir aulas ou estudar, você pode colocar a cor do compromisso de uma cor diferente da agenda normal, com seus compromissos, apenas para saber que aquilo é um planejamento seu e não algo agendado com horário e outras pessoas envolvidas. Ou seja, se for necessário mudar, há mais flexibilidade.

Você pode usar uma ferramenta gerenciadora de listas (como o Todoist) para inserir todo o restante que precisa fazer que não entra na agenda, para dar um respiro a ela. Assim, nos intervalos entre um compromisso e outro, você verifica o que tem nas listas e vai executando conforme a prioridade e vontade.

Meu nome é Thais Godinho e eu estou aqui para te inspirar a ter uma rotina mais tranquila através da organização pessoal.