Categoria(s) do post: Diário da Thais, Família

Hoje o filhote completa 11 anos de idade. Recebeu a cartinha de Hogwarts. 🙂

De acordo com a conversa que tive com a minha aluna e psicóloga Luana Lemos, o Paul está no segundo setênio, que vai dos 7 aos 14 anos, e é uma fase de sentir o mundo ao seu redor.

O que eu vejo de modo geral é que ele começa a se tornar mais rebelde nas emoções, entrando na adolescência mesmo, sabe? Aquele senso comum que a gente tem de adolescência, que você pede uma coisa e a criança diz “peraí!”, ou “fala sério, mãe!”.

Ele está justamente nessa transição da infância para a pré-adolescência, então os gostos ainda são um pouco misturados. Apesar de gostar de atividades mais infantis como alguns tipos de desenhos e jogos, ele já curte outras coisas, desde vídeo-game até filmes.

A maior dificuldade no momento está com a questão emocional no confinamento. Com tantas restrições, temos dificuldade para estabelecer limites – afinal, já são tantos. Toda interação dele com o mundo é através de uma tela, na aula, com os amigos, com o primo. Então as “regras” que valiam antes para telas precisaram ser remodeladas, mas ainda não temos um consenso.

Outro desafio diz respeito aos horários. Ano passado ele estudou de manhã, mas este ano voltou a estudar de tarde. A não obrigatoriedade de acordar cedo faz diferença, e ele está indo dormir super tarde. Isso me incomoda muito mas não estamos conseguindo mudar. E eu não consigo dormir sabendo que ele está acordado, pois me causa ansiedade. Difícil!

O terceiro desafio diz respeito à saúde diária. Ele tem se alimentado bem, de maneira equilibrada, nas refeições, mas belisca e faz lanches muitos mais vezes. E não faz tanta atividade física. O resultado veio em uma barriguinha, e isso me preocupa porque não quero que ele passe do ponto e engorde muito. SEI que é normal na pandemia todo mundo engordar um pouco – estamos em casa, é complicado, comemos mais, não nos exercitamos tanto. Mas preciso ficar de olho para ele não exagerar, e sempre caímos naquela história de “ele já tem tantas restrições..”.

Eu sinto facilidade em lidar com ele nas conversas porque acho que, sinceramente, nunca saí da quinta série. Então faço piadas, tenho facilidade na conexão das coisas que ele gosta, faço provocações que os alunos fariam na escola sobre futebol, essas coisas, então nossa relação está muito legal. Quando preciso pedir algo, ele me ouve, porque sabe que sou legal na maior parte das vezes. rs

Percebo que ele sente mais falta do estar presente, porque mesmo eu trabalhando em casa, não estou exatamente de férias, né? Então ele tem tido mais vontade de ficar comigo do que antes, me pedindo pra sentar com ele no sofá pra contar piadas e conversar, por exemplo. Ele não fazia isso antes, e tenho certeza que tem a ver com a P.

Ele está com dificuldades para dormir sozinho, e essa é uma regra que não vejo problema nenhum em quebrar, pois é uma regra ocidental imposta. Ele precisa de acolhimento. Então nos revezamos dormindo com ele um dia, no outro dia ele dorme com o cachorrinho na cama dele, no outro ele dorme com o pai e por aí vai. É um dos momentos mais amorosos do dia, para mim. Eu adoro dormir com ele pois me passa a segurança de que está tudo bem.

No último ano, ele teve múltiplos interesses, de astronomia a xadrez. Paul é definitivamente um carinha das exatas e disse que quer trabalhar com programação de computadores quando “crescer”. Ele faz umas contas muito loucas de cabeça. Sempre foi assim, desde pequeno.

Eu amo ser mãe e considero um privilégio como ser humano poder cuidar de um humaninho até ele se tornar independente. São duas décadas iniciais muito significativas e que demandam uma responsabilidade imensa na educação. Meu estilo de cuidado e educação infantis é dando o exemplo. Não acredito em falar e não fazer. Educo pelas coisas que eu faço, todos os dias.

Também mostro que erro, que faço besteira, peço desculpa, digo quando não estou bem, e ele é uma criança carinhosa que entende e quer estar sempre por perto, cuidando.

Tem dias em que está mais agitado que em outros, que obedece ou desobedece mais, mas vejo que é normal da idade. Meu foco continua o mesmo: que ele continue confiando em mim, que não se perca esse vínculo, pois ele será muito importante na adolescência como um todo para não se meter em roubadas.

Parabéns, meu amor. <3 Bem-vindo à Grifinória.