Estudos, Planejamento, Vida

Compartilhando decisões: sobre não fazer Doutorado em outro estado

Vocês sabem que gosto sempre de compartilhar os meus processos pessoais porque isso pode ajudar a ilustrar o que eu ensino sobre organização e, especialmente neste caso, sobre planejamento de vida.

Você pode acompanhar outros conteúdos que já fiz aqui no blog sobre o planejamento do doutorado. Hoje gostaria de compartilhar essa decisão sobre, no momento, não participar de processos seletivos em outros estados.

Após profunda reflexão, decidi não participar de processos seletivos de Doutorado em outros estados. Motivo? Se eu passar, vou ter que ficar com questões tipo “vou conseguir viajar em meio à pandemia?” e outras que não considero o momento. Vou focar nas universidades em São Paulo mesmo.

Isso tem muito a ver com alinhar as expectativas pensando que o Doutorado é um processo de médio prazo e que eu preciso torná-lo o mais fácil possível para a minha realidade, levando em conta que não vivo da academia 100% do tempo. Inclusive tenho um post aqui no blog sobre como é conciliar meu trabalho com a vida acadêmica.

Em resumo, se eu me comprometer com uma instituição longe, maiores são as chances de eu não conseguir concluir, porque problemas sempre podem aparecer, especialmente em tempos de incertezas como a pandemia que estamos vivendo.

Muitas vezes me perguntam como me planejo nesses tempos de incertezas. É assim. Focando naquilo que tem mais chance de funcionar, fazendo esse tipo de escolha que não é fácil, mas é o “feito é melhor que o perfeito não feito”.

Imagina só se eu participo de um processo seletivo em outro estado e passo? Aí vou ficar me questionando: o que eu faço? Me matriculo ou não? Como vou participar das aulas sem poder viajar, devido à pandemia? Se os vôos forem liberados, vou querer me expôr assim ao vírus? Etc.

Muitos leitores do blog me contatam perguntando coisas como “Thais, quero muito viajar nas minhas férias em 2021, você acha que já dá pra comprar passagem?”, por exemplo. E o que eu acho é que a gente tem que planejar as coisas com base no que temos controle. Eu não tenho controle sobre a liberação das viagens em tempos de pandemia, mas tenho controle sobre o que vou fazer nas minhas férias.

Penso de verdade que o que compartilhei neste post pode ser um exemplo pessoal útil sobre como se planejar em tempos de incertezas. Espero que tenha sido útil.

10 Comments

  1. Acho que é uma decisão muito acertada e consciente da sua parte, Thaís. Infelizmente nós não sabemos como serão os próximos anos e um Doutorado realmente exige muito de nós. Defendi o meu em maio (era pra ser em fevereiro mas com a pandemia acabou atrasando um pouco) e confesso que, mesmo em poucos meses, não foi fácil resolver tudo e finalizar. Alguns colegas que ainda estão no processo (inclusive alguns de outros estados) têm sentido muitas das dificuldades as quais você pontuou no texto.

    Tenho trabalhado muito em mim a questão do “Qual é o melhor que dá pra fazer agora com as condições atuais?” e nem sempre é fácil gerenciar as frustrações e expectativas. Sempre sonhei com a minha defesa sendo presencial, com meus pais assistindo (venho de uma família muito humilde, em que meus pais mal tiveram a oportunidade de estudar. Por isso era importante a presença deles) e, por conta da pandemia, teve que ser tudo online, meio frio. Mas foi o melhor que deu pra fazer naquele momento e tudo bem, sabe?!

    Abraços!

    1. Sim. Obrigada, Taís. E parabéns pela defesa! <3

    2. Concordo plenamente, também estou passando por isso no meu doutorado!

  2. Oi, Thais, tdo bem?
    Acho que, caso um programa (ou orientador) em outro estado seja muito aquilo que você quer, valha a pena repensar. Geralmente, você vai ter muito poucas disciplinas (no meu programa são duas) e pode participar de discussões (e mesmo fazer disciplinas) em outras universidades. Digo isso porque o doutorado é tão pesado que a gente precisa fazer algo pelo que somos muito apaixonadas e ser orientada por pessoas que nos respeite e respeite o nosso trabalho. Todo o processo você pode fazer meio que fora da universidade em que cursa, mas a linha de pesquisa que case com o que você faz e um orientador que faz mais ou menos a mesma coisa coisa é bem importante. Porque conflitos com orientadores é a treva.
    Vi em um vídeo que vc conferindo edital da USP, é na ECA?
    Sucesso para ti no processo todo!

    1. Sem dúvida, mas não é o caso. 😉

  3. Viajar está complicado mesmo! Vou precisar fazer minha segunda viagem (a trabalho) e já fica aquele receio. Já passei por Guarulhos e ele estava simplesmente lotado. Dentro dos aviões não existe distanciamento (nem nos aeroportos, apesar dos bancos serem marcados. Mas na hora da fila para embarque, apesar das divisões por grupos e etc, é complicado), sempre tem alguém que quer ficar sem máscara, e nos aeroportos não tem ninguém controlando, nem cobrando isso. É algo que tem que se pensar muito.

  4. Sabrina Santiago says:

    Thais, eu simplesmente amo essa sua capacidade de ensinar e inspirar ao mesmo tempo. Acredito que venha de um longo processo de refletir sobre a sua privacidade e até onde casos pessoais podem transmitir melhor as ideias e informações, né? Ainda não cheguei nesse ponto acadêmico, e sinceramente nem sei se quero pelo menos na próxima década, mas com certeza já me sinto inspirada a adotar uma perspectiva do tipo em outras áreas da vida. Obrigada!

  5. LUCIANA COVRE GREVETTI says:

    Oi Thaís, tudo bem? Acho que já devo ter comentado isso em algum post seu, mas não tenho certeza, então vou comentar agora. Eu gostaria de ler o seu blog, não tudo, porque desde 2006 eu nem posso imaginar quantos artigos você escreveu. Mas gostaria de ler muitos deles porque amo ler o que você escreve. As coisas que você pensa e escreve conversam muito comigo. Então eu gostaria de saber como eu poderia fazer para marcar que eu já li aquele texto. Seria possível adicionar um botão de curtir? No YT, todos os vídeos que eu vejo seus, eu clico em curtir, assim eu sei que já vi. Além disso o próprio YT tem a ferramenta da barrinha vermelha indicando que a pessoa já viu aquele vídeo. Mas no blog não existe isso. E eu já me peguei lendo texto seu duas vezes porque não tinha marcação. Amo ler seus textos, mas preferiria ocupar o tempo lendo texto que ainda não li. Teria alguma sugestão para me dar?

    1. Oi Luciana, tudo bem? Já pesquisamos sobre isso e demanda uma série de questões que não temos estrutura para fazer (programação de sistema etc). O YouTube tem a super estrutura de uma empresa como Google por detrás para manter uma plataforma tão gostosa e intuitiva de acessar. 😉

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