A melhor alimentação que você puder, nas condições da sua vida hoje

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Acho que esse tipo de post pode até mesmo ser escrito de maneira recorrente aqui para o blog, pois a vida muda o tempo todo. Na minha rotina atual, eu tive que mudar muitas coisas (e foi todo um processo) para que eu conseguisse ter uma alimentação que vou tentar resumir em alguns pontos:

  • Não esquentar comida no microondas. É uma opção minha, pois acredito que o microondas mate o prana (energia) dos alimentos, além de ser um aquecimento seco, que tira a umidade da comida. Não esquentar a comida no microondas parece algo trivial, mas na verdade demanda um pouquinho mais de planejamento na hora das refeições – precisa aquecer em banho-maria no fogão ou preparar a comida na hora. Eu uso o microondas apenas em casos excepcionais, quando levo marmita para o escritório, por exemplo.
  • Dar preferência aos alimentos frescos e refeições preparadas no dia, e não as “requentadas”. Ainda não cheguei aqui 100%, pois ainda há dias em que preciso da agilidade das marmitas e de usar alimentos que coloquei no congelador (salsinha, cebolinha, edamame). Mas estou construindo a coisa toda de modo que eu só consuma refeições frescas em algum momento.
  • Comer fora apenas excepcionalmente. Muitas vezes, como em casa antes de sair para comer em algum lugar (com outras pessoas), e lá eu tomo um chá ou suco. Faço isso porque não sei a procedência da comida, muitas vezes vou em restaurantes que não têm opções para mim, não quero comer tarde etc. Se preciso comer na rua, procuro sempre restaurantes naturais e, se possível, vegetarianos, com comida por kg, pois assim tenho mais variedade e consigo escolher.
  • Preparar a minha própria comida. Acho um dos maiores atos de auto-cuidado. Eu paro de trabalhar mais cedo para conseguir preparar tanto o meu almoço quanto a minha janta. Priorizo refeições rápidas, mas feitas na hora. Minha saúde ficou 300% melhor depois que comecei a priorizar nisso.
  • Não comer de noite. Janto por volta das 18h, e sempre é uma sopinha com macarrão. Isso me ajuda a dormir mais cedo (por volta das 21h já estar na cama). Se fico acordada até mais tarde, sinto falta de mais alimento, mas consumo chá, suco ou sopa igualmente. Procuro não comer nada sólido para não agitar meu metabolismo antes de dormir.
  • Deixar de comer industrializados. Ainda não tirei 100%, mas estou no caminho. Atualmente consumo algumas bebidas, como chá, água de coco etc. E vez ou outra uma carne de soja, um grão de bico enlatado, coisas assim, mas muito pouco (uma vez por mês, eu diria). Todo o restante eu compro natural, de feira ou mercearia.
  • Já comentei antes, mas vale a pena lembrar: não consumir alimentos de origem animal.
  • Consumir alimentos orgânicos e de produtores locais. Isso me faz desenvolver uma relação mais saudável com o alimento e a sociedade.
  • Comer menos. Eu me observei e percebi que estava “beliscando” muito. Agora eu presto mais atenção às refeições principais, os horários, e tudo isso me ajuda a ficar bem nutrida ao longo do dia.
  • Consumir chá ao longo do dia. Diminuí muito o café por conta disso. Acho que estou tomando de 1 a 2 vezes por semana, apenas.
  • Fazer do almoço a principal refeição do dia. Não importa o que aconteça, meu almoço tem que ser bom. A janta e o café-da-manhã são leves. Um exemplo de um bom dia com refeições para mim:
      • café-da-manhã (8h): tofu mexido c/ açafrão + torrada + meio mamão
      • almoço (12h): arroz + feijão + legumes + verduras + proteínas (tudo quente, sempre)
      • jantar (18h): sopa + shitake + tofu + macarrão (tipo lamen)
  • Não me alimentar de noite. Vez ou outra há exceções, como a gente sair para comer uma pizza ou quando fico acordada até mais tarde e dá vontade. Mas sempre me arrependo. Fico enjoada, durmo pior etc. De modo rotineiro, não me alimento de noite para dar um tempo para o sistema digestivo.
  • Valorizar cada refeição de modo que os alimentos sejam nutritivos.
  • Aprender sobre os alimentos e o equilíbrio dos doshas, fazendo uma alimentação voltada a essa pacificação e equilíbrio.
  • Parar de consumir bebidas e alimentos gelados. Apenas quente ou em temperatura ambiente. Descobri que, no calor, por exemplo, beber água de coco em temperatura ambiente refresca mais do que beber água gelada. Isso tudo para favorecer meu processo digestivo. Minha vida mudou demais depois que mudei essa prática simples. Por exemplo, a única bebida que acompanha refeições é meia xícara de chá. Auxilia demais no bem-estar.
  • Consumir cada vez mais alimentos da estação, locais.
  • Atentar para que todas as minhas refeições tenham duas coisas: 1) proteínas vegetais e 2) os 6 sabores do Ayurveda (salgado, doce, ácido, adstringente, amargo e azedo).

Essas mudanças foram todas graduais e eu fui implementando no último ano. Mudaram completamente a minha vida. Quando saio da minha rotina, meu corpo sente demais. Fiz duas viagens em fevereiro e, nas duas, meu corpo sentiu a mudança. O que eu posso fazer das próximas vezes? Me hospedar em locais onde eu possa preparar a minha própria comida. Faz toda a diferença. Por exemplo, terei uma nova viagem em junho e já reservei um Airbnb em vez de ficar em hotel. Assim, vou conseguir comer minha própria comida feita diariamente, com alimentos frescos, além de me permitir um ritmo mais tranquilo.

Além de melhorar a minha saúde, estou economizando pra caramba. Eu costumo gastar uma média de 50 reais por semana com alimentação (para mim). Vale sempre lembrar que meu marido que sempre cozinhou aqui em casa, então nada mudou nesse setor. Eu que passei a preparar minha comida em paralelo pois estou fazendo uma alimentação diferente. Na alimentação deles a gente gasta uma média de 150 reais por semana, no máximo. Meu marido parou de comer carne também então estamos economizando ainda mais. O filhote come frango orgânico, criado nas melhores condições dentro do possível etc etc. Não consumimos leite de vaca e ovos, o que também encarece a alimentação. Comprando na feira e em mercearias, você economiza DEMAIS.

Essas são as mudanças que consegui implementar na minha alimentação dentro do estilo de vida que tenho hoje, e ainda quero melhorar muito mais, apesar de estar satisfeita como as coisas estão no momento. Gostaria que este post servisse não como modelo, mas como inspiração para que você reflita sobre as suas necessidades (e as da sua família) e consiga tomar providências para melhorar o que vocês já fazem hoje, sem radicalismos. Se quiser, compartilhe comigo nos comentários. 😉

11 comentários

  1. conheci seu blog em 2012. implementei o flylady graças a vc, organizei minhas leituras etc… depois vc entrou numa vibe gtd e produtividade no trabalho- assuntos muito importantes, mas que não eram pra mim. aos poucos fui parando de te seguir, pq, pra mim, naquele momento, esses eram assuntos que não faziam parte da minha realidade.
    essa semana voltei aqui. vim ver se vc sugeria alguma coisa sobre o coronavirus (moto em um departamento francês, e por aqui já já quem esteja fazendo um estoque de perecíveis , por ex)
    e tcharam! vc tinha feito um post a respeito.
    voltei a ler suas publicações.
    “nossa, a Thaís operou?!”
    “Nossa, o Paul já está no quinto ano!”
    e nessa, lendo um post aqui outro ali, me vi em total sintonia com vc: organização com foco em qualidade de vida.
    QUALIDADE DE VIDA. essa é minha “vibe” nesse momento.
    escrevi td isso só para te agradecer por nos ensinar tanto, por escrever todos os dias, por ter me feito querer saber mais sobre a ayuveda.
    ps: parabéns pela conclusão com êxito do mestrado.
    até o próximo post :*

  2. Thaís, você está me inspirando demais a mudar minha alimentação. Estou adorando os posts. Comecei a prestar mais atenção ao que como, estou tentando parar de beliscar também. Estou lendo o livro Em busca da cura, indicado por você, e adorando. Tenho um bebê de 8 meses e trabalho, então estou lidando com privação de sono e não consigo mudar muitas coisas de uma vez. Mas sinto progresso só de estar mais atenta ao que estou comendo e fazendo pequenas mudanças. Obrigada. <3

  3. Oi Thais.
    Quero pregar esse post na minha testa. Não como modelo, como vc disse, mas como inspiração. Quero me alimentar melhor e sei que isso é um processo. As ultimas semanas tem sido um pouco difíceis pra mim nesse aspecto, a qualidade da minha alimentação virou 180 graus. Mas como vc disse no post sobre rotina, estou firme tentando enxergar isso como uma exceção. E voltar à minha rotina o quanto antes.

    Aproveitando, gostaria de fazer um pedido. Você poderia fazer, quando puder, (ou me indicar, caso já tenha feito, visto que não encontrei aqui no blog) um post com dicas para quem está passando pela transição para o vegetarianismo/veganismo? Eu flerto com esse propósito ha anos e tenho muita dificuldade em me organizar de forma prática mesmo, no dia a dia, para que isso aconteça.

    Obrigada pelo trabalho incrível que vc faz!

  4. Oi Thais,

    Gosto muito deste tipo de assunto, pois tenho buscado melhorar a forma que me relaciono com a comida. Talvez a minha maior dificuldade era comer vagarosamente, prestando atenção na refeição, hoje quando vou comer lembro do que leio aqui e busco respirar e comer com calma.
    A ayurveda é apaixonante, embora eu conheça pouco, sugiro mais e mais posts sobre esses assuntos alimentares.

    Obrigada

  5. Pretendo me atentar mais às orientações ayurvédicas também :))
    Ainda não fui num terapeuta, mas segundo os testes e as descrições, aparentemente sou do tipo vata-pitta também. Vou aproveitar suas sugestões culinárias heheh

  6. Que legal Thaís! Tem uns 5 anos que percebi que precisava escutar o meu corpo. Nosso corpo quase grita! As vezes comemos O suficiente e continuamos com fome. Isso acontece quando nós falta nutrientes. É um ajuste diário, e nunca termina. Aqui em casa, tem que ter carne sempre, pq meu marido fica fraco e doente se não ingerir proteína animal. E ele quase não precisa de carboidratos, pois seu corpo não pede. Já eu, como carne, mas pouca. E cada um tem o seu ritmo. E cada corpo reage e responde de formas diferentes. Assim como voce, eu também não posso comer muito tarde senão durmo mal, ou nem durmo. Gostei muito desse post. Ele é inspirador para que cada um, cada vez mais, passe a ouvir mais as suas necessidades e possa, com isso, levar uma vida muito mais saudável. Tem mais de 5 anos que não fico doente, nada mesmo. Não tem preço. Um beijo, boa semana!

  7. Adorei o post! Desde que fui morar sozinha com meu filho (antes eu morava com minha mãe) tenho mudado algumas coisas com relação a alimentação também. Nós não temos microondas em casa. No início até pensei em comprar um, mas agora acho completamente dispensável. Uso apenas para esquentar a marmita no trabalho. Gosto de cozinhar, principalmente aos finais de semana que é quando consigo fazer mais refeições junto com meu filho, já que durante a semana é mais difícil. Concordo que fazer a própria comida traz muita economia e também comprar produtos a granel. Diminui bastante o desperdício. Ainda tenho muita coisa para melhorar, mas vou fazer aos poucos, sem pressão.

  8. Thais, conheci seu blog a pouquinho tempo, e foi me indicado, o texto que você fala do ano de 2017.
    Meu marido também fez a cirurgia bariátrica, porém, a nutricionista passa pra ele, muita proteína animal, leite e derivados.
    Lendo o texto acima, fiquei muito na dúvida, se a falta de proteína animal, por exemplo, não causaria alguma deficiência no organismo, por conta da cirurgia.
    Me desculpe a ignorância… mas eu realmente não entendo muita coisa…
    Obrigada! E de antemão – você tem me inspirado…

  9. Oi Thais!! Eu estou tentando mudar minha alimentação. Eu como muito carbo e estou tentando mudar isso, adicionar mais alimentos saudáveis à minha dieta. O problema é que odeio cozinhar e moro em um hostel que fazer comida não ajuda porque são muitas pessoas e temos que dividir 1 boca de fogão para fazer toda a comida. Meu marido não cozinha (porque n quer, tbm não gosta – me lasquei kkkk) e não gosta de ter uma alimentação saudável. Essa mudança de vida é só minha, então eu teria que fazer 2 tipos de alimentação, em 1 boca de fogão, sem contar que ele não gosta de arroz, ou seja, de fato tenho que fazer uma refeição saudável para mim e uma outra pra ele. Nada do que eu como/quero comer, ele quer. É bem complicado, principalmente para que detesta cozinhar. Mas como não tenho muita alternativa, tenho que respirar fundo, sentar, planejar refeições e vida que segue. Por isso essa parte está caminhando bem devagar, mas eu já comecei o processo e isso é mais importante. Depois é só ir me adaptando e fazendo as trocas alimentícias.

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