Categoria(s) do post: Diário da Thais

Todo mês eu gosto de fazer um post resumindo como ele foi para mim, tanto pessoal quanto profissionalmente, além de fazer um apanhado dos meus conteúdos preferidos.

Chegamos ao último mês de um ano quase interminável. De qualquer maneira, cumpriu seu ciclo. Aqui estamos. O resumo do mês vai ser o resumo do ano também. 🙂 Pegue sua xícara de chá, que o post vai ser longo. Ele precisa ser. Você verá.

Janeiro

Eu diria com bastante tranquilidade que a “era” do meu ano de 2019 iniciou no final de dezembro de 2018, quando passei mal na véspera de Natal e fiquei a semana seguinte inteira internada, saindo a pouco de passar o revéillon no hospital e a ponto de perder minha viagem de férias em janeiro. Felizmente isso não aconteceu, e pude passar a virada de ano com a minha família e fazer a tal viagem. Foi a última vez que comi carne vermelha, pois ela era indigesta. O problema foi no estômago / intestino, e comer carne vermelha estava fora de cogitação. Eu já não curtia mais o gosto desde que fiz a cirurgia – comia só pela “obrigação nutricional”. Então parar foi ótimo.

Meu médico autorizou a minha viagem contanto que eu me alimentasse apenas de comidas leves e quase pastosas, o que cumpri prontamente. Fomos para Trindade e Paraty (RJ), onde ficamos quase duas semanas. Não ficamos os 15 dias porque todos se cansaram de ficar longe de casa e quiseram voltar antes. Eu ficaria mais de um mês facilmente. Eu adoro praia.

Para viajar, eu deixei prontas as aulas do curso Organize-se em 2019 (online) e todas as dicas do Mês da Organização (em janeiro) agendadas. É inacreditável ver a minha dedicação para fazer tudo isso mesmo tendo saído do hospital nas condições que saí. Só uma pessoa que verdadeiramente vê propósito no que faz consegue encontrar motivação para realizar algo desse tipo. Não estou falando isso para “me achar” não – é que realmente fico surpresa ao avaliar com esse distanciamento que tenho agora.

Todo o meu problema de saúde, a alimentação deficitária na viagem, o calor, o estresse de talvez precisar passar por uma cirurgia complexa (talvez precisasse – eu realizaria exames ao final do mês para ver a situação pós internação) – isso me levou a uma anemia. Voltei de férias cansada emocional, física e mentalmente, mesmo tendo ficado em um lugar tão bonito e que gosto tanto. Era um sinal do ano difícil que estava por vir.

Fevereiro

Sem quase ter forças para sobreviver aos dias absurdamente quentes de verão em São Paulo, e tratando uma anemia severa, no primeiro dia de fevereiro foi a entrada da Malu na empresa, que começou a trabalhar integralmente conosco no escritório. Eu consegui me dedicar ao treinamento dela? Obviamente que não, pois houve dias em que eu mal conseguia trabalhar, pois ou estava realizando uma bateria de exames, ou estava com fraqueza, sem conseguir sair de casa. Ainda bem que a Silvia já estava comigo há quase um ano, conhecia os procedimentos, e acolheu a Malu super bem. Deu tudo certo, mas não do jeito que eu queria. Vocês sabem como é o sentimento.

Em paralelo, a gente estava organizando um curso em outro país, em outro continente. Sim, eu faria em março um curso de GTD™ em Portugal. Esse foi um projeto que iniciou lá em 2016 e apenas em 2019 foi colocado em prática. Eu estava estudando a viabilidade de abrir a franquia do método GTD™ lá, mas até a realização do curso eu entendi (depois dos tais estudos) que eu preferia apoiar quem quisesse abrir a franquia, ou talvez no máximo tentar uma sociedade. Basicamente passei os últimos meses e outros depois da turma tentando com uma série de pessoas – nenhuma deu certo até agora. Eu demorei para entender que estava colocando uma energia que eu nem tinha no momento em algo que não estava me trazendo retorno. Mas vivendo e aprendendo. Toda experiência é válida.

Nossos esforços estavam então na organização desse curso, e só tenho agradecimentos à Silvia por todo o empenho na época. Foi f*da. No final das contas, só para vocês terem uma ideia, todo o investimento saiu do meu bolso. Até hoje não recebemos o dinheiro das inscrições, que está bloqueado devido a milhões de burocracias bancárias que até agora não resolvemos.

Uma realização importante do mês de fevereiro foi a concretização do workshop de Planejamento de Vida, que era um curso que eu vinha desenhando há anos e finalmente coloquei em prática. Eu amei fazer. Era algo inteiramente meu, e isso deu confiança no meu trabalho – confiança que foi importantíssima para me encorajar a decisões que eu tomaria mais tarde. Jamais vou me esquecer das palavras da querida aluna e amiga Ana Luisa: “esse curso resume o Vida Organizada”. Obrigada. Você não tem ideia do poder das suas palavras. <3 Apesar de o ano ter sido difícil, eu tive diversos momentos abençoados como esse. O workshop teve três turmas em 2019 – três turmas incríveis.

Para ajudar no cenário geral, uma semana antes de eu ir viajar (no final de fevereiro), comecei a passar ainda mais mal. Estava no meio de uma reunião quando tive que interromper porque não tinha condições. A hipótese inicial era uma intoxicação alimentar violenta, que foi descartada após uma semana passando mal – nível de não conseguir sair de casa. De não conseguir dormir. Desse jeitinho, eu peguei o avião na semana seguinte para fazer conexão na Holanda depois de 11 horas de vôo e chegar em Lisboa pela primeira vez, sozinha, para ministrar o curso. Eu passei mal demais no vôo. Tive cólicas crônicas, de chorar de dor. Foi muito, muito difícil. Mas lá estava em Portugal, precisando (e querendo) cumprir com as minhas obrigações. Foi um mix de emoções estar lá.

Março

O curso aconteceu no dia 2 de março, sábado de Carnaval no Brasil. O curso foi ótimo. As pessoas foram incríveis. Lisboa é uma cidade maravilhosa. O problema foi eu não estar bem ainda, sem saber o que estava acontecendo com o meu corpo. Meus planos eram de ficar uma semana em Lisboa e depois passar uma semana no Porto, mas logo depois do curso eu vi que não tinha condições de ficar por lá e comprei uma passagem de volta. Parcelei, nem quis saber do quanto eu gastaria. Cancelei hospedagens, perdi uma taxa de multa, mas só queria voltar para casa e fazer exames, ficar perto da minha família. O universo me presenteou com um upgrade, e eu vim de classe executiva no vôo direto. Foi maravilhoso, porque dormi o vôo inteiro. Acho que foi a primeira vez que consegui dormir e descansar um pouco, de tão exausta que deveria estar, física e mentalmente, depois de concluir esse projeto.

Chegando em São Paulo, quis passar o final de semana com a minha família em um hotel no interior, só para me despedir do verão e tentar aproveitar um pouco e ser feliz, porque estava difícil. O fim de semana enfim foi gostoso. Na volta, ainda fizemos um encontro GTD happy-hour, que eu sinceramente nem sei como tive forças.

Teve ainda o show do Paul McCartney, em que quase não conseguimos entrar, por causa da idade do Paul. Eu morrendo de passar mal, estava quase indo embora com ele pra casa e deixando meu marido lá, quando conseguimos entrar. Eu tive que ir umas duzentas vezes ao banheiro, mas pelo menos vimos o show.

Meu mês de março se resumiu a Portugal, exames e tentar sobreviver mesmo. Eu amei Portugal. Espero voltar lá com a minha mãe, em tempos melhores. Ela é filha de portugueses e vai gostar muito.

Abril

O mês de abril sempre é uma época feliz para mim porque é aniversário do Paul. Ele completou nove anos mas, por eu estar mal de saúde, não fizemos nenhuma festa – apenas aquele tradicional bolinho em família.

Eu estava tão, mas tão mal. Não contei para ninguém nas redes sociais – apenas algumas pessoas mais próximas – mas houve uma suspeita de câncer (já descartada). Mas, como meu pai morreu de câncer no estômago, e eu fiz a cirurgia bariátrica, é um fantasma que me persegue. Fico preocupada com isso o tempo todo, tentando ficar numa boa. Mas, nessa época, eu sinceramente mergulhei em uma depressão que não me lembrava há bastante tempo de como era. Além de estar fraca, me sentia triste e desmotivada. Estava com medo de morrer. Levantava da cama com fraqueza, descia as escadas e passava o dia no sofá, tomando remédios, dormindo, acordando, indo ao banheiro, chorando, voltando. Foi muito, muito difícil. Conciliava com exames e mais exames, visitas a diversos médicos, e a vida profissional rolando.

Nós tínhamos alugado uma sala para ser a nossa Oficina de Organização, um projeto que tinha me deixado motivadíssima no final do ano, e eu mal estava conseguindo tocar isso. A Malu tinha entrado em fevereiro e eu podia contar nos dedos as vezes que pude sentar com ela e ensinar as coisas. Mas conseguia trabalhar no escritório. Ficava em casa. Foi uma época bem difícil. Só tenho fotos minha trabalhando no quarto, sozinha e triste, com a garrafa de água ao lado, o dia inteiro.

No final do mês, a gente tinha um curso de GTD no Rio de Janeiro. Gente, eu não tinha forças para EXISTIR. Por isso, convidei uma instrutora para fazer o curso comigo (a Marta), e ainda bem que ela pôde ir. Na hora de comprar as passagens, teve aquele problema com a Avianca (decretar falência e cancelar vôos) e todas as companhias aéreas aumentaram os preços absurdamente. Nós pagamos cerca de 4 mil reais nossas passagens, o que nessa ponte aérea fica no máximo 500 ida e volta por pessoa. Mas, sinceramente, do jeito que eu estava, só não queria que a turma fosse cancelada. Correu tudo bem, afinal de contas, mas eu estava tão mal que lia as avaliações do curso e, se tinha alguma crítica, eu chorava de soluçar. Não tinha qualquer condição de fazer nada daquilo que eu estava fazendo, mas estava. De alguma forma, era importante cumprir os compromissos que eu tinha com as outras pessoas.

(E o compromisso com você mesma? – vocês podem estar pensando. Sim, eu pensei isso também. E aí comecei a mudar a direção em alguns sentidos, a partir dali.)

Maio

Esqueci de citar que, em meio a tudo isso, estava acontecendo o meu mestrado. Último semestre com disciplinas. Me inscrevi em três – cancelei duas. Não consegui participar de nenhum grupo de pesquisa. Passei mal em sala de aula diversas vezes e tive que ir embora. Faltei no limite das faltas. Foi complicado…

Estou contando tudo isso porque tinha me inscrito em um Seminário em São Leopoldo (RS) para apresentar o meu trabalho. A inscrição foi em dezembro, se não me engano. Ou seja, quando me inscrevi, estava tudo bem.

Seria importante que eu o fizesse, pois é o maior evento da minha área (Midiatização), então encarei a viagem mesmo daquele jeito que eu estava. Meu marido morreu de preocupação por eu passar uma semana fora, ruim de saúde e mal de cabeça. Mas deu tudo certo. Ficar sozinha no hotel me permitiu dormir cedo, controlar a alimentação, aquela coisa toda. Não consegui ficar no evento todo, pois estava fraca demais e ainda tendo que cuidar de coisas do trabalho que estavam acontecendo aqui em SP (instalação de serviços na sala, essas coisas), mas fiz a apresentação e concluí o projeto, sabem? Tem vezes que isso basta, e esse ano foi MUITO nesses termos.

No final do mês, eu quis fazer uma espécie de “retiro” e fui para o sul novamente (Porto Alegre) participar de uma imersão de marketing digital do Conrado Adolpho. Foi bom, foi necessário. Alguns dias antes, tivemos um certo “ápice de estresse” com relação à sala, pois tivemos muitos problemas. Teve um dia que eu agachei no chão no meio do shopping (estava jantando com o meu marido e o filhote) e chorei, quando recebi a notícia que um prestador de serviço tinha arranhado a mesa novinha que tinha acabado de chegar, e nem tínhamos estreado a sala. Era esse nível de problemas o tempo todo – cada dia um problema assim, vindo de diversos lados. Eu estava no limite das minhas forças em todos os sentidos.

Eu não estava 100% para estar lá, e nem consegui fazer a maratona nos dias que o Conrado faz (o curso vai das 9h até umas 2h da manhã facilmente nos três dias), mas participei o melhor que pude. Foi importante porque eu estava só fazendo exames e me sentindo doente. Sair um pouco dessa vibe me fez muito bem. Eu preciso estar com a cabeça ativa para não pirar, sabem?

Foto tirada pela equipe do evento

Depois de sentar no chão e chorar quando meu médico me disse “você não tem câncer”, eu senti um alento no final do mês de maio. Foi bom, porque pude me concentrar no que estava por vir: a viagem para Amsterdam e a minha participação como palestrante no GTD Summit.

Junho

De alguma maneira, eu ainda consegui ir para BH no início de junho fazer a última turma de GTD fora de São Paulo este ano. Tanto essa turma quanto a turma do Rio já estavam marcadas e com pessoas inscritas desde 2018, por isso ainda mantive. Eu já estava um pouco mais animada quando fui para BH, devido às notícias médicas, mas ainda muito fraca fisicamente. As duas melhores coisas que me lembro dessa breve visita à BH foi da turma, que foi muito animada, e de encontrar a minha querida amiga Lud. <3

A essa altura, a suspeita do meu médico é que eu tivesse uma intolerância fortíssima à lactose, então comecei a tirar esses alimentos derivados do leite da minha dieta. Ou tentar uma dose de lactase antes. Fui fazendo testes e melhorando, o que me deixou um pouco mais confiante para viajar para a Holanda.

Mas o ano estava me pregando peças. Nós estreamos a sala da Oficina no dia 15 de junho. A viagem para a Holanda seria no domingo, dia 16. Durante o curso, recebi um SMS da companhia aérea: “seu vôo foi cancelado”. Graças ao GTD, mantive a calma e passei a hora inteira do almoço do curso esperando ao telefone para tentar resolver. Enfim deu certo, e eu fui encaixada em um vôo que sairia do Galeão (no Rio), e teria que ir pra lá bem cedo no domingo para pegar o vôo noturno. Ai caramba! Tem que ser com emoção tudo nesse ano!

Fui para a Amsterdam com uma única certeza: “não quero pensar em problemas. Vou me dar essa semaninha pra descansar a cabeça. Quero apenas estar lá, viver o momento, aproveitar o evento, estar com o David e as pessoas que eu gosto.” Vários brasileiros foram. Amigos queridos, como o Lucas e a Milena, além de instrutores da Call Daniel, o próprio Daniel, alguns outros alunos, clientes e amigos. Lembro de um dia em que almocei com a Marta e eu estava tão chateada que falei para ela que nem sabia mais quais eram os meus objetivos de vida. Eu estava só vivendo em um universo de problemas. Depressão é uma coisa séria demais. Ainda bem que ela é psicóloga e me levou na conversa, haha (brigada, Marta, pela compreensão). <3

Deu tempo de tirar a tradicional fotinho com o David ao final do jantar com os palestrantes
Photo by Dan Taylor
Photo by Dan Taylor
Photo by Dan Taylor
Milena,
Photo by Arif (India)
Photo by Marta Bockhorny

De alguma maneira, o evento teve um impacto muito forte em mim, além da experiência de ser palestrante. Sair do Brasil, estar naquele evento, em contato com pessoas que estavam em outro nível de pensamento sobre a vida… isso fez muito bem para a minha cabeça. Na viagem de volta, fiz umas 15 páginas de anotações no meu Bullet Journal, com muitas reflexões e um foco tremendo no que deveria fazer a seguir. Eu estava decidida. Seria difícil, mas tinha que ser feito. Era definitivo.

Julho

Cheguei em São Paulo direto para a primeira turma de GTD de dois dias no final de semana seguinte. A Martinha, sempre parceira, dividiu a turma comigo. Nós mantivemos essa parceria pelas próximas turmas, pois eu ainda não estava 100% bem fisicamente e ela também precisava exercitar em turmas abertas (o nível dos alunos é bem mais elevado porque muitas pessoas já chegam ali com dúvidas mais avançadas, então é ótimo para o instrutor treinar sua didática).

Já sabendo que meu problema era com a lactose, minha nutricionista queria descobrir qual “a fórmula mágica da quantidade de lactase”. Depois da última consulta com ela (“você precisa se forçar a experimentar as doses de lactase e as quantidades de alimentos com lactose para descobrir o que pode consumir ou não”), eu decidi que não queria ficar tomando remédio e que iria simplesmente cortar tudo relacionado a lactose. Já não queria mais consumir leite e derivados pela consciência vegana (ainda não era, mas queria), então pronto. Nessa época, eu comia peixe uma vez por semana no máximo e mais ovos no dia a dia. Já era quase, quase vegetariana. Só demorei porque tive quadros de anemia ao longo do ano e não queria ficar mais doente com tanta coisa já acontecendo. Mas aí, tirando os derivados do leite, eu comecei a melhorar. Isso me fez ver com certeza que a alimentação é TUDO na vida do ser humano, minha gente. E comecei a pensar: o quanto eu ainda consigo melhorar, mexendo na alimentação?

O curso de Planejamento de Vida ministrado em julho foi o último curso a ser realizado na Oficina. Eu tomei diversas decisões depois da minha viagem em Amsterdam, e o foco era simplesmente: diminuir a complexidade. Eu estava sem condições. Apesar de começar a melhorar em termos de saúde, ainda não estava 100% bem. Os problemas na empresa (envolvendo sala, equipe, finanças, mil outras coisas) estavam drenando toda a energia que me restava. Eu simplesmente não tinha condições de tocar absolutamente nada além daquilo que já estava em andamento. Eu doei 300% dos meus 5% de saúde física e mental que eu tinha para os cursos, a mentoria e os conteúdos do blog, do canal e outros. Hoje, olhando para trás, até me emociono. Foi muito difícil tomar algumas decisões, mas fui corajosa de tê-las tomado. Não sei como eu teria ficado se não tivesse feito isso. Tive que me colocar em primeiro lugar. Meu marido chegou a propor que eu simplesmente parasse de trabalhar durante algum tempo e que ele iria se virar – todo aquele papo. Eu não queria isso. Eu adoro o meu trabalho. O que eu precisava era avaliar e passar um “pente fino”, visando ficar bem, simplesmente.

As meninas cumpriram aviso-prévio ao longo do mês e nós organizamos a entrega de uma das salas do escritório para ficar apenas com uma. Eu manteria aquela sala (que era a sala de cursos) como escritório apenas porque tinha que lidar com os móveis e equipamentos até vender, doar, enfim, resolver o que fazer com eles, e além disso eu ainda continuava precisando de um lugar para trabalhar, gravar aulas e fazer reuniões. Sinceramente, imaginei que acabaria me desfazendo dessa sala também, depois de um mês ou dois. Felizmente não foi necessário, e com o tempo fomos conversando (meu marido e eu) sobre soluções, que estamos colocando em prática neste exato momento da vida. Mas ainda vamos manter um escritório fora, pois é importante para a minha mente.

Uma coisa que simplesmente quis fazer foi me dar um final de semana em Campos do Jordão para tentar descansar um pouco mais a cabeça. Não foi tão legal, porque eu não estava bem (física e emocionalmente). Mas pelo menos respirei algum ar puro.

Precisei fazer isso porque tanto estresse nesse mês me levou ao hospital novamente – desta vez com labirintite aguda. Isso foi uma coisa que eu tive 15 anos atrás, em um momento de intenso estresse na minha vida – até conto essa história nos meus vídeos e cursos. Era inacreditável estar passando por isso novamente, mas ao mesmo tempo um reflexo de como eu estava na época. Tive que tomar uns remédios super fortes, que me deixaram meio grogue e “zoada”. Eu passei por uma bateria tão grande de desafios emocionais que não teve outra, o corpo reflete isso mesmo. Só fui me recuperar da labirintite no final de setembro.

Consegui ainda juntar forças para terminar o artigo da última disciplina do mestrado, mas sem qualquer condição para escrever a minha dissertação. Lembro de julho como o mês em que “matei um leão por dia”. Era acordar, tomar alguma decisão difícil, tomar providências, e desmaiar de exaustão. De alguma maneira, ainda consegui fazer mais dois cursos ao final do mês, sendo um deles in company, que também dividi com a Martinha, por estar completamente sem energia. Naquela semana, eu comecei a questionar o fato de estar deixando a minha saúde de lado para agradar terceiros. Foi uma sementinha importante plantada ali na minha mente.

Agosto

Entrei em agosto com uma única certeza: “vou cuidar da minha saúde, preciso ficar bem, e vou gerenciar da melhor maneira possível todo o resto”. Eu tinha compromissos agendados (cursos, palestras, projetos), mas não pegaria nada novo. E cara, como foi difícil falar NÃO para algumas pessoas. Gente do meu convívio, sabe, que estava vendo como eu estava, e ficava me cobrando. Além de frustrada eu fiquei bem aborrecida na época.

Em agosto eu participei de um curso de finanças para empresários que foi muito bom, me ajudou bastante. Eu já estava menos preocupada com as finanças da empresa depois de ter dado o respiro que dei em julho, mas aprendi muitas coisas boas que pude aplicar inclusive na minha vida pessoal – e compartilhei todas elas aqui no blog com vocês, no mês seguinte.

Aconteceu ainda uma coisa esquisita, que foi ter passado muito mal no último dia desse curso. Isso me fez ver que, apesar de eu estar no caminho certo para a minha recuperação, ainda não estava 100% legal. Eu tive que ir pra casa quase desmaiando de fraqueza e dormi muito, muitas horas, até o dia seguinte.

Eu ministrei vááários cursos em agosto. Olhando hoje, vejo como foi difícil. Mas eu sou uma pessoa que mantém os compromissos com os outros. Eu só precisei priorizar isso e deixar todo o resto de lado, porque simplesmente não tinha condições. Espero que todos os envolvidos tenham entendido. Tudo o que precisei cancelar, adiar ou dizer NÃO, cara, foi porque eu REALMENTE não tive condições.

Em agosto eu tomei uma das decisões mais importantes da minha vida e que mudaram completamente o meu cenário de saúde, que foi decidir me tornar vegana. A partir daquele momento, minha saúde foi melhorando a passos largos. Além de ajudar os animais, ainda estava me fazendo bem fisicamente falando. Não tinha nem o que questionar.

Além da causa animal e da questão da saúde, virar vegana me “obrigou” (no bom sentido) a ser criativa na cozinha, o que resgatou meu prazer em cozinhar. Sempre gostei, mas este ano eu estava completamente desanimada pra TUDO. Isso foi um pequeno *sparkle* do meu ano, porque virou uma coisa meio terapêutica, sabe. Resgatou um pouco de prazer ali no meu dia a dia que há bastante tempo estava tão focado em outros aspectos.

E eu também resolvi me divertir um pouco e me inscrever em um curso livre de teatro, com uma aula por semana. Por muito tempo, foi o ponto alto da minha semana participar das aulas. Me fez muito bem, mas tive que sair no final, devido a zilhões de motivos que vou compartilhando ao longo do post. Minha sogra ficou doente no final do ano, ela que ficava com o Paul, marido estava com uma agenda cheia de shows – enfim, coisas da vida. Falo mais adiante.

Eu deveria ter entregue a minha dissertação para revisão do orientador e agendamento da qualificação até o final do mês, o que obviamente não consegui. Eu pretendo falar mais sobre isso depois do término do mestrado, mas o fato é que eu me desconectei total da dissertação. deveria ter escrito tudo no primeiro ano do mestrado, quando ainda estava motivada com ela. Fiquei com uma ressaca acadêmica enorme, e nem conseguia olhar para o texto. Mas depois falo mais sobre isso, prometo. Ainda estou com a dita na barriga…

Em agosto, também resolvi retomar algo que eu nem deveria ter parado e já tinha demorado para voltar, que era fazer terapia. Sim, não dá pra acreditar que sobrevivi a esses últimos meses sem estar indo na minha terapeuta (eu encarava como “mais uma conta” e “mais uma tarefa”, o que até compreendo, vendo hoje em dia). Mas teria me ajudado ter priorizado isso, sem dúvida. Mas enfim, antes tarde do que nunca. Foi ESSENCIAL voltar para a terapia. Eu estava em frangalhos. Me ajudou demais.

Setembro

A primeira coisa que fiz em setembro foi a primeira coisa que deveria ter feito lá atrás, muito antes até da minha avó morrer, que foi voltar ao centro budista. Eu tinha parado de frequentar porque morava longe (e, com filho pequeno, a logística é complicada) e, quando voltei a morar no bairro onde moro, acabei deixando o tempo passar e não voltei. Teria me ajudado enormemente durante o período em que a minha avó ficou doente e depois que ela morreu. No momento em que pisei no centro para participar de um retiro, em um sábado, minha mente se iluminou (sem trocadilhos). Foi o outro momento *sparkle* do ano. Eu me reconheci imediatamente na melhor versão que existe de mim mesma. Reencontrei amigos, me senti bem demais. Naquele dia, decidi que jamais me afastaria novamente do Budismo e da sangha, que é como chamamos a comunidade de praticantes e monges.

Na semana seguinte, conversei com meu marido e resolvi voltar para o curso de aprofundamento no Budismo, desta vez com foco na formação de professores de meditação. Foi a melhor decisão que eu tomei.

Acho que setembro foi o meu primeiro mês bom de 2019. Me sentia centrada, equilibrada, focada em ficar bem. Mas ainda tinha muitos compromissos até o final do ano e estava me recuperando na saúde de modo geral. Entre novembro e dezembro é “alta temporada” para mim (todo mundo quer se organizar), e eu já estava com a agenda fechada com cursos e palestras em empresas e eventos diversos. Sabia que era importante fazer isso, para “dar um gás” antes de sair de férias, em dezembro. Era ficar bem, respirar fundo e mergulhar.

Estou revendo diversas anotações dessa época, e vejo como eu ainda estava bastante triste e abalada emocionalmente. Já estava melhorando bastante, principalmente em termos de saúde, mas o emocional ainda estava meio abalado. Ter entrado no curso do centro budista foi fundamental, me conectou ao meu centro novamente. Junto com a terapia e uma causa para abraçar (o veganismo), me deu um senso ainda maior de propósito. Eu me envolvi em um projeto musical póstumo do meu pai e isso me deixou muito nostálgica e emotiva, mas foi importante viver esse sentimento para depois eu me sentir melhor e preparada para deixar algumas coisas para trás.

Outubro

Outubro já começou intenso com a preparação para a agenda do final do ano. Ministrei vários cursos e tive eventos diversos, palestras. A agenda estava bastante cheia, mas eu estava com a cabeça centrada e, no dia a dia, fazendo tudo o que me fosse possível para ficar bem. Não sentia mais tanta fraqueza e a intolerância à lactose se tornou inexistente, depois de dois meses de alimentação vegana.

No feriado do Dia das Crianças, resolvemos passar o final de semana na praia e foi absolutamente a melhor coisa que nós fizemos. Todos nós precisávamos daquele respiro. Eu consegui curtir a viagem, descansei, passamos momentos felizes juntos. Foi realmente excelente. Lá, eu tomei uma decisão importante sobre a vida, o trabalho e tudo de modo geral. Essa decisão se refletiu nos meses seguintes.

Em outubro também tive outros acontecimentos felizes, como participar do curso de mapas mentais da querida Liz Kimura e fazer minhas novas tatuagens. Ter cancelado um curso que eu faria no último final de semana foi libertador para mim. Nos últimos cinco anos, eu praticamente não tinha mais finais de semana, pois eles eram dedicados aos cursos. Eu tomei a decisão de resgatar meus finais de semana de volta e marquei vários “reservado”s no meu calendário. rsrs Foi libertador fazer isso na época.

Novembro

Começou a época intensa do ano para mim, então tudo o que fiz foi me cuidar para ficar bem de saúde e cumprir os meus compromissos. Reservei espaços em branco na minha agenda com a formalidade de “encontros com o Paul McCartney” – SAGRADOS, sem agendar nada, apenas passando tempo com a família e descansando. Distribuía NÃOs diariamente. Virou estilo de vida. Eu simplesmente não podia me dar ao luxo de ficar mal naquela época – e, sinceramente, não queria me sobrecarregar, intencionalmente.

Ministrei um curso incrível na World Animal Protection, que é uma ONG internacional de proteção aos animais. Ali eu senti duas coisas: 1) como é bom você aliar vários propósitos em uma única atividade e 2) fazer um curso presencial é legal, mas quantas pessoas ficam de fora! Naquele dia eu resolvi que focaria na abrangência online em vez da presencial dali em diante.

Fiz reuniões e encontros muito bacanas ao longo do mês com pessoas que eu gosto, e terminei o mês de novembro me sentindo plena e feliz como não me sentia há MUITO tempo. É difícil de explicar. Foi necessário viver tudo o que eu vivi nos últimos anos para conseguir dizer que me sinto assim.

No final de novembro a gente teve também a campanha da Black Friday, que deu um respiro muito importante para a empresa. O lançamento do curso Organize-se em 2020 na sequência me deu o encorajamento necessário para dizer: “é isso, confio no meu trabalho, e o foco deve estar no online”. Isso só foi possível graças a vocês, então mais uma vez, MUITO OBRIGADA.

Dezembro

Eu escrevi um texto dizendo quais são todas as coisas pelas quais eu sou grata este ano. E ele é profundamente sincero. 2019 foi um ano difícil, acho que o pior de todos que já vivi, mas ele foi necessário para que eu chegasse nesse final de ano me sentindo da maneira como estou me sentindo hoje.

Desde que voltei de férias, há alguns dias, eu trabalhei feliz DIARIAMENTE. Até compartilhei isso com o meu marido ontem, quando acordamos. A mudança de foco fez toda a diferença para mim.

Meu mês de dezembro começou com um dia em que passei com a minha mãe aqui em São Paulo. Ela precisava de ajuda com algumas coisas, então passei o dia com ela, almoçamos juntas e depois a levamos de carro para casa (ela mora em outra cidade). Ter um trabalho que me permita fazer isso é impagável.

No início do mês, também teve o evento de três dias do Érico Rocha, um ANJO esse moço. Graças a ele, consegui viver de uma coisa que eu sempre quis viver, que é do conteúdo que produzo com foco em ajudar outras pessoas. Durante quase uma década, eu mantive o Vida Organizada apenas como hobby, sem monetizá-lo de qualquer maneira, porque não queria onerar os leitores e privá-los de conteúdo gratuito. Desde que comecei a trabalhar “por conta”, é um corre fenomenal para fechar curso, inscrição, palestra, coaching, tudo. Não estou reclamando – eu amo o meu trabalho. Mas quem trabalha por conta sabe como é. E ter feito o curso dele no ano passado me deu outra visão e estratégia para o meu negócio, e foi isso que me permitiu chegar ao final deste ano e falar: “vou viver disso”. Tive até um *momento epifania* que me deixou emocionada lá no evento. Então não tenho palavras para agradecer o que esse cara faz.

Minha última semana do ano antes das férias parecia um jogo de tetris – só bloquinho encaixando no outro na minha agenda. As pessoas me contatavam para evento, reunião e palestra, e eu nem tinha como sequer pensar em dizer SIM – era humanamente impossível. É claro que eu cheguei ao final daquela semana exausta pacas. Dei aula no sábado, antes de viajar no domingo. Minhas amigas vieram em casa para um jantarzinho “pré Natal”, em clima de confraternização de final de ano, e às 20h elas se despediram porque eu estava quase dormindo no sofá rsrs. Elas entenderam, obviamente. E, no dia seguinte, fomos (família) para a praia, onde ficamos quase 10 dias.

Lá na praia, eu coloquei em prática uma coisa que era minha resolução de ano novo – parar de beber. Sim, eu amo vinhos. Considerei fazer a formação de sommelier. Mas a verdade é que, com o Budismo, o veganismo e todas as outras coisas, isso era algo que não se encaixava mais na minha vida. Eu queria parar em 2020 mas, lá na praia, me sentindo tão bem, eu pensei: “quer saber? Não vou esperar festas de final de ano não. Vou parar agora”. E foi mais fácil do que pensei. Nem sei por que não fiz isso antes. Acho que é como a gente se sente sempre que faz algo que é o certo dentro de nós, não é?

Ontem eu chamei uma amiga minha de infância para ir dar uma volta no shopping porque eu precisava comprar um tênis para mim (aquele meu tênis do “uniforme” se espatifou de tanto que eu usei). E ela me perguntou: “ué, o que aconteceu, você está tranquila no trabalho esta semana?”. E eu disse: “sim”. E foi maravilhoso dizer que sim.

No mês anterior, eu ouvi em sala de aula uma pessoa dizer: “tempo livre! aiai, quem tem tempo livre hoje em dia, não é mesmo?”. E internamente eu respondi: “eu. eu tenho tempo livre. que incrível. mas só se eu quiser!”.

Eu me desfiz de TANTA coisa este ano, gente. Crenças, problemas, relacionamentos, projetos, convicções, preocupações. Foi intenso pacas. Mas, no final das contas, TUDO, absolutamente tudo – e falo isso sem demagogia – foi importante para eu estar onde eu estou hoje. Nossa, em maio eu estava numa bad tremenda. Cancelei reunião 5 minutos antes de começar porque estava chorando de tristeza. Se eu tivesse uma aula que ministraria à noite, passava o dia todo me resguardando física e emocionalmente para estar bem naquelas horas em que precisaria dar meu melhor para os alunos e mentorandos. E consegui. Consegui. Foi uma vitória, uma atrás da outra, e aos poucos, bem aos poucos, fui voltando e melhorando. Servir é o que me move, pois assim eu me sinto viva.

Eu queria agradecer PRA SEMPRE todos os meus alunos e mentorandos que estiveram ao meu lado este ano. Tive momentos difíceis pra caramba, e ter esse trabalho confiado por vocês foi o que manteve funcionando. Minha família, sem comentários. Todo o suporte dela, dos meus amigos mais próximos. Minha sogra teve um problema de saúde bem no final do ano, a gente com essa agenda intensa de trabalho (meu marido também estava fazendo dezenas de shows, muitos fora da cidade), e eu fui catedrática em cancelar tudo o que pude para não sobrecarregá-la nos cuidados com o Paul. O senso de prioridade estava mais afiado do que nunca, sabem? Eu me centrei de uma maneira ali a partir de setembro que não tinha mais como aceitar qualquer outra condição contrária!

Definir que meu lema para 2020 será confiar mais em mim e no meu trabalho, e ter a certeza de que prefiro ganhar menos mas ter qualidade de vida a ganhar mais e me sobrecarregar, foi a decisão mais assertiva de todas. E quer saber? Tendo esse foco, o faturamento foi até melhor. Então nada como uma motivação correta, intenção boa e dedicação ao que você faz de melhor para mostrar como a gente pode ter crenças limitantes sobre a vida e pode se reinventar diariamente!

Assim como o meu ano de 2019 começou no final de 2018, o meu ano de 2020 já começou agora em dezembro, e eu estou apenas vivendo da maneira como deveria ter vivido sempre. Mas as cicatrizes fazem parte da história. Não há história sem marcas e registros. Assim é a vida. Bora! No coração de um jedi reside a sua força. I’m all the jedi.