Final de ano chegando e, com ele, a frustração de não ter feito tudo o que queria

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Este mês estamos falando sobre como colocar a vida em ordem, e eu já falei sobre um elemento imprescindível da organização, que é a organização de arquivos de referência, e espero de verdade que você esteja se dedicando a ele este mês para ter uma vida mais organizada.

Hoje eu quero falar não sobre arquivos ou objetos em casa, mas sobre os projetos que, por algum motivo, você não conseguiu tirar do papel ou não conseguiu executar da maneira como gostaria. Este é um tema imprescindível porque em dezembro falaremos sobre planejamentos, e agora é a hora da gente dar uma olhadinha em como foi este ano para iniciar os planos para o futuro.

O valor de pensar no futuro não está no futuro que estamos criando, mas no impacto que essa visualização tem no nosso presente. Quem diz isso é o David Allen, autor do método GTD, e eu compartilho da mesma visão que ele tem sobre esse raciocínio dos planejamentos.

Sábado agora (dia 16) eu ministrei a última turma do Workshop de Planejamento de Vida, aqui em São Paulo. E nesse workshop o que a gente aprende é que não dá para pensar em planejamento de vida sem a gente se conhecer, porque quem a gente é que deve guiar todas as nossas escolhas diariamente – quiçá a longo prazo.

Quando eu paro para analisar o que eu gosto de fazer na minha rotina, o que eu detesto, quais são os meus pontos fortes, o que posso melhorar, o que as pessoas acham que eu faço bem, meus principais talentos e habilidades, estou na verdade fazendo uma auto-análise sincera que me ajudará a formatar as diversas atividades do dia a dia de acordo com a minha personalidade.

E por que eu digo isso? Porque, muitas vezes, a gente monta um planejamento acreditando que será a mesma pessoa que o montou, meses antes. Quando eu fiz meu planejamento para 2019, eu era outra pessoa. Uma pessoa que passou por diversos processos ao longo de 2019 e que foi mudando com o passar dos meses. E todas essas mudanças resultaram em amadurecimentos e mudanças de perspectiva com relação a tudo o que eu tinha planejado. Fui vendo o que fazia sentido e o que não fazia. Pude pegar aquilo que não fazia mais sentido e reorganizar, reajustar. O planejamento não pode ser algo “engessado” (e nunca é para ser) – ele serve apenas como guia para o que você pretende fazer e, a partir dele, você vai vivendo e construindo.

Existe um elemento norteador nisso tudo, que ajuda no processo de decisão do que deve mudar e do que deve ser mantido, que é o seu eu mais profundo. Por isso o auto-conhecimento é tão importante. Um exercício de missão pessoal que a gente aprende a fazer pode ser enriquecedor em diversos aspectos. Eu mesma, quando reli a minha missão no sábado, pude perceber que, apesar de ter mudado de rota muitas vezes ao longo deste ano, eu consegui me manter alinhada à minha missão – porque missão não tem a ver com o COMO e sim com o POR QUÊ.

Não foi um ano fácil para mim! Passei uns quatro meses dele praticamente imprestável, sem conseguir ter energia para fazer o meu trabalho e outras coisas que eu gosto (já contei essa história aqui – era uma alergia alimentar forte pra caramba). Além disso, muitos projetos que concluí e objetivos que alcancei me levaram a um patamar diferente de onde eu estava antes, e essa nova perspectiva me fez ver que muitas coisas que eu tinha planejado não eram exatamente o que eu queria fazer. Coisas de ano 9.

O planejamento de um ano novo não pode ser criado desvinculado de um planejamento maior. E, para fazer esse planejamento maior, a gente precisa pensar no que realmente importa na nossa vida. Quando eu penso no que quero a longo prazo em todas as minhas áreas isso me permite ter uma noção do que realmente importa. E a grande chave de entendimento aqui é aprender que você não precisa viver o longo prazo para vivenciar o que é importante. Dá para fazer bastante coisa hoje mesmo, não importa a situação.

Por exemplo, se para você ter estabilidade financeira é importante e você busca independência financeira a longo prazo, por que está gastando à toa com “coisas” que não precisa hoje em dia? Se você quer ter uma família feliz e unida, por que hoje em dia você não busca fazer mais atividades que tenham esse foco?

Terminei recentemente a leitura de um livro chamado “A Casa Minimalista” (Joshua Becker) que está muito alinhada com o que eu ensino através do meu método de organizacão, e eu prometo que nos próximos dias terá resenha do livro aqui no blog. 😉 Mas uma das coisas que ele fala e que eu acredito muito também é que o propósito de tirar da sua vida o que não faz mais sentido não tem a ver com o movimento de “tirar”, mas sim de abrir espaço para o que é realmente importante para você. Eu mesma, a partir do momento que descubro que uma atividade que decidi investir tempo está prejudicando outra que seja mais importante, ou até mesmo essencial, eu preciso me sentir confortável para reajustar os planos e entender minhas decisões.

Acho que um dos exemplos mais palpáveis para trazer aqui neste post é sobre o meu mestrado. E sim, eu pretendo fazer um post especial sobre tudo o que eu faria de diferente em todos esses meses até a defesa da dissertação, mas uma coisa é certa: tá tudo bem não sair do jeito que a gente esperava.

Chegou um determinado momento este ano em que eu tive que decidir se queria me sobrecarregar para fazer o que eu queria no mestrado ou se eu deveria afrouxar um pouco as minhas próprias cordas para entender que eu sou empresária, tenho um trabalho internacional, que demanda muito de mim, e que meu negócio não funciona se eu não funcionar, além da minha família (especialmente a atenção ao filhote). Simples assim. Uma pessoa que se dedique à carreira acadêmica talvez consiga fazer de outra maneira que eu não tinha como fazer. E tá tudo bem. (veja um texto que escrevi sobre a coisa de ser empresária e pesquisadora ao mesmo tempo)

Fico feliz por ter investido tempo e dinheiro no meu mestrado, sabe? No final das contas, depois que um objetivo é alcançado, o COMO não importa tanto. O COMO só incomoda e nos frustra quando a gente está dentro do olho do furacão, sem uma perspectiva mais elevada das coisas. Por isso esse tipo de reflexão é importante – porque eleva a nossa perspectiva e nos permite ver os problemas de uma maneira menos conturbada.

O que eu gostaria de propor a você é que você tenha esse olhar mais compassivo com tudo o que você fez este ano. Você provavelmente fez muitas coisas, assim como não conseguiu fazer outras, porém deve ter tido os seus motivos. Dá uma olhadinha para trás e tente entender que você fez o melhor que você pôde nas circunstâncias que você tinha. “Colocar a vida em ordem” não significa seguir qualquer tipo de planejamento à risca, mas se conhecer tanto e cada vez mais a ponto de se permitir reajustar a rota sempre que necessário, sem aumentar qualquer sentimento de frustração. Mudar faz parte!

11 comentários

  1. Eu adoro esse estilo de post e de mindset.

    Estou sempre fazendo o meu melhor, e esse melhor nem sempre “atinge o ideal”, mas tudo bem =)

  2. Muito sensível, como sempre.
    Eu, por exemplo, passei por um término de relacionamento (bastante longo), mudança de casa/bairro e de emprego; e nada disso foi planejado. A minha meta no final das contas para este ano era conseguir ficar bem apesar de tudo.

  3. Essencial. Como outros já disseram, excelente texto. Preciso dessa lucidez e dessa sensibilidade. Às vezes, acumulamos tantas funções e demandas que esquecemos de agradecer e valorizar o que deu certo e até o que não deu também, para seguir em frente! Obrigada pelas palavras 💓

  4. Thaís querida, sensacional esse texto. Realmente, a vida muda… Nós mudamos… O inesperado acontece… E agora? Tá tudo bem, deixa fluir…

  5. Thais, esse texto foi um belo de um tapa na cara hahaha
    Estou em um processo confuso tentando entender algumas coisas, e aquela mudança do interno e externo se manifestando demais. Ontem na terapia conseguimos dar uma alinhada e sentido nas coisas que estão acontecendo (na verdade sabia e não queria ver ou aceitar direito essa próxima mudança) e o seu texto só veio para reforçar isso.
    Quando fiz meu primeiro grande destralhe em casa (3 anos atrás) eu senti que uma mudança maior estava vindo e nesse momento estou passando pela mesma coisa e organizando e cuidando de tudo que é “material” dentro da minha casa (consequentemente organizando as coisas aqui dentro também).

    Obrigada por compartilhar seu conhecimento

  6. Thais !!!
    Nossa Diva poeta!!! Finalidade do post fazer nos enxergarmos com mais Leveza !!!! Ficamos assim mais otimistas num Brasil tão de tratamento ” odioso ” entre as pessoas .
    Gratidão mais uma vez!

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