Organização da vida e Budismo: o que tem a ver?

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Faz tempo que eu queria escrever um post sobre esse tema.

Eu sou uma pessoa de métodos. Amo métodos.

Métodos são apenas caminhos já testados, aprovados e que funcionam. São uma forma de fazer as coisas, um passo a passo, como que um atalho para você chegar mais rápido onde quer chegar, pois alguém já testou os obstáculos do caminho e te entrega o negócio mastigado para você fazer e ter sua própria experiência.

Eu penso que todas as religiões tenham seus métodos. Isso não é característica exclusiva do Budismo. No entanto, por eu ser budista, é natural que eu escreva especificamente sobre essa religião aqui.

Na tradição que eu me identifico mais no Budismo, a Kadampa, existe um método a ser seguido, que se chama Lamrim. Lamrim é uma escritura que representa “as etapas do caminho”. Todas as tradições do Budismo nos conduzem à libertação e à iluminação. Libertação do quê? Libertação desse mundo que vivemos, chamado de samsara, onde existe muito sofrimento. Após conquistar a libertação, o caminho à iluminação representa a felicidade de maneira geral, muito resumidamente, através da satisfação dos desejos e das necessidades de todos os seres vivos. O caminho budista é fundamentado essencialmente em compaixão.

O livro “Caminho alegre da boa fortuna” é um livro bastante completo sobre o método da tradição Kadampa. Existem outros livros menores e mais básicos para quem estiver começando. Tenho um post aqui no blog em que falo sobre livros – dê uma olhada.

Esse caminho é baseado em três grandes escopos, com votos. Os votos que você toma são compromissos com o caminho. O primeiro escopo diz respeito aos votos chamados de pratikmosha, ou votos de libertação individual. O segundo escopo se refere aos votos do bodisatva. O terceiro escopo é relacionado aos votos tântricos. Ao tomar os votos, existe o compromisso de não quebrá-los. Obviamente, por não sermos perfeitos nem termos alcançado a iluminação (ou seja, ter se tornado um Buda), existem práticas diversas de purificação em todos os votos, caso você tenha quebrado algum deles. (Saiba mais sobre todos os votos aqui.)

Os ensinamentos de Buda são chamados de Dharma. A orientação não é apenas ler e contemplar, mas praticar esses ensinamentos. Por isso o Budismo é essencialmente uma religião prática, pois você precisa viver o que acredita. Disciplina moral é uma das principais habilidades de uma pessoa que seja budista. Isso envolve controlar a mente, ajudar as pessoas, controlar uma série de instintos (talvez eu possa falar dessa maneira), entre outros comportamentos. Existem instruções para lidar com o sofrimento no mundo, muito resumidamente falando. Por exemplo, como ter paciência com as pessoas ao meu redor? Tudo isso é ensinado nos materiais publicados e que vão sendo traduzidos aos poucos. Muitas das escrituras (a maioria, eu diria) ainda nem foram traduzidas. Tem muita coisa em sânscrito apenas, mas todas elas convergem para o objetivo que é a busca pela iluminação.

Bodisatva é o nome dado ao indivíduo que está comprometido com seu caminho em busca da iluminação, com uma mente de compaixão essencialmente.

Eu acredito que o Budismo tenha tudo a ver com organização porque ter uma Vida Organizada significa levar uma vida com significado, pautada em princípios, e é exatamente isso o que o Budismo oferece.

Recentemente voltei a frequentar o centro budista em São Paulo, e vi o quanto eu estava sentindo falta nesses últimos anos. Provavelmente não sairei nunca mais. 🙂 Se tiver interesse, posso comentar mais sobre os cursos e práticas que tenho lá. Deixe um comentário. Obrigada!

16 comentários

  1. Budismo e o próprio tantrismo têm muito a ver com organização 🙂
    Com o desenvolvimento da autodisciplina, de um ponto de vista BEM diferente da produtividade acima de tudo, é que conseguimos caminhar rumo à iluminação. superar karmas envolve compromisso, autorregulação e autodisciplina, também.
    podemos ser intuitivos, mas abandonar a organização não auxilia.

    Mas admito que tenho uma dificuldade de conectar a palavra controle ao budismo – embora eu esteja longe de ser um grande conhecedor ou mesmo budista. Essa palavra é explicitamente usada? Sempre pensei na meditação como forma de abrir mão do controle e aceitar o caos mental até que ele faça menos ruído e a mente se torne mais limpa.

  2. Fala mais sobre isso, sim Thais! Eu medito, mas nunca estudei o budismo, e gostaria muito de saber quais são os cursos e as práticas no centro.

  3. Olá! Thais.
    Tenho pesquisado bastante sobre o tema, e venho me inclinando a seguir o budismo no que do respeito à minha espiritualidade. O que você recomenda para quem está começando? Existe muita informação, e as vezes me sinto perdido.

  4. Thaís, boa tarde. Também estou nesta busca espiritual, tentando encontrar um espaço que como você disse, faça sentido para mim. Ontem fui no Tara pela segunda vez e como é tudo muito novo para mim confesso que fiquei perdida com alguns conceitos, um pouco diferentes do que estava acostumada a pensar….
    Sempre vejo as tuas postagens e tenho real necessidade de me engajar num método de organização. Acho o que você diz escrevendo muito pertinente, dialoga com os meus anseios e tenho como projeto ( não sei para quando, olha a falta e método aí! rs) me aprofundar no GTD.
    o livro que estudamos ontem foi justamente o Caminho para a Boa Fortuna e este post serviu para me motivar a continuar a frequentar o centro. Tenho interesse que você conte mais da sua prática lá.
    Gratidão por compartilhar desta forma verdadeira os seus caminhos. Um abraço, Milena

  5. Eu também voltei essa semana nas meditações e estudos de budismo tibetano. Ótima coincidência pra ser ler aqui! Seria ótimo se vc falasse sobre a disciplina na ótica do budismo, muitos levam como prisão mas é exatamente ao contrário…

  6. Thais, se puder comentar mais sobre os cursos e práticas no centro que você frequenta, será muito valioso! Obrigada por compartilhar essa experiência.

  7. Também me interesso muito pelo assunto e creio que seria de fato muito rico compartilhar mais da sua vivência no budismo conosco! 🙂

  8. Oi Thaís, frequento a mesma tradição aqui nos Estados Unidos. Sou iniciante e recentemente comecei o curso que está estudando este livro: Caminho Alegre da Boa Fortuna.
    Fala mais sobre isso!

  9. O maravilhoso de acompanhar o seu trabalho é ver o quanto tudo é congruente e conversa entre si dentro do conceito de vida organizada que você propõe e do qual a espiritualidade faz parte. Você aborda esse tema com muita leveza e carinho, é muito bonito. Mais uma vez muito obrigada pelo seu trabalho. Um dia num café quero te contar o tanto que você mudou minha vida. Estou sempre aqui =) Um beijo!

  10. Thais, eu me identifico mais com a tradição Theravada e qualquer coisa relacionada ao Budismo muito me interessa. Fico feliz com seu post!

  11. Thais, lhe admiro muito pela sua história com o blog, com o GTD, com sua carreira, seu progresso, sua incrível capacidade de leitura, etc. Mas, ainda que respeite a sua crença, e de tantos outros, bem como seus aspectos positivos, eu gostaria de pedir que lesse o texto do link abaixo.

    https://cleofas.com.br/todas-as-religioes-sao-boas/

    Por favor não fique chateada, ou coisa do tipo. Eu procurei muito até achar este link para lhe enviar. Pois, a conhecendo um pouco como eu a conheço, e com a genuína intenção de ajudar, e não de julgar, eu considero este link como o sendo o mais adequado para o seu perfil. Não espero que entenda, que aceite, ou que mude algo de imediato em sua vida por cause deste link. Só queria realmente que o lesse e, fazendo uso de sua enorme inteligência e capacidade intelectual, que procurasse refletir só um pouquinho sobre o tema. Só isso.

    Um grande abraço, de um leitor.

    PS: E, caso interesse, estou a disposição para conversar mais. O nome que usei é anônimo (para não constranger nossas possíveis interações futuras caso vc interprete mal esta mensagem), mas o email é real.

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