Categoria(s) do post: Limpeza

Depois de ANOS cuidando sozinhos da limpeza e da arrumação da nossa casa, este ano resolvemos trazer uma diarista para nos auxiliar com a rotina.

Tomamos essa decisão por dois motivos. Em novembro, mudamos para um sobrado, uma casa muito maior do que a gente já tinha. Já tínhamos morado em um sobrado antes, mas nossa configuração de trabalho era diferente – tanto eu quanto o meu marido ficávamos mais tempo em casa, então para nós era tranquilo dividir as atividades domésticas e manter a casa limpa. Agora, meu marido fica fora o dia todo e eu também, muitas vezes, além de viajar bastante a trabalho. Com isso, descobrimos que não tínhamos mais tempo em casa para cuidar dela. E, se agregamos mais atividades que trazem faturamento, então faz sentido que tenhamos dinheiro para investir nisso, senão teria alguma coisa errada.

Eu gosto de dizer que considero ter um ou mais assistentes em casa um luxo. Se você for na Europa, onde as pessoas moram em apartamentos ou casas menores, dificilmente você verá assistentes em casa. Tudo é muito caro, e o serviço doméstico é visto como um trabalho nobre quanto qualquer outro (e é), portanto pago como tal.

Também sinto que nós no Brasil temos uma relação diferente com a limpeza da casa, que eu arrisco dizer que vem da nossa cultura escravagista e também da pressão sobre as mulheres quando não trabalhavam fora. É um mix. Então ficamos querendo ter a casa limpa o tempo todo mesmo mudando completamente a nossa configuração em termos de logística. Não tem condições.

Eu gosto de realizar atividades em casa, assim como gosto de realizar outras atividades profissionais como um todo, mas chega um momento na vida que você precisa se perguntar quanto vale o seu tempo e passar a filtrar as atividades para realizar as que forem mais importantes. Minha conta foi simples: se eu dedicar duas horas por dia (dez horas por semana) para limpar a casa, e com essas duas horas eu deixo de ministrar um curso que me traria um faturamento maior que a diária de um profissional, então na verdade eu estou perdendo dinheiro. O mesmo vale para atividades profissionais e o ponto onde você começa a se perguntar se deve cobrar alguém.

Essa pessoa começou a trabalhar conosco limpando o escritório e aí quis fazer o teste em casa. Ela vem uma vez por semana, faz a limpeza pesada (esfregar piso, passar cera, limpar banheiros, vocês sabem), e no restante dos dias nós administramos as coisas do dia a dia mesmo, de lavar louça a limpar sujeiras ocasionais que aconteçam na cozinha, na sala etc.

Por ela vir toda semana, a gente consegue negociar algumas tarefinhas a mais para ela fazer uma vez por mês. Por exemplo, na primeira semana ela limpa a geladeira, na segunda limpa dentro dos armários e assim por diante.

Confesso que isso tornou a nossa rotina mais leve. É um investimento que não é barato – fato. Mas eu sempre comparo com a minha hora de trabalho. Quando a minha hora não for mais cara que a hora da diarista, eu posso querer repensar.

Além do que, me sinto bem ajudando outra pessoa financeiramente, dando trabalho como posso dar.

Tem sido um teste para nós e às vezes me questiono se precisamos de uma frequência semanal ou se quinzenal já é o suficiente. Isso é uma decisão para as próximas semanas. Por enquanto, temos gostado de manter assim. Achei que valia a pena compartilhar com vocês o insight do “quanto vale a minha hora X quanto vale o dia do profissional”. Porque isso vale não apenas para a faxina, mas para todos os outros aspectos da vida.