Fim do primeiro semestre do mestrado: como estão as coisas

11
4281

Quis compartilhar com vocês um pouco sobre como está sendo o final do primeiro semestre no mestrado. Pois é, o tempo passa rápido! O primeiro semestre foi um semestre de muito aprendizado, não apenas em termos do conhecimento teórico para a minha pesquisa, mas também de aprendizado sobre a comunidade acadêmica como um todo.

Docência

Esta semana eu apresentei um trabalho em sala e me senti muito à vontade fazendo isso. Acho que todos os anos em sala de aula me deram muita tranquilidade e capacidade de oratória que, no campo acadêmico, é uma habilidade relevante. Me senti muito bem porque me imaginei dando aula naquela sala, e foi maravilhoso. Se tem algo que eu me sinto em estado de fluxo é quando estou em uma sala de aula (e quando estou escrevendo).

Optei por não me inscrever no programa de estágio docência porque o meu semestre que vem tem muitos compromissos profissionais que me deixarão indisponível algumas semanas (incluindo uma viagem internacional), e eu não quero deixar ninguém na mão. Vou retomar esse projeto no ano que vem.

Leituras

Por outro lado, tem todo o campo de pesquisa. O início do mestrado foi meio caótico, no sentido de volume de leituras mesmo, temas que eu gostaria de abordar, e agora eu termino esse semestre extremamente focada, concentrada nas atividades que preciso me concentrar. Ainda não estou 100% satisfeita com o meu ritmo de leituras, mas eu sinceramente vejo que elas vão evoluindo à medida que eu vou evoluindo a minha própria “produção acadêmica”, porque uma coisa puxa a outra. Para falar a verdade, é uma super mudança de paradigma você entender que, em determinado momento, você não precisa ler um livro inteiro para encontrar aquele conceito ou raciocínio que precisa, porque na verdade, apesar de você não ler o livro inteiro, você precisa ter o conhecimento. Precisa saber onde buscar (aqui entra a importância do orientador). Mas precisa também ter muita noção de para onde você está indo, para não “viajar” nessas buscas.

Volume de atividades

A produtividade acadêmica intensa é criticada pra caramba, porque hoje se exige dos pesquisadores um ritmo insano de produção. Eu pude acompanhar um pouco a rotina dos meus professores e cheguei à conclusão de que realmente você tem que ter a docência como sua atividade principal para conseguir se dedicar à pesquisa, aos eventos, a tudo relacionado à vida acadêmica, com a intensidade que ela demanda, se quiser fazer isso. No meu caso, como já falei em outro texto por aqui, eu concilio tudo isso com a minha empresa – o “mercado”, a realidade batendo à porta. E está tudo bem para mim neste momento. Eu simplesmente tenho coisas a fazer. Por hora, a vida acadêmica vai caminhando em paralelo.

Quantidade de disciplinas

Me arrependi de não ter participado de três disciplinas neste semestre. Apesar de tudo o que aconteceu (especialmente com relação à dedicação hospitalar da minha avó), eu conseguiria dar conta de três disciplinas e isso me daria a possibilidade de finalizar o mestrado antes. Mas tudo bem, já foi. Meu semestre que vem já está praticamente tomado até dezembro de atividades profissionais, mas o primeiro semestre de 2019 será mais tranquilo e, assim, pretendo dedicar mais tempo à conclusão da dissertação em si.

Minha pesquisa

E como está a pesquisa? Como vocês podem imaginar, deu uma “parada” durante esse período todo com a minha avó. Como eu estava bem adiantada antes, não me prejudicou em nada. O próximo passo é ir a campo e realizar as entrevistas mesmo.

Conclusão das disciplinas

Em paralelo, estou concluindo a disciplina de Metodologia, e o trabalho final do semestre é o projeto da pesquisa em si, o que já inclui um índice (mesmo que mude depois, e é provável que mude) e vários pontos importantes que já serão definidos e me darão estrutura (em termos de formato) para seguir a escrita e a pesquisa propriamente dita na sequência.

O meu “grande trabalho” de conclusão de disciplina é da outra, que é mais teórica, “Mídia e Sociedade Contemporânea”. Foi uma disciplina de análise crítica do capitalismo frente às novas tecnologias, e eu preciso usar pelo menos três autores estudados em um artigo de 15 páginas para entregar no final de julho. Até o momento, estou usando 7 autores estudados e alguns outros, porque já tenho bastante leituras adiantadas para a minha pesquisa em si, e isso está ajudando demais neste momento. Estou conseguindo pegar todas as minhas leituras, fichamentos, reflexões, e colocar dentro de um simples arquivo de texto, e o artigo está tomando forma à medida que vou trazendo novas ideias. É o meu primeiro artigo escrito sozinha-inha, então estou focando em uma produção legal para mostrar para o meu orientador (e para o professor da disciplina) como é o meu estilo de escrita, o que preciso melhorar e, ao mesmo tempo, o que posso oferecer.

Segundo semestre

No semestre que vem, farei três disciplinas – duas completamente envolvidas com o meu objeto de estudo e a outra porque gosto do tema, mais pensando em pesquisas paralelas e reflexões diversas que na pesquisa do mestrado em si. Se tem algo que aprendi em anos de deep work é que as ideias não vêm de a gente estudar só o assunto abordado, e sim de abrir o leque e trazer novas referências.

Para as disciplinas ligadas à pesquisa, “agora o negócio ficou sério” e já quero apresentar artigos finais que farão parte da minha pesquisa for real. Uma das disciplinas é focada justamente em comunicação nas organizações e a outra é sobre tecnologia e mercado, então já estou desde já refletindo sobre como poderei começar a escrever os artigos desde o início do novo semestre. A outra disciplina é focada na sociedade do espetáculo e eu pretendo escrever um artigo sobre empreendedorismo de palco (ideia que eu já venho desenvolvendo desde o início do ano).

Além das disciplinas, temos os grupos e seminários. Em decorrência do estado da minha avó, não participei do primeiro seminário em que apresentaria algo na faculdade, que foi agora em maio. Mas haverá outros no segundo semestre. Vou apresentar na Comunicom, um evento bacana da área na ESPM, em São Paulo, em outubro, e em outubro também haverá um outro seminário do grupo de pesquisa de política que faço parte, em que pretendo apresentar uma análise de discurso de candidatos na eleição deste ano (candidatos que fomentem o empreendedorismo e sua relação com a precarização do trabalho).

Linhas de pesquisa

Para mim, estão muito claras as linhas de pesquisa que tenho estudado, tanto para o mestrado (curto prazo) quanto para a vida (longo prazo). Meu objeto de estudo é a cultura do trabalho junto com as novas tecnologias. Para o mestrado, o foco é na midiatização, nos aplicativos. Mas, a longo prazo, eu me vejo pesquisando sobre tudo isso aliado a todas as tendências relacionadas, a saber: conectividade permanente, tensões hierárquicas, precarização, ansiedade da informação, codependências, sensação de falsa autonomia, alienação etc. São diversos temas muito legais e que eu estou cada vez mais clara sobre onde começa e onde termina o meu escopo. E não é justamente para isso que o mestrado serve? Ensinar o que é a vida acadêmica e a como fazer uma boa pesquisa?

Como falei, meu segundo semestre será bem cheio. Lançamento do livro, o que resulta em uma série de eventos relacionados, envolvendo viagens. Três disciplinas no mestrado. Diversos compromissos profissionais. Mas sabe, está tudo bem. Se tem uma coisa que aprendi a fazer, é ter foco, organizar as coisas, planejar as atividades, priorizar, deixar em stand-by algumas outras, e esse reequilíbrio é a constante do meu trabalho.

11 comentários

  1. Thais Parabéns,
    Você é uma inspiração para mim, mesmo em post’s como esse contando sobre projetos pessoais seus acabo aprendendo, me inspirando em algo.
    Adoro seu trabalho e recomendo a todo mundo que conheço para te acompanhar em tudo para ter uma vida melhor.

    Obrigada por me ajudar,
    Beijos e bom fim de semana.

  2. Thais, venho acompanhando seu trabalho ha mais ou menos dois meses, e quando achei que estava conseguindo me organizar na nova rotina (tenho uma bebê de 8 meses), tive que mudar de cidade para acompanhar meu marido que foi transferido, e larguei 14 anos de carreira numa empresa. Minha vida está de cabeça pra baixo e estou tentando me reorganizar com a ajuda do seu trabalho. Eu chego lá! Muito obrigada por compartilhar seu conhecimento.

    • Obrigada, Carol. Puxa, a vida é assim mesmo. Por isso que eu sempre recomendo que, além de aprender a organização, a gente aos poucos comece a implementar um método, como o GTD. Ter um método é um caminho seguro para toda a vida e para todas as mudancas que costumam tirar a gente dos eixos. Boa sorte nessa nova fase.

  3. Oi, Thais!

    Desejo um ótimo novo semestre pra ti. Ser acadêmica sempre foi minha atividade principal e esse é o primeiro ano em que é a única, então sei como dá trabalho mesmo! O importante é essa sensação de estar sendo coerente com nossos propósitos, o resto é o resto 🙂

    Estou muito ansiosa pelo próximo livro! Vai ter lançamento em Porto Alegre?

    Abraço!

  4. Olá Thais! Já terminei o doutorado e agora como docente e empreendedora percebo que vou aprender ainda mais com você.

  5. Está sendo ótimo acompanhar seu mestrado. Estou me preparando para tentar entrar no mestrado numa universidade federal, já peguei as leituras, etc. O grande (GRANDE mesmo) problema está sendo decidir o projeto, no mínimo pra poder apresentar o pré-projeto. Quero algo ligado a sociologia do trabalho (tenho formação em Direito mas quero o mestrado em sociologia), alguma dica relevante pra eu poder me encontrar na linha de pesquisa?

Deixar uma resposta

Por favor, insira seu comentário
Por favor, insira seu nome aqui