Como participar de um evento acadêmico

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Vou participar esta semana (como ouvinte) do meu primeiro evento acadêmico e gostaria de compartilhar algumas dicas que encontrei e recebi de amigos e professores para aproveitar bem a minha estada. Depois eu conto como foi. 🙂

Pesquise sobre os principais nomes do evento

Vale a pena fazer uma pesquisa rápida sobre quem é cada pessoa e tentar ler um ou dois textos de sua autoria. Isso vai fazer com que cada conferência seja melhor entendida.

Procure deixar as outras obrigações de lado

É muito difícil para quem tem uma empresa conseguir se afastar durante uma semana para participar de um evento como esse, mas eu fiz todo o necessário para reduzir o ruído “de fora” para conseguir focar nos meus estudos. Para evitar incêndios, pretendo responder e-mails e mensagens todos os dias, depois do evento. Tudo o que puder esperar, ficará para a semana que vem – e vale dizer que eu deixei livres, sem agendamentos, os dois primeiros dias da semana que vem, justamente para trabalhar no que ficou pendente.

Traga um “kit essencial”

O que eu chamo de kit essencial: caderno para anotar muito, canetas e lápis suficientes, blusa de frio (ar condicionado de sala é cruel), coisinhas para a garganta, por causa do ar (pastilhas, xaropes, sprays), filtro de linha e T (para as tomadas), cartões de visita, snacks / frutas, garrafinha de água, carregadores.

Conecte-se com as pessoas

Eu sou uma pessoa tímida e introvertida, e tenho dificuldades para fazer amizades. Porém, em eventos assim, acho importante pelo menos se apresentar e apertar as mãos de algumas pessoas que tenham a ver com a sua área de pesquisa, pois no meio acadêmico muita coisa depende desse tipo de relacionamento. Na medida do possível, tentar conhecer melhor quem está por trás daqueles artigos que você lê e utiliza como fonte em sua pesquisa é algo bacana a ser feito.

Esteja realmente presente

Do meu ponto de vista, nada pior que você se deslocar, fazer um investimento de tempo e dinheiro para participar de um evento, e ficar mexendo no celular enquanto o palestrante fala, ou fazendo alguma outra atividade durante uma conferência. Se estar ali foi o que você decidiu ser a coisa mais importante que você realmente deveria estar fazendo, aproveite.

Faça uma imersão no tema

Passar uma semana fora de casa é horroroso, por conta da saudade (estou no terceiro dia e já querendo voltar!). Mas o lado bom disso é a possibilidade de poder se dedicar inteiramente ao tema do evento. Quero aproveitar para estudar, conhecer a biblioteca da universidade, ler bastante, descansar. Já que estou aqui, preciso ficar tranquila com todo o resto.

E é isso. Aguardem cenas dos próximos capítulos. 😉

8 comentários

  1. Simplesmente amei, Thaís! Também sou tímida e introvertida, na época do Mestrado participei de um evento científico e antes de ir meu orientador falou: chega lá e finja ser outra pessoa, faça o que você não faria no seu dia a dia, se apresente, troque ideais, disse também que os pesquisadores mais experientes costumam ser bem receptivos com os pesquisadores iniciantes ou em formação. E não é que ele tinha razão. Foi simplesmente sensacional, conheci pessoas novas, conseguir interagir! Muitas vezes vale à pena ousar, como dizem se você quer experimentar algo diferente, você deve fazer as coisas também de modo diferente. Grande abraço e bom evento! Nos conte mais depois.

    • Obrigada pelo seu depoimento. Hoje já me apresentei para um monte de gente em um dos GTs. Acho que só de saberem quem eu sou, de que faculdade, que orientador, já mostra um “ah, sei quem é, ela estava lá no evento”. Vai ter um jantar de confraternização na quarta. Torça por mim rsrs

      • Todos os momentos são propícios à aproximações ou observações interessantes nos eventos acadêmicos, mas diria que esses jantares de confraternização são a cereja do bolo, são surpreendentes. Sabe aqueles pesquisadores conceituados da sua área que você muito admira e às vezes os coloca na posição quase inalcançável? Pois é, no momento da confraternização noturna você os despe, os desce do pedestal e vê que eles são como a gente, de carne e osso, com suas loucuras e experiências de mundo, claro com uma caminhada grande de estudos que precisa ser valorizada e respeitada, mas humanos como nós (rsrsrsrsrs). É muito legal poder vê-los por uma outra perspectiva. Estou na torcida, sabendo que tudo dará certo! 🙂

        • Por ser escritora, sempre me interessei muito por esse tema de “trazer o artista” para a vida real, ou ver quem é a pessoa por trás do livro, da pesquisa, do mito. Concordo com tudo o que você falou. Obrigada por comentar.

  2. Querida Thais, muito obrigada por esse post. Como alguém que entrou meio tarde no mundo acadêmico e tem que trabalhar… mas sonha muito conseguir fazer uma mísera IC (pois é), seus posts estão me ajudando tanto. Porque a sociedade diz que não podemos fazer os dois, trabalhar em empresa e pesquisar… mas a vontade e o sonho não vão embora por causa disso. Faço graduação na USP e tenho uma grande dificuldade com um tópico que você colocou nesse post: o “estar presente”. Sei que você está muito ocupada mas se um dia tiver um tempinho pra refletir sobre o assunto na forma de um post eu ficaria muito grata, pois sendo da geração que eu sou (anos 90) esse é um dos meus maiores problemas… estar onde eu estou. Parece bobagem mas parece que eu fui treinada a me desconcentrar a vida toda, cresci com pop ups, multitask, hiperlinks… o resultado é que por mais que eu ache horrivel a perspectiva de estar em uma palestra e ser a pessoa desconcentrada olhando no celular eu já me encontrei assim diversas vezes, e gostaria de não ser, precisava não ser. Precisavamos de um treinamento de concentração, como geração. Obrigada pelos posts incriveis e mta sorte na sua jornada

    • Tricia, eu também acho que a sociedade vê como duas coisas conflitantes. A vida acadêmica demanda MUITO, por outro lado. Eu ainda estou tentando me ajustar a esse ritmo e, principalmente, pegando leve comigo mesma. É o tempo todo rejustando o foco, lembrando que agora preciso focar na minha pesquisa, concluir o mestrado, aproveitar esse momento, e que tenho a vida toda para continuar estudando, pesquisando e publicando artigos depois.

      Obrigada pela sugestão de post. Pode ser uma boa entrevistar algumas pessoas para fazer um bate-papo. Já capturei a ideia aqui. Beijo. <3

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