Categoria(s) do post: Social, Família

Eu tenho um calendário editorial, onde programo os conteúdos que vou criar tanto para os meus blogs (em formato de texto) quanto para os meus canais no YouTube (em formato de vídeo). Esse calendário me permite trabalhar com antecedência na produção dos materiais, mas também me dá flexibilidade para substituir um conteúdo programado por outro espontâneo, que eu tenha vontade de desenvolver em determinado momento. Foi o que aconteceu hoje – quis escrever este texto para você.

Segundo o David Allen, autor do método GTD, que eu utilizo há muitos anos, “não existem imprevistos, e sim inputs mal gerenciados”. Eu entendo o que ele quer dizer. Ele dizer que, se tivermos um bom método que nos dê suporte no dia a dia, qualquer coisa que aparecer simplesmente entrará no fluxo e dará tudo certo.

Outro fator que ele aborda, e que concordo, é sobre a identificação do “fator surpresa” no seu trabalho (e na vida). Sempre gosto de usar o exemplo do meu último emprego, em que a minha gestora gostava de chamar a equipe na sala dela todos os dias faltando meia hora para todo mundo ir embora, para perguntar coisas. E todos os dias todo mundo ficava estressado com isso. Oras, se ela sempre fazia isso, por que eu me estressaria? Já se tornou algo previsível. Então eu não agendaria nem programaria fazer nada de importante naquele horário, pois sabia que ela poderia me chamar. Se não chamasse, eu ganharia um tempo livre todos os dias.

Esta semana a minha avó fará uma cirurgia às pressas. Ela tem 80 anos e já operou o joelho algumas vezes (tem osteosporose). O que acontece é que, do fim do ano para cá, está com uma dor quase insuportável, e nenhum médico sabia diagnosticar, e ela estava vivendo a base de remédios e injeções bem fortes para aguentar a dor. Até que descobriram que ela está com uma infecção na prótese, pega por uma bactéria que ela pode simplesmente ter inalado. Ou opera, ou corre o risco de infecção generalizada. Ninguém na família esperava que ela fosse operada, pois, em teoria, ela já não pode ser operada (tem problemas cardíacos). Mas é uma cirurgia que simplesmente precisa ser feita, então ela será operada na sexta-feira santa (o médico disse ser ateu – rs, vamos rir para não chorar). (Observação: Apesar de o foco do post ser o sentimento que estou tendo no momento pela cirurgia da minha avó, algumas pessoas fizeram comentários se dizendo ofendidas pela piada com o médico ateu, então achei melhor editar aqui para não precisar repetir minha resposta futuramente. Já postei várias vezes no blog e em outros locais que eu sou atéia (sim, é possível ser budista e ser atéia, vale um Google), e mesmo se não fosse eu não faria qualquer piada com o intuito de ofender ninguém. A piada foi pelo fato de a cirurgia ser em uma sexta-feira santa, um feriado católico, e eu achei irônico, achando melhor rir da ironia que chorar de preocupação com a cirurgia. Agradeço a empatia da maioria e espero ter deixado claro o comentário agora.)

Com organização, tudo se arranja, claro. O pré e o pós estão planejados, mas e o que não pode ser planejado? Os riscos da cirurgia? Ou um pós complicado? Vejam, tenho a atitude mental positiva, mas quando se trata de organização, precisamos pensar em planos B, C e D para estarmos preparados.

Em meio a tudo isso, é importante estar bem, para ajudá-la a ficar bem. Esse é o meu foco principal.

Aí é claro que Murphy vem e ajuda me deixando resfriada e sem voz, com a imunidade baixa. Mas, por outro lado, diversos compromissos foram realocados. Tenho uma viagem agendada para daqui a duas semanas, mas todo o restante eu estou realocando. Isso permitirá que eu descanse e fique disponível para ajudá-la.

Tenho um projeto que é “Garantir que a minha avó passe bem pela cirurgia e no pós” e várias ações encadeadas para transformar esse projeto em realidade. Não me estressei em nenhum momento, apesar de que, é claro, minha avó está em meus pensamentos o tempo todo. Mas no sentido de enviar boas vibrações, e não de estar preocupada. E é isso o que uma vida organizada proporciona, mas eu diria que ter uma vida organizada é resultado de duas coisas principais:

  • ter um método (no meu caso, o GTD)
  • praticar meditação, ser uma pessoa tranquila e esclarecida com relação aos meus sentimentos

Tudo isso permite que eu passe por qualquer imprevisto da forma menos traumática possível.

Mais uma frase do David: “Você não define prioridades; você TEM prioridades”. O grande segredo é torná-las claras para você, de modo que todo o resto possa ficar um pouco de lado, ser renegociado, para que você consiga dar atenção apropriada e se engajar naquilo que requer realmente sua atenção principal.