Como eu planejo a minha formação profissional e planos para 2018

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Gosto de analisar a minha carreira observando a minha vida em uma linha do tempo. Imagino que, se tudo der certo, viverei até os 100 anos. Como tenho 36, estou em mais ou menos um terço dela. Claro que tudo isso é só uma brincadeira, porque nunca sabemos até quando vamos viver. Mas isso me ajuda a ficar tranquila, pensando nas minhas coisas.

Eu me graduei como publicitária em 2006. Depois, terminei minha pós-graduação em mídias digitais em 2012. Foram quatro anos de diferença até eu começar a minha pós. Nesse meio tempo, que passou voando, como assim passa a vida, se a gente deixar, eu casei e engravidei. Estava dedicada ao meu trabalho e um pouco incerta sobre que caminho acadêmico prosseguir.

Ter definido que eu queria fazer uma especialização em mídias digitais hoje me parece óbvio, mas eu não decidi tão rápido assim não. Ser apaixonada pelo poder das mídias sociais ajudou bastante. Meu projeto de conclusão de curso foi a profissionalização do meu blog. Na época, não era para fazer uma dissertação, mas sim um projeto voltado para a prática, então por isso optei pelo blog. Foi quando eu comecei a desenhar a transição de carreira que gostaria de fazer lá na frente (e que efetivamente fiz, dois anos depois).

Quando eu concluí a minha pós, eu estava trabalhando em uma área diferente (seguranca da informação, ainda que na parte de comunicação e ligada a aspectos de cibercultura). Naquela época, eu achei que não trabalharia mais na minha área e passei alguns anos estudando para concursos. Eu estava um pouco desanimada da carreira como um todo e não via futuro. Hoje vejo como deixei meu dia a dia me desanimar e me tirar a perspectiva. Mas tudo isso faz parte, traz experiência.

Quando eu pedi demissão desse emprego para me dedicar à minha empresa e a trabalhos relacionados, eu voltei a pensar com carinho na minha carreira – na trilha que vinha seguindo. O que eu queria para o futuro, afinal? Por que tomei a decisão de empreender? E foi quando eu concluí que realmente gostaria de fazer um mestrado em algum momento.

Eu comecei a dar aulas mais ou menos em 2012. Comecei com palestras, depois em sala de aula mesmo, em cursos. E essa experiência me mostrou que eu queria continuar fazendo aquilo . Porém, em 2014, quando eu estava totalmente dedicada a construir o meu novo trabalho, não era o momento. Então ingressar em um mestrado entrou no meu campo de visão – algo para dali a 3 ou 5 anos. Parecia super distante na época, mas eu aproveitaria esse tempo para me entender melhor e descobrir que tema eu gostaria de pesquisar quando finalmente entrasse nele.

Ter dado esse tempo foi fundamental, porque a vida vai acontecendo enquanto a gente faz planos. Quando comecei a tirar as certificações do GTD (a primeira em 2015), eu coloquei como objetivo de médio prazo também concluir todas essas certificações (7 no total – estou na quinta). E me dei como “prazo interno” que, ao concluir essa “era das certificações” do GTD, eu iniciaria o meu mestrado. Pensei nisso como a conclusão de um ciclo antes de iniciar o outro.

No final de 2016, já comentei aqui um montão de vezes sobre um acontecimento que passei em minha vida pessoal e profissional que tinha tudo para me tirar dos eixos, mas hoje sei que foi, como o Napoleon Hill escreveu, “apenas uma derrota temporária”. Porque aquele acontecimento me fez ver que, apesar de eu amar o que eu faço e estar investindo em uma empresa que ainda tem muito a crescer, eu sentia falta de algumas coisas. E uma dessas coisas era estudar, pesquisar, participar de aulas, e sentir que estava evoluindo na minha carreira. Quando refleti mais sobre isso, senti que o que eu realmente queria naquele momento (e já me sentia relativamente preparada para) era ingressar na vida acadêmica, no mestrado.

Me dei então um ano para ler muita coisa, estudar, e encontrar qual seria o “meu tema”, que eu gostaria de pesquisar. Isso foi muito acertado. Aproveitei para conversar com pessoas que já tinham passado por essa experiência, assistir workshops em universidades, entender os programas e os processos de seleção. Eu pretendo falar mais sobre essa preparação em outros posts muito em breve.

Só sei que, quando cheguei ao final de 2017, eu já estava tão empolgada com o “meu tema”, que só de imaginar que eu iniciaria o mestrado no começo de 2019 (apenas depois da última certificação no final de 2018), fiquei um pouco melancólica. Então decidi arriscar e prestar o processo seletivo antes, até mesmo para conhecê-lo melhor. A ideia era conhecer a prova, saber como era feita a entrevista. Mas eu fui aprovada. <3 No fundo eu queria mesmo. Eu fiquei tão feliz que nem passou pela minha cabeça esperar mais um ano. Imediatamente comecei a fazer planos para a minha vida como um todo.

Então meu planejamento atual para a minha carreira acadêmica está mais ou menos assim:

  • Em 2018 e 2019, quero aproveitar o meu mestrado. Assistir todas as aulas significativas, estudar, pesquisar, ler muito, participar de eventos. Me dedicar à escrita da dissertação.
  • Em 2019, pretendo efetivamente começar a dar aulas, nem que seja apenas para ganhar experiência como professora convidada. Ainda não sei como funciona, de verdade. Não sei se existem universidades que pegam professores antes da conclusão do mestrado. Isso eu vou deixar para mais adiante. Se eu puder fazer isso apenas depois de formada, movo a ideia para 2020.
  • Eu já penso no doutorado. Gostaria de fazê-lo fora do país – ou o doutorado ou o pós doutorado. Gostaria de conciliar esse período de pesquisa com a época em que o próprio Paul (nosso filho) entrasse na faculdade porque, se ele quiser estudar fora, podemos ir juntos. Além do que, morar um tempo fora é algo que quero fazer, mas não consigo pensar nessa possibilidade por enquanto, pois há outras coisas em jogo por aqui.
  • Então, em termos de linha do tempo, se eu concluir meu mestrado com 38 anos, eu imagino que tudo isso aconteceria apenas alguns anos depois (o Paul terá apenas 9). E eu teria esse período depois do mestrado para pegar experiência como professora e desenvolver outros artigos na minha área. Estou muito empolgada com o tema! Quero fazer palestras, escrever livros, me envolver mais ativamente como pesquisadora já com a dissertação publicada.
  • Paul só terá 18 anos em 2028 (daqui a 10 anos!). Então eu terei, sinceramente, uns oito anos depois do mestrado para me dedicar como quiser. Me parece fazer sentido fazer o doutorado aqui no Brasil mesmo, nessa época (o doutorado dura de quatro a seis anos). Eu já tenho em mente o tema que gostaria de pesquisar, mas sei que tenho muitos anos para mudar, porque vou aprender bastante coisa nesse meio tempo.
  • Se o Paul quiser estudar fora do Brasil, eu posso me planejar para fazer o pós-doc lá fora. Isso seria o ideal. Mas eu não mando nele, e se ele quiser ficar no Brasil, vou respeitar. Ele já será (em teoria) adulto também. Lá na frente eu me preocupo com isso. 🙂 O que EU posso planejar, que é a minha carreira, tem já uma coisa delineada, que só será ajustada com o passar do tempo.
  • Eu me vejo sim, lá na frente, me aposentando dando aulas. E quando falo “me aposentando” não significa que penso em parar de trabalhar (não consigo me imaginar), mas porque nunca sabemos o dia de amanhã. Porém, posso prever e planejar algumas coisas, e atuar em livre docência lá bem velhinha faz sentido para mim.

Todo essa reflexão foi importante para eu colocar a minha carreira em uma perspectiva de longo prazo. Que tipo de pesquisa quero trabalhar nas próximas décadas? Que contribuição quero trazer para o meio acadêmico brasileiro? O que já foi publicado? Quais são os nomes expoentes? Qual a linha do tempo dessas pessoas também, dentro do tema que vou me especializar cada vez mais? Como posso tirar proveito de cada evento que vou participar AGORA? Que livros posso ler que sejam coerentes com essa pesquisa? Etc. Então pensar no futuro impacta totalmente em como eu me sinto hoje.

E aí olha só, vamos lá: eu tenho quatro grandes áreas de foco profissional na minha vida atualmente, e meu propósito maior é fazer com que todas elas conversem de alguma maneira – o que está efetivamente em movimento. São elas:

  • O Vida Organizada e todas suas extensões, o que inclui o Casa Organizada e o trabalho que faço no mercado de organização de maneira geral, especialmente com conteúdo e o programa educacional.
  • O meu trabalho como Master Trainer de GTD, que é esse cuidado e essa responsabilidade com o legado do David Allen, além da minha parceria querida com a Call Daniel no Brasil e tudo o que diz respeito ao mercado de produtividade, tendências e pesquisas.
  • A administração da minha empresa como um todo, que inclui o direcionamento estratégico, os empreendimentos, as parcerias, o desenvolvimento de novos cursos, organização de eventos, entre outras coisas. Aqui entra a Thais empreendedora, que precisa ter a mente próspera para custear todos os empreendimentos que ela vai querer fazer ainda, o que inclui esse tempo para pesquisas!
  • A minha vida acadêmica, que começa a sério a partir de agora, com o investimento no mestrado, mas que tem uma linha coerente que vem desde a minha graduação, o que acho ótimo porque diz quem eu sou.

Para cada uma dessas áreas eu tenho um plano desenhado a longo prazo e, afinal de contas, todas elas conversam entre si. Essa coerência é muito importante para mim e algo que sempre busco. O próprio fato de eu entender que meu trabalho está na escrita e na sala de aula traça uma linha coerente entre todas as coisas que eu faço hoje profissionalmente, e também me ajuda a definir o foco que quero dar na minha vida daqui em diante.

Olhando um pouco à frente, eu consigo certamente ter meu foco claro para os próximos dois anos, que será:

  • Consolidar profissionalmente todos os conteúdos que eu produzo. Tenho MUITA coisa já feita. Está na hora de pegar, refinar, trabalhar outros formatos, trazer mais unidade a todos os canais que eu trabalho. Trabalhar melhor minha narrativa em cada um dos temas. Claro que tenho metas ousadas, como alcançar 100 mil inscritos no canal no YouTube e outras assim, mas não são metas que “me cobro” – são metas que uso como estímulo mesmo para correr diariamente atrás das coisas. Acho que o verbo que melhor se aplica aqui seria refinar.
  • Tenho um novo livro que será lançado no segundo semestre deste ano e, sempre que um novo livro é lançado, existe uma série de eventos que decorrem desse lançamento, como realizar palestras, desenvolver cursos e dar uma atenção maior mesmo ao tema escolhido para ele. Como será um livro sobre trabalho, isso conversará com o próprio tema do meu mestrado também. O verbo aqui seria alinhar.
  • Quero me aprimorar como professora, não apenas em termos de conteúdo, pesquisas e performance pessoal (oratória, gestualização etc), mas também ao desenvolver cursos, programas, materiais, investir em equipamento profissional, edição, plataformas EAD. Tudo isso vai me ajudar não apenas profissionalmente agora como também é uma bagagem incrível para quando eu iniciar minha docência em universidades. Certamente, o verbo que mais se encaixa aqui nesse momento é profissionalizar.
  • Me dedicar ao mestrado, à minha pesquisa, a esse mundo acadêmico enorme e cheio de nuances. Conhecer pessoas, estudar, ler muito que já foi publicado e que converse com o que vou tratar, que é a midiatização das relações de trabalho. Meu tema pega aquilo que sempre foi a minha especialidade (mídias digitais e cibercultura) e “linka” com o que eu faço hoje (cultura do trabalho). No doutorado, eu acredito que eu vá mais para o campo das ciências sociais, dando continuidade a esse trabalho. O verbo aqui é explorar.

E sim, já tenho algumas coisas em vista para depois desse período, como voltar a estudar italiano (terceiro idioma necessário para o doutorado). Quando eu falei lá atrás, em 2014, para algumas pessoas, que eu não via sentido em estudar espanhol (porque não gostava) e que queria estudar italiano, muitas pessoas me disseram que “italiano não teria utilidade”. Isso não soa um pouco absurdo de se falar para alguém? Mas fala-se muito. Vamos tentar parar! A gente tem que fazer o que a gente gosta, porque o que a gente gosta é quem a gente é. (O mais interessante é que o autor que eu pretendo me especializar no doutorado é italiano. rs)

Ter essa noção, esse diagrama, essa linha do tempo pensada, me ajudar a tomar decisões e a priorizar como devo investir o meu tempo agora. E esse tipo de reflexão me ajuda demais a trazer a organização para o dia a dia, porque fica mais fácil de fazer escolhas.

Como eu falei, não se trata de engessar a vida, porque o caminho pode ser mudado a qualquer momento, se eu quiser. Mas a pessoa que eu sou hoje saúda a pessoa que eu quero ser amanhã, e o encontro delas me ajuda a tomar melhores decisões no agora.

Boa segunda, baby. <3 Melhor dia da semana.

72 comentários

  1. Esse teu texto me trouxe muita clareza, Thaís. Obrigada por partilhá-lo conosco.
    Estou num ano de organização, definições e alinhamento de planos e projetos de vida. Seus livros já me ajudaram muito e seu blog é fantástico.

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