Categoria(s) do post: Áreas da Vida

Já falei sobre a minha missão pessoal muitas vezes aqui no blog, que é inspirar as pessoas a se organizarem para que consigam transformar seus sonhos em objetivos, sendo mais felizes. É uma missão que, apesar de estar sempre em construção (as palavras que uso), nunca muda sua essência. Não foi fácil ou rápido descobrir qual é, mas me pedem para falar sobre como descobrir, então aqui vão minhas considerações sobre o assunto. Achei pertinente falar sobre isso em dezembro, o último mês do ano, que sempre nos faz repensar a nossa vida (levante a mão quem não faz isso!).

A primeira coisa a dizer é que não é um processo rápido, mas também não precisa demorar tanto. Depende muito de cada um. Tem gente que com 8 anos já sabe que quer ser médica quando crescer, ou cantora, ou professora. Eu sempre tive muitos interesses na vida, então talvez, por conta disso, eu tenha ficado um pouco perdida no mar de possibilidades. A questão de gostar de ajudar os outros veio com o tempo, porque não era algo que eu tinha como foco quando era mais nova. Lá no fundo, eu já tinha os meus valores, mas não tinha aprendido a externar isso de modo que esses valores norteassem quem eu queria ser e o que eu queria fazer. Fica aqui então a primeira dica, que é conhecer os seus valores. O que é importante para você? O que faz parte do seu caráter? O que você jamais aceitaria fazer? (Às vezes pode ser mais fácil a gente saber o que nunca faria do que o que a gente gostaria de fazer).

Eu fui descobrir isso aos poucos, talvez quando comecei a me envolver mais com a minha religião (Budismo), mas também veio do interesse que eu sempre tive por dar aulas (eu era aquela criança que adorava brincar de escolinha – sendo a professora e passando lição!). Fica a segunda dica, que é olhar para trás e analisar o que você sempre gostou de fazer, desde a infância. Mas aqui é um pouco mais complicado, porque não é pelo fato de você tocar piano com 12 anos de idade que vai ser pianista, por exemplo. Mas isso pode querer dizer que você gosta de metodologias, disciplina, esforço e exercer a criatividade.

Imagem: Life Hack
Imagem: Life Hack

Para ir além, você deve se perguntar: qual é a razão da minha existência? Por que eu estou aqui no Planeta Terra, nesta vida? O que eu nasci para fazer? Se a resposta vier de bate-pronto (muitas vezes vem!), você muito provavelmente já terá a sua missão pessoal. Se você não souber, vale a pena pensar sobre o assunto e ir observando o que você tem de valores e o que gosta de fazer. Pode te dar pistas. Sua missão “é a união de seus papéis, de seus corpos, de seus sonhos, crenças e valores” (Christian Barbosa, “A tríade do tempo”). E continua: “Uma declaração de missão descreve o que você é e a forma como você contribui com o mundo. (…) É o verdadeiro sentido da sua vida”.

Você pode começar assim:

[list]”Eu acredito que…”

“Fico feliz quando posso…”

“Dou meu melhor quando…”

“Eu nasci para…”

“Estou aqui para…”[/list]

A ideia da missão é você tê-la sempre com você e reler para se inspirar e tomar decisões no dia a dia. Você verá como se tornará mais fácil decidir o que vai ou não fazer. Se não estiver de acordo com a sua missão pessoal, você terá respaldo para dizer “não”, e não ficará com a consciência pesada por conta disso.

É importante saber que missão não é a mesma coisa que objetivo. Missão é seu testamento pessoal, o seu motivo de viver, o que te faz levantar todos os dias de manhã e fazer o que você faz – ou correr atrás dos seus sonhos, estes sim seus objetivos. Sua missão deve ser inspiradora, motivadora, além de abranger todas as áreas da sua vida, e não somente a profissional ou a pessoal, por exemplo. Você deve conseguir aplicar sua missão a absolutamente tudo o que você faz na sua vida. Deve guiar os seus passos. Por isso, ela também deve ser atemporal – ou seja, não deve ser aplicada a algo que, depois, não fará mais sentido. Exemplo: “ser um bom estudante na faculdade”. Sua faculdade vai acabar um dia.

Mais uma vez, quero dizer que não é fácil encontrar sua missão pessoal, apesar de algumas pessoas já a terem em vista. Vale a pena tirar um tempinho e refletir um pouco sobre quem você é, quais seus valores, quais suas principais qualidades e dons. Também é necessário entender o que é importante na sua vida – ter uma família, ter estabilidade financeira, ser independente? Todas essas escolhas podem pautar a sua missão. Pense no que você mais admira em determinadas pessoas – também são qualidades a ser exploradas na sua missão pessoal. Você também pode pensar o seguinte: se você pudesse ser um super-herói para o planeta, qual seria a sua super-missão? Para que você trabalharia todos os dias, incansavelmente? E, por fim, minha preferida: se você morresse hoje, qual seria seu legado para o mundo? O que você gostaria de deixar de herança por tudo o que você fez? O que faria diferença?

As perguntas acima podem ajudar você a ter um norte e encontrar sua missão pessoal. E, uma vez encontrada, você passará a ver como muitas coisas farão mais sentido (outras, menos) e as decisões ficarão mais fáceis na sua vida. Sabe aquela sensação de dúvida, de não saber por que caminho seguir? Ter uma missão pessoal é a garantia de que você não passará mais por isso, pois ela será sua base para a resposta. No final das contas, nem toda pessoa é pianista, mas todas são artistas. Viver é uma arte que está em eterna construção.

Imagem: Facie Populi
Imagem: Facie Populi

Boa sorte, bom dezembro e feliz 2015, que está chegando. 🙂

Obrigada por tudo, pessoal.