Categoria(s) do post: Casa, Áreas da Vida

Sempre fui uma pessoa muito orgulhosa de fazer minhas próprias coisas. Não preciso de um marceneiro, porque gosto de mexer com madeira e pregos. Não preciso comprar pronto, pois sei fazer. Não preciso de uma faxineira, porque gosto de limpar a casa. Não preciso pagar uma costureira para fazer a barra da minha calça nova, pois eu mesmo farei isso um dia. Entre tantas outras atividades.

Fazer tudo o que puder em casa é maravilhoso porque, além de desenvolver nossas habilidades, também é uma distração, sem falar na economia (afinal, deixamos de gastar nosso dinheiro). Só que às vezes pode chegar um momento em que a gente começa a surtar um pouco com a quantidade de coisas que têm para fazer. Se esse momento chegar, eu aconselho que você aprenda a delegar.

Delegar é passar a responsabilidade daquilo para outra pessoa, seja pessoal ou profissionalmente.

Uma maneira de saber se vale a pena delegar atividades é calcular quanto vale a sua hora. Se você ganha R$20 por hora e trabalha oito horas por dia, isso equivale a R$160 por dia. Se você passa seu sábado inteiro fazendo faxina e isso está impactando outras atividades suas que são mais prioridade, você pode considerar contratar uma diarista por R$100 e ainda terá “economizado” R$60 seus. Esse é um exemplo pífio, mas que deixa claro o conselho.

Outro dia, um colega passou praticamente o dia inteiro resolvendo um problema com seu banco ao telefone. Perguntei se outra pessoa não poderia fazer aquilo para ele, e ele disse que “ninguém ia querer”. Eu respondi: “claro, de graça não, mas você tentou pagar alguém?”. Ele ficou surpreso com a sugestão e me disse que não tinha dinheiro para pagar. Eu disse: “oras, se você ganha R$200 por dia de trabalho, na verdade você perdeu esse dinheiro, já que passou o dia todo ao telefone. Se tivesse pago R$50 para alguém resolver esse problema para você, você ajudaria outra pessoa e teria um dia produtivo, sem se estressar com um problema pequeno”. Ele me disse que nunca havia pensado nisso antes. A gente não pensa mesmo.

É legal fazer tudo a gente. De verdade. Eu também sempre fui dessas. Mas chega um momento na vida de alguns de nós que algumas atividades deixam de se tornar prazerosas para se tornarem grandes estorvos. E que a gente percebe que não dá pra gente cuidar de tudo o que gostaria e da maneira que gostaria. Por isso algumas pessoas contratam empregadas domésticas, secretárias, assistentes, administradoras e outras pessoas responsáveis por serviços específicos. Delegar faz parte da vida. O que não pode é a gente deixar de cuidar de assuntos realmente importantes porque tem que cuidar de algo trivial, que outra pessoa poderia estar fazendo. Sempre que for o caso, pode valer a pena delegar.

Uma leitora outro dia me escreveu dizendo que tem dois empregos e não consegue encontrar tempo para limpar a casa e ficar com os filhos. Eu disse a ela que, se o segundo emprego compensava, ela deveria ao menos investir em uma faxineira dentro de suas possibilidades. Ela disse que não gostava dessa ideia. Perguntei se ela preferia contratar uma babá, então. Ela disse: “jamais”. “Então você já fez sua escolha”, eu disse. “Se você não pode delegar o cuidado com os seus filhos, você precisa delegar a limpeza pesada da sua casa. Ou então simplesmente fazer as duas tarefas de forma bem mais ou menos e aceitar o cansaço”.

Delegar tarefas e atividades é uma coisa boa. A gente pode não gostar de fazer isso porque se sente incompetente (“vão dizer que eu sou uma péssima dona de casa ou uma péssima profissional”) ou porque acha um gasto desnecessário (faça as contas), mas delegar é uma forma de começar a empreender. Se você tem essa ideia profissional, pode ser um bom começo. Veja as pessoas para as quais você delega atribuições como pessoas que você está contratando. Se você fosse presidente de uma grande empresa cujo nome é SEU NOME, você realmente pensa que você cuidaria de tudo? Não, então encare como uma decisão normal. Não se cobre. Delegue e abra espaço na sua vida para o que realmente importa – nem que sejam mais horas de lazer e descanso. Às vezes, isso é tão importante quanto todo o resto.