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Imagem oficial do filme
Imagem oficial do filme

No último mês, tive o prazer de assistir DUAS vezes o filme “Amor sem escalas”, ou Up in the air (2009), em inglês, estrelado pelo George Clooney. Assisti uma vez no Netflix, aí gostei tanto que assisti novamente com o meu marido, que também adorou. E resolvi falar um pouco sobre ele no blog porque tem várias dicas de organização para quem viaja bastante, especialmente a trabalho.

Ryan (George Clooney) é um cara que trabalha em uma empresa especialista em mandar pessoas embora. As empresas contratam seus serviços para ele ir até lá, conversar com o pessoal que está na lista dos que serão dispensados e oferecer orientações para quando saírem da empresa. Com a crise nos Estados Unidos, é um nicho que fatura alto e, por isso, Ryan viaja para lá e para cá de avião, o que faz com que ele passe cerca de 40 dias apenas em sua casa – um quarto e cozinha alugado na cidade de Omaha.

Além do seu emprego convencional, Ryan encontra tempo em sua agenda para fazer palestras sobre desapego, com o título: “O que tem na sua mochila?”. Ao começar a palestra, ele pede aos ouvintes que imaginem sua mochila vazia para, aos poucos, irem enchendo-a com as coisas que têm em casa, livros, móveis, e depois pessoas. Com o peso dessa mochila, ele desafia as pessoas a andarem. Todos riem. Então ele sugere que todos larguem a mochila e simplesmente caminhem.

Ryan adota esse estilo de vida desapegado porque se identifica muito com ele. Ele curte demais estar voando o tempo todo, é o “seu” lugar. Ele não tem vínculos e, mesmo para familiares, é como se ele não existisse. Tanto que ele recebe o convite de casamento de sua irmã mais nova e não liga muito. Quando sua outra irmã mais velha pede a ele que faça um pequeno favor, ele faz com pouca vontade, mas faz. Ele tenta se esforçar, mas no fundo não sente que o vínculo familiar seja algo importante.

O título do filme em português não é muito bom, porque o filme não é um romance. Apesar disso, em uma de suas viagens, Ryan conhece Alex (Vera Farmiga), outra executiva que viaja tanto (ou quase) quanto ele, e eles vivem um lance casual. Não vou contar mais para não estragar a história, mas é muito interessante ver como seus relacionamentos se desenvolvem – com ela, com sua colega de trabalho, com sua família. E, em um determinado momento, tanta coisa acontece que, quando ele vai dar sua palestra novamente em uma cidade qualquer, ele simplesmente abandona o local e vai embora. O que acontece depois eu não vou contar; precisa ver o filme. Mas é tocante, e nada clichê. Eu estou cada vez mais fã do George Clooney.

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Imagem oficial do filme

Mas o que nós, organizetes de plantão, mais vamos gostar no filme, são definitivamente as dicas do Ryan para viajar bem! Veja algumas delas:

  • Leve somente o necessário! Nada de travesseirinhos de pescoço, roupas que talvez use e outros objetos que apenas ocupam espaço.
  • Use apenas uma mala de bordo, pequena, para nunca precisar despachar bagagem. Se você viaja muito, pode economizar até sete dias por ano somente se deixar de despachar sua bagagem toda vez que for viajar.
  • Invista em uma boa mala, para ela aguentar o tranco.
  • Use a mínima quantidade de itens na hora de passar no detector de metais. Seja ágil com cintos, sapatos e relógios.
  • Identifique nas filas aqueles passageiros que farão a fila demorar mais: pais que precisarão fechar carrinhos de bebê, idosos, entre outros estereótipos meio preconceituosos que ele fala no filme.
  • Não compre nada se não resultar em milhas. Ou porque você quer alcançar um número X, ou porque quer chegar no aeroporto, escolher um lugar e simplesmente ir.

O estilo de vida do Ryan é tão impressionante que, quando ele chega em seu apartamento em Omaha, ele apenas tira suas três camisas (já lavadas e passadas no hotel) de dentro da mala e as pendura no guarda-roupa. Ele tem apenas isso de camisas. No livro Walden, Thoreau diz que feliz é o homem que consegue sair de casa levando todos os seus pertences em um carrinho de mão. Ryan definitivamente é um deles.

Se é um estilo de vida bacana, só quem vive pode saber. Uma vez uma amiga comentou comigo, naquela época em que eu estava desapegando geral, há uns cinco anos, que eu estava atraindo uma energia de desapego muito forte à minha vida, que poderia se refletir até nos relacionamentos. Nada mais perto da verdade! Portanto, depois de viver os dois lados, hoje eu procuro seguir o caminho do meio, que tem me feito bem.

A escolha do Ryan? Somente vendo o filme para saber. =)