Categoria(s) do post: Casa, Áreas da Vida
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Meu filho sendo lindo #mãecoruja

Meu filho recém completou três anos de idade, e acho que agora é um bom momento para fazer uma nova reflexão sobre a sempre tão discutida questão: maternidade X carreira.

Vou tentar não divagar muito aqui, ok? Minha impressão atual não mudou tanto assim desde quando voltei a trabalhar fora. Toda mãe que trabalha fora de casa sente um aperto no peito enorme por não estar com o filho, isso é certo. No meu caso, trabalho por necessidade. Se não fosse por isso, trabalharia somente com o blog, por exemplo, e teria uma rotina muito mais flexível. Ele continuaria frequentando a escola durante meio período, que considero suficiente, e eu me organizaria para fazer tudo o que preciso fazer com maior concentração enquanto ele está fora ou depois que ele dorme. Já é um período bastante bom para dar conta de tudo. No resto do tempo, faria atividades em casa junto com ele, iríamos passear e brincar muito. Dou um suspiro mais comprido só de pensar.

Infelizmente, essa não é a realidade, e acredito que não seja a realidade de muitas mães que trabalham fora. Também gostaria de defender aqui as mães que não precisam, mas trabalham fora mesmo assim. Apesar de não ser uma escolha que eu faria, defendo até o fim o direito dessas mães de fazê-lo. Eu achei que a Marissa Mayer (presidente do Yahoo) pagaria a língua falando todas aquelas coisas antes de o filho dela nascer, mas ela não só as cumpriu como continua seguindo o mesmo modelo de antes de ser mãe. Se ela está certa ou errada, ninguém tem sequer o direito de julgar. Uma coisa que eu aprendi com a maternidade é que os problemas de cada mãe são extremamente particulares, assim como as suas motivações. E palpite de gente de fora é tudo o que mais tem e tudo o que uma mãe menos precisa.

Depois que eu li o livro Não sei como ela consegue, identifiquei alguns pontos que podem ser comuns às mães que trabalham fora porque gostam do emprego, como o fato de simplesmente querer continuar investindo na carreira que deram duro até então, por satisfação pessoal, para se distrair, para conversar com outras pessoas que não sobre filhos, para sentirem que têm uma vida. E a grande verdade é que homens são pais e trabalham desde sempre, e não deveríamos ter qualquer tipo de cobrança sobre mulheres que fazem essa escolha. É a mesma coisa. E não me digam que não é porque já superamos isso.

Aqui em casa, nossa dinâmica é a seguinte: eu trabalho e sustento a família, meu marido cuida da casa e do nosso filho em conjunto comigo (mas ele faz MUITO mais do que eu). Não é por ser homem ou por ser mulher, mas porque fizemos um acordo dessa forma. Eu tenho um trabalho que me paga o suficiente para permití-lo ficar em casa e cuidar do nosso filho com mais atenção do que deixá-lo o dia inteiro na escolinha, que é algo que nós não gostamos. Ele é autônomo (músico), tem sua profissão, mas quem tem o salário fixo sou eu. Mas minha gente, o que eu já ouvi de comentário maldoso por causa disso não está escrito. Pessoas próximas, amigos mais chegados, já falaram para mim que “homem nenhum aguenta isso durante muito tempo” ou “o homem precisa se sentir no comando senão o casamento vai por água abaixo”. E poxa vida, para nós tem dado certo já há muito tempo. Entendo que para algumas pessoas o formato possa não funcionar, mas não vemos nada de extraordinário na nossa situação. Funciona para nós. E sinceramente? Ainda bem. Fico imaginando como seria se meu marido não pensasse da mesma forma que eu. Acho que sequer teríamos ficado juntos…

Conciliar minha vida profissional com a minha família fica justamente mais “fácil” porque existe um trabalho feito em time aqui. Se meu marido não colaborasse, eu estaria totalmente estressada cuidando de tudo, sem poder me dedicar ao blog ou aos meus estudos, por exemplo, que são as coisas que eu mais gosto de fazer.

Hoje eu tenho meu emprego fixo, das 8 às 17, e diversas outras atividades paralelas. Todo o tempo disponível que tenho para ficar com o meu filho, no entanto, eu fico. Sei que é pouco tempo, mas é um tempo de qualidade. Procuro ser a melhor mãe possível dentro de todas as condições que nós vivemos, e é claro que isso não é fácil. Nem sempre eu tenho pique para levantar em um domingo cedo e levá-lo ao parquinho, por exemplo, mas são coisas que eu faço porque sei que, para ele, são importantes. E quero estar com ele nesses momentos. Gosto de dar o jantar para ele, ler um livro, conversar sobre a escolinha, fazer cócegas, brincar de pega-pega, agarrar muito! Tudo isso faz parte do nosso dia a dia, independente da quantidade de tempo que temos.

Acho que, no final das contas, o que mais influencia realmente é o cansaço. Além disso, compromissos que preciso cumprir. Muitas vezes eu preciso trabalhar um pouco aos finais de semana, por exemplo, e não tenho como esperar a hora de ele ir dormir. Então tento compensar ficando todo o resto do tempo com ele, passeando em algum lugar muito legal, enfim, criando lembranças.

Se eu pudesse, hoje, eu largaria sim meu trabalho para ficar com ele. Adoro trabalhar, mas amo meu filho mais. Se eu tivesse a possibilidade, certamente o faria. Isso não significaria deixar de trabalhar, porque sempre terei mil projetinhos e ideias para desenvolver, mas me refiro ao emprego fixo, de segunda a sexta, aquela coisa. Porém, não acho que isso seja o modelo ideal de nenhuma mãe não. Existem mães que simplesmente não se imaginam sem trabalhar. Outro dia comecei a reassistir Desperate Housewives desde o começo (e já tenho um post em mente sobre isso) e vi uma cena em que a Lynette (minha personagem preferida da série) reencontra uma ex-colega de trabalho que diz: “todos na empresa falam que, se você não tivesse saído para cuidar dos filhos, agora seria presidente”. Puxa vida, e isso foi um baque nela né? Mas foi uma escolha que ela fez, e seguiu em frente. Mas pode ter certeza que, se a pessoa curtia a sua vida profissional, aquele comentário vai ficar martelando na cabeça até o ponto em que ela não aguentará mais e explodirá. E isso nunca é legal para ninguém. Esse sentimento, essa vontade, nunca devem ser ignorados.

Lynette Scavo, Desperate Housewives
Lynette Scavo, Desperate Housewives

Acho que uma das maiores evoluções para a mulher hoje em dia é realmente o poder de escolha. Julgamentos ainda existem, infelizmente, mas a mulher hoje pode ser mais confiante e simplesmente ignorar todo mundo e fazer o que quiser. Essa é uma diferença cultural enorme no ocidente, pelo menos em grande parte dos países, dentre os quais o Brasil se inclui. A mulher pode ser julgada mas, se ela ignorar e for determinada, nada a abalará. Por viver nessa época, eu fico contente.

Quando escuto as pessoas falando sobre conciliar maternidade com carreira, fico me perguntando se isso realmente existe. Não consigo imaginar uma mãe (e um pai…) trabalhando fora e simplesmente desligando o botãozinho “filho” da cabeça assim que entra no ambiente de trabalho. Reuniões escolares acontecem, consultas médicas também, emergências idem. As empresas precisam analisar essa questão com mais carinho para entender que, da mesma forma que um profissional pode levar um relatório para estudar em casa, ele pode usar o horário comercial para conversar com o filho ao telefone ou assistir a apresentação de um seminário muito importante na sua escola. Isso é qualidade de vida. As empresas que não identificarem isso e implementarem algo semelhante no seu sistema de gestão de recursos humanos estará fatalmente fadada a criar uma mutirão de profissionais insatisfeitos e quiçá deprimidos, que cedo ou tarde deixarão a empresa por uma oportunidade melhor. Já vemos acontecendo – quantas pessoas não largam seus empregos para ganhar menos, mas vivendo de forma mais flexível? Eu conheço um monte.

Conciliar maternidade/paternidade com carreira é um esforço de todos nós e precisamos lutar por essa qualidade de vida que tanto desejamos. Isso não significa deixar de ser um excelente profissional, muito menos de ser o melhor pai ou mãe possível – significa simplesmente entender que o mundo mudou, os papéis se dividiram e hoje somos um pouquinho mais conscientes do que antes. Todos estão ocupados – pais, mães e filhos. Ficar se culpando não levará a lugar nenhum – que tal começarmos a pensar em soluções?