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Confesso que já tive vontade de ser minimalista ao extremo, mas eu não sou assim. Gosto de objetos. Tenho as minhas tralhas e objetos acumulados também. Livros, por exemplo, tenho muitos e sempre vou ter. As pessoas costumam me dizer que lemos os livros e depois eles empoeiram na estante, mas isso não acontece comigo. Não entendo o conceito, pois estou sempre relendo meus livros. Costumo comprar somente os exemplares que realmente quero ter, como se estivesse formando um legado intelectual. Livros que quero ler, mas não pretendo manter, baixo em e-books, pego emprestado, alugo na biblioteca. Mas os livros são a minha exceção. Com o restante das coisas, tenho uma relação bem minimalista.

O que eu aprendi sobre o minimalismo é que ele significa focar no mínimo necessário para a minha vida, para cada pessoa, e não uma regra geral que dite que “minimalismo é ter uma casa vazia” ou “minimalismo é ter somente 100 objetos em casa”.

Assim, quando mudamos para o nosso novo apartamento (em dezembro), eu fui bastante criteriosa nas compras e, hoje, penso até que comprei coisas demais. Já doei um balde, por exemplo, pois não o usei durante seis meses e achei besteira mantê-lo. Potes de cozinha, acabei comprando mais, porque subestimei e comprei poucos. Jogo de prato, temos um para uso diário e outro mais bonitinho, que usamos raramente, quando queremos fazer um agrado. Mas o jogo básico bastaria, certamente. Copos, usamos dois. Nosso filho acabou ganhando um monte com desenhos da Galinha Pintadinha, Carros etc. Tenho cerca de quatro copos que não usamos muito e eu só não doo para deixar de reserva caso tenhamos visitas etc, mas nunca temos (moramos em uma cidade diferente da nossa família e amigos).

Toalhas, acho que tenho muitas. Tenho cerca de quatro toalhas para mim, três para o meu marido, duas para cabelo (uso duas toalhas) e umas oito toalhas de rosto, que distribuímos em dois banheiros. Aqueles tapetinhos de piso, temos quatro (dois para cada banheiro). Funcionam bem porque, quando um está lavando, o outro está em uso.

Quando penso em comprar alguma coisa para a nossa casa, fico me perguntando se vale a pena levar mais uma coisa para dentro. Onde vou guardar? Não vai dar trabalho para limpar? Vale a pena? Não é melhor guardar o dinheiro?

E o engraçado é que eu não penso assim para uma série de outras coisas, desde que eu esteja realmente precisando.

Há alguns meses, resolvi comprar mais um par de travesseiros para a nossa cama e um par daquelas fronhas mais bonitonas, para enfeitar mesmo. Uma das fronhas ficou defeituosa após a primeira lavagem e eu acabei não usando mais. Os travesseiros, no entanto, foram uma boa aquisição – descobri que durmo melhor com dois travesseiros que somente com um. E por aí vai.

Nossa despensa, até mesmo pelo fato de a área de serviço e a cozinha serem pequenas, tem somente o necessário. Fazemos as compras semanalmente e mantemos pouco estoque, justamente por não termos lugar para guardar tudo. E, mesmo se tivesse, não sei se eu teria uma despensa cheia de coisas… tenho um pouco de pavor de traças e qualquer outro tipo de bichinhos que possam vir a se alojar por ali.

Quando vejo uma casa extremamente minimalista eu não me identifico, mas entendo. De fato, se pararmos para pensar, não precisamos de 90% do que temos. Mas a gente não quer só comida – a gente quer comida, diversão e arte, já diziam os Titãs. Os objetos fazem parte de quem somos e nos ajudam a construir a nossa história.

Por isso, quando eu falo aqui em destralhar a casa, significa dar valor a esses objetos importantes. Porque, quando guardamos tralha, não conseguimos valorizar o que temos e que gostamos de verdade. E nem estou falando de relacionamentos! Estou falando de objetos mesmo. Daquele colar que a sua avó te deu de presente quando você tinha seis anos de idade e que está misturado com outros colares inutilizados que você comprou e raramente usou. Do quadro que a sua namorada te trouxe de presente de uma viagem que ela fez para Barcelona e você deixou encostado ao lado da estante. Entre tantos outros exemplos.

A tendência a acumular faz parte do ser humano e da necessidade de proteção contra “o inverno que está por vir” – guardar as provisões para nunca faltar. Mas hoje vivemos em um tempo diferente, onde os lares são menores e o volume de objetos aumentou consideravelmente. Se não tivermos um critério, a casa fatalmente ficará bagunçada e cheia de coisas. Precisamos tomar o controle da situação!

E como fazer isso? Oras, descobrindo o que é essencial para você. Eu posso dizer aqui que tenho só quatro pratos em casa mas, se você adora receber seus amigos, é óbvio que isso não se aplica a você. Mas você pode ter meia dúzia de livros e achar um absurdo uma pessoa ter mais de 500 ocupando espaço em casa, e é assim que as coisas são! Cada pessoa tem as suas necessidades, as suas vontades, os seus apegos, até. O que eu partilho aqui no blog é a minha visão, então talvez às vezes isso soe como uma verdade, mesmo eu não tendo essa pretensão. Entendo o ponto de vista. Mas eu acho importante sempre a gente se lembrar disso quando ler alguma matéria ou algum livro sobre o assunto, porque corremos o risco de perder a nossa própria identidade.

Não é porque eu gosto do Thoreau que vou largar tudo para viver à beira de uma cabana (já tive vontade também, confesso..). Mas eu pude ler o relato da sua experiência e isso faz parte da minha, de alguma forma. O que eu vou aprendendo, eu vou adaptando ao meu dia-a-dia, à nossa família.

Meu marido também é muito minimalista sem saber. Às vezes eu vejo uma lamparina vermelha e falo: “ai, olha que gracinha!”, e ele diz: “pra que?”. Claro que nem tudo precisa ter uma função, uma utilidade. Podemos ter muitos objetos que sejam somente decorativos ou que estejam ali somente para alegrar o nosso dia. Mas ter sempre um pézinho no campo da utilidade ajuda sim a fazer algumas escolhas.

Minha visão sobre minimalismo, enfim, é bastante parecida com a da Rita, mas quis falar sobre isso neste post dando um outro foco, e espero ter conseguido. Minimalismo, para mim, é descobrir o que é essencial para cada um e viver de acordo.

E você, se considera uma pessoa minimalista?