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Dinheiro é um assunto que eu gostaria de poder falar com mais autoridade, mas eu tenho uma confissão a fazer para vocês: sou meio consumista. Assim, para certas coisas. Livros, por exemplo. Comprei mutos livros esses anos todos, desde que era adolescente. Sempre gostei de frequentar sebos (lojas que vendem livros usados) e me acostumei a comprar livros de 3, 5, 10 reais. Porém, perdi as contas de quantas vezes fui a uma Fnac da vida e comprei (sem poder gastar) três ou cinco livros de 30, 50 reais cada um. E fiquei falida durante todo o restante do mês. E quando soube que a Livraria Cultura parcela em 5x sem juros no cartão? Nossa, pior que comprar roupa na Renner. Para piorar, ainda sou bibliófila – ou seja, eu gosto de correr atrás de edições raras que, além de tudo, geralmente são caras. Enfim, minha estante de livros denuncia onde eu investi meu dinheiro nesses anos todos.

Eu tenho quatro amigas de infância que são um pouco como as mulheres do Sex and the city (só converti uma delas à série, no entanto). E eu fiquei agradavelmente surpresa quando uma delas comprou seu primeiro apartamento à vista. Eu fiquei chocada porque eu não tinha nenhuma quantia guardada que chegasse nem perto daquilo. E lembro da Carrie, quando precisava pagar pelo seu apartamento (na série), disse: “Poxa, eu ganhei dinheiro esses anos todos. Onde ele foi parar?”. Enquanto ela olha para o closet abarrotado de sapatos caros, eu olho para a minha estante de livros. E eu me sinto igualzinha a ela quando compro algum livro novo que eu queria muito (no caso dela, isso acontece com sapatos). Enfim, alguns de nós temos nossas paixões específicas, mas refletir sobre tudo isso é importante porque precisamos cuidar bem do nosso dinheiro.

Em dezembro, nós precisamos fazer uma mudança de cidade sem muita estrutura financeira. O resultado? Parcelamos os eletrodomésticos e alguns móveis. Quando precisamos comprar algo mais caro, como uma mesa, por exemplo, precisamos recorrer novamente ao cartão porque o dinheiro corrente do mês vai para o pagamento de dívidas. Nós já sabíamos que o ano de 2012 seria um ano de “pagamento de dívidas” para a gente mas, mesmo com a situação controlada, ficar durante tantos meses pagando parcelas de coisas dá um certo desânimo. Por esse motivo, quis escrever este post sobre o controle das nossas finanças (e das suas, por que não?).

Avaliando a situação

O primeiro passo é saber quais são as nossas finanças para começar a pensar em soluções. Colocar em uma planilha as receitas, as despesas fixas e as despesas variáveis já é um bom começo. Anotar o que é gasto no dia-a-dia também é bom, mas é extremamente difícil ser disciplinado quanto a isso. Eu baixei um aplicativo no iPhone que serve para controlar os gastos, e ele me serve bem. Mas, no geral, podemos esquecer de usar sempre. Se você conseguir ter o hábito de anotar tudo o que gasta, ponto para você. Isso é importantíssimo para ter uma noção verdadeira de todos os gastos que temos. Outra forma de controlar é usar somente o cartão de débito para pagar tudo e tirar um extrato mensal para analisar. Ultimamente eu tenho achado mais fácil fazer assim.

O segundo passo é estabelecer metas. Se você tem dívidas, veja quantas parcelas faltam para terminá-las. Se é uma dívida já acumulada, consulte o seu banco para negociar acordos. Com esses dados em mãos, você poderá estabelecer um planejamento financeiro.

Estabelecendo um orçamento

Ter uma planilha de gastos ajuda a montar um orçamento. Já fiz todo tipo de planilha e cheguei à conclusão que o que funciona melhor em todos os casos no dia-a-dia é simplificar o máximo possível. Se você tem uma planilha com suas receitas, gastos fixos e despesas variáveis, fica fácil calcular quanto sobra de dinheiro todo mês.

Se você ganha mais do que gasta, pode utilizar esse dinheiro para quitar dívidas mais longas. Se você não tiver dívidas, pode guardar o dinheiro na poupança ou fazer investimentos.

Se você gasta mais do que ganha, vai ter que anotar tudinho que você gasta para saber para onde está indo o dinheiro e estabelecer os cortes necessários. Suponhamos que você gaste R$15,00 por dia de trabalho para almoçar. Multiplicados por 20 dias úteis, isso dá R$300,00 por mês. Um bom dinheiro, não? Se você começar a levar comida de casa para o trabalho, economizará muito.

Teve uma época em que meu marido e eu estávamos viciados em pizza. Mas assim, viciados mesmo, de pedir delivery de três a quatro vezes por semana. Se você calcular que uma pizza + refrigerante custam por volta de 25 ou 30 reais, já podem imaginar o enorme gasto desnecessário que nós tínhamos. Desde que nos mudamos, nunca pedimos pizza. Se estivermos com vontade, compramos a massa no mercado e fazemos em casa. Gastamos muito menos e comemos muito mais (quer dizer, meu marido, porque eu não como mais massas).

Sempre existem formas de economizar. Quando eu percebi que precisava comprar roupas novas para o trabalho, montei uma planilha e estabeleci um orçamento mensal para ir comprando aos poucos. Isso tem me ajudado muuuito e permitido que eu não gaste sem objetivos quando vou comprar roupas. Também estabeleci um limite de gastos para os meus livros e levo comida para o trabalho.

Uma vez estabelecido seu orçamento para todas as coisas da sua vida, atenha-se a ele. É claro que existem exceções, mas que sejam exceções, e não hábitos malignos de compra.

Pagando contas

Eu prefiro pagar todas as contas no começo do mês, quando cai o meu salário, mesmo que elas vençam lá na frente. Como nem todas chegam ao mesmo tempo, vou somente uma vez por semana ao banco e pago as que já chegaram. Eu costumava pagar todas pela Internet até o meu banco bloquear meu acesso ao Internet Banking por motivo algum (obrigada, banco!), mas é bom ir até a agência pois consigo organizar melhor meus comprovantes.

As contas que chegam eu deixo na minha caixa de saída e, no dia de ir ao banco, levo todas elas. Depois de pagar, elas vão para a aba do mês em questão na minha pastinha de contas pagas, que tem 12 divisórias.

Apesar de muitas pessoas utilizarem o serviço de débito automático (e eu não nego a praticidade desse recurso), eu prefiro controlar mais de perto o que estou pagando justamente para saber quanto dinheiro está indo embora. Com o débito automático eu tenho a impressão que o dinheiro vai indo e, quando você vai conferir o seu saldo, leva um susto.

Organizando documentos, recibos etc.

Eu tenho um pequeno envelope de plástico na bolsa onde guardo todos os meus recibos de débitos e de outras compras. Uma vez por semana, quando organizo a minha bolsa, eu vejo o que é para jogar fora e o que eu preciso guardar por qualquer motivo (trocas, por exemplo). Esses vão para a mesma pasta de pagamento de contas, com 12 divisórias. Algumas pessoas preferem organizar por categorias. Como as categorias são infinitas, achei que, para mim, organizar por anos e meses funciona melhor.

Eu também percebi que uma das melhores coisas de organizar a papelada das finanças é a simplificação do processo de declaração do imposto de renda. Quando chega a época, já tenho tudo pronto.

Quando eu paro para avaliar a nossa situação financeira atual, vejo que ela não é muito boa. Tudo bem, pagamos todas as nossas contas em dia, não falta nada em casa para o nosso filho e podemos nos dar certos luxos, como ter tv a cabo. Mas não temos carro, por exemplo, e precisamos comprar móveis parcelados por não ter como pagar sempre à vista. Também gostaria de investir em uma previdência privada para todos nós, mas eu sei que o ano que vem será mais tranquilo e nós poderemos nos planejar melhor quanto a isso.

E vocês, como avaliam a situação financeira atual? Amor ou pavor?