5 desculpas para não destralhar a casa

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Se você tem dificuldade para se livrar de algum objeto na sua casa, pode ser que esteja dando uma das seguintes desculpas:

1. “Posso precisar disso um dia”

Minha avó tem uma pilha com cerca de 50 potes de plástico que ela guarda sempre que compra azeitonas, cogumelos, sorvetes etc. Quando eu pergunto para ela por que ela guarda tudo aquilo, ela sempre responde: “posso precisar deles um dia”. Até entendo e acho que precisamos mesmo reciclar essas embalagens de plástico. Mas precisamos de 50 delas?

A ideia de escassez nos aflige, é verdade. Todo mundo tem medo de passar dificuldades. Mas isso não justifica o acúmulo de tralha. Quer guardar potes de plástico? Ok, guarde, mas estabeleça uma quantidade que você realmente use. Pergunte-se quando foi a última vez que você usou aquele objeto que está ali acumulando há tanto tempo. Se você responder “nunca” ou “há uns dez anos”, é hora de dizer adeus.

Se ainda assim tiver dúvidas, lembre-se que (infelizmente) as embalagens não vão acabar. Se você precisar de um novo pote, basta ir até o mercado mais próximo.

2. “Foi muito caro para jogar fora”

Você pagou 150 reais em um vaso que está dentro da caixa, no fundo da garagem, porque no final das contas acabou odiando-o ou achando que não tem mais a ver com você. No entanto, você o mantém lá porque custou muito caro. A questão é: continuará tendo custado caro com outra pessoa ou ali, encostado. Não é melhor dar de presente para alguém que realmente aprecie o objeto ou, melhor ainda, precise dele?

É claro que, no mundo ideal, não tomamos decisões estúpidas como comprar algo caro que não gostamos, mas todos nós fazemos isso muitas vezes no decorrer da vida. Não pense no dinheiro que você pagou quando comprou, mas em quanto vale o objeto agora. Pense na sua casa, no seu espaço, e na frustração que sente quando o vê ali, sem utilidade. Dê de presente para alguém ou venda pela internet. Se for um equipamento eletrônico antigo, você pode doar para instituições de caridade ou escolas.

3. “É uma lembrança de família”

Uma coisa é você ter uma lembrança de família que seja realmente especial como, por exemplo, uma boneca que foi da sua avó e agora é da sua filha. Ou um colar que era da sua tataravó e você usa sempre que tem uma festa especial. Outra coisa totalmente diferente é receber aquele monte de tralha sempre que um parente morre e não querer se desfazer porque “é lembrança de família”. Não é. Tralha é tralha.

Minha sugestão nesse caso é avaliar muito bem os objetos deixados pelo familiar querido e manter somente o que tiver mesmo um significado especial. Todo o resto pode ser doado. Fará um bem enorme a você e às outras pessoas.

Eu tenho um outro texto aqui no blog que fala sobre o que fazer com os pertences de pessoas que faleceram, e talvez possa ajudar, se for o seu caso.

4. “Lembra uma época muito especial da minha vida”

Ah, então você mantém seus cadernos da escola porque são tão lindos e lembram de uma época tão boa! A pergunta é: para que mesmo? Você não é o que você tem, mas o que você é! Vale a mesma dica do item acima – analise tudo com um olhar extremamente crítico e guarde somente o que realmente tiver um significado especial. Não guarde tralha. Não serve para nada.

Minha mãe costumava fazer capas lindas para os meus trabalhos escolares e ela guardou um montão deles. Quando eu estava grávida, achei uma pasta com todos e fiquei morrendo de dó de jogar fora. Conclusão? Tirei foto de tudo e guardei somente um, de História, como lembrança, e sinceramente tenho vontade de me livrar dele também. É uma ótima lembrança, me faz pensar em como eu sempre gostei romanticamente de História, aquela coisa. Mas qual é o ponto? Eu preciso ter aquele trabalho guardado? Não, não preciso.

5. “Eu faço coleção”

Existe uma enorme diferença entre uma coleção sadia e uma coisa de louco. Se você e a sua família estão se afogando nas suas “coleções”, está na hora de rever seus conceitos.

Pergunte-se também se a coleção continua fazendo sentido. Eu colecionava papéis de carta quando era mais nova. Quando parou de fazer sentido, eu dei alguns de presente para meninas mais novas que faziam coleção e usei os outros para escrever cartas mesmo. Pode ser difícil desapegar, mas quando você para para pensar que são somente objetos, tudo fica mais fácil.

Ninguém está pedindo para você se desfazer de coisas e ficar sofrendo por isso, mas é importante que você reflita sobre esses sentimentos e avalie o que é mais importante para você nesse momento: algo que você sequer lembra que existe, ou espaço e bem-estar em casa.

Leia também o texto Tralha emocional.

20 comentários

  1. As tralhas mais presentes na minha casa, que ainda não consegui me desfazer são as: ‘Posso precisar disso um dia’ e ‘É lembrança de família’. rs
    Mas já consegui me livrar de muita coisa antiga 😉

  2. Olá, Thais, eu me encaixo em vários desses itens, principalmente o Posso precisar um dia, mas estou trabalhando nisso. adorei o post!

  3. Eu acredito muito que a organização externa passa primeiro pela interna, quando estamos organizadas por dentro ( nossos papéis, nossas funções, o que é nosso e o que é do outro…sobra energia para a organização das coisas….) um ótimo dia a todos…

  4. “São somente objetos”. É isso mesmo. Às vezes a gente se apega a coisas e esquece de pensar no essencial, no que está dentro, e não no que pode ser mostrado. Isso serve também para o consumismo desenfreado, os modismos e tantas outras coisas.

    Esses dias, joguei fora quatro diários que eu guardava há anos, que iam dos meus 15 aos 21 anos. Um deles era tão lindinho e caprichado que deu dó mesmo. Ao mesmo tempo, aquela lá era outra pessoa, já não sou mais eu. Sabe quando você lê, fica com vergonha de si mesma e pensa: “Ufa, ainda bem que as pessoas mudam”! É por aí. A gente muda por dentro e os objetos que nos representavam já não fazem mais sentido no presente.

    • Lorena, jogar fora diários é triste mesmo. Já joguei alguns e até me arrependi, mas penso sinceramente em fotografar as páginas legais e me desfazer de todos muito em breve.

  5. Sempre digo tudo isso à minha mãe… Ela guarda até hoje parte do enxoval de quando eu era bebê e a grande maioria dos meus brinquedos! Oi?!? Eu já estou com 31 anos… hahahahaha… Eu tb tinha esse costume!! Era super-apegada a lembranças e cartinhas da adolescência, recortes de revista, roupas que não servem mais e que eu sonhava em vestir novamente um dia!! Mas desencanei… Estou jogando tudo (ou quase tudo) fora!! E passando as roupas pra frente!! Agora na minha casa, estou na fase do “posso precisar disso um dia”!! E tô com mania de latas, vidros, potes… Aiaiaiai…

  6. Thais, tudo bem?
    Encontrei teu blog através do blog da Rita, the busy woman, que foi encontrado através de outro e assim é a internet, né?
    O legal é que isto tudo me veio na hora exata.
    Tenho/tinha muita dificuldade em me desfazer das coisas ou tralhas.
    Usava todos os critérios para não me desfazer de nada. O pior (ou melhor), é que eu uso mesmo tudo que guardo, mas nem sempre dou conta, daí…
    Quando eu disse que foi a hora exata, é que minha casa estava precisando de um destralhamento já ia pra mais de dez anos.
    Como tivemos que reformar a sala de casa, aproveitei este momento e com a ajuda do teu blog eu estou consguindo me desvencilhar de coisas que achava que nunca na vida iria me desfazer. E sem sofrer!!!
    Está sendo ótimo ver tudo mais arrumado e leve.
    Teu blog é leitura obrigatória. Faço isto todos os dias, hehehehe.

    Beijos

    • Nina, muito obrigada por comentar. Que bom que tenho ajudado você. Esse tipo de comentário me deixa muito contente. =)

  7. Ah, no comentário anterior esqueci de perguntar: – você guarda todas as revistas que compra no mês? Você coleciona alguma?
    Eu estou conseguindo me desfazer das minhas. Todas as TPMs de uns 5 anos já fora doadas. Agora faltam a Vida Simples e a Bons Fluídos, heheheh.

    Bjk

    • Nina, geralmente me desfaço delas e guardo só as que considero especiais. Ultimamente tenho considerado começar a guardar mais para ter como referência para o blog.

  8. Precisava desse texto para ter coragem de me livrar da minha centrífuga que está há uns três anos em cima do armário da cozinha ocupando um espaço enorme…

  9. Há alguns dias venho pensando na minha tralha. Não tenho tanta tralha, mas as tenho (fato). E, lendo esses tópicos, vejo que tenho coisas que se encaixam em cada categoria. Todos os últimos posts parecem ter sido escritos para mim (sim, eu passo aqui todos os dias), e têm me dado um pouco mais de força para continuar na batalha pela organização (estou na fase do desânimo). Mas este em especial me fez pensar em como todos nós podemos ter coisas que nós não consideramos tralha, mas são. Por exemplo:

    1. “Posso precisar disso um dia”: Quando terminei a faculdade (tb sou publicitária), joguei fora todo o material dos 4 anos de curso que eu julgei nunca mais precisar dele. E fiz isso umas quatro vezes. Tipo uma vez a cada seis meses. E sempre joguei muita coisa fora. Hoje, o que tenho guardado do tempo da faculdade é aquilo que acho que serve pra estudar pra concurso. Isso se resume a um único saco médio. Porém, tenho certeza que se eu for lá verificar o que tem, vou jogar mais coisa fora. Eu não quero jogar aqueles TDs e cadernos pq acho que me serão úteis, mas a verdade é que eu não sou uma concurseira profissional e nunca estudei olhando aquele material. Sempre que preciso vou na internet ou nos livros. Mas cadê a coragem de jogar fora esse material que me ensinou o que hoje tenho como profissão apesar de ser tão pouca coisa?

    2. “Foi muito caro para jogar fora”: Tenho 3 pares de sapatilhas que eu não uso. Elas fazem muito calo no meu pé, me machucam mesmo. Na loja, estavam super confortáveis (as benditas me enganaram), mas no dia a dia se tornaram impossíveis. Elas estão praticamente novas, usei pouquíssimas vezes, são liiiiiindas e foram caras. Por isso não gostaria de deixá-las na calçada pra alguém levar. Eu posso dar de presente pra alguém que calce um número a menos, pois assim creio que ficaria confortável. Mas eu calço 34 e nunca encontrei ninguém na minha roda de amigas que calçasse 33. Uma delas já está a mais de um ano guardada na caixa. Tralha.

    3. “É uma lembrança de família”: Dos presentes que ganhei nos meus 15 anos (mais de 10 anos já se passaram! =O) tenho dois guardados: um casaco para dormir que SEMPRE uso em viagens (bem conservado pq uso pouco) e um par de brincos folheados de golfinho que foi meu avô quem me deu. Eu nunca gostei de joia ou biju com formatos específicos, por isso usei bem pouco esses brincos (umas 5 vezes só). Mas quem disse que tenho coragem de jogar? Esse foi o único presente que meu avô me deu a vida inteira. Não que ele seja relápso ou não goste de mim (rsrsr!), mas nossa família não tem costume de se presentear. O resumo é que o bicho já tá com o “ouro” preto e eu NUNCA mais vou usá-lo, mas pra mim é uma lembrança de família. Acho mesmo que deveria jogá-lo, mas sempre desisto.

    4. “Lembra uma época muito especial da minha vida”: Tenho uma pequena caixa com as lembranças do meu ex-namorado (fotos, cartões e um caderno onde fazíamos estudos bíblicos). A questão é que não vamos voltar a namorar (mesmo, eu não tenho paixão incubada) e eu ainda guardo isso, guardo isso há 5 anos (ÓH!). Eu tenho outro namorado, ele também tem outra namorada, nós somos amigos (sempre o fomos mesmo antes de namorarmos) e eu NUNCA olho essa caixa. Por que guardá-la? Eu realmente não quero jogar isso fora, porque são lembranças tão queridas, mas não posso ter isso a vida inteira. FATO! Acho que chegou a hora de me livrar dessa tralha emocional.

    5. “Eu faço coleção”: Como você, Thais, também fiz coleção de papel de carta (Quem não fez?!). Quando a moda passou, joguei muitos fora e guardei aqueles mais bonitos (uns 10) escrevendo neles cartas especiais. Ainda tenho uns 6 ou 7 + 2 envelopes que guardo até hoje numa pasta. Sempre que tenho uma carta pra escrever me lembro deles, mas tenho pena de usar, porque são tão lindos para uma carta trivial. Aí não uso. Acho que devo começar a usar pra coisas não tão especiais assim, senão eles nunca vão acabar.

    Moral da história é que todo mundo tem coisas sem uso e justificamos sua posse com alguma das desculpas acima. Para nós é motivo mais do que justo, mas se formos realmente ser justos no pensar e no agir, essas coisinhas já não ocupariam lugar na nossa vida e na nossa casa. Eu espero ter coragem pra me livrar da minha tralha.

    Ps: Acho que não vou jogar os brincos.

  10. Thaís, estou aqui para te agradecer pela sua ajuda …pelos emails que recebo sempre, vejo todos e guardo direitinho…e por disponibilizar para nós dicas tão importantes que as vezes estão na nossa cara e não enxergamos…obrigada mesmo, por tudo! Deus te abençõe! Bjo

    “adoro seu site”.

  11. Um exemplo do “foi muito caro”, meus pais compraram um aparelho de DVD que na época custou 2000 reais (ele reproduzia e gravava), na época da compra, equivalia hoje a 5000 reais. O aparelho estragou em menos de um ano e não tem conserto, mas eles não conseguem jogar uma coisa que foi tão cara fora.

  12. Thais, comecei a ler o seu blog agora e estou gostando muito. Tenho muita tralha p “jogar fora”, mas o motivo pelo qual ainda não consegui me livrar dela é bem distinto dos mencionados no seu tópico: tenho uma preocupação ambiental grande e não consigo simplesmente jogar algo no lixo sem antes ter certeza que ele não pode ser reaproveitado, reciclado ou que não vai fazer estragos ao meio ambiente.
    O problema é que, por incrível que pareça, hoje ainda é difícil encontrar determinadas informações a esse respeito na internet e, mesmo quando se encontra, os postos de coleta são poucos ou ficam muito longe. Enfim, ainda não consegui uma solução para esse problema.

  13. Olá, me identifico com o Blog.. Parabéns pela idéia…
    E além de tudo, vocês já devem ter notado o mal cheiro que essas coisas guardadas têem, sem falar naquele pózinho velho que faz a gente espirrar, cheio de ácaros, ah, não dá pra querer mantê-las. Tem coisas que até dá pra lavar, mas oque não dá, infelizmente o destino tem que ser um só: lixo. É tão mais saudável poucas coisas limpas e acima de tudo úteis. Viva o Minimalismo.. rs

  14. Bom diaaa!! serei bem direta , tenho duas filhas lindas , elas tem muitas atividades de escola ( apostilas, trabalhos manuais e cada bimestre recebo as apostilas didáticas….. naõ tenho mais espaço para tanta coisa, porém naõ sei o que fazer com suas lembraças , primeiras letras, primeiras pinturas,…aff naõ sei e confesso que me apego a isso…… bjos

  15. Gosto do seu blogue. Obrigada por o manter. Obrigada também pelos seus livros!
    Adoro destralhar. Também não compro muitas coisas. Tenho um problema. Eu e o meu marido temos 60 anos e ele tem apego a tudo até a jornais bolorentos com décadas. Não consigo explicar-lhe que não podemos acumular tudo . Gostava mesmo de aprender a explicar-lhe porque é difícil aceitar esse hábito dele, mas se calhar devia aceitar e respeitá-lo, não sei….

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