Categoria(s) do post: Diário da Thais, Rotinas

Quando eu comprei a primeira chupeta para o meu filho, eu sabia que a hora de tirá-la chegaria e que seria necessário todo um plano para fazer as coisas funcionarem. Minha meta era começar próximo aos dois anos de idade e tirá-la até o final do inverno. Só que até me surpreendeu o fato de isso ter acontecido antes do que eu imaginava!

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não segui uma orientação específica – li muitos livros e artigos pela Internet e todos eles foram importantes para o conhecimento que eu acabei tendo sobre o assunto. No geral, eu tinha em mente a existência de três possibilidades:

1 – Apresentar aos poucos a ideia de que “meninos crescidos não usam mais chupeta”, que “chupar chupeta é feio”, que “é caca” etc. O objetivo era ele mesmo tomar consciência de que não precisava da chupeta e, num belo dia, simplesmente jogarmos fora juntos e ele ficar numa boa.
2 –  Usar uma técnica da vovó, que consiste em ir cortando a chupeta aos poucos até ele mesmo começar a rejeitá-la por estar estragada.
3 – Simplesmente tirar e aguentar as consequências.

Planejando

Assim, quando ele estava com um ano e dez, onze meses, nós começamos a cuidar do psicológico sobre a chupeta que eu citei no item 1. Vale lembrar que ele nunca usou a chupeta o dia inteiro – sempre o acostumamos a usar somente para dormir, pois era uma forma de conforto. Acordava, tirávamos e só devolvíamos na hora de dormir (incluindo sonecas). Acredito que isso tenha tornado o caminho mais fácil. Mesmo assim, sempre que “conversávamos” sobre a chupeta e eu jogava um verde como “vamos jogar fora essa pepeta feia?”, ele respondia” Non”. Ali eu comecei a ficar com um pouco de receio de ele nunca aceitar bem tirar a amiguinha.

Quando ele completou dois anos, eu comecei a ler mais sobre o assunto e encontrei fotos terríveis da arcada dentária de crianças que chuparam chupeta durante muito tempo e decidi partir para o plano 2: estragar o artefato. Essa chupeta já estava velhinha e, se a tática não desse certo, eu compraria uma nova de qualquer forma, de modo que pareceu vantajoso tentar.

Colocando em prática

Pegamos uma semana em que nem eu nem meu marido viajaríamos (o que significaria mudança na rotina e o filhote sob cuidado de outras pessoas que poderiam não tratar a coisa toda da mesma forma) e, na primeira noite, fiz um furo na ponta da chupeta, o que já tirou a sucção. Nosso filho nem ligou – ele não gostava de chupar a chupeta, mas de tê-la na boca, simplesmente. Isso foi durante a primeira noite.

Como ele não notou diferença, resolvi ser um pouco mais radical no segundo dia e cortei um pedacinho da ponta, como se a chupeta tivesse uma boquinha. Quando ele pediu a chupeta na hora de dormir, nós dissemos “ooolha, a chupeta tem uma boquinha, acho que ela está quebrada”. Ele dormiu com ela assim durante dois dias.

No terceiro dia, esperamos que ele pedisse a chupeta e ele demorou para pedí-la. Na primeira tentativa (na hora de dormir), dissemos simplesmente que “a pepeta está quebrada, lembra?”. Ficamos com ele na hora de dormir para contar historinhas e distrairmos, o que deu muito certo porque ele pediu mais umas duas vezes só, mas nunca chorou. Sempre respondíamos a mesma coisa: que estava quebrada etc. Ele demorou muito mais tempo que o habitual para dormir, mas dormiu a noite toda, sem acordar e sem chorar por causa da chupeta.

No dia seguinte, repetimos o procedimento e ele dormiu bem tarde. Ele ficava fazendo barulhinhos com a boca, tadinho, porque afinal ele nunca dormiu sem chupeta. No terceiro dia, ele já dormiu mais cedo. No quarto dia, já estava normal e nós comemoramos.

Considerações

Em nenhum momento ele chorou pedindo a chupeta, o que eu acho que não teria suportado e teria entregue só para ele não ficar daquele jeito. Mas ele mostrou que é mais crescidinho do que pensávamos e superou a coisa toda numa boa. Fiquei tão contente por ter conseguido tirar um hábito artificial que nós mesmos criamos dele que nem consigo descrever!

Claro que, agora, precisamos tomar cuidado com outros fatores. Sábado, por exemplo, ele dormiu segurando a mamadeira e acordava sempre que tentávamos tirar (com o bico na boca). Depois que realmente pegou no sono, tiramos numa boa e ele não repetiu mais isso, mas precisamos ficar de olho. Meu principal medo é que ele comece a chupar o dedo para substituir a chupeta, então sempre que ele tenta colocar o dedo na boca eu já tiro e digo que “é caca”. Tem funcionado, mas precisa de atenção constante.

Nos consideramos muito afortunados por não termos precisado utilizar a técnica 3, que seria tirar drasticamente e esperar até que ele se acostumasse. Nunca fui fã dessas técnicas radicais e nunca deixamos nosso filho chorando para nada, então não seria agora. Se ele não tivesse descartado a chupeta porque “está quebrada”, certamente eu esperaria mais um tempo até tentar novamente, quando ele estivesse pronto. O mais importante de toda condução de mudança é conhecer o seu filho ou filha e respeitá-lo(a) acima de tudo.

Uma das coisas mais importantes que eu aprendi sobre crianças pequenas é que elas são extremamente sensíveis às mudanças de rotina. Então, esperei chegarmos a um momento bem estável da nossa vida (quase seis meses depois da mudança) para fazer isso. O próximo passo é desfraldar, mas não pretendo fazer isso antes da primavera. Um passo de cada vez, pois para ele é uma grande adaptação agora. E eu sempre tive em mente que o desfralde é algo mais natural e infinitamente menos nocivo que a chupeta, por isso priorizei a primeira. Eu acredito que o desfralde seja mais tranquilo no verão e minha meta para as fraldas diurnas são os seus três anos de idade, então basta tranquilizarmos a vida dele que aos poucos tudo entra nos eixos. O importante é ele estar bem, saudável e feliz, e ele está. Nós também. =)