Áreas da Vida

Começando a pesar

O fim de semana que passou foi o nosso primeiro final de semana do countdown, que é a forma que eu estou chamando os cansativos sábados e domingos que teremos até o final das minhas aulas semanais, em julho. E, pela primeira vez em muito tempo, eu estou seriamente considerando diminuir o meu ritmo para uma série de atividades que eu tenho feito.

Fui no sábado bem cedo para São Paulo. Acordei antes das 5h da manhã para me arrumar e sair de casa às 6h. Não tinha táxi em nenhum ponto e a central não atendia nenhuma chamada. Lembrei de São Paulo, onde só no bairro onde morávamos existiam três pontos 24h sempre com táxis disponíveis. Como estou em um processo mental de ver sempre o lado bom da cidade onde estamos morando e parar de comparar com São Paulo, peguei minhas coisas e saí no escuro na rua (horário de verão), esperando um ônibus que me levasse para perto da rodoviária (não tem nenhum direto). Ele passou 6h40. Na rodoviária daqui, peguei o ônibus das 7h10 para São Paulo e, em vez de ir até a rodoviária de lá, desci antes na Marginal para ir de táxi, pois já eram 8h15 (e minha aula começava às 8h30). Depois de uma breve espera, consegui chegar com apenas 15 minutos de atraso. Na pós, tive aula até às 17h (a aula continuou, mas eu precisei sair porque tinha um compromisso). havia sido organizado um show em homenagem ao George (Harrison) e eu tocaria com alguns amigos em abertura para a banda principal. Precisávamos estar no bar às 17h, mas cheguei depois das 19h.

Paul ficou na casa da minha sogra. Ele ficaria com o Ande, mas a banda dele teve um show agendado de última hora e precisou ficar lá. Tudo bem, mas eu me senti mal com isso. Nós temos uma “regrinha” meio velada que é: tudo bem o Paul ficar na casa da minha sogra (ele adora e, meus sogros, nem se fala), mas um dos dois precisa estar disponível caso precise fazer alguma coisa. Então assim, se eu preciso fazer uma viagem a trabalho, o Ande fica por perto. Mesmo que ele toque, ele está a minutos de distância e com carro. Então, se no sábado ele estava tocando e eu também, é uma situação que nos deixa aflitos, pois ficamos inacessíveis. Claro que não aconteceu nada, claro que ninguém espera, mas vocês podem imaginar como eu me sinto. No final das contas, foi muito divertido e o Ande acha que eu devo me dedicar mais a isso, pois é algo tão parte de mim e que só não é minha profissão porque, né, eu amo a minha carreira. Mas que eu deveria me dedicar mais, e eu também acho, pois me faz muito bem.

O problema foi ter acordado 4h e pouco da manhã e ir dormir 24h depois, sem ter parado um só minuto durante todo o dia. Ou seja, não é que eu acordei cedo e fiquei descansando, na piscina, de férias ou vendo tv. Fiquei correndo como barata tonta para lá e para cá durante todo o tempo. Quando eu deitei na cama, eu desabei. E, no domingo, não pude acordar tarde porque ficaríamos com o Paul na minha avó e ainda teríamos que voltar para casa.

Nosso trajeto não é tão cansativo, mas não deixa de ser. Vamos de táxi até o metrô, pegamos dois metrôs (baldeações), chegamos na rodoviária, compramos a passagem, esperamos o ônibus chegar (geralmente uns 40 minutos), viajamos, chegamos, pegamos outro táxi até em casa e, puft, lá se foram mais de 3 horas de trajeto rapidamente, quando não mais. Ajeitamos a viagem para o horário da soneca dele e ele dorme quase 2 horas numa boa, apagadão, no nosso colo. Mesmo ele ficando bem, eu não gosto dessa situação, acho cansativa para todos e especialmente para ele. Ontem mesmo, quando chegamos, ele estava morrendo de sono à noite mas não conseguia “desligar” – e não houve suco de maracujá + banho + ritual do sono que resolvesse. Ele foi dormir quase 22 horas, e isso porque acabou o horário de verão (senão seriam 23 horas).

Além de toda essa alteração na rotina do Paul, existe a nossa vida. Eu não descanso e não conseguimos fazer mais nada, de limpar a casa (aquela limpeza mais caprichada no final de semana) a passear, brincar com o Paul no condomínio, consertar coisas, enfim, atividades que temos quando não estamos trabalhando. Ontem, às 19h, eu estava indo ao mercado e, na volta, cansadérrima, ainda tive que dar um jeito nos banheiros, separar a roupa suja etc. (o Ande estava cuidando de outra parte). E, mesmo assim, não conseguimos fazer quase nada. Parei para ver o Oscar e tive um sono fortíssimo que me derrubou, e eu sei que isso só acontece quando estou realmente exausta.

O que me assusta nessa história toda é que foi somente o primeiro final de semana. No final deste mês, eu preciso entregar o pré-projeto da monografia e tenho MUITOS livros para ler e artigos para estudar. Tenho o blog. Tenho o meu trabalho e um monte de projetos externos que ele demanda (como estudar inglês, por exemplo). Tenho os meus projetos musicais. Tenho a minha saúde. Tenho a minha família.

Vocês sabem que eu sou organizada e, ok, está tudo sendo tocado direitinho, não tem nada atrasado ou deixando de ser feito. Mas eu não tenho a menor tranquilidade atualmente. Eu não estou conseguindo relaxar pois, ao chegar em casa, eu sempre tenho muita coisa para fazer. Meu medo é a minha saúde começar a pifar – já tenho sentido dores muito fortes nas pernas e nas costas e o sono está picado (acordo a noite toda). Cada dia tenho um montão de coisas para resolver em todos os setores e não sei como eu faria se não tivesse um sistema para organizar tudo, mas mesmo assim eu gostaria de ter mais ajuda. Apesar de eu apoiá-lo, a profissão do Ande está pesando bastante (ele faz shows todos finais de semana, isso quando não precisa viajar para fazer shows em outros estados). Um final de semana que não levamos o Paul para São Paulo vira um pesadelo de cobranças e choradeiras que eu não tenho a menor estrutura para suportar no momento. E não ter carro pesa bastante, mas o Ande está tirando carta só agora e eu vou tirar somente quando acabar a pós, pois farei as aulas aos sábados.

Além de um montão de outras coisas que eu não quero escrever aqui porque eu ainda valorizo a privacidade da nossa família, mas que estão acontecendo à nossa volta e influenciando em nossa vida.

Eu terei aulas todos os sábados até o final de junho, o que me dão 4 meses de intensos finais de semana daqui para a frente. Mesmo nos feriados, terei que viajar, para o restante da família ver o Paul. Também preciso aproveitar para comprar algumas coisas para a gente e farei isso nos finais de semana, mas sabem? Só está extremamente difícil. O que me deixa melhor é pensar que, em julho, não terei mais aulas (só orientação para a monografia, até outubro) e, no final do ano, compraremos um carro. Quando isso tudo acontecer, mesmo indo para São Paulo nossa vida ficará 300% menos cansativa, e é isso o que eu projeto.

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