Áreas da Vida

Cama compartilhada.

Eu já tinha escrito aqui sobre a opção da cama compartilhada e, naquela ocasião, tinha reclamado que o Paul estava mais manhoso e tudo o mais. Foi fase, porque ele voltou ao normal. Ele está crescendo e preciso acompanhar as mudanças frenéticas, não tem jeito. Depois de muito cansaço (da minha parte, por discutir), decidi aceitar de vez a ideia da cama compartilhada e vou dizer os motivos.

1. É super, super gostoso dormir com o Paul. Já me acostumei. Eu o abraço e fico dando beijinhos, arrumando o cabelinho atrás da orelha, segurando o pé dele, cheirando a cabeça. 2. Ele nunca mais engasgou de noite depois que passou a dormir conosco. Não foi coincidência, porque intercalamos berço e cama durante muito tempo e ele só engasgava no berço. Morro de medo de ele engasgar dormindo (como toda mãe, na verdade). Isso era o que mais nos preocupava e, pela proximidade, não sei se ele se sente mais seguro ou o que, ele dorme muito melhor. 3. Quando ele dorme conosco, ele dorme a noite inteira. Mama às 23h (acordado), dorme às 23h30 e vai até às 6h, quando resmunga um pouco, e levanta definitivamente às 7h. Ele fica bem e nós também. 4. Paul provavelmente será o nosso único filho e eu sentirei falta disso. 5. Anderson ia morrer se não o colocássemos para dormir conosco. Ele estava insistindo TANTO que eu me perguntei se era certo regular algo tão importante para ele desse jeito. Os motivos eram aqueles de sempre: o fantasma do meu pai iria pegá-lo à noite, algum ET viria abduzí-lo, o mundo pode acabar em 2012 e não dormimos com ele etc. Quando ele começou a falar essas coisas, vi que era realmente importante para ele dormir junto com o nosso filho, então falei “tá bom, tá bom”. Concordando com isso, foi fundamental ter em mente algumas coisas:

Condições para a cama compartilhada dar certo

  • respeitar as normas de segurança (falo mais sobre isso abaixo).
  • ambos precisam estar de acordo, pai e mãe. porque…
  • cama compartilhada é algo para fazer até quando o filho quiser. fato. quem aceita compartilhar a cama precisa entender que não é certo com o bebê mudar de ideia depois e deixá-lo chorando e cheio de medos. porque…
  • … se arrepender e tentar tirar o bebê quando ele completa 1 ano, 2 anos, ou até menos, não dá certo. se você está fazendo isso pelo bem de toda a família, precisa pensar principalmente no bem-estar dele. quando ele estiver pronto, ele irá para o próprio quarto, mas isso pode acontecer quando ele tiver uns 5 anos, mais ou menos. além disso…
  • papai e mamãe precisam ter consciência de tudo o que isso implica, não só do ponto de vista da intimidade do casal, mas dos hábitos dos adultos quando a criança for maior.

Motivos errados para colocar o bebê na cama com você(s)

  • se você sabe que aquela situação não é a ideal, quer que ele aprenda a dormir no berço mas mesmo assim você cede porque está cansada, com sono, e isso se repete durante muitos dias.
  • se você dorme com o bebê na cama durante a tarde, porque é mais fácil fazê-lo adormecer, mas de noite o papai não quer que coloque o bebê na cama.
  • se você quer e seu marido não quer, ou se ele quer mas você não quer de jeito nenhum. isso será levado em conta mais tarde, mas para tirar o hábito será terrível.
  • se o relacionamento do casal está ruim e você dorme com o seu filho para evitar qualquer contato com o seu marido (e vice-versa).

Pesquisando MUITA coisa na internet, achei todas essas informações. Preparem-se porque vem coisa pra caramba por aí.

A cama compartilhada pode ser boa porque…

  • te parece a coisa certa a ser feita.
  • é natural. todo filhote dorme junto da mãe na natureza. o ser humano abandonou essa prática há bem pouco tempo, para estimular a independência do filho desde pequeno. (fonte)
  • é muito melhor para a amamentação. no começo, a mãe pode descansar do parto pois não precisará se levantar para amamentar. depois, o bebê aprenderá a pegar sozinho no seio e você provavelmente nem acordará quando ele estiver mamando. ele mesmo mamará e dormirá novamente, tendo um sono muito melhor. resumindo, a cama compartilhada é favorável à livre-demanda.
  • os bebês choram menos, porque suas necessidades são supridas mais rapidamente. chorando menos, sentem menos fome e, dormindo mais, se desenvolvem melhor.
  • a mãe não fica com insônia com o risco de apnéias, morte súbita, engasgamentos etc. (fonte)
  • os pais acompanham o bebê de perto durante toda a noite. como ter certeza de que o bebê está bem se ele está dormindo em outro quarto?
  • para os bebês, dormir sozinho é muito estressante e por isso eles acordam mais vezes chorando. ter a companhia do papai e da mamãe é incomparável.
  • todos dormem mais e melhor, nas condições certas (veja abaixo).
  • você não precisa levantar da cama toda vez que o seu bebê chorar no berço.
  • você não precisa esperá-lo despertar com o choro para atender suas necessidades.
  • diminui o risco de morte súbita. (fonte)
  • a mãe regula a temperatura do corpo do bebê, entre outras alterações fisiológicas significativas. (fonte)
  • resolve o problema da falta de espaço e de aquecimento em tempo frio.
  • a mãe adquire confiança em suas habilidades intuitivas.
  • colocar o bebê para dormir não é uma luta.
  • previne pesadelos, medo do escuro e terror noturno. (fonte)
  • para o bebê, é sempre melhor estar perto dos pais.
  • as crianças que dormem com os pais apresentam um comportamento de sono mais saudável. (fonte)

A cama compartilhada pode ser ruim porque…

  • te parece a coisa errada a ser feita.
  • se um casal não está passando por uma boa fase, a mãe ou o pai pode usar o filho como desculpa para não ficar com o parceiro. isso não é problema da cama compartilhada em si, mas da falta de diálogo do casal.
  • o casal pode se sentir inibido sexualmente, se não conseguir utilizar outros cômodos da casa. isso também não é problema da cama compartilhada, mas da falta de criatividade e do comodismo.
  • se o casal for muito espaçoso, vai se sentir oprimido com um bebê na mesma cama (é uma pessoa a mais no mesmo espaço, afinal de contas).
  • você vai ouvir muita coisa negativa a respeito. não vão te deixar em paz, se você contar para todo mundo que o bebê dorme com vocês!

Mitos a respeito da cama compartilhada

  • “o bebê fica dependente e com atraso psicológico e intelectual” – não existe qualquer estudo que comprove esta afirmação. no entanto, há diversos relatos dizendo o contrário.
  • “o bebê pode morrer sufocado” – é óbvio que existem diretrizes básicas de segurança, porém, é mais provável acontecer alguma coisa quando o bebê está sozinho no berço que dormindo com os pais. (fonte)
  • “deixa o bebê mal-acostumado” – não. (fonte)
  • “depois vai ser um sacrifício tirar” – não é “para tirar”. o certo é deixar o filho dormir junto até quando quiser ter o seu próprio quarto. se os pais quiserem fazer a transição antes, há diversas formas sutis e que descartam qualquer possibilidade de deixar a criança chorando ou traumatizada.
  • “tenho medo de rolar sobre o bebê” – você estará atenta a qualquer movimento do bebê e, além do mais, se por acaso isso ocorrer, ele irá chorar, te chutar ou qualquer reação do tipo, te acordando. sinceramente, aqui em casa acho impossível. (fonte)
  • “o bebê pode cair da cama” – não se ele dormir no meio de vocês ou se a cama estiver protegida nas laterais.
  • “o casal não poderá fazer sexo” – certamente não no quarto, com o filho lá. mas e o resto da casa?

Como compartilhar a cama com o seu filho (e normas de segurança)

  • o ideal é dormir bebê, mamãe e papai, nessa ordem, pois a mãe geralmente fica mais desperta para qualquer movimento do bebê. porém, depende do seu marido. se ele for atencioso e desperto, pode dormir no meio de vocês. para isso…
  • … verifique se a cama é grande o bastante para vocês três. uma cama king-size é a ideal, pois todos podem rolar para lá e para cá sem problemas.
  • à medida que o bebê for crescendo (e ficando espaçoso!), vale a pena acoplar o berço à cama, se você já não tiver feito assim desde o início. é só tirar a grade lateral e deixá-lo bem encostado. fica meio favelinha, mas é uma ótima solução! muita gente faz assim. com o passar do tempo, você pode ir afastando o berço da cama (se quiser!), para ele começar a se acostumar a dormir sozinho. outras pessoas deixam o colchão de casal no chão com um de solteiro ao lado, mas eu não sou muito fã porque já tive colchão no chão e sei que as costas dóem demais na hora de levantar.
  • porém, colchão no chão é mais seguro para o bebê. vocês também podem encostar a cama na parede e proteger os vãos com os protetores de berço. existem aqueles protetores laterais que também dão uma proteção extra para crianças maiores (para bebês não são muito recomendadas).
  • tomem cuidado para não deixar travesseiros felpudos demais perto do bebê, pois existe o risco de sufocamento. aqueles futons são uma boa opção.
  • quando seu bebê começar a engatinhar, já proteja todo o quarto. imagine seu bebê maiorzinho saindo da cama para mexer nas tomadas e fios do quarto? certamente ele explorará a casa quando puder e vocês podem não ouvir dormindo, então já tomem as providências.
  • se o seu cabelo for comprido, prenda-o. não durma com roupas que tenham cordões. não use correntes. não use perfumes fortes.
  • não permita que o seu animal de estimação durma na mesma cama que o bebê (higiene e segurança).
  • se estiver frio, usem mais roupas e agasalhem bem o bebê para não precisarem usar cobertas, também pelo risco de sufocamento.
  • verifique todas as noites a cama – se o lençol está bem esticado, se não tem nenhum vão descoberto, se não tem nenhuma coberta.
  • nunca beba, fume cigarros, use drogas ou tome remédios para dormir se compartilha a cama com um bebê. isso é recomendação para pais no geral, na verdade.
  • nunca deixe o bebê sozinho sobre a cama. quando ele for pequeno, somente com proteções em volta e, mesmo assim, sob a supervisão de um adulto.
  • não conte para ninguém. essa recomendação é básica. as pessoas falam demaaais. se for uma escolha totalmente esclarecida de vocês, é melhor deixar entre quatro paredes mesmo.

Foi dito sobre cama compartilhada

  • “Uma criança que é igualmente cuidada de noite e de dia recebe confirmação constante de amor e apoio, em vez de precisar lidar com medo, raiva e sentimento de abandono noite após noite. Crianças que se sentiram seguras dia e noite ao lado de uma mãe ou de um pai amoroso irão se tornar adultos que lidam melhor com as tensões inevitáveis da vida. Como John Holt assinalou com eloqüência, ter o sentimento de amor e segurança no início da vida, em vez de “estragar com mimos” uma criança, é como “dinheiro no banco”: um fundo de confiança, auto-estima e segurança interior a que a criança pode recorrer para enfrentar os desafios da vida.” (fonte)
  • “A idéia de que as crianças não deveriam dormir com os pais é culturalmente programada. Em muitos outros países, crianças e pais dormem juntos durante toda a vida. Se você e sua criança gostam disso, não há razão alguma para desistir. Em minha própria família, nós nunca proibimos nossas crianças de dormir conosco. meu filho mais velho tem agora 17 e meu mais novo tem 11. Eles têm suas próprias camas e quartos, e gostam de ter (às vezes até exigem) sua privacidade. Ainda temos uma relação muito próxima, mais próxima do que seria se não tivéssemos dormido juntos. ao mesmo tempo em que são muito independentes, eles sabem que os respeitamos e estamos disponíveis. Algumas crianças vão querer seu próprio espaço para dormir quando tiverem 2 ou 3 anos, outras vão demorar mais. Quanto mais segurança você der à sua criança agora, mais independente ela vai poder ser mais tarde.” (fonte
  • “Por que maridos e mulheres dormem juntos? Sexo não é a razão principal. É o mais maravilhoso dos sentimentos do mundo adormecer junto de alguém que você ama, vendo-o dormir, colocando seu braço em volta dele. Enquanto adultos, nós não nos negamos este prazer, mas esperamos que nossas crianças aprendam a gostar de dormir sozinhas. Se não nos negamos este prazer, por que deveríamos negar a eles? Há uma relação especial que é construída entre os pais e a criança que dorme junto com eles. Há uma proximidade que não observei em famílias que dormem separadas.” (fonte)
  • “Se você, como mãe, gostaria que seu bebê dormisse bem perto de você na cama, eu fico feliz em lhe informar que todo o resto do mundo, assim como a pesquisa médica, mostram que esta prática traz grandes benefícios. E, continuando com nosso tema de “Moradia Desimpedida”, compartilhar a cama com a sua criança remove os obstáculos a uma boa noite de sono e ao prazer em relaxar para pais e filhos. Não só você tem certeza sobre o bem-estar do seu bebê porque a criança está bem ali ao seu lado, como seu filho se sente seguro, protegido e chora menos porque sente a sua presença e também tem a oportunidade de ser amamentado durante a noite.” (fonte)

No final, tudo se resume a escolher o melhor para a sua família, levando em conta o que você e seu marido pensam. Não é uma decisão que um acha sensacional e o outro fica meio “nhé” a respeito. Precisa ter certeza, porque envolve o bem-estar do bebê. Se parece certo para vocês, então façam. Se parece errado, não façam.

Como nós estamos fazendo: Paul dorme com a gente, abraçadinho. Quando o braço dói, trocamos no meio da noite. Geralmente ele dorme comigo até umas 4h, daí vai para os braços do Ande. Tem dado super certo assim e nós dormimos muito bem, sem problemas de espaço. Quando ele estiver maiorzinho, vou tentar acoplar o berço à cama para ver se ele fica bem. Ah, importante dizer: todas as sonecas durante o dia ele tira no berço, sem problemas. Quando o coloco para dormir de noite, às 18h30, ele também dorme no berço. Ele só vem para a nossa cama depois da mamada dos sonhos, quando nós também vamos dormir.

    Dedico este post ao meu marido, pai do meu filho, que insistiu tanto na cama compartilhada. Ele disse: “Eu não vejo como algo que fazemos com tanto amor possa ser prejudicial a ele. Tenho certeza que, na primeira oportunidade de ir para a caminha dele, no seu quartinho, cheio de brinquedos, ele vai querer ir. Pra que apressar as coisas?” E não é verdade? Obrigada, meu amor. Você tinha toda razão.

    Fontes: La Leche League, comunidade “Eu Pratico Cama Familiar”, livro “Soluções Para Noites Sem Choro”, grupo “Soluções Para Noites Sem Choro”, Attachment Parenting, Aware Parenting, experiência própria.

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