Áreas da Vida

Algumas considerações sobre cólicas e dicas simples.

Paul nunca teve cólicas severas, daquelas famosas que quase todos os bebês têm. Eu acredito que isso se deva a alguns fatores.

O primeiro deles foi que, enquanto eu amamentava, tirava do cardápio qualquer coisa que o deixava com desconforto de gases (na época foi feijão e refrigerante). Depois, quando ele precisou tomar leite artificial, foi fundamental escolher um que ele se adapte bem. A primeira pediatra recomendou o Nestogeno, que fez MUITO mal para ele. Dei um dia. Mudamos para o NAN e deu tudo certo.

É importante pensar que há dois tipos de cólicas: as cólicas mesmo, que são as causadas por dor gastrointestinal, dessas que eu citei acima, e as cólicas diagnosticadas quando o bebê não para de chorar e não se encontra um motivo (“é cólica”). Essas cólicas “psicológicas” começam por volta das 3 semanas de vida dos bebês e somem por volta dos três meses, como por milagre. Já vi casos de bebês maiores com os mesmos sintomas, mas daí já sugerem um novo diagnóstico. No final da tarde, os bebês ficam agitados e chorando sem parar até o meio da noite, quando dormem de cansaço. Paul nunca teve isso. Já li muitos textos e estudos a respeito e a maioria concorda que esse tipo de “cólica” não tem nada a ver com a região gastrointestinal do bebê – mas envolve outros fatores. O principal é que, no final da tarde, o bebê já viu de tudo durante o dia e, de noite, está superestimulado. Afinal, um bebê que esteja acordado depois das 19h com certeza tem motivo para chorar! Até hoje, coloco o Paul para dormir às 18h30 e é definitivamente o horário dele, assim como a maioria dos bebês. Muitos estudos mostram que colocar o bebê para dormir mais cedo (quando anoitece) garante uma qualidade de sono melhor.

Porém, o que acontece é que é exatamente nesse horário que o papai (ou a mamãe) chega do trabalho e quer ficar “só um pouquinho” com o filho antes dele dormir. Ou então, é o horário das visitas. Aqui em casa, apesar das reclamações iniciais, quando todos viram que o Paul começou a dormir a noite inteira a partir do momento que o colocamos para dormir nesse horário, virou regra. Muito raramente ele dorme mais tarde. Isso aconteceu duas vezes até hoje: quando fui em uma festa de aniversário com ele e quando fiz a festinha de três meses aqui em casa. Não faltaram oportunidades: shows do Ande, jantares no restaurantes japonês (na esquina de casa, sintam a tortura), pizza não sei onde, ir ao mercado, ao shopping, receber visitas etc. Hoje mesmo o Ande me disse: “quero muito que você vá comigo no show semana que vem, sinto sua falta lá e quero que você saia um pouco”. Eu também sinto vontade de ir, mas isso significaria deixar o Paul com outra pessoa e não acho certo no momento.

Eu escolhi ser mãe e nosso filho foi amado desde o primeiro momento em que descobri estar grávida. Confesso que subestimei muita, muita coisa, mas hoje já não há o que discutir. Quando ele estiver maiorzinho, andando, comendo bolachinha com leite no café-da-manhã e pedindo tudo, ele pode ficar na casa da avó, da tia, da madrinha, onde ele quiser. Mas, por enquanto, ele precisa de mim. Se ele acordar no meio da noite na casa de outra pessoa, ele vai estranhar o cheiro, a pessoa, a ausência da mamãe. Ai, me dá aflição só de pensar! Acho importante estar com ele e sei que isso é respeitá-lo enquanto ainda é tão novinho.

Daí eu volto ao assunto em questão: também envolve não sair com ele à noite, quando é o horário dele dormir. Não colocá-lo na frente da tv. Não convidar visitas para o horário em que vou colocá-lo na cama. Chata? Talvez, mas até agora não tivemos problemas com isso. E eu prefiro ser chata a ser uma mãe negligente. Quando teve a festinha dele, foi exceção. Ele deu uma cochilada de leve por volta das 20h30 e às 21h acordou todo risonho e querendo conversar! Às 23h, quando finalmente o coloquei para dormir, ele dormiu como um anjinho. No dia seguinte, voltamos à rotina normal e foi como se nada tivesse acontecido. Por esse motivo, por sempre respeitar o ritmo dele, ele nunca teve cólicas.

Claro que entra também o temperamento do bebê, depois de todos esses fatores que eu citei. Se o bebê for sensível (daqueles que choram quando uma porta bate), precisa de dose extra de paciência, mas a ideia é a mesma.

Eu não sou pediatra. Não sou enfermeira, nem cientista, nem pesquisadora. Mas sou mãe. Tive a experiência com o meu filho, que é somente UM bebê, com seu comportamento próprio, sua personalidade. O que funcionou para mim, pode não funcionar para você. Porém, eu sugiro algumas dicas para tentar te ajudar, se você tem um bebê diagnosticado com cólicas:

Elimine o fator fisiológico. Se você amamenta, preste atenção à reação que determinados alimentos causam no organismo do seu filho. Muita gente diz que feijão, chocolate, refrigerante, massas, derivados do leite etc dão cólicas nos bebês, mas você não saberá se não tentar. Às vezes o que não faz bem é algo que sequer foi citado em pesquisas, ou então você descobre que o maior vilão de todos os alimentos na verdade deixa o seu leite com um gosto mais interessante para o bebê. Se você já fez todos os testes possíveis e mesmo assim ele continua se contorcendo em horários variados do dia, verifique se é mesmo cólica. Pode ser alguma outra dor. Fale com o pediatra, não deixe passar – siga seu instinto de mãe!

– Se você dá leite artificial e sente que o seu filho não se adaptou bem, converse com o pediatra para trocar de leite. É natural alguns bebês não se darem bem com os componentes de determinadas marcas. Meu filho não se deu com o Nestogeno, mas há bebês que só podem ingerir este. Outros bebês ficam sem fazer cocô durante dias se tomam NAN. Não mude de leite sem o aval do seu pediatra, mas convença-o de que é necessário, se você realmente acha que esse é o problema! Afinal, quem conhece o seu filho é você, não ele.

– Outra causa possível é a ingestão de ar enquanto mama, seja no peito ou na mamadeira. Com a mamadeira é mais fácil solucionar, pois você pode comprar aqueles modelos anti-cólicas, que podem fazer diferença (Paul sempre mamou nessas aqui e realmente ele não teve cólicas de gases). Amamentando, é preciso sempre corrigir a pega, mas já li que é menos provável de acontecer. Você também pode fazer massagens circulares na região, dar banho de balde e usar o sling. Sempre fiz essas três coisas para aliviar qualquer desconforto, mesmo que ele não tivesse.

– Se o seu filho tem aquelas famosas “crises de cólicas” no final da tarde/começo da noite, avalie o fator superestimulação. A partir das 16h, diminua o nível de atividades. Não saia na rua, não chame visitas, não deixe-o com brinquedos muito agitados (muito menos tv). Aqui em casa, meu filho sempre tira uma soneca entre 15h e 16h30. Isso o faz aguentar descansado até às 18h30, quando ele finalmente dorme, porque sei que ele aguenta ficar 2h acordado. Ele vai completar cinco meses daqui a alguns dias. Bebês menores podem tirar essa soneca das 16h às 17h (pois ficam cerca de 1h15 acordados) e bebês maiores por volta das 14h. Faça todas as atividades eletrizantes antes dessa soneca. Depois dela, apenas brincadeiras tranquilas.

Coloque-o para dormir mais cedo. Eu sei que, no caso de bebês pequenos, menores de três meses, colocar para dormir são palavras que causam aquela risada do tipo “rir para não chorar”, mas tente mesmo assim. Meu filho sempre dormiu melhor nesse horário, mesmo quando eu ainda não tinha percebido que era o horário oficial dele dormir (eu dava banho depois, quando ele acordava às 21h, afe). Qualquer atividade depois que escurece significa que é ok acordar de noite para brincar – não importa se são 19h, 23h ou 2h30 da manhã! A criança não sabe, não tem noção. Se você ensinar desde recém-nascido que de noite é hora de dormir, tudo fica mais fácil no decorrer dos meses. Além do que, colocá-lo para dormir mais cedo significa menos atividades durante muito tempo acordado, o que resulta em menos agitação. Aqui fazemos assim: às 18h, ele toma a sua mamadeira caprichada. Na sequência, banho. Se não estiver com muita fome, faço o inverso (o que prefiro). Às 18h30 já está no berço – no mais tardar, às 19h (geralmente espero um pouco para dar banho depois que ele toma o leite, mas quando é ao contrário às 18h30 ele já está no berço). Às 23h dou uma mamadeira com ele dormindo e ele vai até às 7h.

– Se o seu marido reclama que não vê o bebê porque chega tarde do trabalho, fale sobre a relevância da qualidade de sono do bebê e da importância das suas necessidades em detrimento das necessidades dos adultos, que entendem as coisas (alguns, hehe). Se ele se importa, poderá acordar meia hora mais cedo para fazer algo com ele de manhã (dar a mamadeira, trocar a fralda, brincar um pouquinho ou todas essas coisas, se tiver tempo). O papai também pode dar a última mamadeira antes de ir dormir (entre 22h e 23h) e dar banho, se chegar antes das 19h em casa. Há diversas maneiras de interagir e, infelizmente, se ele não pode ficar o dia todo com o bebê, este não tem culpa! Não é justo privar o bebê do sono somente porque o papai, a mamãe, a vovó ou alguma visita queira brincar com ele num horário inadequado. É uma fase e todos precisam se adaptar, mas alguém – a pessoa que fica com o bebê o dia inteiro – precisa se responsabilizar pela qualidade do seu sono. Isso é imprescindível. Se o bebê estiver superestimulado e ainda for dormir mais tarde, vai demorar demais para se acalmar. Verifique quanto tempo o seu bebê aguenta acordado sem demonstrar sinais de sono. Não ultrapasse esse horário no começo da noite! Pode parecer óbvio, mas é o que acaba acontecendo na maioria das famílias.

Fico vendo hoje em dia muitos pais reclamarem que os filhos (mesmo maiores) são agitados e choram demais na hora de ir para a cama. Eu nunca vejo uma criança que durma cedo ser problemática desse jeito. Quando a gente fala que educação vem de berço, é isso. É ensinar desde cedo. A maioria dos pais está sempre muito ocupada para colocar os filhos para dormir assim que anoitece, pois existem muitos afazeres domésticos e mesmo pessoais (estudos, relatórios para o trabalho, contas a pagar etc). Se vocês se preocupam com a qualidade de vida do filho de vocês, é necessário fazer um remanejamento. Se o seu bebê sofre das tais “cólicas” do fim de tarde, então, nem há o que discutir! Deixe a janta pronta antes, pague as contas depois, mas sacralize um horário para colocar o seu bebê para dormir. Isso mudará a vida de todos vocês e é um hábito para toda a infância. Comece já. Do berço.

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