ZTD x GTD

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Faz tempo que eu queria escrever um texto comparando o método ZTD com o GTD, então aqui vai.

GTD é um método de organização criado por um senhor chamado David Allen. É muito famoso e eu o utilizo há mais de cinco anos.

ZTD é uma adaptação do método GTD, criada pelo blogueiro Leo Babauta, que teoricamente seria uma versão mais simples do mesmo.

Para conhecer o GTD, leia o livro “A arte da fazer acontecer”, do David Allen. Para conhecer o ZTD, leia a tradução do livro feita pelo Lucas Teixeira ou o original (“Zen to done”), que pode ser comprado online ou via loja do Kindle.

Vocês sabem que eu não gosto de enrolar quando faço resenhas, e desta vez não será diferente. No geral, eu acho que o David Allen deveria cobrar do Leo Babauta direitos autorais pelo livro. Ele até comenta sobre isso no final, em algumas perguntas que ele responde para os leitores (o Leo), mas diz que é um método somente inspirado e que isso não configuraria plágio e tudo o mais.

Minha opinião sincera sobre este livro e outros textos do Leo Babauta é polêmica, sei que muita gente gosta dele (eu mesma já li todos os seus livros e gosto de acompanhar seu trabalho), mas é a seguinte: parece que ele leu o livro do David Allen, achou complicadinho, sequer tentou amadurecer no sistema, e achou, do alto da sua superioridade, que poderia simplificar o método.

As críticas que ele faz ao GTD no livro (“é um método complicado” ou “não foca na execução, mas no planejamento”) são críticas comuns de quem nunca implementou o GTD de verdade. E olha, eu posso afirmar isso porque tenho muitos anos de uso do GTD. Eu mesma já tive esse pensamento, até descobrir que, na verdade, eu é quem estava complicando as coisas.

No geral, o método GTD é muito simples: esvazie sua cabeça, organize suas listas de tarefas por contextos, use a agenda somente para compromissos e revise semanalmente. Isso é o GTD. Há coisas a mais, que você vai implementando aos poucos, à medida que amadurece com o método, como a coisa dos objetivos, listas de projetos, definição de prioridades, áreas de foco etc. São reflexões que o GTD traz sobre a vida, inclusive para saber se o que você está fazendo é o que você realmente quer – sua paixão.

Eu demorei para ler o livro do Leo Babauta porque sempre me dei bem com o GTD, mas eu sinceramente esperava algo mais, já que tantas pessoas afirmam com a boca cheia “eu não uso o GTD, uso o ZTD”. Minha gente, é a mesmíssima coisa. A mesma. Com a diferença que o ZTD deixa n brechas – não há relação entre tarefas e projetos, entre outras.

Uma das críticas do Leo ao GTD é que o GTD quer que você adquira novos hábitos de uma vez. Oras, isso depende da pessoa. Há um senso comum entre os GTDs-professionals que uma pessoa só estará usando o GTD de forma plena em uns dois anos mesmo, justamente porque você vai se habituando a fazer uma coisa de cada vez. Eu achei os 10 hábitos do Leo (que ele propôe em vez do método GTD) muito mais cansativos e sem links uns com os outros. Não há um processo, somente uma série de diquinhas que qualquer autor de livros de organização faz, bastando ser criativo. Por exemplo: o Christian Barbosa desenvolveu o método da tríade. É um método legal? Claro que sim, e há seus adeptos. E não há problema nenhum nisso. A questão é que ele não acha que o seu método é melhor, mais simples, eficaz etc que o GTD.

Acompanho o blog do Leo Babauta há muito, muito tempo, e já vi diversos gaps em seus textos que me fizeram desconfiar de uma série de coisas que ele “prega”. Não vou entrar em detalhes aqui, mas não me convence. Acho os textos fracos e superficiais. A diferença é que ele encontrou um nicho inexplorado lá atrás e se deu bem nele. Parabéns, tem seu mérito. Mas hoje em dia considero seus textos muito superficiais e prepotentes. Já gostei, no entanto, e há bons textos antigos disponíveis no seu blog.

Enfim, não é “birrinha”, mas realmente fiquei decepcionada com o livro sobre o ZTD quando o li. Esperava muito mais e, no final das contas, é uma cópia mal-feita do livro do David Allen, onde ele tentou apresentar uma visão mais simplificada que, na verdade, é somente a visão dele do GTD, assim como eu mostro a minha no blog e cada um que aplica adaptará ao seu “estilo”. Mas dizer que é um método diferente, novo, mais simples e eficaz que o GTD, me desculpe.

A você, que usa o ZTD “porque é mais simples que o GTD”: estude o GTD. Leia um pouquinho do livro hoje, um pouquinho amanhã. Eu já reli esse livro umas 200 vezes e sempre encontro algo novo e legal que me faz entender melhor o sistema todo. Se eu, que uso o GTD há ANOS, e muitas outras pessoas que usam há mais tempo que eu, dizem que há sempre o que aprender e implementar no sistema, como alguém que experimentou tão pouco pode tirar conclusões tão precipitadas? Isto não é uma “crítica”, não me acho superior por usar o GTD (longe disso). Apenas quero dar uma opinião de quem usa há tempos o GTD sobre o ZTD, pois nunca li algum relato de experiência assim. Portanto, espero que seja útil de alguma forma.

Conclusão: o ZTD não é coisíssima nenhuma “a versão simplificada do GTD”. É a visão do Leo Babauta do método, tendo experimentado um pouco e borbulhando a mente de ideias para publicar um novo e-book. Ele tem todo o direito de fazer isso, mas por favor, não digam que o ZTD é mais simples-eficaz-etc que o GTD. É somente o GTD aplicado por uma pessoa.

Thais Godinho

Organizadora profissional e publicitária, criou o blog para ajudar as pessoas a se organizarem.

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