ou

Uma leitora postou um comentário em outro post e eu resolvi responder em formato de post porque acredito que seja a dúvida de outros leitores também.

Nesse atual momento, eu tenho uma pergunta: Thais, como fazer pra definir o meu trabalho, sabendo eu que ficarei responsável pelo trabalho de outra pessoa que sairá de licença maternidade e que é de outro setor? *no caso, ficarei com o eu, e com o da pessoa). Estou surtando com isso, mesmo fazendo treinamentos. Pra me ajudar, perdi o rumo da minha casa (fazia flylady e saí bastante dele…), voltei a faculdade, as aulas da filha voltarão e os horários estão apertados… e preciso ainda por cima emagrecer pois está afetando a minha saúde… estou surtando!!! Eu faço duas listas (meu trabalho, trabalho da outra pessoa) ou coloco todas as atividades em uma lista só, incluindo casa, filha, etc? Help!!!

Querida leitora,

Existem tipos diferentes de sobrecarga de trabalho. Um tipo é a sobrecarga temporária, como é o caso do seu trabalho. Você ficará responsável pelas atividades de uma pessoa que é de outro setor e que sairá de licença maternidade. No “mundo ideal”, o gestor dessa pessoa listaria suas atividades e alocaria a diferentes pessoas, de modo que não sobrecarregasse ninguém, e também de acordo com as habilidades de cada funcionário. Toda vez que alguém sai de licença maternidade, eu acredito que esse deveria ser o procedimento, mas sei que as coisas não funcionam assim na realidade. É muito mais fácil dizer: “olha, todo aquele trabalho vai para você mesmo, então se vire com todo o trabalho que você já tem, além desse”.

Nesse caso, minha recomendação é que você se comunique. Converse com a pessoa, com o gestor dela e com o seu gestor sobre tais atividades. Procure entender o máximo possível o que ela faz e também listar quais são as atividades essenciais que ela deve fazer diariamente e semanalmente (mais como processos), para não deixar esses pratinhos caírem, e entender de que projetos ela faz parte, para poder contribuir da melhor maneira. Muitas coisas, especialmente se envolverem conhecimento que você não tem, provavelmente devem ser passadas a outras pessoas ou mesmo adiadas até que ela volte.

Veja, não deveria ser você a responsável por isso. Então procure se comunicar com todos os envolvidos, para que essa expectativa fique clara.

Agora, com relação a todas as atividades que você poderá de fato abrigar, pense apenas em passar bem por esses meses todos. Analise essas novas atividades e as suas e verifique aquilo que é essencial que você faça diariamente, semanalmente e mensalmente, para garantir que “o básico” seja feito de qualquer maneira. Depois, analise os seus projetos em andamento para decidir, junto com o seu gestor, o que é prioritário e o que pode esperar alguns meses. Veja, é humanamente impossível dobrar a carga de trabalho de uma hora para a outra. Você precisa deixar isso claro para o seu gestor. Então, mesmo que ele diga “se vira, faz tudo”, você não vai conseguir fazer. Então vale a pena ter uma conversa honesta para que sejam definidas prioridades e você trabalhe em cima delas, dizendo que há determinadas atividades que talvez não seja possível fazer.

Se isso está interferindo na sua vida pessoal, busque soluções. Lembre-se que tudo é temporário, então se você puder aceitar um pouco de caos durante esses meses, aceite internamente e não se cobre. Agora, se não puder lidar com isso, busque soluções. Não reclame mais de uma vez da mesma coisa – ou resolva ou desencane (tem sido meu lema ultimamente, e tem me ajudado!). Distribua atividades em casa pela família ou contrate ajuda. Verifique seu orçamento e a possibilidade de fazer isso, lembrando que é temporário.

Você diz que está afetando a sua saúde, porque precisa emagrecer, além de tudo. Muita calma nessa hora. Pelo que entendi, o problema do emagrecimento já estava aí antes de tudo isso acontecer, então por que quer correr para resolver isso agora, quando as coisas tendem a se intensificar durante um tempo? Não se cobre tanto, deixe as coisas começarem a entrar nos eixos. Isso não significa não tomar nenhuma atitude a respeito – procure se alimentar de maneira mais saudável, consulte uma nutricionista, e todo o resto que demanda mais tempo (como exercícios físicos, por exemplo), veja o que pode fazer agora e o que simplesmente não dá. Quando as atividades se intensificam temporariamente, não é hora de adicionar coisas novas na vida.

Sobre colocar as coisas em uma lista só ou em três, eu iria além nessa questão. Não se trata de ter uma única lista. Você tem diversas facetas na sua vida, diversas áreas de foco, projetos, responsabilidades. Não dá pra ter “uma lista” porque são categorias diferentes de coisas. Se você gosta do GTD, a proposta são 4 listas para ações: Próximas Ações, Projetos, Aguardando Resposta e Calendário. Agora, se você me perguntar se compensa separar “trabalho, pessoal e o trabalho da outra pessoa”, não concordo. Eu usaria a separação que faz sentido para mim (descrita nas 4 listas acima), como faço para tudo. Porque o que me importa é ver o que eu *tenho* que fazer no dia e na semana, para ser meu foco (Calendário), trabalhar nas “tarefas” que preciso executar nos intervalos entre os meus compromissos (Próximas Ações), revisar semanalmente os meus compromissos e entregas de curto prazo (Projetos) e saber tudo o que outras pessoas precisam me entregar, ou que deleguei (Aguardando Resposta). Isso coloca a vida em ordem.

Quando a gente pensa no volume, no montante, tende a ficar travada porque não sabe nem por onde começar. Por isso recomendo pegar uma coisa de cada vez e ter mais clareza sobre o que cada uma delas significa e como organizar de modo que faça sentido para você.

Então, voltando no post onde você comentou, lembrar que você terá que descobrir uma proporção adequada durante os próximos meses para o trabalho já definido (nessas listas), o trabalho que aparece no dia e o tempo que você passa definindo todas essas coisas. Isso não muda – só muda a proporção.

Espero ter ajudado. Boa sorte nos próximos meses, e pegue leve com você mesma. Liste o essencial, foque nele e deixe o restante como “se der, ótimo. se não der, não vou me martirizar por isso”.

Thais Godinho
13/02/2017
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Libere a tralha da sua escrivaninha em 4 passos
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Dúvida da leitora: Colega sairá em licença maternidade e vou abrigar todas as atividades dela

Comprei a revista Você S/A de setembro (como sabem, gosto muito da revista) e, ao ler a coluna do Eugênio Mussak, tive a ideia para escrever este post. Ela já tinha sido estartada quando assisti um programa Saia Justa, no canal GNT, outro dia, quando falava um pouco sobre esse tema também.

O Eugênio escreve muito bem, e nesta coluna ele compara os conceitos matemáticos de MMC (mínimo múltiplo comum) com o novo conceito de MDA (mínimo desempenho aceitável) no trabalho. Basicamente, esse MDA é o nível de conforto que alguns profissionais atuam nas empresas – o mínimo de trabalho que você tem que fazer para não ser mandado embora. E, segundo o Eugênio, há muitos profissionais que fazem esse pacto com a mediocridade, trabalhando e fazendo esse mínimo, em vez de buscar o máximo (chamado de MDP – máximo desempenho possível).

Eu acho que vale a gente falar sobre esse assunto porque vem sendo criada uma pressão do protagonismo, ou seja – o mundo pressiona para que você seja o melhor, o mais feliz, o mais produtivo, o protagonista da sua vida, do seu trabalho. Confesso que já me senti muito assim. Eu tenho a séria tendência de me tornar workaholic porque amo trabalhar e costumo somente aceitar trabalhos que eu possa fazer com paixão, pois não funciono de outro modo. E estou sempre pensando em projetos novos, em melhorias para os já existentes, enfim… sou daquelas pessoas que não podem tomar muito café no escritório porque senão acaba sendo barrada pelo excesso de atividades.

Mas, no programa Saia Justa, levantou-se a questão: se o mundo é feito de protagonistas, onde eles atuam? Porque, para uma pessoa ser protagonista, significa que ela tem ao seu redor um montão de outras pessoas que não sejam. E é ok ser simplesmente o motorista de táxi que é feliz no dia a dia sem ter a ambição de ter uma frota inteira! Também é ok ser feliz em um trabalho sem que queira chegar a ser presidente da empresa.

Será que não estamos criando pessoas com expectativas altas demais? Especialmente quando falamos dessa geração mais nova, chamada de “mememe” (jogo de letras entre “mimimi” e “eueueu”), que são pessoas que estão crescendo com foco na felicidade e no “fazer somente o que eu quiser”? Essa geração já tem a tendência a se achar a última bolacha do pacote, mas com essa pressão para ser sempre o protagonista, será que não estamos, na verdade, criando uma geração de pessoas frustradas e com tendências depressivas?

Eu recebo muitas solicitações de entrevistas e consultoria para veículos de comunicação por causa do blog, e tento sempre fazer os próprios jornalistas refletirem um pouco antes de disseminarem ideias equivocadas. Sempre me perguntam: “Thais, como um profissional pode aumentar a sua produtividade?”. E eu sempre rebato com a questão: será que precisamos mesmo aumentar a produtividade dessas pobres pessoas? Já não estamos produzindo demais, trabalhando demais, vivendo de menos? Então sempre peço para que seja usado o termo melhorar a produtividade, porque, do meu ponto de vista, significa exatamente isso: saber gerenciar melhor o tempo, usá-lo para atividades úteis e atividades de descanso também, assim como atividades prazerosas ou simplesmente nenhuma atividade! O ócio também pode ser bom para nos trazer ideias, assim como a desconexão.

Entendo o ponto de vista do Eugênio porque certamente tem muito profissional que não sai de sua zona de conforto e isso prejudica não só as entregas da empresa e a falta de inovação, mas a própria carreira dele, que não evolui. Mas ele não precisa fazer o máximo, somente melhorar sua produtividade. Acho que é um ponto de atenção que devemos ter, pois talvez essa pressão para fazermos sempre mais mais mais, buscar sempre o máximo, pode nos levar a um resultado não tão legal (um infarto, por exemplo). Todo mundo já está sofrendo pressão demais. Quem tem a verve de trabalhar pra caramba e fazer acontecer, ao ler uma coisa dessas, pode ficar sempre se frustrando, achando que nunca está fazendo o suficiente. Não sei se vale a pena perpetuar esse pensamento em detrimento de um grupo que talvez sequer tenha interesse em comprar uma revista sobre seu trabalho (como no caso da Você S/A).

Em um mundo onde todo mundo quer ser protagonista, onde ficam as pessoas comuns? Elas também existem, é um equilíbrio. E tudo bem! Essa pressão por ser sempre o máximo ou o melhor acaba se tornando um desserviço à humanidade e até à saúde pública. Sou a favor da produtividade para termos realização pessoal, mas quando o foco deixa de ser essa realização para ser a produtividade em si, acredito que algo tenha se perdido pelo caminho.

Thais Godinho
16/10/2013
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Como estou organizando meus projetos atualmente no GTD – Setembro 2015
Atualizações sobre a mudança
Nosso apartamento e decisões bem pensadas