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Viver uma vida com tranquilidade é uma arte e, como toda arte, uma habilidade a ser desenvolvida por toda a vida.

O que é o estresse? “Estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, levam o organismo a disparar um processo de adaptação caracterizado pelo aumento da secreção de adrenalina, com várias consequências sistêmicas.”

O estresse é sempre ruim? Não necessariamente. Mas, hoje, o que as pessoas vivem é uma situação de estresse constante advinda de coisas como: relacionamentos conturbados, excesso de trabalho, preocupações, filhos com problemas, muitas atividades, pouco sono, alimentação de qualquer jeito, ausência de atividade física e momentos de lazer, além de outros fatores.

Este post traz então um guia prático para você ter menos estresse. Aceita o desafio? Vamos lá!

1. O mundo não coloca limites

Você coloca. E, se não colocar conscientemente, seu corpo vai te forçar a colocar. Só que você não precisa esperar isso acontecer para tomar essa providência. Se você tivesse um infarto hoje e tivesse que ficar de repouso durante um mês, como ficaria o seu trabalho? O que pode ser delegado? O que pode esperar? Se você pudesse trabalhar apenas duas horas por dia, quais seriam as tarefas que você priorizaria? E veja: você não precisa passar por uma situação urgente de saúde como essa para fazer essa seleção. Reflita sobre as perguntas acima e comece já.

2. Você não precisa resolver tudo

Sabe o abraço do afogado? Não adianta você querer salvar o colega que está se afogando ao seu lado se você mesmo não sabe nadar. Ambos vão se afogar. Ajudar os outros é louvável – eu tenho isso como princípio de vida. Mas eu também sei que, para ajudar, preciso estar bem. Não adianta querer ser a mãe do ano amamentando o bebê sem dormir e descansar, pois esse cansaço pode prejudicar outras frentes com o próprio bebê (trocar um remédio, por exemplo). Permita-se deixar algumas coisas de lado e pedir ajuda, ou simplesmente dizer que não tem como ajudar no momento.

3. Nem tudo tem solução no momento

Existe uma máxima budista que diz: “Se as coisas têm solução, não precisa se preocupar. Se não têm, também não precisa.”. Muitas vezes, só precisamos de um tempo e a solução vem sozinha em formato de sonho ou de “clique”. E, se não tiver solução, aceite isso internamente e deixe o sentimento ir. Muitas vezes, algo tem solução mas você não consegue enxergá-la no momento. Será que você precisa de um tempo? Dê-se esse tempo. Chute um pouco o balde. Tomar decisões expressivas com pressa pode gerar arrependimentos. Se não precisa de tempo, será que precisa de mais informações? Busque as informações. E depois dê-se tempo para decidir. Não cobre uma decisão. Se você não consegue decidir, pode simplesmente não ser a hora mesmo de tomar a decisão, e isso é ok!

4. Tire o que não for essencial

Dê uma olhada nas suas atividades do dia a dia, projetos, relacionamentos e faça uma seleção sincera daquilo que você realmente precisa manter na sua vida no momento. Pode ser que você precise aguentar os problemas e a desorganização do seu chefe, mas não precise aguentar as fofocas daquele colega de trabalho. Uma coisa você pode cortar, outra não, mas já cortou algo! E uma coisa a menos, junto com outras, fará toda a diferença.

5. Pense a médio e longo prazo

Pare de focar durante um tempo nas atividades do dia a dia, que são muito volumosas. Dê uma olhada em tudo o que já fez até aqui e pense um pouco no que gostaria de fazer nos próximos anos. Ter esse tipo de reflexão ajuda a colocar os pensamentos em ordem, e muitas vezes isso é o suficiente para destralhar e focar no que é mais importante agora.

Caso você queira explorar mais esse assunto, faça nosso curso online: Aprenda a identificar prioridades.

Thais Godinho
28/04/2017
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Uma leitora postou um comentário em outro post e eu resolvi responder em formato de post porque acredito que seja a dúvida de outros leitores também.

Nesse atual momento, eu tenho uma pergunta: Thais, como fazer pra definir o meu trabalho, sabendo eu que ficarei responsável pelo trabalho de outra pessoa que sairá de licença maternidade e que é de outro setor? *no caso, ficarei com o eu, e com o da pessoa). Estou surtando com isso, mesmo fazendo treinamentos. Pra me ajudar, perdi o rumo da minha casa (fazia flylady e saí bastante dele…), voltei a faculdade, as aulas da filha voltarão e os horários estão apertados… e preciso ainda por cima emagrecer pois está afetando a minha saúde… estou surtando!!! Eu faço duas listas (meu trabalho, trabalho da outra pessoa) ou coloco todas as atividades em uma lista só, incluindo casa, filha, etc? Help!!!

Querida leitora,

Existem tipos diferentes de sobrecarga de trabalho. Um tipo é a sobrecarga temporária, como é o caso do seu trabalho. Você ficará responsável pelas atividades de uma pessoa que é de outro setor e que sairá de licença maternidade. No “mundo ideal”, o gestor dessa pessoa listaria suas atividades e alocaria a diferentes pessoas, de modo que não sobrecarregasse ninguém, e também de acordo com as habilidades de cada funcionário. Toda vez que alguém sai de licença maternidade, eu acredito que esse deveria ser o procedimento, mas sei que as coisas não funcionam assim na realidade. É muito mais fácil dizer: “olha, todo aquele trabalho vai para você mesmo, então se vire com todo o trabalho que você já tem, além desse”.

Nesse caso, minha recomendação é que você se comunique. Converse com a pessoa, com o gestor dela e com o seu gestor sobre tais atividades. Procure entender o máximo possível o que ela faz e também listar quais são as atividades essenciais que ela deve fazer diariamente e semanalmente (mais como processos), para não deixar esses pratinhos caírem, e entender de que projetos ela faz parte, para poder contribuir da melhor maneira. Muitas coisas, especialmente se envolverem conhecimento que você não tem, provavelmente devem ser passadas a outras pessoas ou mesmo adiadas até que ela volte.

Veja, não deveria ser você a responsável por isso. Então procure se comunicar com todos os envolvidos, para que essa expectativa fique clara.

Agora, com relação a todas as atividades que você poderá de fato abrigar, pense apenas em passar bem por esses meses todos. Analise essas novas atividades e as suas e verifique aquilo que é essencial que você faça diariamente, semanalmente e mensalmente, para garantir que “o básico” seja feito de qualquer maneira. Depois, analise os seus projetos em andamento para decidir, junto com o seu gestor, o que é prioritário e o que pode esperar alguns meses. Veja, é humanamente impossível dobrar a carga de trabalho de uma hora para a outra. Você precisa deixar isso claro para o seu gestor. Então, mesmo que ele diga “se vira, faz tudo”, você não vai conseguir fazer. Então vale a pena ter uma conversa honesta para que sejam definidas prioridades e você trabalhe em cima delas, dizendo que há determinadas atividades que talvez não seja possível fazer.

Se isso está interferindo na sua vida pessoal, busque soluções. Lembre-se que tudo é temporário, então se você puder aceitar um pouco de caos durante esses meses, aceite internamente e não se cobre. Agora, se não puder lidar com isso, busque soluções. Não reclame mais de uma vez da mesma coisa – ou resolva ou desencane (tem sido meu lema ultimamente, e tem me ajudado!). Distribua atividades em casa pela família ou contrate ajuda. Verifique seu orçamento e a possibilidade de fazer isso, lembrando que é temporário.

Você diz que está afetando a sua saúde, porque precisa emagrecer, além de tudo. Muita calma nessa hora. Pelo que entendi, o problema do emagrecimento já estava aí antes de tudo isso acontecer, então por que quer correr para resolver isso agora, quando as coisas tendem a se intensificar durante um tempo? Não se cobre tanto, deixe as coisas começarem a entrar nos eixos. Isso não significa não tomar nenhuma atitude a respeito – procure se alimentar de maneira mais saudável, consulte uma nutricionista, e todo o resto que demanda mais tempo (como exercícios físicos, por exemplo), veja o que pode fazer agora e o que simplesmente não dá. Quando as atividades se intensificam temporariamente, não é hora de adicionar coisas novas na vida.

Sobre colocar as coisas em uma lista só ou em três, eu iria além nessa questão. Não se trata de ter uma única lista. Você tem diversas facetas na sua vida, diversas áreas de foco, projetos, responsabilidades. Não dá pra ter “uma lista” porque são categorias diferentes de coisas. Se você gosta do GTD, a proposta são 4 listas para ações: Próximas Ações, Projetos, Aguardando Resposta e Calendário. Agora, se você me perguntar se compensa separar “trabalho, pessoal e o trabalho da outra pessoa”, não concordo. Eu usaria a separação que faz sentido para mim (descrita nas 4 listas acima), como faço para tudo. Porque o que me importa é ver o que eu *tenho* que fazer no dia e na semana, para ser meu foco (Calendário), trabalhar nas “tarefas” que preciso executar nos intervalos entre os meus compromissos (Próximas Ações), revisar semanalmente os meus compromissos e entregas de curto prazo (Projetos) e saber tudo o que outras pessoas precisam me entregar, ou que deleguei (Aguardando Resposta). Isso coloca a vida em ordem.

Quando a gente pensa no volume, no montante, tende a ficar travada porque não sabe nem por onde começar. Por isso recomendo pegar uma coisa de cada vez e ter mais clareza sobre o que cada uma delas significa e como organizar de modo que faça sentido para você.

Então, voltando no post onde você comentou, lembrar que você terá que descobrir uma proporção adequada durante os próximos meses para o trabalho já definido (nessas listas), o trabalho que aparece no dia e o tempo que você passa definindo todas essas coisas. Isso não muda – só muda a proporção.

Espero ter ajudado. Boa sorte nos próximos meses, e pegue leve com você mesma. Liste o essencial, foque nele e deixe o restante como “se der, ótimo. se não der, não vou me martirizar por isso”.

Thais Godinho
13/02/2017
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Deveria ser proibido a gente abrir uma caixa de mudança na casa nova e descartar algo que estava dentro. É importante fazer essa seleção antes de se mudar – ideal mesmo é fazer antes de começar a encaixotar seus pertences. Se a gente deixar para decidir enquanto já está colocando dentro de caixas, a tendência é colocar tudo dentro porque é mais fácil fazer isso que decidir dar outro fim ao objeto (“só quero me livrar disso”). Portanto, antes mesmo de começar a empacotar tudo, destralhe. Aliás, vou além: mesmo que não tenha uma mudança em vista, destralhe como se tivesse. Porque a tendência do ser humano sempre é a de acumular coisas enquanto houver espaço para elas.

Segue então uma checklists do destralhamento para mudanças:

  • Comece com as SUAS coisas, e não com tudo de todo mundo da casa:
    • Materiais de referência: arquivos, documentos, material no geral, papelada no geral
    • Equipamentos: gadgets, eletrônicos
    • Decoração: quadros, bibelôs, lembranças, presentes, tapetes etc
    • Móveis: O que você precisa levar? O que pode doar ou vender?
    • Suprimentos: artigos de escritório, cadernos, canetas, cosméticos, remédios e outros
    • Roupas, sapatos, acessórios (bolsas, cintos, lenços)
    • Livros, revistas, CDs, filmes, discos
  • Passe para as coisas de uso comum:
    • Decoração
    • Móveis
    • Panelas, itens de cozinha, itens de área de serviço e relacionados
    • Eletrodomésticos, eletrônicos, equipamentos
    • Papelada
  • Auxilie nos objetos de uso individual das outras pessoas que moram com você, mas sem forçar – deixe a pessoa decidir:
    • Brinquedos dos filhos
    • Roupas do marido ou da esposa ou de outro familiar
    • Artigos pessoais de outras pessoas

Há muitos objetos que podem ser doados ou até mesmo vendidos. Hoje, com tantas opções de canais online para isso (OLX, Bom Negócio, o próprio Facebook), é bobeira ficar com coisas em casa que já não sirvam mais para a gente. Quem não quiser vender pode ajudar alguém fazendo uma doação, pois sempre tem alguém que precisa de algo que a gente não use mais. Portanto:

  1. Venda
  2. Presenteie alguém
  3. Doe para quem precisa
  4. Reaproveite para outros usos
  5. Recicle
  6. Jogue no lixo

Além de diminuir a quantidade de coisas que precisarão ser encaixotadas, você se liberta. É libertador viver com o que for necessário ou amamos muito, sem tralhas. No final das contas, a mudança vem antes.

Thais Godinho
07/02/2017
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