ou

“Qual seu resultado desejado?”

Foi o que perguntei a um participante de um curso de GTD que estava ministrando. “Passar mais tempo com o meu filho”, ele respondeu.

“Mais tempo quanto? 15 minutos”, provoquei.

“Na verdade não”, ele continuou. “Trabalho tanto que, quando chego de noite em casa, ele já está dormindo. Saio tão cedo que ele ainda não acordou. Aos finais de semana, acabamos tendo tantos eventos como visitar os avós, ir ao mercado, ir ao cabeleleiro… que eu não consigo ter, semana a semana, tempo para fazer nada com ele, ou jogar bola, ir ao cinema… E isso me deixa com um sentimento de derrota que nem consigo descrever. Vejo a minha vida passando, o meu filho crescendo, e eu não faço parte disso. O que eu realmente queria era chegar mais cedo em casa durante a semana e, aos finais de semana, fazer pelo menos um passeio só com ele.”

“E o que você precisa fazer para ter mais tempo durante a semana?”

“Me organizar. Terminar tudo o que eu preciso fazer no dia antes das 18 horas e, quando der meu horário, ir embora. E só vou conseguir isso se estiver tranquilo, se as prioridades estiverem claras, se eu tiver clareza do que pode ser feito apenas no dia seguinte. E, para o fim de semana, vou conversar com a minha esposa para vermos como organizar nossas atividades de maneira melhor também.”

“Então você já tem duas ações bem específicas. Uma é conversar com a sua esposa sobre os finais de semana, e a outra é estabelecer um horário para sair do trabalho durante a semana.”

“Você falando assim parece fácil.”

“Não é para ser difícil. As prioridades na sua vida já estão claras. Você só precisa se permitir vivê-las.”

Sempre que nos vemos em uma situação que nos incomoda, ou que não nos atende, ou nos insatisfaz de qualquer maneira, pode ser útil refletir um pouco sobre qual o resultado desejado para aquilo. Nossa vida é uma construção que fazemos todos os dias. Hoje eu coloco algumas pedras aqui, a argamassa ali. Amanhã posso querer destruir uma parte para executá-la de maneira melhor, ou porque preciso investir os recursos do outro lado. Mas refletir sobre o que precisa ser feito, o que eu quero que aconteça, é parte essencial dessa jornada.

Uma saúde instável, a alimentação negligenciada, o pouco tempo para os filhos, o estresse, os prazos em atraso – tudo isso são os frutos que geramos diariamente, semanalmente, mensalmente… Se queremos frutos diferentes, precisamos começar a plantar sementes diferentes. E essas sementes precisam ser regadas, cuidadas… para que germinem e, em algum tempo, gerem os resultados que você queira colher em determinado momento da sua vida.

Ninguém planta uma semente e tem uma árvore no dia seguinte. O mesmo vale para a sua vida, todos os seus projetos, iniciativas, habilidades – sua organização de maneira geral. Uma frase que você fala hoje para uma pessoa no trabalho está plantando algo nesse seu relacionamento com ela. E assim acontece com todas as coisas. Por isso hábitos são importantes. Hábitos são a rega diária.

Se você tem pouco tempo para os seus filhos, como no exemplo acima, pergunte-se quais são as pequenas sementes que vêm plantando. Porque você já deve ter percebido que uma área da vida influencia na outra. Está tudo integrado. O que você planta aqui, você colhe não apenas aqui, mas ali, lá e em outros lugares. Você pode plantar sementes para ser bem sucedido no trabalho, mas que outros frutos você está colhendo disso? O segredo aqui é estar consciente e tranquilo sobre as sementes que você vem plantando.

E é aos poucos, dia a dia, semente a semente, que você vai construindo o estilo de vida que quer ter, o projeto que quer concluir, a educação do seu filho, os seus relacionamentos, o seu condicionamento físico, ou até mesmo um hobby que você tenha ou gostaria de ter.

A fertilidade é um privilégio, e ela se expressa em todas as coisas.

Seja bem-vindo, maio.

Thais Godinho
01/05/2017
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Carta da editora
20
Checklist de fevereiro 2012
Checklist de março 2012
Checklist de dezembro 2012

Semana passada acordei com esse tema na cabeça e decidi que ele seria o post para abrir o mês de abril. É outono, minha estação preferida e, apesar de ser uma época de recolhimento da natureza, é quando me sinto mais viva. Quando começa a chegar a época de frio (ou menos calor), eu tenho mais disposição, acordo mais cedo, quero fazer mais coisas.

Um dia desses, levantando muito cedo, no frio, com chuva, depois de dormir até menos horas do que costumo dormir, mas acordando naturalmente e com muita vontade de acordar e começar o dia, pensei que seria uma boa escrever sobre esse sentimento.

Sabe, ele é raro. Acho que pra todo mundo. Eu, pelo menos, adoro dormir. Mas então eu percebi, nos últimos anos, que acordar cedo, sem despertador, tem um gatilho. E, no meu caso, é o gatilho dos sonhos que eu estou correndo atrás. “Ai Thais, que piegas esse texto, já vi tudo…” – tentarei fazer com que não seja, juro!

Gosto de falar que sonho organizado vira objetivo. E eu tenho me sentido bastante focada e engajada com a minha vida como um todo, em um estado que nunca senti tanto e com tanta constância. Se é isso o que o David chama de mente como água, estou chegando lá. E tenho tornado esses dias menos raros e mais frequentes.

Ultimamente tenho ido dormir com um propósito e acordado com uma motivação diferente. Algumas coisas que tenho feito que têm influenciado demais no meu estado de espírito, para o bem:

  1. Primeiro, escolher um tema agradável e que me inspire para eu ficar pensando enquanto estou adormecendo. Pode ser qualquer coisa que não deixe minha mente a mil e gerando demandas. Geralmente penso, por exemplo, eu um dia feliz que tive com a minha família – relembrando em detalhes. Ou com alguém da minha família, no passado recente ou anos atrás. Ou mesmo a consolidação de projetos que estejam em andamento – me imaginando no resultado, sendo feliz e vendo o impacto deles no final. Tudo isso são cenários que crio dentro da minha cabeça e me fazem dormir inspirada e ter sonhos bons.
  2. Segundo, que me permito ir dormir em um horário adequado. Não vou mentir – às vezes estou inspirada à noite 9especialmente escrevendo) e gosto de ir dormir mais tarde. Mas, na maior parte dos dias, gosto de ir para a cama em um horário razoável, que me permita dormir minhas sete horas e meia diárias bem. Isso significa deitar na cama pelo menos nove horas antes do meu primeiro compromisso ou da hora que pretendo acordar, pois demoro um tempo para dormir e gosto de dormir com a tranquilidade de que acordarei depois de ter dormido o suficiente, mas sem ser muito tarde.
  3. Terceiro, é me programar para fazer algo realmente inspirador e significativo quando acordar. Algo que vai mover algum projeto ou objetivo importante adiante. Minha nossa, eu acordo motivadíssima. Sei que o clima influencia no meu humor, mas ter algo que eu realmente queira fazer pela manhã me anima muito. E me dá grande satisfação pessoal ter concluído isso antes da metade da manhã. Eu me sinto como se já tivesse começado o dia adiantada com relação ao resto do mundo ou, mais do que isso, ao meu eu que poderia ainda estar dormindo. Fico muito feliz.

Por isso, um roteiro dos meus dias tem sido mais ou menos assim:

Acordar, meditar, preparar um café ou chá, olhar o tickler, colocar meu fone de ouvido, ouvir uma música calma no Spotify e ler o NY Times (geralmente as partes de cultura, viagem e bem-estar). Fico muito bem quando faço isso. É uma espécie de ritual que já tenho há algum tempo.

Trabalhar na coisa mais significativa possível para aquele dia. De preferência terminando até o meio da manhã. Vejam, eu não abro e-mail, respondo mensagem, me estresso com nada disso. Foco em coisas maiores antes.

Trabalhar nos prazos que estão na minha agenda do Google (com exceção dos compromissos que correm ao longo do dia) antes do almoço. Sei que o que está lá deve ser feito no dia, e geralmente são coisas mais rápidas, como vencimento de contas ou outras parecidas. Finalizar o que está ali me deixa com uma sensação ótima de dever cumprido.

Esclarecer meus e-mails antes de parar para almoçar. Esvazio minha caixa de entrada diariamente, a não ser quando passo o dia inteiro em eventos externos. Aí deixo uma resposta automática e esvazio a caixa assim que estiver de volta.

Almoçar com o meu filho. Esse intervalo que faço serve para recarregar as minhas energias.

Fazer uma pausa razoável para o almoço, geralmente de uma hora e meia. Aproveito para ver alguma série de tv, ler uma revista ou simplesmente ficar deitada descansando a mente. Faz muita diferença mas, se eu estiver bem disposta, prefiro voltar a trabalhar mais cedo.

Na parte da tarde, realizar as tarefas de rotina. Geralmente depois do almoço eu demoro para retomar o ritmo e respeito isso. Aproveito para cuidar das finanças, responder mensagens e outras ações relacionadas.

Antes do fim do dia, trabalhar nos prazos do Todoist relacionados ao computador. Ou seja, procuro focar no trabalho online nesse período para poder desligar o computador com tranquilidade no início da noite.

Esclarecer minha caixa de entrada física antes de o dia acabar. Ter uma visão geral dos próximos três dias. Terminar o dia com a caixa de entrada vazia e os próximos dias em vista são duas coisas que me dão bastante clareza e controle sobre a situação.

Responder alguns últimos e-mails antes de encerrar meu expediente.

Passear com os cachorros ou ir caminhar. Alterno entre esse horário e depois do almoço.

Fazer a rotina noturna com o filhote, que inclui conversar sobre a escola, dar banho, jantar, ficar junto.

Aproveitar a noite para alguma leitura ou estudo leve, sem dispositivos eletrônicos. Leio livros relacionados ao trabalho, estudo minhas apostilas de cursos, faço mapas mentais, planejamentos, tudo no papel. É um pouco terapêutico. Muitas vezes, fico ao lado do meu filho enquanto ele lê também antes de dormir.

Fazer minha rotina noturna básica: conferir a previsão do tempo, separar a roupa para amanhã, escovar os dentes etc. Especialmente quando trabalho em casa, percebi que faz muita diferença já deixar a roupa que vou usar separada.

Estar na cama em um horário razoável para ler algum livro de ficção leve (estou relendo o Senhor dos Anéis) antes de dormir.

Dividir meu dia dessa maneira (manhã de compromisso, tarde de rotina e noite offline) tem sido muito bom. Não cumpro 100% das vezes, mas é um guia que procuro seguir todos os dias e, quando consigo, é muito bom.

O que me tira da cama é essa vontade mesmo de aproveitar o dia, porque o que posso escolher fazer está claro e definido. Reviso sempre o que precisa ser feito e recalibro minha vida constantemente.

Organização traz liberdade.

Thais Godinho
01/04/2017
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Eu nunca liguei muito para o que dizem a respeito de o ano começar depois do Carnaval, mas este ano eu vi isso muito de perto. As pessoas de modo geral estão tão desgostosas de tudo o que tem acontecido politicamente e economicamente no Brasil que resolveram curtir os feriados de início de ano e o Carnaval para valer. Praticamente todo mundo com quem conversei falou a frase “depois do Carnaval eu começo a ver isso”. Então, se você também esperou até aqui para começar a fazer algumas coisas, seja bem-vindo(a).

Aqui no Vida Organizada nós iniciamos um especial de planejamento do ano novo ainda em outubro, com a ideia de fazer deste ano algo mais artesanal, que você pudesse construir de acordo com o estilo de vida que quer ter. Há alguns dias, falamos também sobre a revisão desses planos no primeiro e para o segundo trimestre do ano. A ideia não é engessar a vida – apenas cuidar do tempo que temos, garantindo que não estejamos deixando de fazer coisas que, mais tarde, nos arrependeríamos.

Se você deixou para começar a pensar no ano novo apenas agora, você perdeu dois meses do ano, e muita coisa pode ser feita em dois meses! Não quero dar bronca em ninguém – quero apenas alertar para o fato de que muitas vezes nos deixamos cair em convenções comuns como “o ano novo começa só depois do Carnaval” e isso impacta a nossa vida sem nem a gente perceber. É uma crença limitante.

Os posts deste mês no blog já estão devidamente planejados e sendo produzidos para te inspirar a se organizar cada dia um pouquinho mais. Falaremos sobre esse tepo de renovação depois do Carnaval, mas também sobre cuidados com a casa, alimentação, saúde, estudos, carreira, produtividade e tudo o mais que você adora ver por aqui.

Então bora lá! Vamos fazer de março não apenas o mês da renovação, mas também da anti-procrastinação! Que seja um mês muito bem-vindo a todos nós.

Thais Godinho
01/03/2017
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Mês organizado
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