ou

Estar longe de casa em uma semana intensa de curso e estudos me faz querer priorizar algumas coisas (como o meu sono!) mas, por outro lado, me deixa pensativa e querendo compartilhar algumas ideias, o que faço quando possível.

Não sei se vocês já perceberam, mas muitos blogueiros estão deixando de escrever e ser espontâneos em seus blogs por receio da reação dos leitores. Ser blogueiro é dar a cara a tapa – fato! Você cria um blog, escreve para os outros, pensando em ajudá-los de alguma maneira (no meu caso, por exemplo), e muitas vezes recebe apenas crítica como retorno. Eu não estou reclamando, me fazendo de vítima ou querendo confete – estou falando sobre uma realidade e acho importante citá-la, porque nós blogueiros estamos “construindo um mercado” e precisamos trocar ideias, nem que seja somente um lendo o que o outro escreve a respeito.

Algumas coisas que eu posso dizer hoje, depois de 14 anos blogando:

Meu blog nasceu de um assunto pelo qual eu sou apaixonada, não de um plano de negócios. Nada contra quem monta um plano de negócios para criar um blog, ou quem acaba criando um para profissionalizar o seu (o que é diferente de monetizar – entendam). Eu mesma tenho um projeto (#GTDfeelings) atual que é montar esse plano, porque o Vida Organizada como um todo (não só o blog, mas toda a vertente que ele representa na minha vida) tomou proporções maiores. Tenho cursos, livros, workshops. Meu plano de negócios é justamente para deixar o blog um pouco mais livre e poder focar apenas no conteúdo, que é o que eu gosto de fazer, sem deixar que as outras coisas interfiram no meu processo de criação. Enfim, o que eu quero dizer é que criei o blog um dia porque eu era/sou apaixonada pelo assunto organização, tinha conhecido o GTD na época e estava muito envolvida nesse aprendizado, e queria compartilhar com o mundo. Era um hobby e não sei muito bem se algum dia deixou de ser. Eu nunca escolhi o assunto “organização” dentro de uma ferramenta de palavras-chave porque esse era um bom nicho a ser explorado. Eu comecei a escrever porque eu gosto.

Meu conceito de organização não é igual ao que muita gente considera como organização. E não estou dizendo aqui que estou certa e os outros errados, de modo algum. É que, no geral, as pessoas associam o assunto organização ao assunto casa e vida doméstica e, para mim, organização é muito mais do que isso. Organização tem a ver com levar uma vida coerente com seus valores – muito do que o próprio GTD ensina. E não adianta ser diferente – sou filha da metodologia. Tudo o que eu falo, direta ou indiretamente, tem a ver com o GTD. Meu conceito de organização, inclusive, é pautado nisso. Eu acredito que organizar o ambiente físico é o básico. Não adianta você ter uma gaveta com colméias organizadoras e chorar na frente do espelho todos os dias porque não consegue tirar seus sonhos do papel. A organização tem muito mais a ver com coerência e funcionalidade que com estética. E acho difícil lidar com isso porque 1) não conheço outra pessoa que tenha algum blog sobre organização e fale sobre o assunto com a mesma abordagem e 2) muitos leitores realmente esperam entrar aqui no Vida Organizada e ver dicas de arrumação com caixinhas. O que, mais uma vez, não tem nada de errado, mas é apenas 1% do que considero organização. Alguns leitores que acompanham o blog há mais tempo entendem, o que me deixa feliz.

O blog não ser meu meio principal de trabalho mantém a integridade dele com relação a ações comerciais. Eu não sou contra ações com marcas e produtos. Acho que são necessárias não apenas para manter os gastos de um blog (que são MUITOS), mas para fazer boas parcerias. Oras, uma empresa pode buscar anunciar no blog e, um mês depois, me chamar para ministrar um workshop lá dentro. É assim que eu gosto de “ganhar dinheiro com o blog”. Ele faz parte do meu trabalho, mas não é a minha fonte de renda principal, nem depende disso. Ele divulga o meu trabalho (quer dizer – ele é um canal onde eu divulgo o meu trabalho), mas não depender de publicidade nele me deixa livre para tomar decisões. Não preciso aceitar qualquer ação que me oferecem apenas pelo dinheiro – aliás, eu mais recuso que aceito, e algumas pessoas ficam *malucas* comigo por e-mail. Mas eu penso principalmente na mensagem que essa ação vai passar e, se eu estivesse no lugar do leitor, se eu gostaria de ver aquilo.

Blogar é um estilo de vida. Eu já tenho blogs há mais tempo, mas o Vida Organizada nasceu em 2006. Mesmo assim, é bastante tempo e muito conteúdo publicado. Até o ano passado, eu publicava todos os dias – às vezes até 12 a 15 vezes por semana. Sozinha. Com emprego em paralelo. Não é fácil – você se doa pra caramba, deixa muitas coisas de lado. E nem é a coisa de querer reconhecimento, mas compreensão mesmo. Tipo: “poxa, ela poderia estar em casa, descansando, vendo um filme, mas está escrevendo isso para ajudar outras pessoas”. Muitos leitores têm essa percepção, mas a maioria não. E é engraçado pensar assim porque quem é blogueiro há alguns anos sabe que o blog acaba norteando muita coisa na vida. Tudo é assunto em potencial para o blog – você conversa com as pessoas sobre ele, lê uma revista já tirando ideias para conteúdo, planeja o calendário editorial etc! Não digo que é chato ou difícil ser blogueiro (não quero ser dessas), mas quem quer blogar tem que ver que o negócio é mais embaixo e você tem que curtir esse estilo de vida mesmo. PS – As pessoas ao seu redor também!

Muitas pessoas vêem o que eu tenho hoje, mas não vêem tudo o que eu fiz ou faço. Parece até frase clichê do Facebook, mas é verdade. Quantas vezes eu fiquei até tarde escrevendo, deixei de fazer coisas minhas, entrei e saí de empregos diferentes, acordei de madrugada, cheguei depois da meia-noite em casa depois da faculdade, acordei antes de amanhecer para ir trabalhar, peguei três ônibus lotados, comprei livros, li conteúdos mil para poder escrever algo legal, pesquisei, comprei aplicativo, testei, comprei produto, fiz resenha, li livro. Sempre trabalhei MUITO na minha vida e, enquanto via muitas pessoas indo passear ou ficar de pernas para cima (nada contra, por sinal adoro fazer isso) em um domingo à tarde vendo tv, eu estava estudando ou escrevendo. Os anos passam e, se você for atrás, as coisas vão acontecer para você. Mas aí essas mesmas pessoas vêem o resultado e acham que foi sorte.

Ter um blog famoso não faz de você uma pessoa diferente das outras. Especialmente porque não fiquei rica ainda com meu blog, haha. Mas sem brincadeiras, gente: nem todo blogueiro ganha rios de dinheiro, viu? Meu trabalho vem de outras fontes e, hoje, eu mais gasto com o blog que recebo algo que pague seus gastos. Eu amo meu blog e invisto nele sim, de muitas maneiras diferentes, especialmente TEMPO e, também, bastante dinheiro. O que eu ganho em outras fontes vem parar aqui de alguma maneira, seja através de mudanças no design, até livros, produtos que compro para testar, cursos que faço na área para me aperfeiçoar, entre muitas outras coisas.

Eu não tento ser uma pessoa diferente de quem eu sou. Acho importante tratar as pessoas com muito respeito e simpatia sempre que possível, mas sou uma pessoa tímida por natureza e não curto muito fazer social. Sou introvertida e, quem é assim, sabe que ficar em grandes multidões ou muito tempo com bastante gente em volta acaba fazendo até um pouco mal. Eu acho importante falar isso porque muitas pessoas me conhecem e ficam surpresas “porque eu sou tímida”, como se toda blogueira tivesse que ser uma show woman tipo a Ivete Sangalo. Infelizmente eu não sou! Acho que ajudaria bastante na minha carreira ser extrovertida, mas não posso fingir ser quem eu não sou.

Você nem sempre vai gostar do que eu vou fazer aqui. Pode parecer inacreditável dizer isso, mas as pessoas têm gostos e opiniões diferentes! O que eu acho pode não ser o que você acha e o que eu considero melhor para o meu blog pode não ser o que você considera. Por isso mesmo, um blogueiro não consegue agradar todo mundo. Quem ele deve agradar então? Não penso muito no lance do agrado, mas de fazer a melhor escolha possível, que me deixe com a consciência tranquila. Eu acho importante falar isso porque é ok você discordar de mim ou não gostar de alguma coisa, mas não é ok ser ofensivo ou achar que eu deva pensar como você nos comentários. Aliás, isso não deveria ser permitido nem na vida, né amigos?

O que eu faço não se resume aos posts no blog. E não estou falando da minha vida pessoal não, ficar com meu filho, fazer lição, estudar. Estou falando da minha vida profissional mesmo. Eu estou reestruturando a linha editorial do blog justamente para poder escrever mais livremente aqui (como este post), ser mais espontânea e falar sobre detalhes da vida no geral, ligados à organização. Mas o blog, como eu falei, é apenas uma parte do meu trabalho, que tem bastante coisa. Além do blog, eu escrevo livros, ministro treinamentos em empresas, preparo materiais para cursos, faço consultoria, ministro meus workshops, faço palestras, participo de eventos profissionais, reuniões e muitos outros compromissos.

Trabalhar para você mesmo é mais difícil que qualquer outro trabalho. Já tive todo tipo de emprego (inclusive dois ao mesmo tempo e chefes malucos) e posso dizer: não existe cobrança maior que você ser o seu próprio chefe. Quando você é autônomo, precisa “correr atrás” do seu trabalho porque senão você simplesmente não recebe dinheiro. Por tudo isso, você tem que se dedicar muito, muito mais que qualquer outro trabalho convencional. E, como geralmente quem é autônomo gosta muito do que faz, você também tem que tomar cuidado para não virar um workaholic, totalmente no bom sentido. Porque é muito fácil usar o trabalho como hobby e deixar o resto de lado.

Eu recebo muitos comentários como (todos reais):

  • Eu não aguento mais posts sobre GTD.
  • Quando você vai postar mais sobre GTD?
  • Quando você vai voltar a falar sobre organização de verdade?
  • Se você não falar mais sobre rotinas da casa, eu não vou mais acompanhar o blog.
  • Eu não gosto de séries de posts.
  • Por favor, faça mais séries de posts!
  • Eu achei o design novo muito poluído, desculpa.
  • Eu achei o design novo muito desorganizado.
  • Amei o design novo! Encontro tudo o que eu preciso!
  • Você tem muita coisa.
  • Você é muito desapegada.
  • Não acho que uma pessoa organizada faria isso.
  • Estou muito desapontado com este post.
  • Seu blog já foi melhor porque (insira seu motivo aqui).
  • Antes eu não acompanhava seu blog, mas agora acompanho porque (insira seu motivo aqui).

Por que eu estou citando isso? Para dizer, pessoal, que eu leio todos os comentários, aceito todas as críticas e elogios, mas existem muitas contradições. Eu preciso seguir o que faz sentido para mim. Isso envolve design, conteúdo, ações comerciais, tudo. Se tem uma coisa que eu aprendi em anos e anos de blogs, é que cada blog é um retrato do blogueiro que nele escreve, e precisa continuar assim. Senão, cada vez mais vamos ver blogueiros deixando de escrever, contratando equipe e deletando comentários, se afastando dos leitores.

Por fim, algumas dicas para quem aguentou ler até aqui (haha) e tem ou quer ter um blog:

  • O blog é seu. Pessoas acessam, pessoas lêem, mas elas entram por livre e espontânea vontade em um espaço que você paga, você escreve, você monta. Ninguém é obrigado.
  • Seja você mesmo. Você pode se inspirar nos milhares de blogs incríveis que existem, mas não tente ser uma pessoa que você não é. Também não mude para agradar quem quer seja, de leitores a anunciantes. As pessoas devem acessar seu blog porque se identificam com você.
  • Faça tudo com amor e da melhor maneira possível. Se não está curtindo o resultado, mude. Um post pode levar mais tempo para entrar no ar, mas vai entrar como você quer. Isso inclui os posts que você escreve em 10 minutos também.

Eu sou apenas uma pessoa normal, que ama o assunto organização e quer compartilhar o que aprende com outras pessoas. Tenho trabalho, família, filho, marido, cachorro, hobbies e outras atividades. Mas, acima de tudo, um coração e muita vontade de ajudar. O que eu menos quero é postar ou fazer algo que seja de alguma maneira ruim ou chato para os leitores, mas isso pode acontecer. Eu estou ok com isso. Todos estamos? ;D

Thais Godinho
02/09/2015
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Eu amo blogs. Sei que eles têm um tom pessoal e são, na maioria das vezes, trabalhos autorais. Um blog, no geral, tem a cara do blogueiro que escreve, portanto todos os blogs podem ser considerados blogs de lifestyle (estilo de vida), mesmo que não deixem clara essa abordagem. Meu blog, apesar de ser sobre organização, diz muito sobre mim, minhas atividades, meus gostos, minhas preferências. O macro-tema, organização, está presente em todos os posts. Além dele, há seis temas que afunilam ainda mais os textos por aqui: produtividade, casa, família, finanças, lazer e bem-estar. Para chegar a esses temas, foram anos de estudo. Eu fiz o TCC da minha pós-graduação (em Gestão da Comunicação de Mídias Digitais) sobre a profissionalização do blog. Naquele momento, foi uma imersão gigantesca em tudo o que envolvia estudo de cores, design, formas, comportamento do consumidor e muitos outros assuntos relacionados. Isso foi em 2012. O blog, no entanto, existe desde 2006. Eu, Thais, tenho blogs pessoais desde 2001. Faz MUITO tempo. De lá para cá, vi muitas mudanças acontecerem, mas ninguém pode tirar a experiência que tenho como blogueira, que foi construída desde o primeiro dia em que resolvi criar um endereço para blogar.

Sei que muitos leitores gostam do blog e vibram com cada conquista minha. O blog delineou minha vida profissional de alguns anos para cá e, em 2014, muita coisa aconteceu. Ele virou definitivamente a minha ocupação principal, o que não significa que seja a mais lucrativa ou a única. Tenho outras responsabilidades. No entanto, o blog está no centro de todas elas. Assim como sei que tem leitores que acompanham e gostam do meu trabalho, há leitores que entram de vez em quando, durante 5 minutos, lêem o post do dia e vão embora. Há públicos e públicos. Cada um oferece o tempo que considera ser prioritário para cada atividade na vida. Graças ao blog, hoje posso me dedicar integralmente à minha vocação de ajudar as pessoas a se organizarem. Sou blogueira, faço palestras, ministro treinamentos sobre o método GTD, escrevi um livro sobre o assunto, vou à conferência do Evernote em San Francisco a convite deles (como reconhecimento pelo trabalho que venho fazendo) e há muitas outras coisas por vir, ainda bem! Mas há leitores que criticam esses acontecimentos porque o blog deixou de ser o que era antes. A mensagem que eu gostaria de passar é que este blog deixa de ser quem ele era antes todos os dias. Todos os dias eu aprendo alguma coisa nova, a minha vida muda, conheço novas situações. A essência dele, no entanto, não mudou nunca, nesses últimos anos, que é trazer para o blog assuntos que estão presentes em minha vida, através de reflexões sobre a gestão do tempo e dicas de organização.

Eu quis escrever um pouquinho sobre esse assunto porque, ultimamente, algumas ideias têm passado pela minha cabeça. Tirar férias do blog, fechar os comentários, postar menos… e então comecei um reflexão que não termina neste post, mas continua após a redação dele. Queria falar sobre blogs profissionais.

Os blogs hoje são canais midiáticos que chamam a atenção das marcas. Mesmo os blogs que nunca realizam ações comerciais são contatados (para não dizer assediados) porque o trabalho que o blogueiro faz é bom e atinge os leitores. As pessoas gostam do que o blogueiro fala e esse é um relacionamento que poucas marcas têm com seus consumidores. Para começar, a marca não tem uma cara – o blogueiro, sim. Marca não tem essa pessoalidade e essa identificação que os leitores acabam tendo com os blogueiros. Logo, é natural que os blogs tenham essa viabilidade de receber um retorno financeiro em troca do conteúdo gerado. A marca se aproxima do leitor, o leitor continua tendo seus posts de graça e o blogueiro é reconhecido pelo seu trabalho. Na teoria, todos saem ganhando. Não é?

Mais ou menos. Já escrevi uma vez um texto falando sobre a questão dos publieditoriais e não gostaria de me aprofundar nesse assunto novamente. O que eu gostaria de falar é um pouco sobre como é o meu trabalho como blogueira. Se você não se interessa por esse assunto, recomendo que não leia o restante do post, pois não há nenhuma “dica do dia” hoje aqui. Este post é dedicado aos leitores que acompanham e gostam do meu trabalho e se preocupam com a coerência que há por trás do trabalho de todos os blogs que eles gostam. Achei que seria interessante mostrar um pouco como é a minha vida como blogueira, que é diferente da vida de outros blogueiros. Cada um tem a sua realidade.

290914-blogueiro

O blog Vida Organizada surgiu como um hobby, em 2006. O fato de ter surgido como um hobby não significa que eu o tratava de qualquer jeito. Não! Organização sempre foi um assunto pelo qual eu sou apaixonada e produzir qualquer tipo de conteúdo não depende só de achismo, mas de muita leitura, pesquisa, investimentos em livros, aplicativos, cursos, certificações e outras fontes. Para quem não sabe, eu sou publicitária e, desde cedo, eu escolhi o marketing digital para trabalhar. Sempre estudei (e apliquei no meu trabalho) o meu conhecimento sobre blogs e redes sociais. Cheguei a ser coordenadora de projetos e de mídias sociais em agências durante mais de cinco anos. Trabalhei do lado do cliente, do lado do blogueiro (sempre tive blogs ao longo desses anos) e do lado do leitor, pois também tenho meus blogs preferidos. É claro que isso não me dá uma visão de TUDO (seria impossível), mas não posso negar que me deu grande experiência.

O blog completa oito anos no final de outubro. Durante muito tempo, eu produzi conteúdo de graça. Ou seja: ninguém me paga para produzir conteúdo. Ainda hoje, não há qualquer tipo de cobrança por qualquer conteúdo disponibilizado aqui no blog. Quem paga, quando isso acontece, são as marcas. O leitor paga também, com o seu tempo. O seu clique, o seu like. Um trabalho irrisório se compararmos com grandes investimentos de dinheiro que as marcas fazem e, mais ainda, o tempo que o blogueiro dedica a produzir todo esse conteúdo para os seus leitores. É a velha história do ganha-ganha, boa para todos.

Posso falar por mim: até junho deste ano, eu levava todo o trabalho que tenho com o blog em paralelo com meus empregos convencionais. Ou seja: além de trabalhar das 8 às 18h todos os dias (quando não mais), eu ainda chegava em casa e trabalhava mais 4 ou 6h em função do blog. Era um tempo que eu tirava da minha família, do meu descanso e das minhas horas de lazer. Isso tudo só foi possível porque ajudar as pessoas através do blog foi algo que sempre me guiou mesmo nos dias mais difíceis. Durante anos, todos os dias, aconteça o que acontecer, tinha post novo no blog. Mas aí, com o crescimento do blog, vieram coisas não tão legais, como os comentários diários com tom desnecessariamente agressivo e algumas críticas que foram escritas da pior maneira possível. Nada disso se compara ao retorno positivo que sempre tenho dos leitores, que é o que me faz estar aqui até hoje. Não me entendam mal: não estou reclamando. Estou apenas citando uma característica comum em todos os blogs grandes hoje em dia. Todos os blogueiros estão falando sobre isso, porque não tem sido fácil lidar com a opinião anônima na Internet. Tem que ser muito forte mesmo.

“Ah, mas tem blog porque quer”. Visita porque quer também, não é? Mas, se o blogueiro disser isso, é condenado. É bruto, irresponsável, não deveria ter blog. A sinceridade só pode se for unilateral na relação entre leitor e blogueiro. Do contrário, não pode, é errada. E o resultado disso é que muitos blogueiros estão delegando a tarefa de responder comentários a outras pessoas, deletando comentários no geral, deixando de responder para não ter que ler absurdos ou simplesmente deixando de blogar. Já falei demais sobre isso e também não quero focar nessa infeliz situação que permeia a vida de todos os blogueiros. Quero contar um pouco sobre como é a minha rotina com o blog.

A imagem ali em cima foi postada no meu Instagram há poucos dias. Eu tive uma reunião de trabalho com um parceiro e, durante a reunião, ele me pediu para resumir em poucas palavras o que o blog era. Eu fiz esse rápido brainstorm no papel com tudo o que achei relevante considerar, e falei para ele. O blog tem uma missão. Sabiam? É a minha missão pessoal: inspirar as pessoas a se organizarem para terem mais qualidade de vida e transformarem seus sonhos em objetivos. De onde veio essa missão, veio do nada? Não, eu fiquei muito tempo refletindo sobre ela. Muito tempo significa MESES. Até ela simplesmente sair, tal qual um chamado, e se encaixou perfeitamente em tudo o que eu acredito que seja o certo a ser feito não só no blog – o blog é parte dessa missão. O fato de o blog existir desde 2006 significa que, há quase oito anos, todos os dias eu tenho me dedicado ao meu blog – pensado nele, criado conteúdo, me relacionado com as pessoas a respeito. Tem casamento que dura menos. Meu filho tem metade dessa idade. Oito anos é muito tempo. Imaginem-se em uma mesma situação, dia a dia, durante oito anos. Só gostando muito do que faz para continuar fazendo.

O blog tem, hoje, uma linha editorial definida e que é estudada anualmente. Agora, no início de setembro, eu comecei meus estudos para fechar a linha editorial de 2015. Ou seja: eu dedico boa parte do meu dia para estudar o que posso trazer de conteúdo relevante para os leitores no ano que vem, sem repetir temas, trazendo novidades e assuntos legais. Isso envolve consumir muito conteúdo, ler demais, estudar, fazer cursos, comprar livros, conversar com pessoas, fazer reuniões, revisar arquivos antigos, reler os mais de 1.000 textos já postados aqui, planejar um banco de imagens, entre uma série de outras coisas. Essa linha editorial deve estar fechada até o final de outubro, quando por fim começará a produção dos primeiros posts de 2015.

Após a finalização dessa linha editorial, vem o fechamento do calendário editorial, que é planejado em cima de três parâmetros: sazonalidades (estações do ano), datas comerciais (Natal, Dia das Mães etc) e tendências (falta de água em São Paulo, eleições, greve de professores, entre tantas). Cada mês tem um macro-tema a ser trabalhado e, dele, saem os outros. Todos devem obedecer a linha editorial, que tem como único objetivo trazer conteúdo relevante e de qualidade para o leitor. Em uma semana, o blog tem, hoje, uma média de 10 a 12 posts. Nas redes sociais, a média chega a 30 por dia (Facebook, Twitter, Pinterest etc). Eu não tenho colaboradores no blog. Tentei trazer outras pessoas, especialistas em suas áreas, e os leitores não gostaram. Eu ouvi os leitores e voltei a produzir sozinha o conteúdo (o teste durou apenas um mês). Isso significa, então, que eu produzo uma média de 40 a 48 textos INÉDITOS por mês no blog, além de mais de 900 inserções de conteúdos nas redes sociais. Estou falando apenas da produção de textos aqui. Não cheguei na parte em que recebo mais de 80 e-mails diários de leitores pedindo ajuda para se organizarem, as mais de 40 mensagens diárias nas redes sociais e os comentários no blog (que vêm em seus mais de 1.000 textos indexados no Google e que trazem leitores a qualquer ponto do blog). Também não estou falando na produção de vídeos e imagens, coisa que gostaria de poder fazer mais, se não tivesse que cuidar de outras atividades fora-blog que são as que sustentam hoje a minha família.

Todo esse “trabalho” dito até aqui é feito para o leitor. Blogs que realizam ações com marcas escrevem muitos e-mails, a gente troca muitas mensagens, tem toda uma demanda com prazos rígidos para atender, enviar texto, aprovar, modificar, criar imagem, editar, aprovar, fazer reuniões, ir até o outro lado da cidade fazer reunião, participar de um evento, cobrir no Instagram, tirar fotos, fazer vídeos, editar. Gerar relatório de mensuração para a marca, manter o relacionamento, dar continuidade nas ações, encaixar datas, ter o cuidado de não encher o blog com propagandas, gerenciar pagamentos (sim, muitas marcas dão o cano nos blogueiros se não ficar em cima), atender telefonemas.

Cuidar da casa, cuidar da família, ficar com o filho, ficar com o marido, fazer sobrancelha, preparar a comida, preparar o lanchinho do filho para a escola, participar de reunião de pais, comprar uniforme, fazer feira, mercado, farmácia, comprar, lavar, passar roupas, limpar chão, limpar teto, limpar parede, tirar pó, limpar banheiro, trocar roupa de cama e por aí vai. Não preciso entrar no mérito de atividades em casa, pois todo mundo que acompanha o blog sabe como é. Mas não pode esquecer que blogueiro faz tudo isso também.

Além do blog, em si, eu tenho outras atividades remuneradas que preciso dar atenção, que são os meus treinamentos da Call Daniel, os acompanhamentos desses treinamentos (converso com as pessoas para tirar dúvidas sobre o GTD), minhas palestras, meus workshops, conteúdos que produzo para materiais de cursos e outros, aulas (precisei parar de dar aulas na pós-graduação para priorizar outras coisas), meus livros, eventos de divulgação do livro, as atividades de administração da minha empresa e meu trabalho como consultoria. Como tudo está caminhando em uma mesma direção (vide a minha missão, lá em cima), isso me satisfaz muito e os meus estudos são sempre voltados para os mesmos assuntos. Eu respiro produtividade, organização e gestão do tempo. Por amar esse assunto e amar ajudar outras pessoas, que faço tudo o que faço. E é maravilhoso poder viver do que se ama. De verdade. Mas estou trabalhando como nunca e conseguindo (felizmente) equilibrar com meus relacionamentos pessoais e meus momentos de lazer, para não despirocar de vez. Isso tem que existir para a vida ser saudável, e não é algo que quero perder.

No entanto, eu tenho a impressão de que às vezes sou vista apenas como uma maquininha de escrever posts e responder comentários. Eu simplesmente não consigo responder todos os e-mails que recebo de leitores em um prazo curto. Também não quero colocar alguém para responder para mim, entendem? Porque valorizo esse contato. E, às vezes, escrevo 30 posts em uma mesma semana, como às vezes não tenho vontade de escrever nada. Quando escrevo os 30 posts, às vezes sequer há comentários. Mas, se fico um dia sem postar, recebo críticas (!) e um monte de pedidos de posts. Sei que o leitor faz isso porque gosta do blog e sente falta das postagens, mas é necessário ter respeito pelo blogueiro, além de empatia. Também pode ser legal comentar ou curtir quando ele posta coisas, como é o padrão, e não chamar a atenção quando ele não posta, sejam quais forem os motivos. Às vezes a gente cansa mesmo. Texto tem que vir de inspiração. Se não vier a inspiração, melhor não escrever e encher linguiça. Pelo menos eu penso assim. Acompanhei o caso de pelo menos três blogueiros amigos meus que estavam passando por problemas pessoais graves (alguns de saúde) e, se ficavam um dia sem postar, não havia qualquer preocupação por parte dos leitores, mas apenas cobranças. Esses mesmos leitores depois não apareciam para comentar nos posts novos, e sei que o blogueiro teve que sair do hospital para postar. Esse tipo de coisa demonstra a consideração ou a falta dela todos os dias. São meus “colegas de trabalho” e a minha profissão, então eu me preocupo com o andar da carruagem SIM e quero falar sobre isso aqui.

Eu também sou fã de diversos blogueiros e acompanho o trabalho de muitos, então sei como é gostar de um blog e ele, por qualquer motivo, não atender as minhas expectativas. Mas isso é muito diferente de cobrar qualquer tipo de atitude ou de conteúdo de um blogueiro, porque o blogueiro não tem obrigação nenhuma de atender ninguém. Falo por mim: eu ouço (e leio) tudo o que os leitores dizem, mas as opiniões MUITAS vezes se contradizem também. Enquanto um diz que não gosta de vídeos, o outro pede mais vídeos. Enquanto um diz que os textos são muitos longos, o outro diz que não gosta de textos curtos. A conclusão que eu tirei depois de sofrer muito tentando agradar todo mundo é que o blog é um trabalho AUTORAL e que deve refletir quem eu sou, e que os leitores que se identificarem comigo gostarão. Os que não se identificarem, não gostarão e partirão para seguir outro blogueiro. E gente, super normal isso. Eu já deixei de seguir muito blog que eu gostava antes. Ainda bem que a vida é um eterno ciclo de mudanças, não?

Um blog profissional não é aquele blog que deixa de ter um tom pessoal nas postagens, mas aquele blog que tem um sentido, uma razão de ser. Existe todo um cuidado do blogueiro para produzir conteúdo, lidar com os leitores, construir um relacionamento, gerenciar o seu negócio, porque é isso o que um blog acaba virando. Todo blogueiro que monetiza seu blog acaba tendo que abrir empresa para gerenciá-lo, para fazer as coisas do jeito certo. Os blogs acabam tendo mais conteúdo que uma revista, sendo que uma revista tem uma equipe gigantesca tomando conta. O blogueiro faz sozinho o trabalho de umas 30 pessoas. É claro que há limitações, deficiências e nada é perfeito (nem mesmo as revistas…), então por que a cobrança é diferente?

Eu sei que vira e mexe eu trago esse mesmo assunto à tona aqui no blog, mas é porque se trata de uma realidade. Acho legal contar para os leitores como é um pouco a minha rotina como blogueira e tudo o que envolve, principalmente em termos de investimento de tempo e sanidade. Por isso, se você gosta do meu trabalho, me companha há anos (como sei que muitos leitores o fazem), retribua! Deixe um comentário, curta um post, compartilhe, curta a fan page no Facebook, siga no Twitter, dê like no vídeo. Tudo isso ajuda a divulgar o trabalho do blogueiro que você gosta, além de fazê-lo ser reconhecido para as outras pessoas. Se essa troca é feita, como eu disse antes, todos saem ganhando.

Lembrem-se: um blogueiro não é perfeito. Sua relação com o blog é construída diariamente e ele está aprendendo também. O blog reflete quem o blogueiro é e a sua experiência com relação ao assunto que ele está tratando. Se você gosta desse trabalho e quer mostrar que se importa, faça isso! Demonstre! Muitas vezes, essa pequena atitude é o que vai fazer diferença na vida do blogueiro e pode inspirá-lo a escrever muito mais para você e para outras pessoas. A relação tem que ser uma troca, senão vira um monólogo, e todo monólogo é chato.

Obrigada por tudo, pessoal, e desculpem a pequena intervenção no blog para falar sobre o nosso ofício. Ela se faz necessária, às vezes, e é importante para que todos nós acabemos nos conhecendo mais.

Thais Godinho
29/09/2014
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Vocês sabem que ter um blog é algo que eu adoro, mas demanda trabalho. Por isso, é fundamental para um(a) blogueiro(a) se organizar e estabelecer uma rotina, especialmente se não é a sua ocupação principal. Como eu andei tomando algumas decisões nos últimos dias com relação ao blog e a outras atividades, reestruturei minha rotina para que ela ficasse da seguinte forma:

Segunda

Na segunda eu costumo dar ênfase a outras atividades, então por isso acabo deixando algumas tarefas mais lights relacionadas ao blog para este dia. Assim, na segunda respondo e-mails com dúvidas de leitores. Caso alguma dúvida vire tema para um post, já deixo agendado para escrever na quarta ou gravar um vídeo na terça.

Também uso a segunda para atualizar plugins e resolver questões específicas relacionadas ao design do blog (widgets novos etc). Se tiver algo burocrático para resolver (pagar o servidor, por exemplo), também faço na segunda.

Outra atividade que faço às segundas-feiras é o backup do blog.

Terça

A partir desta semana, vou estabelecer a terça como o dia de gravar vídeos para o blog. Quero investir mais nesse formato, nem que seja com vídeos mais curtos. Portanto, estabeleci que, toda terça, vou gravar pelo menos um vídeo para postar aqui. Ele não vai ao ar no mesmo dia, vale dizer. Eu gosto de escrever os posts e agendar com antecedência.

Também uso a terça para verificar posts antigos, arrumar links quebrados e otimizar para SEO. Caso queira acrescentar imagens, deixo anotado na minha to-do list para fotografar no dia certo para isso. Se surgirem ideias para novos posts, também deixo anotado.

Quarta

Para mim, quarta é o melhor dia para escrever posts para o blog. É no meio da semana e a chance de ter algum compromisso é mínima. Procuro escrever e agendar posts para os próximos sete dias ou mais (dependendo da inspiração).

Quinta

Na quinta-feira, eu costumo fazer a curadoria de conteúdo no Pinterest para alimentar os painéis do Vida Organizada e para agendar postagens fofas no Facebook e no Twitter.

Sexta

Eu gosto de concluir a semana na sexta, em termos profissionais. Assim, reservo este dia para ler e responder os comentários do blog que não foram respondidos ao longo da semana. Também aproveito para responder comentários nas redes sociais.

Na sexta-feira, também respondo perguntas de entrevistas ou consultoria para matérias de revistas que me solicitam por e-mail, quando tenho algo assim pendente.

Outra coisa que faço na sexta-feira é entrar em contato com outros blogueiros, comentar em seus blogs etc.

Quando também é o caso, gosto de fazer os relatórios de métricas para anunciantes na sexta-feira.

Sábado

Sábado é um excelente dia para tirar fotos, pois posso aproveitar que estou em casa quando está claro. Por isso, estabeleci que todas as imagens para futuros posts serão tiradas aos sábados. Também foi bom decidir assim porque, se por acaso eu não estiver em casa no sábado (viajo bastante), não é uma coisa que prejudica tanto o blog. Se eu tiver tirado muitas fotos em um sábado, no outro pode ser que não precise. E eu quis inserir na rotina a coisa de tirar fotos porque estou querendo cada vez menos usar fotos de terceiros nos posts.

Também é o dia que uso para testar produtos que vou resenhar.

Domingo

Gosto de usar o domingo para descansar e, com relação ao blog, fazer atividades mais low-profile, como pesquisar, ler livros, revistas, feeds atrasados, verificar estatísticas, Google Alerts e coisas do tipo.

O que eu faço todos os dias:

  • Leio e respondo comentários e e-mails mais rápidos;
  • Leio e respondo e-mails comerciais do blog;
  • Leio livros e revistas no geral, que podem ou não ter a ver com o blog;
  • Leio meus feeds de sites e blogs relacionados ao assunto do blog;
  • Escrevo um pouco, se vier a inspiração e eu não puder esperar.

Essa é a minha rotina atual com o blog. =)

Thais Godinho
02/08/2013
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