ou

Continuo montando um armário-cápsula a cada estação, mas o foco tem sido em construir um armário inteiro bom e coerente a cada estação, e não para cada estação. A diferença é sutil. O que tenho feito é aproveitar cada estação para reavaliar todas as minhas roupas e, assim, ir aprendendo melhor o que funciona para mim, o que veste bem, o que é feito de bons materiais, e como comprar de maneira mais consciente. Percebam então que o foco não é em montar um armário-cápsula, mas em usar o armário-cápsula como ferramenta de análise a cada estação.

Eu também não me apego a quantidades, apesar de tentar manter um número reduzido de peças. Eu acredito que, quanto menos peças tivermos, melhor usaremos cada uma delas e mais criativa eu terei que ser nas combinações, mas também não dá para ficar com peças “de menos”, o que pode atrapalhar a minha rotina e logística de lavagens, especialmente no inverno (quando as roupas demoram mais para secar).

Desta vez, eu tentei usar o planner da Un-Fancy, o que é ótimo e dá bons direcionamentos, mas é muito comercial em certo sentido. Por exemplo, ao tentar definir as cores da paleta do armário de inverno, me peguei pensando em coisas como: “gostaria de usar mais turquesa, mas só tenho uma peça, então talvez tenha que comprar uma coisa ou outra”, quando na verdade não é necessário comprar coisas com esse raciocínio específico, e sim de acordo com o gosto ou a necessidade.

Outra mudança considerável foi o uso da paleta de cores. Refiz minha análise com a Ana porque mudei o tom do meu cabelo e queria explorar opções de mais contraste, e atualmente estou com a paleta de inverno profundo.

Eu tenho um problema (não diria que é bem um problema, mas uma questão), que é a dificuldade de ter o olho bom para experimentar e adquirir peças mais coloridas. Por isso, tenho muitas peças em cores neutras. Eu também acho que a variedade de cores é pequena nas lojas e, só quando você atinge um certo nível de genialidade em termos de estilo, consegue desenvolver esse olhar curador e fazer boas escolhas. Aqui entra a importância de uma consultora de estilo para te apoiar.

No meu caso, meu armário, e especialmente as peças de frio, acabam caindo no preto e no azul marinho. Desde 2015 (quando comecei esse estudo) eu venho tentando explorar outras possibilidades de cores, mas acho difícil encontrar. Eu também não me sinto tão confortável usando um sobretudo cor de uva, por exemplo, apesar de achar lindo. Não que eu não goste, mas eu acho que meu estilo é mais clássico mesmo, uma coisa meio french rocker tomboy, com muitas listras, trench coats, sapatos oxford e tecidos naturais contrastando com tecidos mais estruturados. E eu meio que quero aceitar isso, porém aprendendo a fazer boas misturas – uma calça de linho com uma linda blusa colorida de seda, talvez? Esse é o tipo de coisa que vou explorar um pouco mais adiante, e abaixo explico porquê.

Uma imagem vale mais que mil palavras / Créditos: Elle Dinamarca

O tipo de estilo a ser mais explorado / Créditos: Não achei pela foto; peguei do Tumblr

Basicamente, porque também estou em processo de perda de peso. Iniciei um tratamento também há algum tempo, mas mais forte no ano passado, e até então emagreci 14kg. Ainda pretendo emagrecer mais. Tudo isso é assunto para outro post, porque envolve uma mudança grande na rotina, e o foco hoje é o armário-cápsula da estação. Mas tudo isso influencia no que posso comprar, em termos de roupas, e o que preciso (ou quero) esperar mais um pouco. Eu cheguei a escrever um post sobre que tipo de investimento (em termos de roupas) vale a pena fazer quando você está nesse processo de emagrecimento, então o que eu quero dizer é que agora não é o momento de investir em roupas de caimento e estrutura, como casacos, por exemplo. Isso tem me feito usar mais o que eu já tenho, e por isso mesmo meu armário talvez não reflita as mudanças (em termos de cores) da forma como eu gostaria.

Porém, de modo geral, eu vi que existe uma linha sim nesse armário-cápsula de inverno, que envolve tons de verde, azul marinho, turquesa e um pouco de roxo uva. São todas cores que eu gosto muito e que estão na cartela que estou seguindo atualmente, acima.

Seguem as peças:

Quis começar com as blusas de lã porque acredito que elas descrevam bem a paleta de cores que acabou sendo “escolhida” para a estação.

  • Blusa de lã bege – comprada na Feira da Malha em SP
  • Blusa de soft turquesa – Quechua, comprada na Decathlon
  • Blusa de lã verde folha – comprada na Feira da Malha em SP (mas vi uma igual na Renner)
  • Blusa de gola alta verde escuro – comprada na Feira da Malha em SP
  • Blusa de lã azul marinho – Zara
  • Blusa de lã preta com bolinhas brancas – C&A
  • Blusa de lã preta com gola em V – comprada na Feira da Malha em SP

Essas são as minhas camisetas ou blusinhas de malha. Faltam algumas na foto, que estão lavando. Nada de muito diferente do que já está aí. Percebi que preciso de outras opções mais voltadas para o bege ou o roxo uva que gosto tanto. Comprar camisetas de manga comprida (ou blusinhas) nessas cores tem sido um dos focos nessa estação então. O bom das roupas de malha é que elas são mais flexíveis para quem está perdendo peso. Porém, são menos nobres e mais informais. Eu uso bastante por baixo das blusas da foto anterior.

  • Camiseta verde musgo listrada – Forever 21
  • Camiseta verde folha – Marisa
  • Blusa de linho azul – Besni
  • Blusa de viscose azul com peixinhos – Luigi Bertolli
  • Camiseta azul marinho listrada – Forever 21
  • Camiseta preta listrada – C&A
  • Camiseta preta de manga comprida – Renner
  • Camiseta do Evernote – ganhei de presente
  • Camiseta da Apple – comprei em um camelô na Paulista

  • Camisa bege floral – Zara
  • Camisa verde militar – C&A
  • Camisa preta de manga curta – Besni

  • Casaco “quebra vento” e impermeável bege – Quechua, comprado na Decathlon
  • Parca cáqui – C&A, comprada na Holanda
  • Blusão de lã azul marinho – Marisa ou C&A
  • Trench coat bege – Zara (está lavando)

Os casacos pretos merecem uma foto só para eles. rs

  • Blusão de lã com estampa de leopardo – Zara
  • Blazer preto – Renner
  • Blusão de lã preto – Zara
  • Sobretudo de lã preto – Renner

Indo para as partes de baixo, os vestidos:

  • Vestido azul com estampa étnica/geométrica – Besni
  • Vestido azul com gola branca – Target, comprado nos EUA
  • Vestido preto de malha – Besni

Essas são algumas partes de baixo:

  • Calça de sarja roxo uva – Marisa
  • Calça de alfaiataria de lã marrom – C&A, comprada na Holanda
  • Calça de alfaiataria preta – Renner
  • Saia lápis preta – Marisa
  • Calça jeans – C&A (está lavando)
  • Calça de sarja preta – C&A, comprada nos EUA (está lavando)

Sapatos, não tenho tantos. Acabo usando sempre os mesmos no inverno, porque sinto muito frio nos pés:

  • Bota preta de cano alto – sem marca, comprada em uma loja de artigos de couro na Lapa
  • Ankle boot marrom de camurça – Piccadilly
  • Ankle boot preta de couro – Arezzo
  • Sapato marrom de couro com salto anabela – Piccadilly
  • Sapato oxford preto – Moleca
  • Sapato preto de camurça com salto de madeira – Arezzo
  • Tênis cinza – New Balance

O que não entra na cápsula: roupas de academia, pijamas, acessórios (lenços, pashminas, cachecóis) e bolsas (não uso no dia a dia, e sim mochilas e pastas de trabalho).

Total de peças: 43.

Eu estou lentamente migrando de um armário comum (do meu ponto de vista) para um armário um pouco mais refinado, a partir das novas compras que venho fazendo, e que dependem também da estabilidade do meu peso. Tenho pensado melhor sobre que acessórios comprar – comprando menos, com qualidade e versatilidade melhores. Não saio comprando qualquer sapato. Peças de roupa, penso no custo benefício e em quanto tempo vou usar, de acordo com a durabilidade do tecido e corte também.

Para a próxima estação, por exemplo, é provável que eu já não esteja vestindo bem muitas das peças acima e, muito provavelmente, no inverno que vem muitas delas também não me servirão mais. Por isso, qualquer investimento que eu faça hoje precisa levar isso em consideração – não adianta eu comprar um sobretudo ou um blazer que vou perder logo à frente. Essa restrição me deixa com liberdade de escolha para itens que eu posso efetivamente investir, como lenços, óculos e roupas mais maleáveis, como blusões de lã e camisetinhas de malha. Também tenho aproveitado para investir em peças que não entram na cápsula, como roupas de academia e pijaminhas.

Ou seja, qual o propósito de todo esse movimento? Focar mais no essencial e repensar nosso consumo, a caminho de um mercado mais sustentável, sem perder de vista a valorização da nossa auto-estima.

Eu montei esse armário no último final de semana e pretendo, ao longo dos próximos três meses, usar apenas as peças elencadas, além das possíveis compras relacionadas que posso vir a fazer, conforme comentei no post.

Thais Godinho
21/06/2017
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Por ter feito uma vez o armário-cápsula e trabalhar diariamente ajudando as pessoas a destralharem seus guarda-roupas, eu acabei desenvolvendo uma série de experiências que vejo se repetirem muito e, sempre que posso, procuro compartilhar a fim de ajudar.

Uma coisa que eu vejo acontecer bastante com algumas pessoas é o descarte fácil das roupas. “Não gosto”, “não uso”, então joga fora (e, quando digo jogar fora, quero dizer tirar de casa – pode ser doar, vender, dar de presente, enfim).

Quando a gente está nessa fase de experiência do armário-cápsula, está na verdade fazendo um grande exercício de auto-conhecimento.

Quando a gente separa uma camisa X porque acha que a cor não é legal, ou porque acha que não veste bem, está se baseando única e exclusivamente no conhecimento da peça que a gente tem até então. Em resumo: se eu não entendo de moda, como posso “julgar” essa peça?

Estou querendo dizer para manter no armário uma peça que não deixa você feliz? Não. Estou dizendo para guardá-la e, no próximo armário-cápsula, olhar com outros olhos – com uma experiência de 3 meses que pode fazer com que você se apaixone pela peça de novo e veja mil maneiras diferentes de usá-la.

Imagem: Alla Club.com.br

Imagem: Alla Club.com.br

Às vezes o que a gente tem mesmo é um excesso tão grande de opções que deixa de testar, usar, estudar cada peça que tem. Sei que esse é um dos objetivos do AC.

Eu já me desfiz de muitas roupas que talvez não precisaria ter me desfeito. Trocar os botões de uma camisa, fazer a barra de uma calça, customizar, amarrar de uma forma diferente. Tudo isso poderia ter me ajudado a usar aquela peça e a gostar dela. Ou não, mas eu gostaria de ter tentado.

Porque, sinceramente, quando a gente faz o AC pela primeira vez, pode descobrir que não tem um montão de peças-chave e quer “fazer o investimento” em peças novas, sendo que são apenas novas… enquanto você tem essa redescoberta para fazer em casa.

E sim, pode acontecer de você realmente chegar à conclusão de que aquela peça não rola. É até comum concluir isso. Mas todo o processo que te levou a esse ponto foi o ganho, e não se desfazer da peça e comprar outra. Senão, o que se ganha nessa simples troca?

Por isso, ao pegar uma peça que você iria se desfazer:

  • Pergunte-se: existe alguma maneira de customizar esta peça de modo a usá-la diferentemente?
  • Pesquise no Pinterest o nome da peça em português e em inglês e veja ideias.
  • Perceba o que realmente não gosta nessa peça, para evitar compras semelhantes no futuro. Aprenda com a experiência.

Se realmente for o caso de se desfazer, aí você pode vender, doar, dar de presente, reaproveitar (fazendo uma almofada, por exemplo), reciclar ou jogar fora. Mas evite o desperdício e o gasto desnecessário de dinheiro.

Lembre-se que ter um guarda-roupa legal é como montar um acervo de peças pessoais dentro do seu estilo. Não é da noite para o dia e muito menos de uma estação para a outra. Vale mais a pena fazer escolhas conscientes demoradas, substituições certeiras, que trocar seis por meia dúzia apenas porque chegou a hora de escolher o armário-cápsula da estação.

Se você quiser saber mais sobre como construir seu estilo e organizar seu guarda-roupa, as inscrições para o nosso workshop ainda estão abertas. Será no dia 14 de novembro em São Paulo e falaremos exatamente sobre todo esse trabalho de conscientização para se vestir de acordo com a vida que se tem, de acordo com quem a gente é, e organizar nosso armário da maneira mais funcional possível para o dia a dia. Clique aqui para ver a programação do curso e se inscrever.
Thais Godinho
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Como eu contei no post anterior, fiz a análise de cores com a Ana Soares (consultora de estilo e blogueira do Hoje Vou Assim OFF) e, depois disso, resolvi abandonar o conceito atual de armário-cápsula e reavaliar todas as minhas roupas de acordo com a cartela que funciona bem para mim, que é a Outono puro.

200815-cartela03

Fiz a análise de cores na sexta, fizemos nosso workshop no sábado e, no domingo de manhã, eu peguei a mala onde tinha guardado todas as roupas que não selecionei para o meu armário-cápsula de inverno e levei para o quarto para analisar peça a peça. Eu já tinha algumas peças em mente que estavam guardadas mas, no geral, foi uma agradável surpresa abrir a mala e me deparar com roupas que eu não lembrava que eu tinha! Afinal, foram mais de dois meses usando somente as peças do armário-cápsula. Foi como comprar muitas roupas novas de uma só vez! Essa é uma vantagem legal do armário-cápsula, eu acho – essa “redescoberta” divertida.

Munida da minha cartela de cores (acima), eu separei todas as minhas roupas (as da mala + as do armário-cápsula) em três pilhas:

  1. Roupas com as cores da minha cartela favorável
  2. Roupas que não têm cores da minha cartela
  3. Roupas que não têm cores da minha cartela, mas quero usar, gosto e quero “dar um jeito”
Sim, eu também fiquei meio "OMG" colocando essa quantidade enorme de roupas na cama

Sim, eu também fiquei meio “OMG” colocando essa quantidade enorme de roupas na cama

Incrível a quantidade de roupas. Juro que fiquei chocada. Acima, vocês podem ver à direita a pilha com as peças que têm a ver com a minha cartela de cores. Ainda não recebi a cartela impressa com as cores e usei meu tablet para comparar, mas pretendo fazer uma nova análise com mais precisão quando tiver a cartela impressa.

Meu primeiro sentimento foi: puxa, eu tenho até que bastante roupas com as cores da cartela. Daria até para montar um armário-cápsula só com elas. 🙂 Então o que eu fiz foi guardá-las no guarda-roupa, já para ter uma noção do volume.

Analisando tais peças, também já percebi escolhas melhores que eu poderia fazer. Uma blusinha de tal cor com um tecido mais natural, um caimento melhor. Pensar sobre o nosso inventário de roupas é um exercício muito legal.

200815-armario03

Depois eu peguei a pilha de roupas que não tinha nada a ver com a cartela nem achava que valeria a pena investir e guardei de novo na mala. Daqui a três meses eu avalio de novo, com mais calma, e então separo para doar aquilo que realmente não tem mais nada a ver comigo.

Da pilha de roupas com cores que não são da cartela, mas eu queria manter, eu fiz o seguinte:

  • Peguei as partes de baixo (saias, vestidos, calças) e vesti, buscando fazer aquela combinação que a Ana ensina, da proporção de 5 partes de cima para 1 parte de baixo.
  • Se a parte de baixo não tivesse muitas partes de cima combinando, ela iria para a mala também. Esse exercício foi surpreendente porque a maioria acabou não combinando mesmo, então eu guardei. Ou seja, eu iria manter por simples apego ao negócio e nunca ia usar!
  • Eu tenho muitas camisetas de bandas (a maioria preta) e de serviços que eu divulgo, como o Hootsuite, o Todoist e o Evernote. Eu achei legal manter, mesmo sendo de cores que não componham a cartela.
  • Eu também tenho algumas partes de cima de outras cores não tão favoráveis que eu vou tentar usar fazendo aqueles truques de usar um acessório ou a maquiagem. Porém, quando arrumei no guarda-roupa, já fiquei um pouco desanimada de cara, pensando: “puxa, não combina mesmo com o restante”. Mas vou dar uma chance. No geral, o que eu vejo é que algumas peças que não são da cartela combinam apenas com outras que também não sejam, tipo uma camisa azul pastel com uma calça cinza chumbo.

Guardei essas roupas identificando, com um adesivo laranja, que elas não pertencem à minha cartela de cores. Com isso, pretendo no dia a dia tentar perceber o uso e combinação delas com as outras peças, para tentar substituir aos poucos (ex: trocar a jaqueta de couro preta por uma marrom) e observar se elas estão realmente sendo usadas. Trata-se apenas de um uso mais consciente das minhas peças. Estou adorando fazer!

200815-armario04

Agora se trata de uma construção do estilo mesmo, buscando entender essas cores e fazer novas combinações. Engraçado que, quando uso preto, já não me sinto da mesma maneira. Estou louca por um laranja, verde, amarelo. Fazer a análise de cores abriu muito o meu leque de opções e tem me ajudado a valorizar mais meu estilo ao me vestir.

Essa análise continua. Aguardem cenas dos próximos capítulos. 🙂

Thais Godinho
20/08/2015
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