ou

Analise o que você tem na sua casa hoje. Veja as seguintes categorias de coisas:

  1. Decoração (móveis, quadros, fotos, plantas)
  2. Equipamentos (telefone, computador, fogão)
  3. Suprimentos (canetas, despensa, produtos de limpeza, roupas)
  4. Arquivos de referência (documentos, exames, livros)

Mesmo nessas categorias você pode encontrar “tralha” (= o que não está em uso), mas não vou aprofundar nelas aqui.

O que eu quero que você veja é tudo o que não pertence a essas quatro categorias de coisas. Perceba como são objetos que você provavelmente não precisa ter. Pra se livrar de imediato.

O que é necessário ter em casa para poder viver? É claro que aqui você vai incluir decoração, suprimentos, arquivos e equipamentos específicos. Por exemplo: uma pessoa que pratica esportes pode ter raquetes de tênis como equipamentos. Uma blogueira de beleza pode ter um monte de pincéis de maquiagem para demonstração como suprimentos. Depende da sua vida.

O que não vale a pena é manter em casa o que você não precisa ter para viver. Repense o sentido de posse. Pra que ter o negócio fisicamente? Qual o sentido? Pra que consumir? Comprar?

Esse pensar talvez te leve a ver seu espaço de uma outra maneira.

Thais Godinho
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“Quantas horas você trabalha por semana?”. Costumo ouvir essa pergunta sempre que comento que esvaziei minha caixa de entrada em um domingo de manhã ou quando faço um webinar durante a semana, à noite. E eu sempre respondo com outra pergunta: “Quantas horas por semana você é mãe ou pai?” ou “Quantas horas por semana você cuida da sua saúde?”.

Outra pergunta que também ouço sempre é: “Devo organizar minhas listas de projetos para fazer no trabalho e ter outra para a minha vida pessoal?”. E eu também replico com perguntas como: “Se você vai fazer uma viagem a trabalho e isso impacta na sua rotina em casa, esse é um projeto pessoal ou profissional?”. O que gera um certo bug mental sempre que faço essa e as perguntas acima.

Agora, por quê? Porque somos uma só pessoa, com diversas áreas na nossa vida. Não se trata de “pessoal X profissional” mais. Você se preocupa e trata de problemas “pessoais” enquanto está no trabalho, assim como tem ideias sensacionais para projetos “de trabalho” quando está de férias ou em casa, descansando.

Este post é uma proposta para você. Afinal, estamos em clima de ano novo, e pode ser propício. Faça as pazes com a sua vida pessoal e profissional. Você tem UMA vida, e essa vida tem múltiplas facetas, múltiplos interesses, múltiplas áreas que devem ser equilibrados da melhor maneira para você. 

Atenção: isso não é uma permissão para se desfazer de limites. Não significa que é ok trabalhar 20 horas por dia e deixar de lado outras coisas. Muito pelo contrário. Significa que é ok você querer planejar um projeto “de trabalho” em um final de semana, se você estiver a fim de fazer isso. Sem neuras. Assim como é ok você fazer a lista de supermercado enquanto estiver no horário de trabalho.

Se a gente parar para analisar, a separação entre pessoal e profissional é recente na história da humanidade. Essa coisa de “deixar o trabalho no trabalho” ou “bato o cartão às 17:00 – depois disso esqueço do trabalho” é algo que a revolução industrial trouxe para a vida das pessoas. Pergunte a um fazendeiro se ele separa a vida pessoal da vida profissional. Não existe – é uma vida. Tudo se relaciona e se equilibra.

Antigamente os pais chegavam em casa do trabalho e a família nem sabia o que ele fazia no trabalho. Isso não existe mais hoje, porque as pessoas estão buscando engajamento com propósito. O que é ótimo. Estamos vivendo uma época que tudo está se misturando novamente. A partir do momento que você vai conquistando propósito na sua vida, é natural curtir as coisas do seu trabalho mesmo fora dele.

Mas atenção novamente: não estou dizendo que todo mundo tem que ser workaholic. Muito pelo contrário! Estou dizendo que cada vez mais as pessoas estão buscando trabalhos que permitam que, em uma terça-feira à tarde, elas possam parar para ler um livro. Ou pintar um quadro. As regras não estão mudando – elas estão voltando a um estado natural da humanidade. Então a gente precisa entender isso, se cobrar menos e equilibrar todas as áreas da nossa vida de acordo com o que faz sentido.

Uma vez que você tenha controle de todas as coisas que você precisa fazer, não importa se elas são pessoais ou profissionais – você vai realizá-las no contexto mais adequado. Mas vai economizar horas. O modelo de oito horas diárias de trabalho pode ser reduzido a três, quatro. Porque você aproveita melhor o seu tempo.

E, uma vez que você tenha algo a fazer, sua mente só consegue focar naquela coisa. Se você não tiver controle sobre tudo aquilo que não está fazendo, aquilo vai ficar te interrompendo mentalmente, seja pessoal ou profissional. E isso independe do lugar onde você esteja – em casa ou no escritório.

ANOTE tudo o que precisa fazer!

Fazer as pazes com a sua vida pessoal e profissional começa entendendo que não existem duas vidas diferentes, mas uma única vida com diversas áreas de foco que você vai aprendendo a equilibrar. Afinal, seu trabalho no escritório é tão importante quanto a sua saúde, seus cuidados com a casa, com a família, suas horas de lazer, de sono, tudo. Então nada deve ser negligenciado em detrimento de outra coisa.

Fala-se tanto hoje em “home-office como tendência” ou “usar ferramentas que tornem a nossa vida mais produtiva”, mas o núcleo da questão é outro: estamos vivendo em um mundo 24/7 que não pediu permissão para chegar e cada um tem as suas próprias regras sobre o que deve ser feito. Enquanto para uma pessoa é normal enviar uma mensagem no What’s App sobre um projeto no trabalho às onze da noite, para outra isso é o cúmulo, inadmissível. Enquanto o mundo se adapta a essa nova realidade, precisamos estabelecer limites próprios, e esses limites nascem apenas de uma busca por uma vida mais equilibrada, em todos os setores. Afinal, qual a diferença entre um What’s App de trabalho às 23h e um What’s App de um amigo? São interferências do mesmo jeito.

Se você costuma dividir a sua vida entre pessoal e profissional porque não quer ser interrompido quando está fazendo uma coisa ou outra, aqui vai uma notícia para você: você vai ficar chateado(a) se brigou com a sua mãe mesmo tentando se concentrar na reunião com o cliente. Você vai continuar tendo ideias para os seus projetos enquanto estiver tomando banho ou de férias. Não se cobre por isso. Faça as pazes com a sua mente e aprenda a capturar essas ideias e organizá-las adequadamente, de modo que, depois, você possa lidar com elas no momento que considerar mais apropriado. O ideal, na realidade, é que você possa fazer uma coisa de cada vez, sem ser interrompido especialmente pelos seus pensamentos. E é aqui que a organização te ajuda, porque te permite ter o controle de tudo o que você não está fazendo naquele momento, o que te dá tranquilidade.

Mas, sinceramente, sua vida é o seu trabalho. Viver é um trabalho. A qualquer momento, estando em casa, no escritório, na academia, na faculdade, você deve ser capaz de deixar todo o resto, seja o que for, de lado, e se concentrar no que precisa ser feito. E isso não tem nada a ver com uma separação simplista como “pessoal X profissional”. A pergunta a se fazer é: quais são as áreas da sua vida que demandam atenção e como você tem lidado com as demandas de cada uma delas? Isso é equilíbrio.

Responder e-mails em um domingo de manhã é super ok se foi uma escolha sua – e não algo que você está fazendo porque não deu conta durante a semana, te obrigando a deixar coisas mais importantes – como descansar ou ficar com a família – de lado.  Optar pela melhor escolha naquele momento, para você, é a chave.

Thais Godinho
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Faça as pazes com sua vida pessoal e profissional
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Pergunta do dia: qual a sua paixão?

Muitas vezes, ao final de um curso que eu ministro ou palestra que realizo em algum evento, os leitores do blog vem conversar comigo. É sempre um momento muito bacana e eu consigo perceber algumas ideias que podem ser abordadas em formato de textos aqui no blog. Por exemplo, algo que eu ouço muito (e leio nos comentários) é: “Thais, sinceramente, eu amo o seu blog. Adoro as suas dicas – você faz parecer tão fácil… Eu já entendi como é legal ter uma vida organizada, e já sei o que isso significa. Mas eu realmente não sei como fazer. Como começar. O primeiro passo.”

Se você acompanha o Vida Organizada, lê livros e outros blogs sobre organização e sente que nada mudou, que precisa de um empurrão, este texto é para você.

A recomendação que eu costumo dar é sempre essa: em primeiro lugar, não se cobre tanto. Sua vida não ficou como está da noite para o dia e nem mudará completamente do dia para a noite. Não existe um ponto zero onde começamos a nos organizar e um ponto final onde dizemos: “ufa, agora sim sou uma pessoa organizada!”. A vida muda a todo momento. Quando nos consideramos organizados, acontece uma mudança e nos tira dos eixos novamente. Então a primeira coisa a se ter em mente é que não existe um ponto final na organização. Ela é uma habilidade para a vida.

Em segundo lugar, leia os textos do blog, todos os dias. Implemente uma coisa que achou legal e viável. Acostume-se com ela. Depois, implemente outra coisa. E assim por diante. A organização resulta da consistência – não de um extreme makeover feito em um único final de semana.

E, por mais que você leia e goste do blog (o que eu agradeço), o que vai fazer realmente diferença na sua vida é colocar a mão na massa. É ver o post sobre planejamento do dia, abrir sua agenda e começar a testar. É ler sobre menu semanal, pegar uma folha de papel e começar a montar o seu. Com erros, com acertos. É uma construção. Mas você precisa começar.

Ler os posts, fazer cursos, participar de workshops são ações maravilhosas que nos trazem conhecimento, troca de experiências e dão motivação. É ótimo participar deles. Mas o que você aprendeu no dia não pode morrer ali. Ler sobre destralhar não é a mesma coisa que pegar um saco preto de plástico na mão e ir colocando roupas e objetos dentro para doar. E, quando você fizer isso, vai entender a diferença. Também vai ver como dá vontade de continuar, de fazer mais. Aí eu volto para a questão de não se cobrar tanto. Destralhar a casa hoje por 15 minutos é melhor do que não ter dado um passo sequer no seu caminho da organização pessoal.

Navegar no Pinterest, ver aquelas ideias maravilhosas de artesanato e faça-você-mesmo, ler revistas de decoração, podem nos colocar na mente que existe um ideal a ser atingido. Não há. E eu mesma sou péssima com artesanato. Mas me chame para organizar um projeto. 🙂

Aqui no blog você encontra mais de 1800 posts – e isso porque fiz uma limpa recentemente. Ler todos os textos não é o suficiente para você transformar a sua realidade, apesar de eu saber que a mudança do estado mental e a motivação são fundamentais nesse processo. Só quero dizer que isso não é suficiente. Ler, trocar ideias, postar dúvidas no grupo no Facebook, comentar aqui, ler depoimentos – tudo isso é realmente maravilhoso. E mudar a mente muda todo o resto. Então, liberte a sua mente. Se ficou empolgada com um artigo, tente experimentar o que ele indica! Não tenha medo de fazer errado! Tente!

Como diz um velho provérbio chinês: “um bom discurso não cozinha o arroz”. A água na panela já está fervendo. Não perca a oportunidade de lidar com ela agora.

Thais Godinho
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