ou

Muitas pessoas me pedem para escrever sobre como me planejei para mudar de carreira e, apesar de a coisa toda ainda estar em construção (quando não está, não é mesmo?), penso que hoje eu consigo ver com um distanciamento maior como eu fiz e passar dicas e reflexões para vocês.

A primeira coisa que eu gostaria de falar é que todo o processo só foi possível a partir do momento que eu descobri o que eu queria fazer. Quando isso aconteceu, foi muito fácil, pois bastava planejamento. A real questão é você descobrir o que quer, e até por isso eu optei por me formar coach, pois o foco do meu trabalho está em auxiliar as pessoas a encontrarem esse “norte”.

Quando isso aconteceu? Bem, eu criei o blog em 2006, mas nunca em toda a minha vida achei que algum dia eu trabalharia com organização pessoal e produtividade. O blog foi criado como um hobbie, porque eu sempre gostei do assunto e, naquele ano, isso se intensificou quando eu comecei a usar o GTD (método de produtividade). Eu descobri o que eu realmente queria por volta de 2011 ou 2012, quando estava na pós-graduação. Ter estudado na área de mídias digitais me fez ver como eu realmente queria trabalhar com o assunto do blog – tanto que ele foi o projeto do meu TCC: profissionalizar o blog.

Slogan do blog. Bom dia!

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Dali em diante, eu comecei a pensar em maneiras de alcançar esse objetivo. Tinha um emprego legal, gostava do que fazia. No ano seguinte, veio o convite para escrever um livro. Tudo foi acontecendo porque eu me dedicava muito ao blog. Mesmo com o trabalho o dia inteiro, eu chegava em casa e me dedicava ao blog, conciliando com os cuidados com a minha família e com a casa. Escrevia quando meu filho ia dormir ou acordava duas horas mais cedo que o normal para me dedicar a isso.

Quando veio a ideia do livro, eu ainda tinha em mente que poderia ficar somente como escritora e blogueira, compartilhando conteúdo e ajudando as pessoas através dele. O que é uma ideia ótima, mas não paga as minhas contas. Por isso, naquela época eu tinha optado por ter um emprego que me passasse estabilidade e me permitisse dedicar a todos os projetos relacionados ao Vida Organizada aos poucos, em paralelo. Foi quando eu decidi estudar para passar em um concurso público.

Veja, é muito difícil, para quem nunca empreendeu, aprender que existe outra maneira de ganhar a vida. Eu achava que empreender era pra quem já fosse rico, tivesse um background seguro e pudesse ficar um tempo sem ganhar dinheiro. Eu não tinha essa possibilidade.

No entanto, aos poucos as coisas foram se intensificando para o lado da organização e da produtividade. O Daniel (da Call Daniel) me convidou para trabalhar como consultora de webmarketing para ele, em 2013, e eu comecei a ver o quanto aquele trabalho era importante e legal de se fazer. Comecei a escrever meu livro. O blog estava se profissionalizando e recebendo tantas visitas que as marcas começaram a vir atrás de mim com convites que eu não tinha como aceitar, por causa do meu emprego. “Você pode vir a São Paulo participar de uma ação com a Nigella?” – “Não posso, tenho emprego”. “Você poderia ficar uma semana testando o novo carro X em um hotel-fazenda para uma ação no blog?” – “Não posso, não estou de férias”. E isso me frustrava cada vez mais, porque eu via que estava perdendo oportunidades. Ficava me perguntando se, se eu tivesse todo o meu tempo disponível para isso, outras mais não apareceriam.

Foi então que eu efetivamente montei um plano. O GTD ajudou total nisso, claro. Pensei: qual o meu propósito? E eu já tinha muito clara a missão do Vida Organizada, que é inspirar as pessoas a se organizarem para que tenham mais qualidade de vida. Ok, e como eu faço isso? Como eu consigo inspirá-las?

Coloquei no papel o que eu imaginava para o Vida Organizada de três a cinco anos. Se tudo desse super certo, onde ele estaria? E eu escrevi todas essas coisas: cursos, livros, palestras, eventos, vídeos, revista digital, coaching – que era uma ideia super distante na época. Isso foi em 2013. Hoje, três anos depois, são exatamente essas coisas que estão acontecendo. E vejo os próximos dois anos justamente de lapidação de todos esses “produtos”. Estou amadurecendo a ideia dos vídeos no YouTube, construindo novos cursos online, me aprimorando como coach.

Vibe da manhã de sábado.

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Depois de pensar nesse cenário de três a cinco anos, perguntei: o que eu gostaria que fosse verdade até o final do ano que vem? Ou seja, até o final de 2014. E eu percebi que, se não tivesse algumas metas, talvez a coisa realmente nunca saísse do papel. E, quando eu fiz esse exercício, percebi algumas maneiras de chegar lá. O que era esse “lá”? Era estar dedicada exclusivamente ao assunto produtividade e organização pessoal, sair do meu emprego atual, voltar para São Paulo (eu morava em Campinas), fazer cursos, treinamentos e palestras. Eu sabia que “viver do blog” era algo difícil e incerto. Portanto, o “mais certo” seria buscar fontes de renda mais factíveis, como fazer cursos.

Com isso em mente, identifiquei projetos. Primeiro, parei de investir tempo estudando para concursos, porque vi que não era aquilo que eu queria de verdade naquele momento. Eu precisava investir meu tempo de maneira sábia e efetiva. Finalizei meu livro. Apoiei a contratação de outra pessoa para a minha área, para não deixá-la abandonada quando eu saísse do meu emprego. Intensifiquei meus estudos para ser uma boa professora. Trabalhei com mais afinco no calendário editorial do blog. E, de repente, com esse foco, muita coisa começou a acontecer. É incrível como, quanto mais a gente trabalha e se dedica a algo com foco, mais as coisas acontecem.

Mind map dos temas para o blog em janeiro.

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Conversei com o Daniel no primeiro semestre de 2014 sobre a minha vontade de me dedicar exclusivamente ao tema que eu amava, e ele sugeriu a ideia de eu trabalhar como instrutora de GTD. Apesar de esse convite estar sempre no ar, eu nunca tinha visto-o como uma verdadeira possibilidade. Mas, a partir de determinado momento naquele ano, ele passou a fazer sentido. E, em junho de 2014, eu resolvi aceitar. Foi uma proposta legal, que me deu a segurança necessária para sair do meu emprego e voltar para São Paulo, investindo na nova carreira. Frio na barriga? Óbvio! Mas a vontade era tão grande, e os riscos valiam tanto a pena, que nós decidimos fazer. Digo “nós” porque foi muito conversado com o meu marido. Ele sabia o quanto eu queria e também queria voltar para São Paulo. Então tomamos a decisão juntos.

Quando efetivamente aceitei o convite, a coisa se tornou real e, a partir dali, cada dia parecia uma contagem regressiva para essa nova vida. Ajudou muito o fato de eu não estar muito legal no emprego que eu tinha. Gostava de onde eu trabalhava, mas me desgastei muito com alguns relacionamentos. Isso certamente me impulsionou para buscar essa mudança de carreira.

Um pouco do meu mundo. #kadampa #budismo #kadampabuddhism

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Tem que ser.

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Começando a leitura! Alguém já leu esse livro? #produtividade #vidaorganizada

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Foi simples assim.

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Eu saí do meu emprego no final de junho de 2014. Mudamos para São Paulo em agosto. Foi uma época de bastante insegurança, no sentido de querer resolver tudo rápido e com o esforço tremendo de manter o foco para não tomar decisões erradas. Por exemplo, em 2012 eu tinha me certificado como personal organizer. E, apesar de ter feito diversos trabalhos de campo (ir na casa da pessoa ajudá-la a organizar algum ambiente), esse não era o foco do Vida Organizada. Sempre acreditei que é importante ensinar o processo para a pessoa fazer para a vida, e não fazer por ela. Por isso o “inspirar” na missão. Então, nesse momento, seria muito fácil aceitar fazer trabalhos desse tipo. Eu sempre recebi dezenas de pedidos mensalmente para fazer. Mas me ative à missão, ao meu foco, e não fiz. Isso foi muito importante porque pude me dedicar com clareza àquilo que eu queria fazer com qualidade. Em um primeiro momento, foi me tornar a melhor instrutora de GTD que poderia existir.

Tudo pronto para o treinamento de GTD aqui em São José dos Campos. Johnson & Johnson. #calldaniel #golumen

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GTD revolution no Banco Central em Brasília. Agora! What’s your next action?

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Durante meses, esse foi o meu foco. Meu primeiro livro foi lançado em agosto, na Bienal, e eu não pude me dedicar tanto ao lançamento e aos eventos relacionados, justamente porque precisava focar em determinada formação. Não dá para fazer tudo. Quando eu digo que o GTD ajuda em tudo na vida, não é demagogia. Se não fosse pelo GTD, eu teria pirado em diversos momentos.

Como o GTD me ajudou durante a transição? Fiz um novo mapa das minhas áreas de foco para identificar minhas novas responsabilidades, e esse mapa me mostrou o que eu deveria focar naquele momento. Todos os projetos não relacionados ficaram de lado. Aos poucos, alguns foram voltando. Outros não. Todo esse período de transição foi um aprendizado gigantesco para mim. Em menos de um ano (na verdade, seis meses depois), estava indo para Amsterdam conhecer o David Allen (criador do método GTD) pessoalmente. Vejo isso como uma recompensa por toda a minha dedicação e amor por esse trabalho. Eu sempre fui uma pessoa muito dedicada e com tendências workaholics, que só não me prejudicaram justamente pelo equilíbrio que o GTD me ensina a ter.

Just happened.

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Todo mundo precisa de ajuda no Candy Crush.

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Dia de reunião na editora para acertar detalhes sobre o lançamento do livro. Muitas novidades!

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No final de 2014, quando as coisas como instrutora já estavam mais tranquilas e encaminhadas, eu pude lançar o primeiro workshop do blog, o Organize-se em 2015, que esgotou as inscrições em apenas duas horas. A partir dali, eu vi que precisava mapear novamente minhas responsabilidades, agora voltada para a área de cursos do blog, para fazer um bom trabalho com isso em 2015. Todo o ano de 2015 foi dedicado à criação de conteúdos e formatos de cursos, além do meu trabalho em paralelo com o GTD.

Workshop do blog ontem: Organize-se em 2015! Amei, obrigada a todos que foram. Foi um dia muito especial.

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No meio do ano passado, veio a grande consagração para mim, que foi viajar para me certificar nessa metodologia que sou tão apaixonada. Não consigo nem descrever o que isso significa para mim. Ainda voltei em setembro para tirar a segunda certificação e, de lá para cá, minha dedicação ao GTD aumentou muito, porque o jogo se elevou também. Com as certificações, vêm mais responsabilidades. Passei de simples instrutora a gerente de produto, com a necessidade de dedicação maior e implementação de uma série de mudanças na franquia no Brasil.

Isso me fez ver que eu não poderia continuar com workshops presenciais do blog + tudo isso, senão eu ia pirar. Foi quando vi que era a hora de investir em cursos online, o que foi uma decisão muito acertada. Em outubro, lancei o primeiro curso online do Vida Organizada, que também foi muito bem aceito. E isso me deu a oportunidade de repensar a estratégia do blog como um todo, refinando os workshops que já tínhamos.

Editando um vídeo novo para o canal!

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Em 2016, eu percebi que estava correndo demais com as coisas (afinal, em menos de dois anos, TUDO tinha mudado e muita coisa tinha acontecido), e resolvi desacelerar. Queria curtir mais as minhas conquistas, refinar o que já tinha construído até então. Ver com um pouco mais de perspectiva para onde estava indo. Foi quando eu vi com muita clareza que 2016 era o ano de me dedicar a essa nova responsabilidade (gerente de produto do GTD), refinar os cursos já realizados com o blog (online e presenciais), e investir no que eu gostaria que fosse uma mudança interessante para 2017, que seria trabalhar com coaching. Por isso, eu tomei a decisão de investir na minha formação de coaching no segundo semestre de 2016. E foi o que eu fiz.

Mais louco é quem me diz e não é feliz! #gtd

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Livro da vez… Maravilhoso! Estou em uma fase de imersão na cultura da Apple – já tenho outros na fila.

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Primeira turma piloto do GTD Nível 2: Projetos e Prioridades! #gettingthingsdone

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Vejam, foi tudo muito planejado e recalibrado a todo instante. O que efetivamente ajuda é ter perspectiva, respeitar muito o seu eu interior, e ver se as atividades que você tem investido tempo fazem sentido com aquilo que você quer ser ou fazer. Em todos esses meses, mesmo enfrentando dificuldades, essa possibilidade de parar, analisar e tomar decisões foi fundamental. Dá empoderamento. A coerência dá empoderamento, e isso, para mim, é a essência de uma verdadeira vida organizada.

Quando eu olho para trás e vejo como fiz a transição, ela faz muito sentido. Poderia ter feito diversas coisas de maneira diferente? Claro, mas é sempre assim – sempre vamos aprender com os erros e com os acertos. Ninguém faz nada de forma perfeita na vida, e ainda bem – que chato que seria. O mais legal da vida é justamente essa imprevisibilidade que nos traz desafios e problemas para resolvermos, porque é assim que se cresce.

Uma das coisas que o GTD proporciona é essa habilidade de estar sempre atento às minhas diversas áreas da vida e responsabilidades, o que me permite ver o que está bem, o que pode melhorar, o que precisa de mudanças. Sem esse acompanhamento, não sei como seria. Ele me permite recalibrar a todo momento e me chama para a responsabilidade para todas as coisas que eu sou, de fato, responsável. Isso não significa que não cometerei erros. Como falei, tudo são erros e acertos. Mas eu aprendi também que não posso ficar me punindo por eles, que a coisa toda se resume a tocar a bola pra frente, fazer melhor da próxima vez.

Uma transição de carreira certamente não é um evento pontual que você decide hoje e de repente está nessa transição. Ela é um processo. Se você pensa em fazer essa transição, certamente já está nela. A grande pergunta é: você está prestando atenção no que você mesma(o) está tentando te dizer? O resto é só planejamento. Use o GTD. 🙂

Thais Godinho
11/10/2016
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O GTD tem uma coisa muito louca, que é o fato de você já ter lido a mesma coisa umas mil vezes mas, ainda assim, ler novamente pela milésima primeira vez e aprender algo novo. Isso tem acontecido atualmente com o conceito de listas separadas fisicamente.

O David pontua diversas vezes no livro e em outros materiais como é importante manter as listas fisicamente separadas umas das outras. Eu nunca tinha entendido muito bem. Sempre achei que se tratava apenas de não misturar uma coisa com a outra. Mas não. Trata-se de separar mesmo.

“Ser organizado significa que cada coisa deve estar no lugar equivalente ao que ela significa para você” (“A arte de fazer acontecer”, página 175). “A melhor estrutura para gerenciá-las (suas coisas) daqui a um ano pode ser diferente do que adotou para lidar com seu mundo hoje” (página 176).

Mais para baixo, na mesma página, ele diz que “é fundamental que essas categorias se mantenham bem distintas umas das outras”. “Cada uma representa um tipo de acordo que fazemos com nós mesmos, dos quais devemos ser lembrados em determinado dia e de certa maneira.”

E ainda, para não restar dúvida: “As categorias devem ficar separadas visual, física e psicologicamente para que haja clareza” (página 178). Mas ainda assim queremos vincular ações a projetos, projetos a áreas de foco e toda sorte de categorias que deveríamos manter separadas.

É muito difícil escrever sobre isso porque é uma mudança enorme de paradigma que o GTD traz e que eu mesma ainda não tinha tornado tão claro para mim até recentemente, quando fiz um novo intensivão para a capacitação dos instrutores.

Para tornar o entendimento mais prático, vou falar o que eu já fiz e que normalmente se faz, por exemplo, com ações de projetos. Eu uso o Todoist. E, por isso, lá eu criava um projeto e, dentro dele, inseria suas ações. Quando eu visualizava as ações por contextos (usando etiquetas), o Todoist me mostrava também de que projeto ela fazia parte. O mesmo pode ser feito no Evernote, no Asana e em tantos outros aplicativos preferidos de todos.

exemplo-projeto-completo

Só que existe um desvio de foco ao fazer isso, que é sair do terreno das ações (térreo) e ir para o de projetos (horizonte 1). E, com isso, você se distrai. Pensa no projeto, não na ação. Se você acessa seu calendário e vê um item que não pertence a ele, deixa de confiar no calendário. Se você tem um projeto que não pode tocar agora, ele deveria estar em Algum dia / talvez, não em Projetos. Isso tudo traz uma dissonância ao seu sistema e, consequentemente, à sua mente.

Em outras palavras: ter suas ações em uma lista separada de próximas ações, sejam ações avulsas ou relacionadas a projetos, tem um valor imensurável de foco e agilidade. Você está em determinado contexto (por ex: no escritório) e, se acessar a lista de coisas que pode fazer no escritório, vai passar voando pela sua lista @escritório, executando o que estiver lá. Não precisa saber se é de algum projeto ou não. O importante é que ele (o projeto) seja movido adiante. Não estamos falando de microgerenciamento como boa prática de produtividade – focamos em ações e resultados.

E caraaaca, como é difícil mudar essa chavinha mental e ensinar outras pessoas a importância disso. As pessoas gostam de ver as ações nos projetos. E ok, você pode ter um cronograma. Pode ter a visão geral. Mas não confunda com próximas ações.

“Então como eu vou saber que uma ação pertence a um projeto?”. Aí que está: você vê o projeto no horizonte dele, que é o horizonte 1, e não o passo a passo no dia a dia. Você vê o todo do resultado que leva múltiplos passos para ser concluído em até um ano. Você não precisa microgerenciar o seu projeto. Você o revisa uma vez por semana na revisão semanal e fica tranquilo no dia a dia apenas executando as ações.

Além do que, separar completamente a ação do projeto faz com que a ação seja esclarecida de maneira melhor. Explico. Se eu tenho um projeto chamado “Organizar festa de aniversário”, vai ser muito mais fácil criar uma ação chamada “Ligar para os meus amigos e convidá-los”, porque eu estou vendo que o resultado final é organizar a festa. Mas isso já me coloca no terreno do resultado, não da ação. E vai fazer com que eu me distraia das outras ações que preciso executar naquele contexto em que estou e me colocar no âmbito daquele projeto em particular. No entanto, se a ação estiver separada, é mais provável que eu a esclareça melhor, deixando-a como, por exemplo: “Ligar para os meus amigos para convidá-los para a minha festa sábado”. E essa ação estará em uma lista de próximas ações, não dentro do meu projeto, ou vinculada a ele de alguma maneira.

Essa mudança simples faz toda diferença na agilidade com a qual você consegue se engajar nas suas ações no dia a dia, além de te dar o foco no horizonte necessário. Se você entrar no horizonte do projeto, vai tirar seu foco da execução e te colocar no terreno do planejamento, o que te fará divagar.

Por isso, não se preocupe com a ferramenta que você vai usar. Você pode ter a sua lista de próximas ações em um caderninho, se o caderninho for o que estiver com você quando você precisar revisar o seu trabalho. Você pode ter a sua lista de projetos apenas onde vai precisar acessá-la ao revisá-los.

Eu tenho transformado todo o meu sistema novamente, aos poucos, justamente por esse entendimento e pelo “clique” que ele fez na minha cabeça. Meu Todoist, por exemplo, está com as minhas ações. Por quê? Porque eu preciso acessar minhas ações a qualquer momento, a fim de aproveitar janelas de tempo no meu dia a dia, e faz sentido acessar pelo celular, que está sempre comigo. Mas poderia ser diferente. Eu poderia ter uma lista @computador no computador mesmo. Ou uma lista @errands em um caderninho que levo quando vou para a rua. Porque depende. Depende do que significa para mim, e isso muda tanto de pessoa para pessoa quanto de necessidade para necessidade de uma mesma pessoa a cada momento.

listas-separadas-acoes-todoist

Por enquanto ainda mantenho os meus projetos no Todoist, mas eu venho exercendo a vontade de mudar faz um tempo já. Tentei voltar para o Evernote, mas não funcionou novamente para mim como era antes. Estou testando outras formas.

Áreas de foco (horizonte 2), voltei para o meu formato preferido, que são os mapas mentais. É o que faz sentido para mim, assim como já fez sentido ter listas. Os outros horizontes, a mesma coisa – estou definindo e testando.

Não é para estarem no mesmo lugar. Isso te tira de um horizonte e te joga em outro. Por isso se chamam horizontes de foco. Você foca em um horizonte de cada vez, senão atrapalha. Se você pensa nos seus projetos de acordo com as suas áreas de foco, isso te dá uma dissonância mental desnecessária. Nada contra analisar áreas de foco em busca de projetos – esse é o “certo”, digamos assim. Mas, quando você revisa um projeto do ponto de vista de uma área, isso confunde. Faça o teste. Revise o projeto pelo projeto, pelo resultado desejado. Se subir um horizonte, ele parece infinito.

Tem coisas do GTD que podem parecer filosóficas demais, e acho que são mesmo. Mas esse entendimento, esse raciocínio, faz toda a diferença na prática da coisa toda. É o que vai dar agilidade para executar, mover a vida adiante. As pessoas tendem a falar tanto que procrastinam demais e me pedem dicas para lidar com isso, mas não existem “dicas” – existe entendimento. Existe um valor enorme no foco que você dá para aquilo que faz sentido focar no dia a dia, naquilo que você precisa focar uma vez por semana, ou só de vez em quando. E ter suas listas separadas é a maneira mais fácil e prática de fazer isso. Ajuste seu foco!

ajuste-foco

O GTD permite que você tenha a habilidade de focar naquilo que precisa ou quer focar a qualquer momento. Se você mantém tudo junto, você perde isso.

Teste! Só digo isso, porque a teoria aqui não diz tanto quanto a prática. Teste, teste, teste!

Thais Godinho
10/10/2016
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Muitos leitores do Vida Organizada identificam-se com o Feng Shui e sempre manifestam a vontade de saber mais.

Eu acho superinteressante, até mesmo porque antes de me tornar consultora, sempre me interessei pelo assunto e volta e meia saía da livraria com um volume que falava da antiga arte-ciência chinesa.

Evidentemente, se sua casa/empresa apresenta um histórico complicado, aconselho que você contrate uma consultoria. Um bom projeto de Feng Shui pode ser feito até mesmo à distância. Mas, se você quer conhecer um pouco dessa técnica que já revolucionou até o mundo corporativo…vamos lá!

Resolvi então apresentar os meus livros de Feng Shui, mostrando um pouquinho do meu espaço e indicando alguns autores que nos dão uma ótima ideia de como harmonizar nosso espaço, tornando-o sagrado.

Convido vocês então para desfrutarem desse vídeo, podendo visualizar tudo que tenho hoje – confesso que já doei vários exemplares, que foram interessantes durante um período, mas cumpriram suas funções e seguiram adiante; particularmente não aprecio muito essas séries feitas pelo mesmo autor, desdobrando-se em muitas finalidades. Hoje fico com a máxima do “menos é mais”.

Vamos conhecer a biblioteca do Armazém da Energia?

Wanice Bon'ávígo
08/10/2016
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