05 Dec 2013

Como a raiva afeta nossa produtividade

Um dos conceitos que mais me fizeram ver a vida de outra forma quando comecei a estudar o budismo foi sobre o controle da raiva. Acredito que a gente deva agradecer imensamente por todos aqueles que nos fazem sentir raiva, porque isso nos dá a chance de sermos pessoas melhores. Quando uma pessoa faz algo que me toca, me ofende ou me deixa com um sentimento ruim, eu tenho a oportunidade de lidar com aquilo e pensar: por que me sinto assim? Tenho a chance de refletir a respeito e exercitar meu lado zen. Isso não aconteceria se não tivesse esse tipo de estímulo no dia a dia.

Como você se sente quando acaba de lavar a louça e alguém deixa um prato sujo dentro da pia?

Quantas vezes estávamos super bem e, quando chegamos ao trabalho, algum colega fez um comentário desnecessário e nos tirou de nosso equilíbrio? Ou então, estávamos limpando a casa cantando uma música do Led Zeppelin bem alto, chega nosso companheiro ou companheira e faz um comentário chato. Muitas vezes, e dependendo da pessoa, aquilo faz com que o dia acabe e tudo fique horroroso. Nem conseguimos fazer nada direito. Assim como tem muitas vezes que o clima está péssimo mas nós estamos bem, então tudo fica bem.

Isso acontece porque o segredo de tudo está em controlar a nossa mente. E isso não é fácil! Aliás, pode ser um objetivo de vida mesmo, como vocês podem imaginar. E isso vale para quem trabalha em casa, trabalha fora, só estuda, só fica em casa. Vale para todo mundo.

Com relação à raiva, ela é um sentimento importante de comentar porque nos afeta e prejudica outras pessoas, além de nós mesmos. Levante a mão quem já sentiu raiva, falou o que não precisava e depois se arrependeu muito? Eu já fiz isso inúmeras vezes. Todo mundo já fez. Quando a gente se deixa levar pela raiva, não é a outra pessoa a principal prejudicada, mas a gente mesmo. Aquilo gera uma sensação de mal-estar tremenda na gente e tira toda a nossa concentração. E quem consegue trabalhar ou fazer qualquer outra atividade se sentindo assim?

E como lidar com a raiva no dia a dia?

Minha sugestão é: identifique aquilo que faz você sentir raiva – aquilo que te tira do eixo sempre. E tente evitar. Isso já vai diminuir muito os seus problemas com relação a esse assunto.

Se não puder evitar e a situação simplesmente explodir na sua frente, conte até 10, 30, 100, até a raiva passar. Não pense que está sendo “café com leite” ou “levando desaforo para casa”. Esses são sentimentos ligados ao nosso ego, que não trazem benefício algum para nós. Podemos sim lidar com as injustiças e responder ou até mesmo discutir de forma adequada, educada e com respeito, mas isso não é algo que conseguimos fazer quando estamos com raiva. Não nos controlamos quando estamos com raiva, é físico isso. Nosso corpo reage. Portanto, quando chegar esse momento, afaste-se. E, quando tiver pensado a respeito, converse para resolver o problema.

Sentir raiva não é bom. Não é normal, apesar de o nosso mundo hoje pregar como se fosse.

Saber lidar com a raiva aumenta nossa produtividade porque não nos deixa cair em armadilhas do dia a dia – no trabalho, com a família, com os amigos, em todo lugar. E, quando estamos tranquilos, conseguimos produzir bem.

Para exemplificar, trouxe um trecho de uma conversa com o Dalai Lama, onde ele fala um pouco sobre os efeitos da raiva e por que ela não é um sentimento bom. Espero que gostem.

Que benefício a raiva pode trazer? Às vezes pensamos que ela vem em nosso socorro: em uma situação trágica, a raiva parece nos dar mais coragem e energia. Sob essa perspectiva, seria algo que nos ajudaria a superar uma situação difícil.

Mas a energia que vem da raiva é cega, não tem nenhuma sabedoria, e traz o potencial de fazer com que você se auto-destrua. A raiva bloqueia nossa capacidade de discernimento, e cega nossa inteligência.

Por exemplo: às vezes perdemos a cabeça e dizemos palavras absurdas, depois nos sentimos envergonhados, temos vergonha do que dissemos, de nossas palavras impensadas. No momento em que a raiva tomou conta, perdemos a capacidade de pensar e de discernir.

A raiva também não faz bem a nossa saúde. Algumas vezes, quando queremos atingir um inimigo, deixamos a raiva nos guiar. Não é certo que conseguiremos atingir o inimigo, mas uma coisa é certa: prejudicaremos a nós mesmos.

Se temos um inimigo que resolve nos perturbar, quando reagimos estamos deixando que a situação continue a se desenvolver. E, mesmo depois que terminou, continuamos a sentir raiva — deixando que a situação nos perturbe mesmo depois de terminada. Se, no entanto, temos paciência, a situação irá acabar por si mesma.

A raiva causa dor de estômago, mal estar, em nós. E o inimigo pode até se regozijar com isso.

Temos que tomar atitudes de uma maneira pensada, sem perder a paz de espírito. Aqueles que tem alguma prática de compaixão e tolerância conseguem fazê-lo muito bem. Paciência e a tolerância são importantes. Elas não são fraquezas, e sim um sinal de fortaleza interior.

Se você pratica a compaixão, eventualmente você pode até desenvolver algum grau de gratidão pelo seu inimigo, porque só através da prática da tolerância e paciência se manifesta a compaixão.

E para praticar a paciência e a tolerância você tem que enfrentar situações difíceis. Como praticar tolerância diante de um Buda? Para aprender tolerância e paciência temos que exerce-las. Portanto, o inimigo é o seu mestre, e o ajuda a desenvolver essas qualidades.

Algumas vezes temos a noção de que a prática da paciência e tolerância significa nos curvarmos diante dos outros, mas não é isso. Estou falando de não deixarmos a raiva nos dominar, não de submissão.

Para se desenvolver a compaixão inamovível e sem preconceitos, é fundamental ter uma atitude correta frente aos inimigos. Assim, os budistas adotam a seguinte estratégia para desenvolver a compaixão sem preconceitos: Recuam.

Recue você também. Recue da proximidade dos sentimentos, da proximidade dos amigos e da distância dos inimigos. Adote a equanimidade. O apego aos amigos e o desagrado dos inimigos são um entrave.

Quando se olha com equanimidade, vemos que todos os seres querem a felicidade, querem se livrar do sofrimento. E quando percebemos isso, podemos chegar à compaixão.

Alguns dizem que a natureza básica do ser humano é agressiva, outros dizem que é gentil. Ambos têm certo grau de razão, mas entendo que a natureza básica do ser humano é gentil, porque todo mundo quer alegria, não sofrimento.

– Dalai Lama

Toda vez que você se deparar em casa, na rua, no trabalho, na escola, enfim, em qualquer lugar, com alguma situação que te deixe com raiva, pense! Pare, pense, tente se afastar, reflita sobre por que aquilo está te deixando alterado(a) desse jeito. Somente assim você conseguirá refletir sobre os seus atos e se preparar para se controlar melhor da próxima vez. E, assim, ter uma vida mais tranquila e proporcionar paz às pessoas ao ser redor.

04 Dec 2013

6 sites para relaxar e produzir melhor durante um dia de trabalho

Vi esse artigo do sempre maravilhoso Life Hack e quis indicar para vocês alguns sites para ajudar a relaxar e produzir melhor no dia a dia, especialmente no trabalho. São eles:

  • Do nothing for 2 minutes – Basicamente, um site onde você aperta o botão e comeca uma contagem regressiva de 2 minutos. Coloque o fone e fique apenas ouvindo o som das ondas do mar, sem fazer absolutamente nada. Feche os olhos, se quiser, ou aprecie a imagem do oceano. Eu testei em um dia de trabalho e confesso que deu muito certo – apesar de ter recomeçado uma duas vezes por ter sido interrompida. Eu acho que vale a pena encaixar esses dois minutinhos de manhã e de tarde para descansar um pouco e voltar com as baterias ao menos um pouco mais recarregadas.
  • Calm – Com este site, você pode escolher o período que quer relaxar (2, 5, 10 minutos etc) e o modo como deseja fazer isso. Basta colocar os fones de ouvido e ouvir instruções (apenas em inglês, por enquanto) para meditar. A voz vai orientando você a relaxar os braços, prestar atenção à sua respiração etc. Excelente! Mas não para fazer no trabalho, a não ser que você esteja trabalhando sozinho.
  • Simply noise – Esse site eu já conhecia há cerca de um ano e é muito bom para estudar em ambientes barulhentos. Basicamente, ele oferece um barulho de fundo que auxilia na concentração. Também pode ser usado para se concentrar no trabalho, apesar de que, para mim, música clássica funciona melhor nesse caso.
  • Simply rain e Rainy mood – Dois sites com barulho de chuva, que podem ser bons para quem gosta de trabalhar com chuva – do contrário (meu caso), dão sooono.
  • Conffitivity – Este interessante site traz sons ambiente de cafeterias de manhã, na hora do almoço e no fim da tarde. serve para quem gosta de trabalhar nesses ambientes, com o burburinho das pessoas ao redor. Gostei da ideia, muito criativa! Eu testei no trabalho e, de manhã, achei que tive um bom resultado.

No artigo também há indicação para outros sites, mas eu recomendo somente os citados acima, pois foi os que eu consegui testar e gostei dos resultados.

Você conhece mais algum site semelhante que ajude a melhorar a produtividade com esses sons de fundo? Compartilhe.

03 Dec 2013

Como eu fiquei uma semana sem Internet

Imagem: Byork, por Ruven Afanador

Eu sem Internet! Ou: Byork, por Ruven Afanador

Este mês, tirei férias e fiquei sete dias completamente sem Internet. Isso mesmo: sem e-mails, sem Facebook, sem Evernote! Tudo o que eu levei para a praia foram a minha câmera fotográfica e o Kindle, para ler meus e-books. E, nos dias e viagens restantes, levei somente o celular, quando pude conferir a enxurrada de e-mails e mensagens (apenas conferir, porque responder comecei há poucos dias!).

No geral, ficar sem absolutamente nada de Internet foi muito tranquilo! Eu fiquei bastante preocupada em ficar sem acessar a Internet por medo de deixar algumas pessoas na mão, então o que eu fiz foi avisar com antecedência que eu ficaria offline durante alguns dias. Depois, coloquei um aviso de férias nas minhas caixas de entrada de e-mails e viajei sem culpa. Não acessei a Internet uma só vez durante quase sete dias. No restante do tempo, reduzi demais meus acessos, e o problema é que acabei me acostumando com isso.

Pode parecer clichê mas, quando ficamos sem Internet, temos tempo para fazer tudo e a vida fica muito mais tranquila. Acredito muito na influência das energias e no fato de ter ficado longe de aparelhos eletrônicos ter ajudado a não ter dores de cabeça nenhuma vez, por exemplo, e ter ficado extremamente calma durante todos os dias.

Mesmo sem Internet, não deixei de consumir informação: li quatro livros e mais de dez revistas só nos dias em que fiquei na praia. Apesar de ter lido muito, não fiquei cansada, com dor de cabeça ou outros sintomas que tenho no dia a dia, com o excesso de computador e Internet. Eu já tinha reduzido meu tempo de exposição à TV, assistindo somente programas específicos ou filmes que eu estivesse cm vontade, e sem computador eu pude ver como acabamos ficando viciados e somos conduzidos diariamente por ele.

Para mim essa relação é muito difícil porque eu trabalho com Internet! Tenho dois empregos, ambos super relacionados à Internet, além do blog. Mas, sinceramente, não só quero como preciso reduzir meu tempo de acesso. Por isso, tomei algumas decisões que agora eu compartilho com vocês:

- Não é possível sair do Facebook, nem acho que a alternativa de lidar com qualquer problema seja cortá-lo de vez da vida. Mas vou acessar minimamente. Mensagens, não vou mais repsonder por lá. Recebo um volume imenso e aquilo estava me escravizando. Adoro o blog, adoro meus amigos, mas não posso deixar de fazer outras coisas para ficar conversando online. Neste exato momento, estou com 87 mensagens na minha caixa de entrada – coisa do blog, de amigos, de familiares, tudo misturado! – e não tenho como responder. Não tenho porque, se eu parasse agora para fazer isso, gastaria muito tempo (que não tenho). Para, amanhã, ou em poucos dias, estar tudo cheio novamente! Esse é meu aviso para que as pessoas saibam que não é mais efetivo me contatar por lá. Para me contatar, o negócio é comentário no blog ou e-mail. Em redes sociais, especialmente Facebook, eu parei, simplesmente porque não é mais possível acompanhar. Sou uma pessoa ocupada, tenho dois empregos, estou escrevendo um livro, tenho o blog, além, obviamente, da minha família e da nossa casa para cuidar. Eu deletaria meu Facebook sem dó se ele não tivesse tantas funções úteis, como contato com amigos e familiares distantes e a divulgação do meu trabalho. Como não dá para deletar, preciso tomar uma decisão radical para não enlouquecer. Peço desculpas por isso e sei que nem todos terão acesso a este aviso, mas não posso me tornar escrava de uma rede sociai – e nem quero. Aliás, faz parte da minha vida inclusive ir contra esse movimento, pela questão do blog (organização e produtividade). Logo, darei o exemplo.

– Estou reduzindo drasticamente meu nível de acesso a todas as redes sociais, por sinal. Facebook, Twitter, Instagram, tudo. Acesso literalmente nas horas vagas, quando dá, quando estou na fila do mercado e preciso passar o tempo, coisas do tipo.

– Abro meu notebook em casa somente para tarefas específicas, e não para decidir o que vou fazer ou perder tempo online. Se não tiver algo específico para fazer, não ligo o computador.

– No meu trabalho durante o dia, quando precisar me concentrar para escrever ou montar planejamentos, farei sem computador ou desligarei a Internet.

– Meu trabalho em casa se encerra uma hora antes de eu me deitar para dormir. Meus olhos estavam com reflexos azuis quando os fechava para tentar dormir! Se possível, sequer uso o computador de noite.

Reduzir meu tempo no computador me deu mais tempo para: ficar com o meu filho, ficar com o meu marido, ler, estudar, ter criatividade, pensar!, meditar, cuidar da casa, entre outras atividades. É muita coisa em troca de um acesso.

No mais, é importante levar em conta a quantidade de informação a que estamos cada vez mais expostos na Internet. Milhões de e-mails, milhões de atualizações, milhões de mensagens – ninguém dá conta! Em breve todo mundo vai ter que começar a fazer esse tipo de corte se não quiser acabar virando escravo das suas contas online.

Como eu me senti ficando sete dias de Internet? Foi excelente! Não quero mais voltar. =) Se não fosse pelo meu trabalho, eu diminuiria em 90% todo o tempo que passo online. Acho que, com os ajustes acima, consegui diminuir 40%, o que já é muito!

Exercite a vida sem Internet. Seu corpo agradece.