O que fazer quando você tem 40 anos e ainda não pensou na aposentadoria?

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Se você chegou na casa dos 40 sem ter pensado nadinha no período da sua aposentadoria, em algum momento já deve ter percebido que poderia ter refletido sobre esse assunto com mais antecedência. Esteja você amando o que você faz ou contando os minutos para pedir sua aposentadoria, nunca sabemos o dia de amanhã e do que vamos depender, então é importante estarmos preparados.

Mas não se sinta culpado: uma pesquisa de 2013 mostra que 48% dos brasileiros nunca sequer pensou na aposentadoria. Porque esse não é o tipo de assunto que se ensina na escola (talvez devesse ser). Vamos ver o que você pode fazer então se estiver nessa faixa etária para se preparar para os anos que vêm por aí?

Leia o livro do Gustavo Cerbasi: “Adeus, aposentadoria”

Você deve achar que eu estou brincando – recomendar um livro que dá adeus à aposentadoria em um post sobre como se preparar para a aposentadoria. Na verdade, o que o especialista em finanças Gustavo Cerbasi propõe é uma nova forma de se pensar sobre a aposentadoria. Ele propõe que a gente pense sobre independência financeira, e fala sobre todos os formatos de aposentadoria (INSS, viver de renda etc). Vale a leitura para que você conheça todas as suas opções.

Se tiver dúvida sobre a leitura valer ou não a pena, leia a resenha que eu fiz aqui no blog um tempo atrás.

Procure ter desde já um estilo de vida razoável

Isso significa não gastar à toa, e só você pode saber o que é gastar à toa no seu caso. O que é necessidade para uns pode não ser para outros. Muitas pessoas acabam descobrindo que um determinado imóvel é grande demais e mudam para um menor, sem que isso fira seu orgulho de alguma maneira, ou trocam seu carro por um modelo mais popular para poder investir a diferença do valor das prestações em uma previdência privada.

Segundo o método de organização do Vida Organizada, para organizar qualquer coisa, é necessário começar destralhando, e destralhar significa exatamente tirar da sua vida o que não faz mais sentido para você. Esse exercício acontece o tempo todo. Se você reduzir as despesas para ter um estilo de vida mais razoável, não precisará de tanto no futuro e, voilá: conseguirá guardar mais também.

Com essa conscientização e mudança de estilo de vida desde já, você poderá ter uma ideia do quanto precisa ter mensalmente para sobreviver e, com base nisso, fazer algumas contas e encontrar valores que precisa acumular para chegar com segurança em uma possível aposentadoria.

Otimize seus investimentos

Uma ideia pode ser aumentar o que você investe em previdência privada ou os aportes no INSS (para chegar ao teto do programa). Outra sugestão é fazer investimentos diversificados. Ainda melhor seria se você pudesse aumentar sua renda de alguma maneira, de modo a ter mais dinheiro para investir nesses fundos.

Também não precisa deixar de viver…

Todas essas recomendações não são para fazer com que você pare de ir ao cinema, compre um livro ou uma roupa nova – apenas repense os gastos como um todo. É muito triste economizar uma vida inteira pensando em guardar para uma aposentadoria que pode sequer chegar. Não estamos falando em 8 ou 80. Leve uma vida legal, com um estilo que abranja suas necessidades e vontades, mas sem deixar de pensar no futuro. Porque também é muito ruim gastar tudo e, quando chegar lá na frente, não ter absolutamente com o que contar.

Espero que o post tenha ajudado de alguma maneira. Se você tiver qualquer dica nesse sentido e quiser compartilhar com outros leitores, por favor, deixe um comentário. Obrigada!

15 Comentários

  1. Otimo post, a maioria nao pensa na aposentadoria, ate que ela esteja batendo na porta.
    Cresci ouvindo dos meus pais que eles nao viam a hora de se aposentar e agora que se aposentaram isso nao valeu de nada, pois so contam com o INSS. Esse situacao me assusta. Bate um certo desespero quando penso em aposentadoria, sendo que ainda estou tentando aumentar minha renda e ter uma reserva de emergencia, alem do meu proprio imovel (tenho 30 anos), sei que preciso fazer algo logo, mas e tanta coisa e o dinheiro nao da pra tudo.

  2. Perfeito e necessário este post Thais. Fiz 40 no ano passado e uma das maiores preocupações foi justamente esta. Li o livro que você recomendou e também o “Dinheiro – Os segredos de quem tem.” (também recomendação sua). As informações são úteis e estou tentando colocar em prática, mas não é fácil. O salário demora muito à chegar e em 30 dias acontecem tantas coisas!!! Sempre há algo que não estava planejado. Imagine que ganhei um presente um cachorro da raça Bernese! (pesquise, é lindo, mas imenso!). Era meu sonho, mas no passado! Isso hoje representa um gasto considerável. E o que fazer? Desfazer do presente do esposo???!!! Por isso digo que não é fácil. Sem contar que sempre aparece casamentos, eventos na escola do filho e outras coisa fora do planejado para “furar” o planejamento financeiro. Mas o fato de não ficar endividada e controlar melhor as finanças, já ajuda a ter uma reeducação financeira e ir guardando. O blog me ajuda muito nisso. Te agradeço imensamente por fazer parte do meu desenvolvimento.

  3. Poxa que legal esse post.. Eu li à 2 semanas o “Dinheiro, os segredos de quem tem” do Gustavo e amei, mudei meu planejamento financeiro. Obrigada!

  4. O post coincidiu justamente com o que estava conversando com um amigo hoje. Tenho tantas dúvidas sobre aposentadoria que não sei nem por onde começar, nem que especialista procurar para tirar dúvidas. Estou angustiada com isso e tenho essa preocupação. Obrigada por postar sobre o assunto.

  5. Thais Godinho,
    Boa noite aqui de Lisboa, leio sempre seus posts que me chegam por mail sempre que os coloca, uma vez que estou registada.
    Habitualmente não comento, porque os comentários de outras senhoras e suas resposta me elucidam, gostava de lhe colocar uma questão pessoalíssima mas sei que não tem tempo para respostas. Tenho 59 anos e estou a passar uma fase bem difícil de minha vida daí estar a incomodá-la. Será que dava para uma ajuda para lá de preciosa? Preciso mesmo de sua ajuda de contrário jamais a incomodaria. Aceite meus agradecimentos e votos sinceros de continuação de seu excelente trabalho.
    Júlia Albuquerque Vieira
    julia.vieira@sapo.pt

  6. Thais, esse post caiu como uma luva pra mim. Estou com 41 anos, e só recentemente comecei a me preocupar (ou seria, ‘desesperar’) com a ideia da aposentadoria. Obrigada por me ajudar a dar um direcionamento em tantas dúvidas nesse sentido, adorei!

  7. Olá Thaís. Muito legal e muito atual esse tema! Aos 45, tenho pensado e me reorganizando mais para esse momento. Tem uma situação que aparece muito no consultório e que acredito ser um bom indicativo do porquê as pessoas não querem pensar ou falar disso: o medo do envelhecimento e da morte.
    Apesar de sabermos que aposentadoria não significa “parar a vida”, o mito de que “somos” o nosso trabalho ainda assombra a existência de muita gente.
    Um grande abraço!

  8. Muito relevante o texto Thais. Estes dias também fiz uma reflexão sobre como nos preparar para a velhice, no sentido de conviver desde já com a possibilidade de um dia vivermos só e também como poupar saúde para uma época em que o corpo padece com os efeitos da idade.

  9. Olá Thais. Esse é um assunto muito importante para nós brasileiros que não temos a cultura da previdência. É importante lembrar que a previdência não é algo somente para quando envelhecemos. A incapacidade pode chegar antes, com uma doença ou acidente. Crescemos achando que a incapacidade para o trabalho chegará somente com a velhice e às vezes nem chega pois viveremos com muita saúde até o momento de nossa morte, aos 90 ou mais. Acredite, trabalho na área de previdência complementar e já ouvi as coisas mais absurdas sobre isso.
    Eu sei que é difícil pensar previdência (veja, ‘previdência’ e não ‘aposentadoria’) mas devemos iniciar essa discussão o quanto antes.
    Parabéns pelo post. Acho o assunto importantíssimo. bjo

  10. Ótimo post Thais!
    As pessoas precisam aprender a pensar na aposentadoria desde cedo, não somente quando ela está próxima.
    E sobre não ser 8 ou 80, achei perfeito…precisamos buscar o equilíbrio…viver com qualidade de vida hoje e não deixar de pensar e se preparar para a aposentadoria.
    Abraços!

  11. Acho muito relevante, mas (sim, quase sempre há um mas) planejar não é tudo. Ciente das dificuldades de meu pai, que apesar de já estar aposentado quando a lei mudou, teve o valor reduzido pelo fator previdenciário, investi num plano de pensão. O problema é que passados mais de 20 anos, o plano está deficitário e corremos o risco de não receber a complementação planejada e até perder o que foi investido. É uma situação semelhante ao que aconteceu com os funcionários da Varig, Correios, BB.

    Já parei para pensar no assunto várias vezes e não vejo como eu poderia ter feito diferente. Não investir? Investir em outro plano, mas nesse caso em qual se o mais respeitado dos últimos tempos era o Previ do Banco do Brasil e ele também está com problemas.?

    • A ideia é investir em diversas frentes para não depender de apenas uma, justamente pela instabilidade de cada uma delas.

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