Família

09 Oct 2014

Gerenciando o guarda-roupa das crianças

Imagem: Womenolog

Imagem: Womenolog

Eu recebi uma mensagem de uma leitora que me inspirou a escrever este post:

“Thais, eu queria saber que dica você me dá para gerenciar o guarda-roupa da minha filhinha. Ela tem muitas roupas mas mesmo assim sempre falta alguma coisa na hora de se vestir. Não sei estimar quantidades na hora de comprar nem com que frequência devo fazer isso. Me ajuda, por favor?”

Uma vez eu postei aqui no blog uma planilha que tenho que me ajuda a saber quando devo comprar cada peça de roupa. Não é uma regra, mas uma orientação. Acredito que o mesmo possa ser feito com relação às crianças, com a seguinte exceção: as necessidades mudam de idade para idade e isso precisa ser observado ao manusear os dados. Outro fator que deve ser levado em consideração é a rotina da criança – quanto tempo fica na escola, quantos uniformes têm, que atividades extras ela faz, se viaja muito, se brinca na terra, se fica mais em casa etc. Isso só pode ser observado por cada pai e mãe.

Para o filhote, eu costumo fazer compras sazonalmente (a cada quatro meses) ou sempre que precisa de algo não previsto antes. Hoje, um guarda-roupa de inverno dele inclui:

  • 14 cuecas
  • 14 pares de meias
  • 1 par de luvas
  • 2 toucas
  • 10 camisetas de manga comprida
  • 10 camisetas de manga curta
  • 5 camisetas sem manga (para usar por baixo)
  • 1 blusa de lã com zíper e capuz
  • 1 blusa de lã fechada (tipo suéter)
  • 1 blusa de moletom com zíper e capuz
  • 1 blusa de moletom fechada
  • 1 colete aberto
  • 1 colete fechado
  • 1 casaco
  • 7 conjuntos de pijamas (podem ser camisetas + calças ou shorts)
  • 3 calças legging (para dormir ou pôr por baixo)
  • 5 calças jeans ou de sarja
  • 10 calças de moletom
  • 3 calças de uniforme
  • 5 camisetas de manga curta de uniforme
  • 5 camisetas de manga comprida de uniforme
  • 1 agasalho com capuz de uniforme
  • 1 conjunto de moletom de uniforme
  • 1 par de tênis confortáveis para a escola
  • 1 par de tênis mais bonitinhos para passear
  • 1 par de pantufas
  • 1 par de sandálias (para usar com meias)
  • Pelo menos um conjunto bonitinho para sair

O guarda-roupa de verão:

  • 14 cuecas
  • 10 pares de meias
  • 1 boné
  • 5 camisetas de manga comprida
  • 10 camisetas de manga curta
  • 10 camisetas sem manga
  • 1 blusa de moletom com zíper e capuz
  • 1 colete aberto
  • 7 conjuntos de pijamas (podem ser camisetas + calças de moletom)
  • 3 calças legging (para dormir)
  • 5 calças jeans ou de sarja
  • 5 calças de moletom
  • 7 bermudas
  • 7 shortinhos
  • 2 calças de uniforme
  • 10 camisetas de manga curta de uniforme
  • 3 bermudas de uniforme
  • 1 par de tênis confortáveis para a escola
  • 1 par de tênis mais bonitinhos para passear
  • 1 par de chinelos
  • 1 par de sandálias
  • 2 sungas
  • Pelo menos um conjunto bonitinho para sair

Aí o que acontece: a cada estação, eu tenho que ter mais ou menos essas quantidades acima. Se entrar o inverno e ele tiver só uma blusa de lã, porque a outra ficou pequena, sei que precisarei comprar porque não dá para ele ficar só com uma, por experiência nos invernos anteriores. Muitas roupas duram anos, enquanto outras duram apenas alguns meses. No geral, não precisamos comprar tantos itens porque os guarda-roupas se conversam entre uma estação e outra e muita coisa pode ser aproveitada. O que é bem legal é ter sempre por perto outras mães com filhos em idades diferentes dos seus, para você doar roupas em boa qualidade e elas também. Eu tenho uma prima que tem um filho quase dois anos mais velho que o nosso, então muitas vezes ela doa algumas roupinhas para ele.

Essa análise que eu faço é parecida com a do meu próprio guarda-roupa: vejo o que está poído, velho, o que não dá para consertar, as calças que podem virar bermudas, o que não serve mais, o que ele nunca usou. As roupas em bom estado que não servem mais vão todas para doação. Uma coisa que aprendi depois que ele entrou para a escola é que sempre vale a pena manter alguns itens “velhos” para atividades que envolvam pintura e artesanato. Para isso, tenho uma caixa de plástico no guarda-roupa dele (bem pequena) onde guardo essas peças.

Depois dessa seleção, vem a parte de estabelecer um orçamento para as compras. Quem tem mais de um filho obviamente tem mais dificuldade e precisa fazer escolhas. Eu costumo pensar assim: uniformes são caros, então compensa ter um número suficiente e lavar com uma frequência maior. Camisetinhas e outras peças de malha não precisam ser caras, porque ele perde muito rápido, sujam, ficam encardidas, mancham com substâncias diversas. Aí, compro em lugares mais baratos. Aqui em São Paulo, temos o bairro do Brás, o bairro da Penha, o bairro de Pinheiros – todos bons centros comerciais para roupas infantis mais baratas. Existe uma rede de vestuário por aqui chamada Torra-Torra, com ótimos preços. Agora, é claro que eu gosto de ter sempre algumas roupas mais bonitinhas para ele – quando saímos, quando temos um aniversário, festinhas diversas etc. Acho legal ter algumas camisetas boas, calças jeans bonitinhas, um calçado mais legal. Mas isso não é regra. Esses sim eu compro quando vejo algo bonitinho, sempre tentando não pagar tão caro porque infelizmente ele perde essas roupas depois. Não é como a gente, que compra uma peça que durará muitos anos, se for bem cuidada. Não adianta comprar uma jaqueta de couro na Zara, pagar R$200 e ele perder daqui a seis meses, sendo que nem usou direito porque não esfriou tanto. A gente vai bastante pelo bom-senso.

Todas as roupas dele ficam no guarda-roupa, sem distinção de estação, porque os dois guarda-roupas (verão e inverno) são semelhantes e tem essa alta rotatividade das roupas, então as peças não se acumulam tanto quanto no guarda-roupa dos adultos.

Espero ter ajudado!

22 Aug 2014

5 coisas que você pode escrever na agenda escolar do seu filho

Quem tem filhos em idade escolar já deve estar acostumado a receber diariamente uma agenda com anotações – especialmente os mais novos. Quando meu filho entrou na primeira escolinha, ele tinha pouco mais de um ano. Como era bebê e ficava bastante tempo na escola, a agenda vinha com muitas informações: quantas mamadeiras tomou, quantas fraldas trocou, o quanto comeu de papinha e por aí vai. À medida que a criança vai crescendo, as informações registradas ficam menos detalhadas (porque a criança fica menos na escola mesmo). O que poucos pais e mães percebem é que a agenda é uma verdadeira ferramenta de comunicação da família para com a professora e a escola, e pode escrever de volta também, sem ser apenas para avisar sobre coisas diversas. Veja como ser pró-ativo(a) com a agenda do seu filhote:

220814-agenda-filho

1. Quando começa em uma nova escola ou inicia o ano letivo

Você pode deixar um recadinho se apresentando (brevemente) para a professora e dizendo que deseja um bom ano para ela, e o que espera que seu filho experiencie. Por exemplo, seu filho pode estar indo para a escola pela primeira vez e pode estranhar, ou tem um irmão mais novo com quem ele é acostumado a brincar, ou estranha quando é contrariado, esse tipo de coisas. Essas informações ajudam muito a professora a entender o contexto de onde a criança vem, e assim pode promover atividades de integração diferenciadas. Também é uma maneira de dizer que você tem participação ativa na educação do seu filho e que o canal está aberto para tirar dúvidas e responder outras questões. A professora poderá até mesmo caprichar mais nas informações que registra na agenda do seu filho por causa disso, porque sabe que quem está do outro lado estará lendo de verdade.

2. Compartilhar conquistas pessoais do seu filho

Algumas conquistas, como dar o primeiro passo, passar a usar o troninho, escrever uma palavra, cantar uma música inteira, entre outras, vão deixar a professora muito feliz (por fazer parte) e poderão servir como inspiração para atividades escolares. Sabendo que o seu filho fez isso, ela pode até mesmo celebrar essa conquista com ele e seus amiguinhos na escola, além de encaixar atividades diversas que ele já possa explorar.

3. Contar quais seus interesses culturais

Escrever qual a música que ele mais gosta, seus desenhos preferidos, cores, comidas, se ele ama o animal de estimação, pode ajudar a professora a ter mais empatia com o seu filho (e vice-versa). Ela pode cantar a musiquinha para ele ao longo do dia, entregar sempre o lápis de cor com a cor preferida, falar sobre o desenho que ele gosta e por aí vai. A única maneira dela saber disso é escrevendo na agenda.

4. Informações sobre a saúde e o estado de espírito

Muitas vezes, a criança dorme mal porque ficou agitada ou teve uma febre passageira. Essas são informações importantes que podem justificar o comportamento na escola. Sabendo o cenário, a professora acaba sendo até mais tolerante, caso seja uma ocasião excepcional. O mesmo vale para situações felizes – ganhou um novo irmãozinho, foi sua festa de aniversário, dormiu na casa dos avós etc. Além de entender como a criança está chegando, a professora também se sente parte do dia a dia da criança, mais do que seu papel na escola.

5. Explicar como tem sido a evolução do aprendizado

Contar se a lição de casa foi fácil ou difícil, se ele teve interesse, se prefere números a desenhos, letras a músicas, e por aí vai. Essas já são informações mais avançadas que uma especialista em pedagogia vai apreciar saber. Ela poderá avaliar se seu método de ensino está sendo eficaz e prestar atenção na reação dos outros alunos da turma também.

Ter esse meio de comunicação melhor explorado com a professora e a escola é uma maneira de garantir que seu filho tenha um bom dia e seu aprendizado escolar seja acompanhado de perto.

Alguém aqui já faz isso? Compartilhe ideias!

18 Jul 2014

Filhos e organização

Não é fácil ser pai e mãe hoje em dia. Sempre foi um trabalho árduo, mas atualmente temos muitas atividades em nossa vida. O que a gente precisa entender de uma vez por todas é que um filho é nossa responsabilidade. Outro dia assisti “Histórias Cruzadas” e achei curioso como a moça que era empregada diz que criou os bebês e, um dia, os bebês cresceram e tiveram outros. Isso descreve muitos pais e mães que, inexperientes, têm filhos, sem um planejamento e/ou sem ter a real ideia do que vem pela frente.

Ter um filho é uma responsabilidade para a vida toda. Quem tem criança pequena sabe o trabalho que dá. Bebês demandam 24 horas de atenção constante, até quando estão dormindo. Adolescentes tiram nossas noites de sono igualmente. E, quando adultos, continuamos preocupando nossos pais. E agora estamos no papel deles, fazendo a roda girar.

Quando a gente começa a se acostumar com o trabalho, como trocar fraldas e amamentar, vem a vida e muda todas as regras! Agora é necessário preparar papinhas, proteger os cantos da casa, esconder os produtos de limpeza. Precisa ensinar a falar, a andar, a usar o troninho. Depois, tem que ensinar a criança a ter paciência, a se comportar, a comer sozinha. E por aí vai. O trabalho nunca acaba. Cada faixa etária demanda uma (ou várias) preocupação diferente.

Por fim… fazemos do nosso jeito. Perfeito ou com muitos defeitos, o tempo não espera a gente se preparar melhor. Nossos filhos vão crescendo e, com eles, crescemos como pais e mães. Aprendemos muito também. E, mesmo dando o nosso melhor (ou convenhamos: o nosso possível mesmo), ainda não temos controle do que acontecerá com ele na vida. Não sabemos se ele será cientista ou advogado – se será astronauta ou morador de rua. Não sabemos se acabará se interessando por drogas ou tendo um filho ainda adolescente.

Criamos nossos filhos para o mundo. Ok, já entendemos. Mas aceitamos? Estamos preparados para ver nossos filhos discordando da gente em pontos tão comuns? Em sair de casa, brigar, discordar, ficar sem falar com a gente durante anos? Ou simplesmente viver uma vida completamente diferente da que esperávamos para eles? Por que nós, seres humanos, temos essa incessante mania de achar que todo mundo tem que fazer alguma coisa para satisfazer os nossos desejos e expectativas?

Com os filhos, é a mesma coisa. Quem somos nós para achar que uma pessoa deve agir do jeito que achamos certo? Apenas porque saiu do nosso corpo e educamos com tanto amor? Amor não é dar sem esperar nada em troca?

Estou escrevendo este post para aliviar um pouco a barra de todos nós, pais e mães. Procuremos fazer o nosso melhor sim, SEMPRE. Sempre dá tempo de mudar, melhorar, aprender. Mas podemos apenas inspirar, ensinar, dar o exemplo, e não forçar. Podemos interferir, incentivar, ajudar no que for necessário, mas não podemos salvar nossos filhos. E, mesmo que ele esteja trilhando o caminho esperado por você, é o caminho dele. No ritmo dele, com as mudanças que ele quiser. Precisamos aceitar isso.

Como uma vida organizada pode ajudar a gente a prover o que pode ser bom para os nossos filhos?

- Ter uma rotina estruturada ajuda as crianças a saberem o que esperar. Serve para bebês (que vão aprendendo aos pouquinhos), crianças e adolescentes (que naturalmente acharão um SACO, mas terão a casa sempre como porto seguro quando precisarem). Falta de rotina dá insegurança aos filhos.

– Ter uma casa segura e saudável sempre será uma coisa boa. Você nunca terá bebês batendo a testa na quina da mesa ou crianças fugindo pela porta da frente.

– Aprender a ser uma pessoa equilibrada promoverá um ambiente gostoso de se viver e fará de você um pai ou uma mãe que é uma boa companhia. Também será o melhor exemplo que você poderá passar para os seus filhos. Que tipo de exemplo você está passando sendo uma pessoa desorganizada e estressada?

– Quando você organiza seus horários e estabelece prioridades, tem tempo para ficar com os seus filhos, incentivar o aprendizado através de brincadeiras, leituras, além de aproveitar tempo de qualidade com eles. Se você não consegue se organizar, nunca tem tempo para isso.

– Se, além de tudo isso, você vive uma vida plena e de acordo com os seus valores, estará passando integridade aos seus filhos. Isso ensinará também você a vê-los e respeitá-los como os indivíduos que são, porque sabe como é ser assim.

Eu, como mãe, aprendi a amar incondicionalmente o meu filho e a cuidar dele como o que há de mais importante na minha vida (e é). Porque, quando ele quiser tomar decisões sozinho, mesmo que não esteja pronto, eu sei que lá no fundo a minha voz ecoará na cabecinha dele, e pelo menos a minha versão ele terá como parâmetro. Mas a escolha final sempre será dele, e isso está fora do meu controle. E, querem saber? Ainda bem. Quero que meu filho cresça com personalidade própria e descobrindo a si mesmo, errando, acertando, aprendendo. O período que vai do nascimento até a sua independência é uma parte essencial da sua vida, mas é só uma parte. E eu quero que ele aproveite muito cada tempo dela, assim como as que virão depois.