Como organizar: Estudos para o vestibular

Quando eu prestei vestibular, há 10 anos (!), organizei um plano de estudos e consegui passar na faculdade que eu queria. Vou contar neste post como eu fiz.

Eu estava no terceiro ano do ensino médio quando comecei a estudar de forma autodidata através de umas apostilas que saíam em banca de jornal, pesquisando e escrevendo bastante. Na época, eu não tinha acesso à internet, então tudo se baseava em livros e apostilas. Quando comecei realmente a estudar para o vestibular, percebi como o meu ensino foi defasado, pois no programa existiam tópicos que eu jamais tinha estudado. A primeira coisa então que eu fiz foi pegar o programa de matérias do manual do aluno e focar naquilo.

Como eu comecei a estudar na metade do ano letivo (para prestar o vestibular em outubro), não deu para cobrir nem um terço do programa pedido. Fui fazer a prova já encarando como uma experiência para tentar de verdade no ano seguinte. E o legal de fazer a prova é que dá um choque de realidade na gente, né. Foi ali que eu percebi que, se não estudasse a sério, eu jamais passaria.

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Cursinho: sim ou não

Fui em sebos (lojas que vendem livros usados) a fim de encontrar livros e apostilas de cursinhos. Uma amiga estava fazendo cursinho e eu achei as apostilas perfeitas, bem resumidas e focadas no que era realmente necessário aprender. Com bastante sacrifício, consegui fazer cursinho no ano seguinte, já sabendo que seria a minha única chance (não dava pra fazer outro ano de cursinho – eu precisava passar). Eu recomendo fazer cursinho se você estudou em uma escola que não te deu uma boa base (veja pela análise dos tópicos no programas do vestibular) ou se você quer passar em algum curso muito difícil, como Medicina na USP ou Engenharia Aeronáutica no ITA. Aliás, muitos candidatos desses cursos acabam fazendo mais de um ano de cursinho – depende da sua disponibilidade financeira. Eu queria ter estudado tendo a tranquilidade de saber que, se eu não passasse, poderia fazer cursinho de novo no ano seguinte, pois eu assimilaria melhor todas as matérias e passaria com mais tranquilidade.

O que eu acho ideal, baseado na minha experiência, é fazer cursinho ainda durante o último ano do ensino médio para ter uma introdução às matérias, prestar o vestibular como treino e fazer cursinho com dedicação total no ano seguinte. Mesmo que você trabalhe, dois anos de cursinho dão uma boa base. Se você tem o privilégio de estudar em tempo integral, aproveite o tempo para estudar mais e melhor.

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Quando começar a estudar

Como eu comentei, acho que o ideal é começar a estudar no início do terceiro ano do ensino médio para ter uma ideia do que te aguarda. Veja que base sua escola te dá e aproveite todos os recursos a seu favor (pegando livros de leitura obrigatória na biblioteca, por exemplo, ou tirando dúvidas com os professores).

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Material de estudo

Se você estiver fazendo cursinho, aproveite o material que é dado. Dependendo da ênfase do curso que você quer passar, foque nas matérias específicas. Por exemplo, se você quer cursar Letras, aprofunde o estudo na língua portuguesa com bons livros da matéria. Peça indicação aos professores ou pesquise na internet quais são os mais relevantes. Eu investiria em material a parte para essas matérias que demandam maior conhecimento e entendimento da sua parte. Isso não significa que você deva deixar as outras matérias de lado. Não! Estude igualmente. Só estou dizendo para você não estudar matemática por um livro de álgebra se você quer prestar História.

Eu recomendo o seguinte material:

  • apostilas do cursinho
  • livros de apoio
  • livros de leitura obrigatória
  • fichário com divisórias
  • folhas de fichário
  • lapiseira com muito estoque de grafite
  • canetas pretas
  • borracha
  • um bom dicionário de português
  • dicionário de inglês
  • agenda para monitorar seu cronograma (falarei mais adiante)

Se você for prestar cursos que tenham provas específicas (Arquitetura ou Música, por exemplo), você também precisará de material para estudar para essas provas. Veja no manual do aluno o que é necessário.

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Como estudar

Encare o vestibular como uma guerra cujas batalhas são as provas. Prepare-se! Não é para virar um conhecedor profundo de todas as matérias – mas você precisa saber o suficiente para responder as questões. Não caia no conto do vigário de “estudar sem passar”, pois isso não acontece mais (somente em algumas faculdades particulares, é claro). Na maioria dos bons vestibulares, você precisa acertar um bom número de questões, fazer uma redação e, em alguns casos, responder perguntas dissertativas. Você precisa saber do que está falando.

Também é fundamental você fazer provas para pegar as manhas, especialmente no que diz respeito ao tempo. São poucas horas para responder um número enorme de questões e muitos estudantes saem no horário limite sem ter respondido todas. É por isso que a maioria dos cursinhos oferece frequentemente durante todo o ano simulados. Alguns deles são até gratuitos e abertos ao público, caso você não esteja frequentando o cursinho. Eu diria que grande parte do estudo é saber fazer provas.

Como estudar, então: estudando a teoria, resolvendo todos os exercícios possíveis e fazendo provas/simulados. 

Descubra também como você absorve melhor o conteúdo – se lendo, escrevendo, assistindo, ouvindo etc. Eu sempre gostei de escrever para absorver, mas eu tinha um amigo que gravava as aulas e ia ouvindo no ônibus, pois aquilo funcionava para ele. Hoje, com celulares e tablets, ficou muito mais prático utilizar todos esses meios.

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Como organizar os estudos

Vou dizer como eu fiz e dar a sugestão, mas pode ser que não seja adaptável ao seu caso. Eu listei todos os tópicos pedidos para o vestibular e dei notas entre 1 e 3 de importância. Uma matéria que eu já sabia relativamente bem, numerava como “1”. Matérias que eu nunca tinha estudado ou que eu sabia que era fraca, numerava como “3”. Os números significariam também a quantidade de horas que eu dedicaria a cada assunto.

Minha estratégia era a seguinte:

Em uma primeira fase, eu estudava todo o conteúdo sem aprofundar em nada e lia os livros de leitura obrigatória. Em uma segunda fase, eu já sabia o que era mais fácil e mais difícil, e aumentava a quantidade de horas para as matérias mais difíceis. Na terceira fase, eu focava naquilo que eu realmente precisava me aprofundar (matérias específicas) e era meu ultimato para aprender o que não entrava na cabeça de jeito nenhum, mas era importante saber (logaritmos, por exemplo).

Com base nessas etapas, eu idealizei um cronograma. Fiz as contas utilizando o esquema de 1 a 3 horas por tópico para saber quanto tempo eu levaria para estudar o básico da primeira fase e ler os livros. Se você começar a estudar no terceiro ano do ensino médio, certamente essa etapa pegará quase o ano todo. E o legal é que, quando você fizer cursinho, no ano seguinte, ou estiver focando seus estudos sem fazer cursinho em algum lugar, poderá já ir para a fase dois e direcionar melhor seus estudos. Os cursinhos costumam terminar toda a matéria até setembro ou outubro, quando então começam a revisão final para a época de provas. Nesse momento, você entrará na terceira fase, focando as matérias mais específicas e aprendendo de vez aquilo que ainda é uma dificuldade.

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Quantidade de horas de estudo por dia é importante?

Não. O que importa é a qualidade do estudo e o aproveitamento do tempo que você tem. Algumas pessoas trabalham o dia todo e fazem cursinho à noite, dispondo de pouquíssimas horas de estudo por semana. Se for o seu caso, você precisa aproveitar o tempo que tiver ao máximo.

Se você tem o privilégio de focar seu tempo nos estudos, mesmo assim, não adianta estudar 10 horas por dia. Vale mais a pena assistir as aulas, estudar 2h à tarde, descansar um pouco, depois estudar mais 2h e assim ir indo até o final do dia. Você também precisa descansar.

Como era a minha rotina:

Eu fiz cursinho à noite, pois trabalhava com alguns freelas durante o dia. Quando eu tinha um dia mais tranquilo, eu chegava cedo no cursinho (pouco antes do horário de almoço) para conseguir pegar uma mesa na sala de estudos, que ficava lotada depois do turno da manhã, quando o pessoal ia para lá e ficava a tarde inteira. O bom de estudar na sala de estudos do cursinho é que alguns professores ficam lá fazendo plantão de dúvidas. Para mim, foi essencial ao estudar exatas e fazer redações. Aliás, no meu cursinho, toda semana tinha uma sugestão de tema para redação, o que me ajudou bastante, e quinzenalmente eles faziam um simulado. Perdi um ou dois no decorrer do ano e eles foram fundamentais para eu focar melhor meus estudos, porque às vezes achamos que sabemos uma matéria e, ao fazer a prova, percebemos que não sabemos tanto assim.

De noite, eu assistias as aulas e, depois, ia pra casa. Sempre que eu tivesse vontade, lia um pouquinho de cada livro das leituras obrigatórias. Minha meta era um livro por mês, mas alguns eram menores ou maiores que os outros, então o período variava. O importante é conseguir ler todos, e eu fiz isso. Ler resumos não adianta – a não ser que você já tenha lido os livros há alguns anos e queira somente relembrar.

Resumindo:

  • assistir as aulas
  • ler a matéria
  • resolver exercícios
  • fazer simulados
  • ler os livros obrigatórios
  • tirar dúvidas

No final do ano, eu estava exausta, mas confiante. Quando prestei o vestibular, achei até tranquilo porque eu sabia que tinha dado o melhor de mim. Passei, até chorei (faz parte).

Lá por setembro, minha avó me inscreveu em um concurso público para eu prestar também, me comprou apostilas e tudo. Eu jamais conseguiria estudar para as duas coisas, então foi necessário ter foco. Até prestei o concurso (não passei, claro), mas não parei de estudar para o vestibular porque ele era o meu foco, não o concurso.

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Escolhas

Eu contei a história acima para que você tenha em mente os seguintes conceitos:

  1. É só uma fase da sua vida que vai passar, então esqueça um pouco outras coisas e dê o melhor de si.
  2. Foque no que você acha certo, e não no que outras pessoas acham.
  3. Ouça seus pais, mas decida com o coração. Não faça Direito se você quer fazer Nutrição, por exemplo.
  4. Qualquer profissão que você escolher, se você se dedicar e for bom, te trará sucesso.
  5. É cruel decidir, tão novo, o que você quer fazer para o resto da vida. Não se sinta mal por isso, pois todos ficam assim.
  6. Você sempre pode mudar! A vida é curta, mas nem tanto. Muita gente muda de profissão mais tarde justamente porque não sabia o que escolher quando prestou vestibular. É normal!
  7. Aproveite o momento, pois não volta mais. Depois que você entrar na faculdade, você será “adulto” (hehe) e terá que focar em trabalho, responsabilidades etc.

As escolhas são sempre suas. Eu poderia ter deixado para lá, no último ano da escola, e talvez nem ter feito faculdade alguma. Por mais dúvidas que a gente tenha, lá no fundo a gente sabe mais ou menos o que quer fazer (nem que seja “fazer uma faculdade”, somente). Tome essa decisão por você e dê o melhor de si sempre pois, qualquer que seja a sua escolha, se você fizer isso você saberá que fez o seu melhor e não irá se arrepender de nada.

Se você vai prestar vestibular ainda este ano, boa sorte! Se você está no segundo ano do ensino médio, olha que presente legal que eu te dei! Se você vai recomeçar depois de muito tempo e não sabe por onde começar, espero que este texto também te ajude. Eu admiro muito quem se esforça nos estudos porque sei que nem todo mundo é assim. Eu sempre priorizei meus estudos e hoje sei que sou bem-sucedida profissionalmente em grande parte pela minha dedicação ao conhecimento. Em meio a tantas incertezas, uma coisa é certa: quem estuda, sempre se dá bem. Sempre terá mais portas abertas. Então, vá atrás. Você já está no caminho correto.

Thais Godinho

Organizadora profissional e publicitária, criou o blog para ajudar as pessoas a se organizarem.

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