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05 Mar 2013

Como se organizar para estudar em outra cidade

Este texto foi enviado pela leitora Anna Kuhl, do blog Creyssa Phyna.

Pensei em falar um pouco da minha experiência quando passei no vestibular e fui estudar em outra cidade, pois sei que muitos dos leitores do blog estão passando ou vão passar por este momento. As dicas também valem para quem já passou por esta fase, mas entrou em algum programa de pós-graduação, mestrado, doutorado, concursos, etc, em uma cidade diferente da que mora.

Trata-se de uma época de muitas escolhas e indecisão geral. Além de precisar administrar toda sua nova rotina de organização para os estudos, esta nova situação – estudar em outra cidade –  pode trazer vários novos rituais de organização diários, principalmente se você está morando sozinho pela primeira vez.

1. Informe-se

Quem está passando por esta situação precisa buscar reunir o máximo de informações possíveis, e existem muitos canais para isso. As redes sociais são o canal mais óbvio, mas este é o momento de não ter vergonha de escrever ou ligar pedindo ajuda pra qualquer parente-primo-cunhado-devigésimo grau possível, algum conhecido que já more na mesma cidade ou estude no mesmo lugar. Muitas vezes os próprios veteranos costumam preparar uma acolhida para os calouros, com informações e dicas para orientar os recém-chegados. Muitas universidades distribuem o chamado “kit-bixo”, um manual ou guia dos diretórios acadêmicos com várias informações úteis.

Pesquise também sobre a cidade, além dos limites da universidade.  Conheça possíveis pontos turísticos e lugares bacanas, mas também procure saber sobre hospitais, postos de saúde, delegacias, bibliotecas, postos de serviços públicos que você talvez possa precisar um dia, para tirar algum documento, por exemplo. Eu particularmente adoro conhecer os calçadões e centros da cidades, e saber exatamente onde posso encontrar vários tipos de produtos, como tecido, utensílios domésticos, artesanato, etc.

2. Onde e como morar

Esta talvez seja a questão que mais preocupa os recém chegados. Para quem vai pleitear a moradia universitária, recomendo ficar super atento à papelada e burocracia dos processos de seleção, que costumam não ser tão ágeis,  embora muitas universidades tenham programas de “adoção” de bixos, que cuidam para que ninguém fique sem teto nestas primeiras semanas.

Se você está disposto a morar sozinho e arcar com os custos, cuidado com as imobiliárias, leia e estude muito bem o contrato, principalmente quanto à questão do fiador ou seguro fiança. Existe ainda as opções de morar em locais parecidos com flats, em que você tem um quarto próprio mas divide áreas comuns como cozinha e sala.

Minha experiência foi morando em república, dividindo uma casa com até 8 pessoas, com muitas emoções, claro, mas sem grandes traumas. Acho que a principal dica se você quer dividir a casa com outras pessoas é procurar por perfis semelhantes ao seu, o que nem sempre significa colegas de curso. Não tenha medo de perguntar sobre a rotina da casa, sobre como fazem a limpeza, se dividem ou não o saco de arroz, se todo mundo paga junto o telefone ou cada um anota suas ligações e paga separado. É muito importante que você se sinta em casa e tenha liberdade de definir como as coisas são feitas ou pagas, afinal, esta será a sua casa também. Não precisa fazer um “roommate agreement” como o Sheldon Cooper, mas um bom acordo de convivência onde as regras são claras para todo mundo é o ideal.

NUNCA tome a decisão de onde morar por impulso, não fique desesperado achando que não vai ter onde morar, estude com calma as opções. Se você não tem certeza, fique “adotado” em alguma república  ou more em uma pensão até decidir, não assuma nenhum compromisso caso não tenha certeza, você corre o risco de se ver atado a um contrato de 1 ano em um apartamento que não curte, ou ainda em uma república com pessoas que não tem nada a ver com você.

Na hora de escolher a moradia, considere fatores como a sua segurança, às vezes um local parece lindo e seguro durante o dia, cheio de estudantes, mas quando você voltar para casa à noite do estágio é super ermo, por exemplo. Também pese a questão da logística do transporte, nem sempre o lugar mais perto da faculdade é o lugar mais conveniente para você, pesquise se há supermercados, farmácias, assim como ônibus ou possível sistema de caronas. Às vezes vale a pena morar em um lugar um pouco mais longe, que talvez saia mais barato, e pode ser mais perto da casa de outros colegas com quem você fará trabalhos até tarde, perto de possíveis estágios, ou mesmo mais perto da vida urbana da cidade, não deixando você isolado no campus, que muitas vezes costuma ficar bem longe do centro das cidades.

Se você for morar em um prédio, conheça as regras do condomínio, que podem ser super restritas quanto à mudança – alguns prédios não permitem que você se mude em dias da semana, por exemplo. Se morar em casa, conheça seus vizinhos, que nem sempre serão universitários como você, e podem dar informações sobre o bairro, principalmente sobre segurança.

Para mobiliar sua casa, os usados podem são uma ótima opção. Muitos formandos costumam vender suas peças em bom estado de conservação, o que pode sair bem mais barato que comprar na loja de usados, e são geralmente divulgadas em cartazes pelo campus ou nas redes sociais, não é difícil de achar. Em cidades universitárias, as lojas de móveis usados costumam às vezes superfaturar os preços no começo do ano, mesmo se a qualidade do móvel-objeto não estiver tão boa, fique atento. Em alguns casos, vale a pena sim comprar móveis novos, que você poderá doar ou vender quando se formar, pesquise bem as opções antes de comprar usado ou novo. Aqui também vale o acordo dentro da república: vocês podem todos dividir os valores dos móveis, ou cada um compra um, sempre bem combinado para não haver brigas na hora de desmanchar a casa.

3. Aproveite, interaja com a cidade!

Para concluir, acho que uma coisa bacana é assumir uma postura de interação com a cidade. Muitas pessoas costumam se fechar e passar o mínimo de tempo possível durante os 4 ou 5 anos da graduação se envolvendo com a cidade. No começo pode ser assustador, mas com alguma informação e companhia, desbravar sua nova cidade pode ser muito prazeroso. Conheça o centro, praças, pontos turísticos. Convide seus novos colegas de curso para se juntar a você.

Dependendo do seu curso, pode ser que surja tempo livre para administrar nos primeiros semestres – enquanto não começam os estágios, iniciação cientifica, etc. Que tal aproveitar este tempo para descobrir um novo hobbie: andar de bicicleta pela cidade, que talvez seja mais pacata que a sua de origem … Fazer um curso de corte e costura, conhecer a biblioteca, desvendar a piscina do campus, começar a treinar ou entrar nos times esportivos, participar de cursos, grupos de atividades culturais como coral, teatro, fotografia.

Muitas cidades do Brasil tem unidades do SESI ou do SESC, onde você pode se inscrever como usuário, participar de cursos, assistir à sessões de cinema ou peças de teatro, sempre com preços muito amigos. Muitas cidades universitárias tem uma vida cultural muito agitada, com shows, cineclubes, teatro, encontros ao ar livre, e não necessariamente só baladas. Muita gente volta quase todo final de semana para casa, por conta de visitar família ou namorado/a, que tal inverter e convidá-los a conhecer sua nova cidade ?

E vocês, que dicas tem sobre o assunto ? Quem já passou ou está passando por esta situação, compartilhe com a gente nos comentários!

05 Feb 2013

Organizando um método de estudo

Começo este post dizendo que encontrar um método de estudo é um processo muito particular e que pode levar algum tempo até que cada um descubra o que é melhor para si. Eu mesma já tentei diversos métodos e somente ano passado consegui chegar a um que me deixasse satisfeita (pelo menos por enquanto). Assim, quando eu vou estudar um assunto, eu o divido por fases de estudo.

Este esquema de estudos funciona muito bem para quem estiver prestando vestibular ou estudando para concursos públicos.

Primeira fase

Fase introdutória, destinada ao aprendizado do conteúdo. Nesta fase, eu utilizo livros introdutórios, mais básicos, faço aulas, cursos, procuro esquemas, faço resumos. Eu descobri que assimilo muito o conteúdo quando faço resumos, escrevendo à mão mesmo. Algumas pessoas acreditam que isso é uma perda de tempo, e realmente aumenta o tempo investido nessa fase. Porém, é importante encontrar o que funciona melhor para você. Se para mim os resumos funcionam, acredito que o tempo gasto na sua produção na verdade seja um investimento. Por isso, eu gosto bastante de fazê-los.

Segunda fase

A segunda fase de estudos já leva em consideração que as disciplinas da primeira fase foram fechadas – ou seja, se você estiver estudando por tópicos de um edital, por exemplo, ou tiver uma lista de assuntos bem definidos para estudar, significa que você só passará da primeira fase quando tiver estudado de forma efetiva todos esses tópicos.

Então a principal característica da segunda fase é a revisão constante dos conteúdos, além da leitura dos resumos feitos anteriormente. Aqui também pode entrar a produção de fichas. Sabem aquelas fichas vendidas em papelarias, de diversos tamanhos? Algumas pessoas gostam de criar pequenos esquemas e resumos nelas, fazendo resumos dos resumos. Ou seja, sintetizar ao máximo o assunto estudado, para que a revisão seja feita somente por esses conceitos-chave.

Uma boa ideia nesta fase é estudar também por livros com questões comentadas.

Terceira fase

A terceira fase do estudo é quando você já se sente segura(o) para revisar o conteúdo somente fazendo exercícios de provas anteriores. Nesta fase, você pode baixar provas antigas de vestibulares e concursos e estudar somente por elas, revisando o conteúdo quando tiver dúvidas. É a minha fase preferida do estudo, porque significa que a matéria já foi bem assimilada e agora você só precisa fazer a manutenção na memória.

Como intercalar as fases

No estudo para concursos públicos, é comum começar com as matérias básicas (umas cinco disciplinas somente, por exemplo) e, aos poucos, ir introduzindo outras. Como eu já comentei aqui, utilizo o sistema de ciclos do Alexandre Meirelles, apenas para vocês terem como referência.

Então, suponhamos que você estude cinco disciplinas básicas durante uns seis meses. Isso significa que, nesse primeiro momento, você tem todas as disciplinas na fase 1.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 1
Disciplina 2 1
Disciplina 3 1
Disciplina 4 1
Disciplina 5 1

Depois de algum tempo, quando tiver fechado essas disciplinas, você adiciona mais três. Essas primeiras disciplinas estudadas já estarão na segunda fase, tomando menor tempo de estudo. Assim, você poderá concentrar suas forças na primeira fase das novas disciplinas, onde precisa aprender de verdade.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 2
Disciplina 2 2
Disciplina 3 2
Disciplina 4 2
Disciplina 5 2
Disciplina 6 1
Disciplina 7 1
Disciplina 8 1

Aí você descobre, finalmente, que é hora de adicionar novas disciplinas – talvez depois do edital, quando saírem disciplinas inéditas. Então você adiciona essas duas disciplinas inéditas e continua o estudo das demais:

Disciplinas Fase
Disciplina 1 3
Disciplina 2 3
Disciplina 3 3
Disciplina 4 3
Disciplina 5 3
Disciplina 6 2
Disciplina 7 2
Disciplina 8 2
Disciplina 9 1
Disciplina 10 1

Para organizar esses ciclos, eu tenho uma planilha no Excel. É bem simples. Você também pode fazer no Google Calendar ou mesmo em uma folha de papel, para ter um controle básico de onde está.

Agora eu vou explicar como funciona o meu esquema de revisões que, ao meu ver, é o grande truque quando se trata de manter o aprendizado fresco na memória em médio e longo prazo. Eu divido meu estudo assim: por exemplo, se eu preciso estudar hoje o capítulo 18 do livro X, meu planejamento é o seguinte:

Assunto Data Tipo de estudo
Capítulo 18 – Livro X 05/02/13 Teoria
Capítulo 18 – Livro X 06/02/13 (no dia seguinte) Revisão 24h
Capítulo 18 – Livro X 13/02/13 (uma semana depois) Revisão semanal
Capítulo 18 – Livro X 13/03/13 (um mês depois) Revisão mensal
Capítulo 18 – Livro X 13/04/13 (um mês depois) Revisão mensal (…)

A revisão mensal segue indefinidamente.

O que eu faço em cada um desses tipos de estudo é basicamente o mesmo roteiro, mas altera de pessoa para pessoa.

Teoria: Leitura atenta do material.
Revisão 24h: Nova leitura, desta vez grifando as palavras-chave com caneta marca-texto.
Revisão semanal: Resumo.
Revisão mensal 1: Leitura do resumo.
Revisão mensal 2: Produção de fichas, por exemplo.
Revisão mensal 3: Questões comentadas.
Revisão mensal 4: Exercícios de provas anteriores.
Etc.

Existem outros tipos de estudo também, como assistir aula, fazer um curso etc. Neste caso, de cursos, a ordem seria: Aula – Teoria – Revisão 24h e assim por diante.

Algumas pessoas podem achar que as revisões tomam muito tempo, mas elas são necessárias. Se você não fizer revisões, esquecerá tudo muito rapidamente. Além do mais, com o passar do tempo as revisões vão ficando cada vez mais curtas, levando poucos minutos. Quando chegar a fase de exercícios, sequer haverá leitura de teoria, a não ser em pontos que ainda tragam dúvidas. Também há dias em que eu faço somente revisões.

É assim que eu organizo os meus estudos. =) Se tiverem dúvidas, por favor, postem nos comentários.

09 Jan 2013

Para quem prestou vestibular

Essa notícia é do ano passado, mas eu quis postá-la hoje para incentivar quem fez os últimos dias de provas de vestibular e pensa em desistir, caso não tenha ido tão bem. Recomendo a leitura a todos, mesmo para quem não seja vestibulando, pois traz grandes passagens sobre disciplina, persistência e superação.

‘Sensação de alívio’, diz aprovada em medicina após 12 anos de tentativas

Nágela Pinto passou em 18º lugar em medicina no vestibular da Uece. A paixão por medicina veio após uma doença neurológica.

Após prestar vestibular por 12 anos para medicina, Nágela Pinto Machado comemorou na noite desta terça-feira (24) a aprovação em 18º lugar no curso na Universidade Estadual do Ceará (Uece). “Sensação de alívio, de tirar um peso das costas. Sensação de paz”, afirma a agora caloura que garante não ter passado antes por falta de tempo para estudar.

Ela disse que ainda não parou para pensar nas mudanças que terá daqui para frente na vida, depois de sonhar tanto tempo em estudar o que gosta. “Vou comemorar, não sei nem como. Estou sem saber o que fazer”, afirma.

Nágela, de 35 anos, concluiu o ensino médio em 1991, mas a vocação para a medicina só foi descoberta após uma doença neurológica. “Tive um problema de saúde e me apaixonei por medicina”. Por várias vezes, ela fez vestibular para outros cursos, como administração, pedagogia, letras e direito. Passava sempre entre os primeiros lugares, afirma, mas acabava desistindo. “Não me matriculava para não tirar a vaga de outra pessoa que realmente queria”, explica.

Nágela atualmente é servidora da Universidade Federal do Ceará (UFC) onde dá expediente das 16h às 22h, na coordenação do curso de Secretariado Executivo. “Dormia normal porque senão o rendimento caía. Mas eu estudava sempre que tinha uma hora vaga, à noite, no horário de almoço”.

Até conseguir realizar o sonho, a rotina foi puxada: acordava às 5h30, fazia curso pré-universitário pela manhã e continuava a estudar até a hora de ir para o trabalho. “Quando chegava à noite ainda dava uma olhada nos livros, revisava alguma coisa. Eu ficava no colégio e ia direto para o trabalho”, recorda. Nos fins de semana, o passatempo era na biblioteca da escola. “Até dia de domingo eu vinha para a biblioteca”, diz.

Fonte: G1

Fica a motivação para você que tem dificuldades para estudar para vestibulares e concursos. Bom dia!

15 Mar 2012

Como organizar os estudos no ensino médio

Imagem: Getty Images

Eu já fiz um post aqui no blog explicando como eu me organizei na faculdade e recebi algumas mensagens de pessoas pedindo que eu desse dicas para organizar os estudos no ensino médio, então aqui vão elas:

# Para começar, a organização dos seus estudos depende muito do ano em que você está e da escola em que você estuda. Algumas escolas têm o ensino fortíssimo no ensino médio, já voltado ao vestibular, enquanto outras seguem uma linha mais low profile. Se o seu objetivo é estudar para o vestibular, sugiro que você leia o post que eu escrevi sobre como organizar seus estudos para esse fim.

# No primeiro ano do ensino médio, eu sugiro que você faça uma limpeza geral no seu material escolar dos últimos anos. Sendo bem sincera, o que vai importar é o que vai acontecer daqui para a frente, pois a maioria do seu material ficará defasado. Guarde os bons livros de artes e paradidáticos que você gostou, mas pode doar todos os outros (ou vender na sua escola para as séries anteriores – fale com os seus pais ou consulte a secretaria).

# Para acompanhar as aulas, eu sugiro que você tenha um fichário com divisórias para cada matéria e um plástico para cada uma também, para guardar provas e trabalhos. Particularmente, eu não gosto de fichários, pois as folhas vão ficando desgastadas no decorrer do ano, e recomendo como alternativa uma pasta sanfonada com divisórias para cada matéria, mas isso vai do gosto de cada um. Não recomendo o uso de cadernos porque é carregar peso desnecessário, mas algumas escolas exigem. Se for o seu caso, meus pêsames. =/

# Eu sei que é super divertido zoar na escola e existem milhões de coisas importantes acontecendo em paralelo às aulas, mas procure ter um mínimo de concentração para ir bem nas provas. Na verdade, não tem segredo – se você prestar atenção na aula enquanto o professor estiver falando, fizer a lição e der uma estudada mínima todos os dias, as provas acabam se tornando mais fáceis. Uma boa tática é deixar para conversar quando o professor estiver escrevendo na lousa ou quando terminar de fazer algum exercício que ele pediu, mas não converse enquanto ele estiver explicando (isso é muito chato e uma imensa falta de respeito) nem deixe de fazer um trabalho ou exercícios para falar sobre qualquer assunto aleatório. Você terá mil oportunidades para isso – gerencie o seu tempo.

# Sobre a rotina de estudos, eu recomendaria o seguinte: prestar atenção nas explicações do professor, fazer a lição que ele passar, ler o que ele recomendar e dar uma passada na matéria quando chegar em casa. Se algum assunto chamar a sua atenção, procure mais sobre ele na internet ou leia no próprio livro da matéria. Faça anotações. Esclareça as dúvidas no final da aula. Anote pontos-chave durante as aulas para focar neles quando for estudar para as provas. Se você sempre fizer assim, nenhuma matéria acumulará e você nunca ficará desesperado(a) antes das provas.

# Sobre o tempo de estudo, não há uma regra. Assista as aulas, reúna-se com o pessoal para fazer trabalhos e estude um pouco em casa. Cada um tem a sua necessidade de tempo. Na minha época (gente, estou me sentindo a idosa falando desse jeito), eu assistia as aulas de manhã, ia para casa dormir um pouco e depois estudava. Na maioria dos dias eu ficava à tarde na escola porque fazia parte dos times de futebol, vôlei e handball, então aproveitava os intervalos entre as aulas e os treinos para fazer trabalhos ou estudar a minha cota do dia, ou simplesmente ficar conversando com o pessoal. O bom do ensino médio é que temos tempo para fazer tudo!

# É comum que os professores passem leituras complementares e livros paradidáticos em paralelo às aulas. Leve essas coisas sempre com você e leia quando tiver um tempinho, nem que sejam 15 minutos. Vá eliminando páginas, basicamente isso. Faça anotações em folhas de fichário e deixe-as dobradas dentro do livro, passando para a divisória da matéria quando terminar. Nunca deixe para ler um livro só uma semana antes de entregar o trabalho sobre ele. Isso não é nada organizado!

# Manje os professores. Olha, essa dica vai ser meio polêmica, mas ela é necessária. Quando a gente está no ensino médio, existe muita pressão porque dependemos dos nossos pais e, muitas vezes, não faremos cursinho para entrar numa faculdade. Acredite: o importante é você concluir o ensino médio. Tirar 10 ou 7 nas provas não fará a menor diferença. Claro que, se você tirou 10, provavelmente foi porque estudou e está sabendo mais, o que vai te ajudar na hora do vestibular. Porém, não se cobre tanto. Não precisa fazer o trabalho mais maravilhoso e perfeito do universo. Economize seu tempo. Estude, mas tenha foco. Eu tive um professor que queria simplesmente redações nas questões dissertativas (de biologia!), e 80% da sala iam mal “porque escreviam pouco”. Sabe o que me ajudou? Conhecer os conceitos básicos e treinar redação nas aulas de português! Logo, cada professor tem a sua metodologia e sua forma de fazer provas e trabalhos. Se você tem um professor que exige pouco, faça o suficiente. Especialmente em ano de vestibular, não se preocupe com pequenos detalhes nas matérias. Eu fiquei absolutamente maluca com diversas matérias (especialmente matemática) para usar muito pouco depois no vestibular e menos ainda na faculdade. Meu conselho então é: não se estresse à toa e foque no suficiente. Eu tive um chefe que dizia que “o ótimo é inimigo do bom”, e você sabe o que isso significa? Na prática, que se você se matar de estudar para a prova de Geografia, não vai ter tempo para estudar para a prova de Química, então vale mais a pena dividir o seu tempo e fazer o “bom” para duas que o “ótimo” para somente uma.

# Tenha uma boa mochila para carregar tudo. Varia muito de escola para escola mas, na minha época, no primeiro ano nós comprávamos os livros que durariam os três anos do ensino médio para cada matéria, e eles eram enormes. Eu chegava a carregar cerca de cinco livros + o fichário, o que me garantiu dores nas costas constantes. Portanto, facilite as coisas para você e peça uma boa mochila para os seus pais, explicando os motivos.

# No final de cada ano, dê uma selecionada nos papéis e guarde somente o que for relevante em uma única pasta, que você pode etiquetar como “primeiro ano” ou simplesmente “1″. Quando terminar o ensino médio, você deverá ter três pastas e fazer a seleção para os estudos do vestibular. Quando passar no vestibular, livre-se de praticamente tudo, pois dificilmente você precisará de algo que esteja ali na faculdade (mas há exceções, depende do curso).

Espero que essas dicas possam te ajudar no seu dia-a-dia escolar! E aproveite esses três últimos anos – você sentirá falta deles.

08 Oct 2011

Como organizar seus estudos para o vestibular

Quando eu prestei vestibular, há 10 anos (!), organizei um plano de estudos e consegui passar na faculdade que eu queria. Vou contar neste post como eu fiz.

Eu estava no terceiro ano do ensino médio quando comecei a estudar de forma autodidata através de umas apostilas que saíam em banca de jornal, pesquisando e escrevendo bastante. Na época, eu não tinha acesso à internet, então tudo se baseava em livros e apostilas. Quando comecei realmente a estudar para o vestibular, percebi como o meu ensino foi defasado, pois no programa existiam tópicos que eu jamais tinha estudado. A primeira coisa então que eu fiz foi pegar o programa de matérias do manual do aluno e focar naquilo.

Como eu comecei a estudar na metade do ano letivo (para prestar o vestibular em outubro), não deu para cobrir nem um terço do programa pedido. Fui fazer a prova já encarando como uma experiência para tentar de verdade no ano seguinte. E o legal de fazer a prova é que dá um choque de realidade na gente, né. Foi ali que eu percebi que, se não estudasse a sério, eu jamais passaria.

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Cursinho: sim ou não

Fui em sebos (lojas que vendem livros usados) a fim de encontrar livros e apostilas de cursinhos. Uma amiga estava fazendo cursinho e eu achei as apostilas perfeitas, bem resumidas e focadas no que era realmente necessário aprender. Com bastante sacrifício, consegui fazer cursinho no ano seguinte, já sabendo que seria a minha única chance (não dava pra fazer outro ano de cursinho – eu precisava passar). Eu recomendo fazer cursinho se você estudou em uma escola que não te deu uma boa base (veja pela análise dos tópicos no programas do vestibular) ou se você quer passar em algum curso muito difícil, como Medicina na USP ou Engenharia Aeronáutica no ITA. Aliás, muitos candidatos desses cursos acabam fazendo mais de um ano de cursinho – depende da sua disponibilidade financeira. Eu queria ter estudado tendo a tranquilidade de saber que, se eu não passasse, poderia fazer cursinho de novo no ano seguinte, pois eu assimilaria melhor todas as matérias e passaria com mais tranquilidade.

O que eu acho ideal, baseado na minha experiência, é fazer cursinho ainda durante o último ano do ensino médio para ter uma introdução às matérias, prestar o vestibular como treino e fazer cursinho com dedicação total no ano seguinte. Mesmo que você trabalhe, dois anos de cursinho dão uma boa base. Se você tem o privilégio de estudar em tempo integral, aproveite o tempo para estudar mais e melhor.

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Quando começar a estudar

Como eu comentei, acho que o ideal é começar a estudar no início do terceiro ano do ensino médio para ter uma ideia do que te aguarda. Veja que base sua escola te dá e aproveite todos os recursos a seu favor (pegando livros de leitura obrigatória na biblioteca, por exemplo, ou tirando dúvidas com os professores).

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Material de estudo

Se você estiver fazendo cursinho, aproveite o material que é dado. Dependendo da ênfase do curso que você quer passar, foque nas matérias específicas. Por exemplo, se você quer cursar Letras, aprofunde o estudo na língua portuguesa com bons livros da matéria. Peça indicação aos professores ou pesquise na internet quais são os mais relevantes. Eu investiria em material a parte para essas matérias que demandam maior conhecimento e entendimento da sua parte. Isso não significa que você deva deixar as outras matérias de lado. Não! Estude igualmente. Só estou dizendo para você não estudar matemática por um livro de álgebra se você quer prestar História.

Eu recomendo o seguinte material:

  • apostilas do cursinho
  • livros de apoio
  • livros de leitura obrigatória
  • fichário com divisórias
  • folhas de fichário
  • lapiseira com muito estoque de grafite
  • canetas pretas
  • borracha
  • um bom dicionário de português
  • dicionário de inglês
  • agenda para monitorar seu cronograma (falarei mais adiante)

Se você for prestar cursos que tenham provas específicas (Arquitetura ou Música, por exemplo), você também precisará de material para estudar para essas provas. Veja no manual do aluno o que é necessário.

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Como estudar

Encare o vestibular como uma guerra cujas batalhas são as provas. Prepare-se! Não é para virar um conhecedor profundo de todas as matérias – mas você precisa saber o suficiente para responder as questões. Não caia no conto do vigário de “estudar sem passar”, pois isso não acontece mais (somente em algumas faculdades particulares, é claro). Na maioria dos bons vestibulares, você precisa acertar um bom número de questões, fazer uma redação e, em alguns casos, responder perguntas dissertativas. Você precisa saber do que está falando.

Também é fundamental você fazer provas para pegar as manhas, especialmente no que diz respeito ao tempo. São poucas horas para responder um número enorme de questões e muitos estudantes saem no horário limite sem ter respondido todas. É por isso que a maioria dos cursinhos oferece frequentemente durante todo o ano simulados. Alguns deles são até gratuitos e abertos ao público, caso você não esteja frequentando o cursinho. Eu diria que grande parte do estudo é saber fazer provas.

Como estudar, então: estudando a teoria, resolvendo todos os exercícios possíveis e fazendo provas/simulados. 

Descubra também como você absorve melhor o conteúdo - se lendo, escrevendo, assistindo, ouvindo etc. Eu sempre gostei de escrever para absorver, mas eu tinha um amigo que gravava as aulas e ia ouvindo no ônibus, pois aquilo funcionava para ele. Hoje, com celulares e tablets, ficou muito mais prático utilizar todos esses meios.

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Como organizar os estudos

Vou dizer como eu fiz e dar a sugestão, mas pode ser que não seja adaptável ao seu caso. Eu listei todos os tópicos pedidos para o vestibular e dei notas entre 1 e 3 de importância. Uma matéria que eu já sabia relativamente bem, numerava como “1″. Matérias que eu nunca tinha estudado ou que eu sabia que era fraca, numerava como “3″. Os números significariam também a quantidade de horas que eu dedicaria a cada assunto.

Minha estratégia era a seguinte:

Em uma primeira fase, eu estudava todo o conteúdo sem aprofundar em nada e lia os livros de leitura obrigatória. Em uma segunda fase, eu já sabia o que era mais fácil e mais difícil, e aumentava a quantidade de horas para as matérias mais difíceis. Na terceira fase, eu focava naquilo que eu realmente precisava me aprofundar (matérias específicas) e era meu ultimato para aprender o que não entrava na cabeça de jeito nenhum, mas era importante saber (logaritmos, por exemplo).

Com base nessas etapas, eu idealizei um cronograma. Fiz as contas utilizando o esquema de 1 a 3 horas por tópico para saber quanto tempo eu levaria para estudar o básico da primeira fase e ler os livros. Se você começar a estudar no terceiro ano do ensino médio, certamente essa etapa pegará quase o ano todo. E o legal é que, quando você fizer cursinho, no ano seguinte, ou estiver focando seus estudos sem fazer cursinho em algum lugar, poderá já ir para a fase dois e direcionar melhor seus estudos. Os cursinhos costumam terminar toda a matéria até setembro ou outubro, quando então começam a revisão final para a época de provas. Nesse momento, você entrará na terceira fase, focando as matérias mais específicas e aprendendo de vez aquilo que ainda é uma dificuldade.

Imagem: Getty Images

Quantidade de horas de estudo por dia é importante?

Não. O que importa é a qualidade do estudo e o aproveitamento do tempo que você tem. Algumas pessoas trabalham o dia todo e fazem cursinho à noite, dispondo de pouquíssimas horas de estudo por semana. Se for o seu caso, você precisa aproveitar o tempo que tiver ao máximo.

Se você tem o privilégio de focar seu tempo nos estudos, mesmo assim, não adianta estudar 10 horas por dia. Vale mais a pena assistir as aulas, estudar 2h à tarde, descansar um pouco, depois estudar mais 2h e assim ir indo até o final do dia. Você também precisa descansar.

Como era a minha rotina:

Eu fiz cursinho à noite, pois trabalhava com alguns freelas durante o dia. Quando eu tinha um dia mais tranquilo, eu chegava cedo no cursinho (pouco antes do horário de almoço) para conseguir pegar uma mesa na sala de estudos, que ficava lotada depois do turno da manhã, quando o pessoal ia para lá e ficava a tarde inteira. O bom de estudar na sala de estudos do cursinho é que alguns professores ficam lá fazendo plantão de dúvidas. Para mim, foi essencial ao estudar exatas e fazer redações. Aliás, no meu cursinho, toda semana tinha uma sugestão de tema para redação, o que me ajudou bastante, e quinzenalmente eles faziam um simulado. Perdi um ou dois no decorrer do ano e eles foram fundamentais para eu focar melhor meus estudos, porque às vezes achamos que sabemos uma matéria e, ao fazer a prova, percebemos que não sabemos tanto assim.

De noite, eu assistias as aulas e, depois, ia pra casa. Sempre que eu tivesse vontade, lia um pouquinho de cada livro das leituras obrigatórias. Minha meta era um livro por mês, mas alguns eram menores ou maiores que os outros, então o período variava. O importante é conseguir ler todos, e eu fiz isso. Ler resumos não adianta – a não ser que você já tenha lido os livros há alguns anos e queira somente relembrar.

Resumindo:

  • assistir as aulas
  • ler a matéria
  • resolver exercícios
  • fazer simulados
  • ler os livros obrigatórios
  • tirar dúvidas

No final do ano, eu estava exausta, mas confiante. Quando prestei o vestibular, achei até tranquilo porque eu sabia que tinha dado o melhor de mim. Passei, até chorei (faz parte).

Lá por setembro, minha avó me inscreveu em um concurso público para eu prestar também, me comprou apostilas e tudo. Eu jamais conseguiria estudar para as duas coisas, então foi necessário ter foco. Até prestei o concurso (não passei, claro), mas não parei de estudar para o vestibular porque ele era o meu foco, não o concurso.

Imagem: Getty Images

Escolhas

Eu contei a história acima para que você tenha em mente os seguintes conceitos:

  1. É só uma fase da sua vida que vai passar, então esqueça um pouco outras coisas e dê o melhor de si.
  2. Foque no que você acha certo, e não no que outras pessoas acham.
  3. Ouça seus pais, mas decida com o coração. Não faça Direito se você quer fazer Nutrição, por exemplo.
  4. Qualquer profissão que você escolher, se você se dedicar e for bom, te trará sucesso.
  5. É cruel decidir, tão novo, o que você quer fazer para o resto da vida. Não se sinta mal por isso, pois todos ficam assim.
  6. Você sempre pode mudar! A vida é curta, mas nem tanto. Muita gente muda de profissão mais tarde justamente porque não sabia o que escolher quando prestou vestibular. É normal!
  7. Aproveite o momento, pois não volta mais. Depois que você entrar na faculdade, você será “adulto” (hehe) e terá que focar em trabalho, responsabilidades etc.

As escolhas são sempre suas. Eu poderia ter deixado para lá, no último ano da escola, e talvez nem ter feito faculdade alguma. Por mais dúvidas que a gente tenha, lá no fundo a gente sabe mais ou menos o que quer fazer (nem que seja “fazer uma faculdade”, somente). Tome essa decisão por você e dê o melhor de si sempre pois, qualquer que seja a sua escolha, se você fizer isso você saberá que fez o seu melhor e não irá se arrepender de nada.

Se você vai prestar vestibular ainda este ano, boa sorte! Se você está no segundo ano do ensino médio, olha que presente legal que eu te dei! Se você vai recomeçar depois de muito tempo e não sabe por onde começar, espero que este texto também te ajude. Eu admiro muito quem se esforça nos estudos porque sei que nem todo mundo é assim. Eu sempre priorizei meus estudos e hoje sei que sou bem-sucedida profissionalmente em grande parte pela minha dedicação ao conhecimento. Em meio a tantas incertezas, uma coisa é certa: quem estuda, sempre se dá bem. Sempre terá mais portas abertas. Então, vá atrás. Você já está no caminho correto.