Vestibular

10 Sep 2013

Quando eu decidi virar uma pessoa organizada

Eu tinha apenas 13 anos quando repeti de ano na escola. Foi uma mistura de coisas erradas – perdi aulas por fazer parte do time de vôlei, perdi provas, fui mal em algumas matérias. Minha mãe sequer brigou comigo porque sabe que não foi tanto culpa minha, mas o professor de educação física foi demitido (outras meninas também perderam o ano) e eu mudei para uma escola particular. Quando fiz minha matrícula, eu prometi a mim mesma que nunca mais deixaria algo assim acontecer na minha vida. E aí eu passei a me organizar.

Parece que foi de repente, e foi mesmo. Bastou a minha mudança de atitude. Foi nessa época que eu comecei a pegar gosto por métodos de estudo (assunto que eu adoro até hoje) e a procurar livros sobre organização no geral. Quando eu tinha 13 anos de idade, eu não tinha acesso à Internet. Porém, tinha acesso à biblioteca da escola, às livrarias dos shoppings e às coleções da minha família. E foi assim, bem aos poucos, que eu fui adquirindo meu arsenal de livros sobre organização. Comprava revistas que tinham matérias a respeito, guardava em uma pasta – tudo lá desde o começo.

Para a escola, eu organizava meu material, meus livros, cadernos, canetas, etiquetas. Tinha agenda para provas e trabalhos, anotava tudo. Nem preciso dizer que sempre passei com boas notas em todas as matérias – exceto matemática, que precisei fazer até aula particular! Hoje em dia fico me perguntando por que a dificuldade era tão grande, visto que na época do vestibular eu adorava matemática e fui muito bem nas provas da disciplina. Mas enfim, é uma matéria polêmica para muitas pessoas.

Uma vez uma amiga minha comentou uma coisa em seu blog: “meu quarto pode ser uma bagunça, mas meus projetos são organizados”. Gente, e eu super entendo esse conceito, viu? Quando eu era adolescente e comecei a me organizar, eu não tinha muito espaço só meu. Meu guarda-roupa era bem bagunçado. Com relação à arrumação da casa, eu certamente estou longe do ideal ainda hoje. Não me preocupo muito com isso, porque sei que vou acabar arrumando, e acabo priorizando fazer outras coisas. Mas quanto a organizar todo o resto – inclusive a casa – nossa, eu sempre amei fazer isso, desde então. Complexo? Para mim funciona.

Meu objetivo com esse texto foi mostrar que não existe conceito de organização ideal e que qualquer pessoal pode começar a se organizar quando quiser, bastando ter essa mudança de atitude. Independente da idade. Independente das condições financeiras ou de espaço. Não adie mais uma decisão que vai facilitar sua vida em todos os sentidos. Organize-se! ;D

Precisa de ajuda? Comece por aqui.

05 Mar 2013

Como se organizar para estudar em outra cidade

Este texto foi enviado pela leitora Anna Kuhl, do blog Creyssa Phyna.

Pensei em falar um pouco da minha experiência quando passei no vestibular e fui estudar em outra cidade, pois sei que muitos dos leitores do blog estão passando ou vão passar por este momento. As dicas também valem para quem já passou por esta fase, mas entrou em algum programa de pós-graduação, mestrado, doutorado, concursos, etc, em uma cidade diferente da que mora.

Trata-se de uma época de muitas escolhas e indecisão geral. Além de precisar administrar toda sua nova rotina de organização para os estudos, esta nova situação – estudar em outra cidade –  pode trazer vários novos rituais de organização diários, principalmente se você está morando sozinho pela primeira vez.

1. Informe-se

Quem está passando por esta situação precisa buscar reunir o máximo de informações possíveis, e existem muitos canais para isso. As redes sociais são o canal mais óbvio, mas este é o momento de não ter vergonha de escrever ou ligar pedindo ajuda pra qualquer parente-primo-cunhado-devigésimo grau possível, algum conhecido que já more na mesma cidade ou estude no mesmo lugar. Muitas vezes os próprios veteranos costumam preparar uma acolhida para os calouros, com informações e dicas para orientar os recém-chegados. Muitas universidades distribuem o chamado “kit-bixo”, um manual ou guia dos diretórios acadêmicos com várias informações úteis.

Pesquise também sobre a cidade, além dos limites da universidade.  Conheça possíveis pontos turísticos e lugares bacanas, mas também procure saber sobre hospitais, postos de saúde, delegacias, bibliotecas, postos de serviços públicos que você talvez possa precisar um dia, para tirar algum documento, por exemplo. Eu particularmente adoro conhecer os calçadões e centros da cidades, e saber exatamente onde posso encontrar vários tipos de produtos, como tecido, utensílios domésticos, artesanato, etc.

2. Onde e como morar

Esta talvez seja a questão que mais preocupa os recém chegados. Para quem vai pleitear a moradia universitária, recomendo ficar super atento à papelada e burocracia dos processos de seleção, que costumam não ser tão ágeis,  embora muitas universidades tenham programas de “adoção” de bixos, que cuidam para que ninguém fique sem teto nestas primeiras semanas.

Se você está disposto a morar sozinho e arcar com os custos, cuidado com as imobiliárias, leia e estude muito bem o contrato, principalmente quanto à questão do fiador ou seguro fiança. Existe ainda as opções de morar em locais parecidos com flats, em que você tem um quarto próprio mas divide áreas comuns como cozinha e sala.

Minha experiência foi morando em república, dividindo uma casa com até 8 pessoas, com muitas emoções, claro, mas sem grandes traumas. Acho que a principal dica se você quer dividir a casa com outras pessoas é procurar por perfis semelhantes ao seu, o que nem sempre significa colegas de curso. Não tenha medo de perguntar sobre a rotina da casa, sobre como fazem a limpeza, se dividem ou não o saco de arroz, se todo mundo paga junto o telefone ou cada um anota suas ligações e paga separado. É muito importante que você se sinta em casa e tenha liberdade de definir como as coisas são feitas ou pagas, afinal, esta será a sua casa também. Não precisa fazer um “roommate agreement” como o Sheldon Cooper, mas um bom acordo de convivência onde as regras são claras para todo mundo é o ideal.

NUNCA tome a decisão de onde morar por impulso, não fique desesperado achando que não vai ter onde morar, estude com calma as opções. Se você não tem certeza, fique “adotado” em alguma república  ou more em uma pensão até decidir, não assuma nenhum compromisso caso não tenha certeza, você corre o risco de se ver atado a um contrato de 1 ano em um apartamento que não curte, ou ainda em uma república com pessoas que não tem nada a ver com você.

Na hora de escolher a moradia, considere fatores como a sua segurança, às vezes um local parece lindo e seguro durante o dia, cheio de estudantes, mas quando você voltar para casa à noite do estágio é super ermo, por exemplo. Também pese a questão da logística do transporte, nem sempre o lugar mais perto da faculdade é o lugar mais conveniente para você, pesquise se há supermercados, farmácias, assim como ônibus ou possível sistema de caronas. Às vezes vale a pena morar em um lugar um pouco mais longe, que talvez saia mais barato, e pode ser mais perto da casa de outros colegas com quem você fará trabalhos até tarde, perto de possíveis estágios, ou mesmo mais perto da vida urbana da cidade, não deixando você isolado no campus, que muitas vezes costuma ficar bem longe do centro das cidades.

Se você for morar em um prédio, conheça as regras do condomínio, que podem ser super restritas quanto à mudança – alguns prédios não permitem que você se mude em dias da semana, por exemplo. Se morar em casa, conheça seus vizinhos, que nem sempre serão universitários como você, e podem dar informações sobre o bairro, principalmente sobre segurança.

Para mobiliar sua casa, os usados podem são uma ótima opção. Muitos formandos costumam vender suas peças em bom estado de conservação, o que pode sair bem mais barato que comprar na loja de usados, e são geralmente divulgadas em cartazes pelo campus ou nas redes sociais, não é difícil de achar. Em cidades universitárias, as lojas de móveis usados costumam às vezes superfaturar os preços no começo do ano, mesmo se a qualidade do móvel-objeto não estiver tão boa, fique atento. Em alguns casos, vale a pena sim comprar móveis novos, que você poderá doar ou vender quando se formar, pesquise bem as opções antes de comprar usado ou novo. Aqui também vale o acordo dentro da república: vocês podem todos dividir os valores dos móveis, ou cada um compra um, sempre bem combinado para não haver brigas na hora de desmanchar a casa.

3. Aproveite, interaja com a cidade!

Para concluir, acho que uma coisa bacana é assumir uma postura de interação com a cidade. Muitas pessoas costumam se fechar e passar o mínimo de tempo possível durante os 4 ou 5 anos da graduação se envolvendo com a cidade. No começo pode ser assustador, mas com alguma informação e companhia, desbravar sua nova cidade pode ser muito prazeroso. Conheça o centro, praças, pontos turísticos. Convide seus novos colegas de curso para se juntar a você.

Dependendo do seu curso, pode ser que surja tempo livre para administrar nos primeiros semestres – enquanto não começam os estágios, iniciação cientifica, etc. Que tal aproveitar este tempo para descobrir um novo hobbie: andar de bicicleta pela cidade, que talvez seja mais pacata que a sua de origem … Fazer um curso de corte e costura, conhecer a biblioteca, desvendar a piscina do campus, começar a treinar ou entrar nos times esportivos, participar de cursos, grupos de atividades culturais como coral, teatro, fotografia.

Muitas cidades do Brasil tem unidades do SESI ou do SESC, onde você pode se inscrever como usuário, participar de cursos, assistir à sessões de cinema ou peças de teatro, sempre com preços muito amigos. Muitas cidades universitárias tem uma vida cultural muito agitada, com shows, cineclubes, teatro, encontros ao ar livre, e não necessariamente só baladas. Muita gente volta quase todo final de semana para casa, por conta de visitar família ou namorado/a, que tal inverter e convidá-los a conhecer sua nova cidade ?

E vocês, que dicas tem sobre o assunto ? Quem já passou ou está passando por esta situação, compartilhe com a gente nos comentários!

21 Feb 2013

Quero voltar a estudar!

Este texto foi enviado pela psicóloga e leitora Andréa Lagareiro.

O início do ano representa para muitas pessoas a retomada das atividades escolares, acadêmicas e profissionais que foram interrompidas no ano anterior. É nesta época que os estudantes realizam rematrículas, os graduados procuram seus cursos de pós-graduação e as crianças e adolescentes retomam o ano letivo.

Não podemos esquecer que, neste período, muitas pessoas que haviam parado de estudar, por diversos motivos, como trabalho, criação dos filhos, viagens e problemas pessoais, pensam em retornar aos estudos.

Aqui vão algumas dicas para orientar essa busca:

Quero muito voltar a estudar!

Primeiro, organize-se: Tenha clara a sua REAL disponibilidade de tempo e energia para inciar este projeto. Não vale a pena pesquisar cursos, se matricular, pagar taxas se você não for ter tempo para frequentar as aulas. E o mais importante: ter tempo não é ter disponibilidade de horário do tempo exato do curso (19-22h50, por exemplo). Você precisa se alimentar, locomover-se e chegar com o mínimo de folga em casa para poder realizar suas outras atividades cotidianas.

Dica de ouro 1:  Conheça seus limites!

Autoconhecimento é fundamental para avaliar as reais condições para iniciar qualquer projeto, por menor que ele seja. A gente não pode abraçar o mundo inteiro de uma só vez. O que a gente pode sim fazer é escolher a parte que vamos nos dedicar em cada momento.

Sem direção? Oriente-se: Se você ainda não sabe que curso (universitário, técnico, livre, etc) escolher, uma boa opção é fazer uma orientação vocacional com um profissional. Por meio deste processo, você pode entender suas competências, (conhecimentos, habilidades e atitudes), quais são suas possibilidades e também ter um help para saber por onde começar, como começar e quais os primeiros passos nessa retomada. Você pode, até por conta própria, verificar como foi sua trajetória profissional até o momento, identificar pontos fortes e de atenção para pensar se se especializar é uma boa ideia ou se cabe uma mudança radical no seu percurso. Isso pode te ajudar, inclusive, no bate papo com a orientadora e trazer mais material para discussão.

Dica de ouro 2: Se existe um investimento que vale a pena, é investir em você mesmo!

Orientação vocacional é um processo que tem se difundido muito entre a população. Vale apena para adolescentes que querem decidir sua profissão, profissionais que querem mudar de área, trabalhadores desmotivados…Enfim, para qualquer dúvida, insegurança, insatisfação ou anseio, a orientação vocacional pode te ajudar muito. Principalmente, a conhecer a si mesmo e suas potencialidades!

Pesquise, pesquise, pesquise: Não vale a pena procurar uma universidade porque ela é a mais barata, a mais próxima de casa, a que sua melhor amiga frequenta. Qualidade e presença no mercado são fatores importantíssimos que ficam esquecidos frente a outras necessidades. Sim, existem cursos caros. Não, nem sempre podemos investir tanto dinheiro, mas vale a pena procurar o segundo e o terceiro melhor e não partir para opções duvidosas.

Coloque na balança: A qualidade, a médio e longo prazo é mais valiosa do que proximidade e valor.

Coloque na balança: A qualidade, a médio e longo prazo, é mais valiosa do que proximidade e valor. Nem sempre podemos pagar pelo que queremos, mas temos que avaliar as opções disponíveis.

Como pesquisar? Simples. Abuse das redes sociais. Procure, primeiro, na sua lista de amigos quem se formou aonde. Caso não tenha encontrado o que procura, digite o curso ou a faculdade no campo de busca do Facebook por exemplo e procure grupos e pessoas. Faça contatos com ex-alunos. Além disso, pesquise a página do MEC. Lá você encontra as melhores e piores universidades, suas avaliações e colocações.

Print da tela de consulta de avaliações de universidades do MEC. Pesquise sempre no portal, mas faça contato com os estudantes e ex-alunos.

“Print”da tela de consulta de avaliações de universidades do MEC. Este é apenas um exemplo. Pesquise sempre no portal, mas faça contato com os estudantes e ex-alunos.

Dica de ouro 3:  O conhecimento se dá através da troca com o outro!

A melhor forma de saber sobre cursos, expectativas, realidades, professores, material, infraestrutura – embora exista a avaliação do MEC – é conversar com ex-alunos e alunos das universidades. É como uma pesquisa de opinião. E as pessoas sempre agregam muito com as suas experiências. Afinal você não é o único a passar por uma decisão profissional.

E agora? Já está tudo certo: Uma vez que sua mente e cotidiano estejam organizados, pesquisas feitas e o curso e universidade decididos, você pode começar a colocar seu projeto, de fato, em andamento.

Eu já disse “Organize-se”?

Você precisa ter em mente os gastos, tanto de mensalidades quanto de matrícula, precisa controlar a data de vencimento das parcelas e a data limite para inscrição.

Algumas faculdades já fecharam e inclusive aplicaram vestibular a essa altura do ano. Se este for o seu caso, não se desespere! Em geral são faculdades com processos seletivos mais difíceis de passar e mais complexos. Vale a pena fazer um cronograma de estudo para o ano, ou mesmo entrar no cursinho pré-vestibular para tentar entrar.

Se você for iniciar o curso ainda esse ano, fique atento ao vestibular, entrevistas presenciais, data limite para inscrição e pagamento da matrícula e, É CLARO, início das aulas.

Dica de ouro 4: A pressa é inimiga da perfeição!

Escolher um curso e uma faculdade não define apenas os próximos 4 ou 5 anos, nem suas noites mal dormidas nem somente “no que eu vou trabalhar”. Uma escolha profissional define um aspecto gigantesco das nossas vidas, os círculos de relacionamento que teremos, as nossas motivações enquanto cidadãos, nossa participação no mercado e a produção do conhecimento. Por isso, se ainda tem dúvidas, se não se sente preparado, não tome decisões precipitadas. Procure ajuda e orientação, de professores antigos, amigos e profissionais.

Mais para frente, vamos falar sobre como se organizar para o início das aulas e da importância que dedicar-se aos primeiros semestres da faculdade tem para a sua carreira!

19 Feb 2013

Estudar a vida inteira: o que isso significa?

Quando eu escrevi pela primeira vez aqui no blog sobre o meu método de estudo e como eu estudo através de ciclos, muitas pessoas me perguntaram “mas Thais, o que você está estudando?”. E às vezes eu esqueço de escrever algumas informações básicas aqui no blog, mas vocês sempre me lembram. =) Então eu agradeço por isso.

Nos últimos dias, eu tenho desenvolvido um vício que é baixar amostras de e-books na loja do Kindle sobre determinados temas que tenham me interessado no momento. Hoje eu estava pesquisando sobre livros que ensinam técnicas de estudo ou organização dos estudos, e tive a ideia de escrever um post sobre a coisa de estudar a vida inteira.

Eu sou aquele tipo de pessoa que está sempre lendo diversos livros ao mesmo tempo. Sempre fui assim, desde nova. Sabe quando as crianças ficam malucas ao passar em frente a uma loja de brinquedos no shopping, e os pais ficam tentando persuadí-las a não entrar, aquela comoção toda? A minha avó costuma dizer que eu era assim para livrarias. Para falar a verdade, sou assim até hoje. Quando estamos passeando pelo shopping e eu sugiro para o meu marido “vamos entrar na Cultura?” ele até suspira profundamente, porque sabe que isso significa passar um booom tempo ali. No geral, eu prefiro ir sozinha, porque curto tanto a experiência em si, o fato de estar ali, que não quero incomodar mesmo quem está comigo. Uma das coisas que eu mais gosto de fazer quando vou para São Paulo é tirar a manhã de sábado para visitar TODOS os sebos (lojas de livros usados) no bairro de Pinheiros. Eu até me seguro para não comprar muitos livros, mas adoro passar os dedos sobre as lombadas e ver cada título que tem ali, curtir o cheiro de papel antigo, ver como organizam as categorias etc. É o meu hobby!

Conhecendo esse contexto, talvez você entenda melhor o que eu vou dizer em seguida.

Eu não consigo imaginar a minha vida sem estar estudando para um assunto qualquer. Um bom exemplo, bastante atual: quando eu mudei de emprego pela última vez, há quase dois anos, eu entrei para uma área profissional totalmente diferente da minha, o que eu considerei um grande desafio, pois eu tinha praticamente TUDO a aprender. Por isso, precisei me organizar para estudar sobre todos os assuntos relacionados à área, e até hoje estudo a respeito, pois preciso combinar esse estudo com todas as outras atividades da minha vida, então leva tempo. Em paralelo, tenho a minha profissão de publicitária, que trabalha em conjunto com o meu cargo atual. Assim, eu preciso me manter atualizada com relação a marketing digital, conteúdo online, nova ortografia, mídias sociais, enfim, tudo. Além disso, eu tenho o blog, que me demanda pesquisa constante, então vivo lendo e pesquisando sobre casa, decoração, organização, gestão do tempo, artesanato, minimalismo – a lista quase não tem fim. Também estudo bastante sobre a educação do meu filho, por exemplo, e as fases da vida dele. Até bem pouco tempo atrás eu estava produzindo o meu trabalho de conclusão de curso da pós, o que demandava muita leitura e pesquisa. Em algum tempo, vou começar a lecionar, então estou lendo muita bibliografia no momento para montar o plano de ensino e planejar as aulas.

Só isso que eu citei acima já seria o suficiente para demonstrar “o que eu estudo” através dos ciclos, mas aí eu sequer estou contando com as coisas que eu estudo por hobby, como História, Filosofia, Antropologia, o que infelizmente acabo fazendo só quando sobra algum tempinho.

Continuando o exemplo sobre a vida profissional, nós podemos estar sempre estudando da seguinte forma:

  • Quando estamos pensando na faculdade que faremos, precisamos estudar para o vestibular;
  • Depois de entrar na faculdade, precisamos estudar todas as disciplinas;
  • Quando começamos a trabalhar, precisamos estudar tudo relacionado ao nosso trabalho, especialmente se você estiver trabalhando em uma área muito específica (como é o meu caso). Exemplo: um jornalista que vai trabalhar em uma revista sobre carros. Ele precisa entender MUITO sobre o assunto, porque só saber sobre Jornalismo não basta;
  • Quando fizermos uma pós-graduação, mestrado ou doutorado, mais estudos;
  • Quando fizermos um curso de extensão, estudamos mais;
  • Se queremos montar um blog para expôr nosso trabalho, precisamos estudar a respeito;
  • Se alguém te convida para dar uma palestra sobre a sua área de atuação, você precisa estudar para preparar essa palestra, além de pesquisar também sobre técnicas de falar em público, todas essas coisas;
  • Se você fizer um curso de idiomas, precisa estudar;
  • Etc.

A lista é infinita, e eu citei o exemplo de apenas uma área da vida, que é a profissional. Todos nós temos diversas áreas de atuação na vida, então assunto para estudar não falta. Se você estiver grávida, pode querer ler diversos livros sobre gravidez. Se estiver indo viajar, vai querer pesquisar a respeito. Se começar um novo hobby, pode querer estudar as melhores técnicas.

Nem todo mundo faz isso. Acho que vai muito da personalidade de cada pessoa. Eu sou assim – portanto, não consigo imaginar a minha vida sem estar estudando sobre assuntos diversos. Sou uma eterna curiosa e gosto de saber muito sobre um assunto quando estou lidando com ele.

O que eu mais gosto com relação a estudar é que me dá motivação para viver. Pode parecer exagero, mas muitas vezes não vemos sentido na vida até nos empolgarmos com uma atividade nova que nos faz querer saber mais sobre ela, ler, entender, pesquisar. Falei da minha avó lá no começo, e tenho um exemplo para dar falando mais uma vez sobre ela. Quando ela tinha por volta de 40 anos, ou seja, com a “vida feita” de acordo com o senso comum, ela se separou do meu avô e, depois de um tempo sem saber direito o que fazer, ela resolveu cursar a faculdade de Direito, um sonho antigo que nunca tinha realizado porque antigamente a mulher largava tudo quando casava para se dedicar ao marido e aos filhos (e foi o que ela tinha feito). Resumindo, ela fez a faculdade e isso transformou a vida dela. Chegou a ser professora de Direito algum tempo e conseguiu um trabalho que sustentou toda a família até o ano passado, quando ela se aposentou. Meu pai era autônomo e teve câncer. Se não fosse pelo trabalho da minha avó, ele não teria onde morar e o que comer. Toda vez que penso nessa história eu fico pensando na minha responsabilidade como mãe e sinto um orgulho imenso da minha avó por ter dado a volta por cima e construído sua vida quando muitas pessoas já tinham desistido. Por isso eu acredito sim que estudar é importante e que nos revigora, de uma forma ou de outra, e que nunca, nunca mesmo, é tarde para começar o que quer que seja.

Nunca uma pessoa que goste de estudar e utilize isso com determinado foco vai ficar na mão na vida. Você pode estudar para um concurso público, por exemplo, e ter a vida tranquila em termos profissionais para o resto da vida. Ou pode ter uma ideia genial que fará de você um milionário. Ou simplesmente te dará combustível mental para seguir adiante em uma vida considerada sem-graça em termos práticos. Tive um amigo que não tinha nada, absolutamente nada, e vivia uma vida extremamente simples. A única coisa que importava para ele eram os seus livros. Os livros salvam a gente, porque nosso órgão mais importante é a mente.

Enquanto eu puder estudar, eu estou viva. Então sim, eu acredito que estudar é algo que a gente faz a vida inteira. Mesmo que não estejamos formalmente estudando – matriculados em uma universidade ou fazendo um curso, por exemplo -, assunto para estudar é o que não falta. Para tanto, basta começar!

05 Feb 2013

Organizando um método de estudo

Começo este post dizendo que encontrar um método de estudo é um processo muito particular e que pode levar algum tempo até que cada um descubra o que é melhor para si. Eu mesma já tentei diversos métodos e somente ano passado consegui chegar a um que me deixasse satisfeita (pelo menos por enquanto). Assim, quando eu vou estudar um assunto, eu o divido por fases de estudo.

Este esquema de estudos funciona muito bem para quem estiver prestando vestibular ou estudando para concursos públicos.

Primeira fase

Fase introdutória, destinada ao aprendizado do conteúdo. Nesta fase, eu utilizo livros introdutórios, mais básicos, faço aulas, cursos, procuro esquemas, faço resumos. Eu descobri que assimilo muito o conteúdo quando faço resumos, escrevendo à mão mesmo. Algumas pessoas acreditam que isso é uma perda de tempo, e realmente aumenta o tempo investido nessa fase. Porém, é importante encontrar o que funciona melhor para você. Se para mim os resumos funcionam, acredito que o tempo gasto na sua produção na verdade seja um investimento. Por isso, eu gosto bastante de fazê-los.

Segunda fase

A segunda fase de estudos já leva em consideração que as disciplinas da primeira fase foram fechadas – ou seja, se você estiver estudando por tópicos de um edital, por exemplo, ou tiver uma lista de assuntos bem definidos para estudar, significa que você só passará da primeira fase quando tiver estudado de forma efetiva todos esses tópicos.

Então a principal característica da segunda fase é a revisão constante dos conteúdos, além da leitura dos resumos feitos anteriormente. Aqui também pode entrar a produção de fichas. Sabem aquelas fichas vendidas em papelarias, de diversos tamanhos? Algumas pessoas gostam de criar pequenos esquemas e resumos nelas, fazendo resumos dos resumos. Ou seja, sintetizar ao máximo o assunto estudado, para que a revisão seja feita somente por esses conceitos-chave.

Uma boa ideia nesta fase é estudar também por livros com questões comentadas.

Terceira fase

A terceira fase do estudo é quando você já se sente segura(o) para revisar o conteúdo somente fazendo exercícios de provas anteriores. Nesta fase, você pode baixar provas antigas de vestibulares e concursos e estudar somente por elas, revisando o conteúdo quando tiver dúvidas. É a minha fase preferida do estudo, porque significa que a matéria já foi bem assimilada e agora você só precisa fazer a manutenção na memória.

Como intercalar as fases

No estudo para concursos públicos, é comum começar com as matérias básicas (umas cinco disciplinas somente, por exemplo) e, aos poucos, ir introduzindo outras. Como eu já comentei aqui, utilizo o sistema de ciclos do Alexandre Meirelles, apenas para vocês terem como referência.

Então, suponhamos que você estude cinco disciplinas básicas durante uns seis meses. Isso significa que, nesse primeiro momento, você tem todas as disciplinas na fase 1.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 1
Disciplina 2 1
Disciplina 3 1
Disciplina 4 1
Disciplina 5 1

Depois de algum tempo, quando tiver fechado essas disciplinas, você adiciona mais três. Essas primeiras disciplinas estudadas já estarão na segunda fase, tomando menor tempo de estudo. Assim, você poderá concentrar suas forças na primeira fase das novas disciplinas, onde precisa aprender de verdade.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 2
Disciplina 2 2
Disciplina 3 2
Disciplina 4 2
Disciplina 5 2
Disciplina 6 1
Disciplina 7 1
Disciplina 8 1

Aí você descobre, finalmente, que é hora de adicionar novas disciplinas – talvez depois do edital, quando saírem disciplinas inéditas. Então você adiciona essas duas disciplinas inéditas e continua o estudo das demais:

Disciplinas Fase
Disciplina 1 3
Disciplina 2 3
Disciplina 3 3
Disciplina 4 3
Disciplina 5 3
Disciplina 6 2
Disciplina 7 2
Disciplina 8 2
Disciplina 9 1
Disciplina 10 1

Para organizar esses ciclos, eu tenho uma planilha no Excel. É bem simples. Você também pode fazer no Google Calendar ou mesmo em uma folha de papel, para ter um controle básico de onde está.

Agora eu vou explicar como funciona o meu esquema de revisões que, ao meu ver, é o grande truque quando se trata de manter o aprendizado fresco na memória em médio e longo prazo. Eu divido meu estudo assim: por exemplo, se eu preciso estudar hoje o capítulo 18 do livro X, meu planejamento é o seguinte:

Assunto Data Tipo de estudo
Capítulo 18 – Livro X 05/02/13 Teoria
Capítulo 18 – Livro X 06/02/13 (no dia seguinte) Revisão 24h
Capítulo 18 – Livro X 13/02/13 (uma semana depois) Revisão semanal
Capítulo 18 – Livro X 13/03/13 (um mês depois) Revisão mensal
Capítulo 18 – Livro X 13/04/13 (um mês depois) Revisão mensal (…)

A revisão mensal segue indefinidamente.

O que eu faço em cada um desses tipos de estudo é basicamente o mesmo roteiro, mas altera de pessoa para pessoa.

Teoria: Leitura atenta do material.
Revisão 24h: Nova leitura, desta vez grifando as palavras-chave com caneta marca-texto.
Revisão semanal: Resumo.
Revisão mensal 1: Leitura do resumo.
Revisão mensal 2: Produção de fichas, por exemplo.
Revisão mensal 3: Questões comentadas.
Revisão mensal 4: Exercícios de provas anteriores.
Etc.

Existem outros tipos de estudo também, como assistir aula, fazer um curso etc. Neste caso, de cursos, a ordem seria: Aula – Teoria – Revisão 24h e assim por diante.

Algumas pessoas podem achar que as revisões tomam muito tempo, mas elas são necessárias. Se você não fizer revisões, esquecerá tudo muito rapidamente. Além do mais, com o passar do tempo as revisões vão ficando cada vez mais curtas, levando poucos minutos. Quando chegar a fase de exercícios, sequer haverá leitura de teoria, a não ser em pontos que ainda tragam dúvidas. Também há dias em que eu faço somente revisões.

É assim que eu organizo os meus estudos. =) Se tiverem dúvidas, por favor, postem nos comentários.