Concursos

Posts na categoria Concursos.

12 Mar 2013

Como estudar para concursos – Parte 4 – Como estudar depois do edital

Continuando a série sobre organização dos estudos para passar em concursos públicos, hoje o post falará sobre como organizar os estudos depois do edital.

Antes de continuar, gostaria de dizer que, como expliquei no primeiro post da série, todas as dicas aqui foram fruto de pesquisas em fontes diversas, sempre citadas. Você pode ver quais são as minhas fontes aqui.

Depois do edital, você precisa ser bastante organizado(a) para estudar, porque tem cerca de dois meses somente para colocar a casa em ordem, rever o que foi estudado e estudar as disciplinas que são novidade. Por isso, o ideal para qualquer concurso é que você comece a estudar muito antes da publicação de qualquer edital, como eu disse nos posts anteriores. O Deme costumava dizer que o edital é um presente para o concurseiro bem preparado.

O que você deve fazer quando sair o edital é o seguinte:

1. Analise o edital

O desespero baterá forte, mas é importante pegar uma caneta marca-texto e ir grifando todas as informações importantes: data de inscrição, data de pagamento, data das provas, pré-requisitos, número de questões por disciplina, número de mínimos para passar etc.

2. Imprima o programa de cada disciplina

Em uma folha separada. Sempre tenha o programa de cada uma como guia ao estudar, para não perder tempo agora com o que não cai. Quando você está estudando sem edital à vista, tudo bem querer estudar todos os assuntos, pois assim você entende melhor a matéria e aprofunda seus estudos, mas este não é o momento de fazer isso. Agora você precisa de agilidade.

3. Dê um jeito para arranjar mais tempo

Você precisa estudar! Especialmente se você trabalha fora, vai precisar restringir seu tempo livre somente aos estudos. Será que dá para acordar mais cedo? Usar o horário do almoço? Estudar uma hora a mais de noite? Isso quem vai dizer é você. O que não vale é dizer que não consegue estudar mais e perder tempo assistindo Big Brother. Isso é sério. Tenha prioridades.

4. Tenha estratégia

Se o concurso que você vai prestar não trabalha com mínimos por disciplina, mas mínimos por prova, veja desde já qual disciplina não vale a pena estudar e foque nas outras. Existem disciplinas que apenas fazem volume no edital e que não têm muitas questões na prova. O conteúdo é imenso e, se você não tiver estudado até agora, não vale a pena perder tempo com elas. Agora, se a sua prova tiver um mínimo por disciplina, então você precisa se concentrar em aprender mais de cada disciplina que não estudou muito. Esse é o tipo de decisão estratégica que você precisará tomar quando o edital for publicado.

A estratégia também se aplica aos materiais que você vai usar para estudar a partir de agora. Faça um curso somente se realmente for necessário. Compre um livro novo somente nesse caso também. Cursos em PDF podem ser uma boa, porque são mais diretos, mas sempre avalie seu tempo disponível.

5. Elabore um cronograma

Com o programa de cada disciplina em mãos, você pode elaborar um checklist para estudar cada tópico que falta dentro de um determinado período de tempo (um mês, por exemplo). Depois, pode destinar as duas últimas semanas antes da prova para revisar todas as matérias. Nas duas semanas que sobraram, você estuda os pontos mais críticos e que merecem atenção maior.

Existem diversas formas de organizar seus estudos depois do edital. O próprio Alex Meirelles recomenda, em seu livro (e em seu texto que circula pela Internet), montar um quadro de controle de estudo. Veja o que funciona para você.

6. Revise o que foi estudado

Não adianta estudar sem fazer revisões, senão você não consegue manter na memória nada do que investiu tempo estudando. Ter um período para revisar é importante. Como eu falei, você pode deixar as duas últimas semanas, ou somente a última, para fazer essas revisões.

7. Cuide da sua saúde

Muitos concurseiros bem preparados acabam indo mal na prova porque abusaram no último mês antes do edital e chegaram no dia do certame com piriri, dor de cabeça, tendinite, coluna dolorida, dor de estômago etc. O nervosismo é normal, mas todo o resto pode ser evitado. Não beba, não fique tomando remédios ou estimulantes a toa, não faça exercícios que podem ocasionar lesões, entre outras atividades perigosas.

8. Faça um checklist do que precisa levar no dia da prova

Para não ter que pensar nisso somente um dia antes e correr o risco de esquecer alguma coisa:

  • cartão de inscrição
  • RG
  • lapiseira com estoque de grafite
  • canetas da cor que pedir o edital
  • borracha
  • caneta marca-texto
  • algo para comer
  • algo para beber
  • algum doce estimulante (chocolate, balas)
  • remédios emergenciais (dor de cabeça, dor de barriga, gases, cólica)
  • absorventes
  • relógio

9. Não desista!

Muitas, mas muitas pessoas desanimam nessa reta final porque acham que não estudaram bastante ou que não vão passar. Ter confiança é fundamental! Por menos que você tenha estudado, encare a prova de frente. Saia de lá com a cabeça erguida, com a sensação de dever cumprido. Tenha em mente que fez o melhor que pôde com o tempo disponível. Não se cobre tanto. É só uma prova. Outras virão. São muitos candidatos bem preparados e o normal hoje em dia certamente é não passar. Mas é aquilo, é uma fila. Se continuar estudando direitinho, uma hora chega a sua vez. Mantenha-se motivado.

Boa prova. =)

05 Mar 2013

Como se organizar para estudar em outra cidade

Este texto foi enviado pela leitora Anna Kuhl, do blog Creyssa Phyna.

Pensei em falar um pouco da minha experiência quando passei no vestibular e fui estudar em outra cidade, pois sei que muitos dos leitores do blog estão passando ou vão passar por este momento. As dicas também valem para quem já passou por esta fase, mas entrou em algum programa de pós-graduação, mestrado, doutorado, concursos, etc, em uma cidade diferente da que mora.

Trata-se de uma época de muitas escolhas e indecisão geral. Além de precisar administrar toda sua nova rotina de organização para os estudos, esta nova situação – estudar em outra cidade –  pode trazer vários novos rituais de organização diários, principalmente se você está morando sozinho pela primeira vez.

1. Informe-se

Quem está passando por esta situação precisa buscar reunir o máximo de informações possíveis, e existem muitos canais para isso. As redes sociais são o canal mais óbvio, mas este é o momento de não ter vergonha de escrever ou ligar pedindo ajuda pra qualquer parente-primo-cunhado-devigésimo grau possível, algum conhecido que já more na mesma cidade ou estude no mesmo lugar. Muitas vezes os próprios veteranos costumam preparar uma acolhida para os calouros, com informações e dicas para orientar os recém-chegados. Muitas universidades distribuem o chamado “kit-bixo”, um manual ou guia dos diretórios acadêmicos com várias informações úteis.

Pesquise também sobre a cidade, além dos limites da universidade.  Conheça possíveis pontos turísticos e lugares bacanas, mas também procure saber sobre hospitais, postos de saúde, delegacias, bibliotecas, postos de serviços públicos que você talvez possa precisar um dia, para tirar algum documento, por exemplo. Eu particularmente adoro conhecer os calçadões e centros da cidades, e saber exatamente onde posso encontrar vários tipos de produtos, como tecido, utensílios domésticos, artesanato, etc.

2. Onde e como morar

Esta talvez seja a questão que mais preocupa os recém chegados. Para quem vai pleitear a moradia universitária, recomendo ficar super atento à papelada e burocracia dos processos de seleção, que costumam não ser tão ágeis,  embora muitas universidades tenham programas de “adoção” de bixos, que cuidam para que ninguém fique sem teto nestas primeiras semanas.

Se você está disposto a morar sozinho e arcar com os custos, cuidado com as imobiliárias, leia e estude muito bem o contrato, principalmente quanto à questão do fiador ou seguro fiança. Existe ainda as opções de morar em locais parecidos com flats, em que você tem um quarto próprio mas divide áreas comuns como cozinha e sala.

Minha experiência foi morando em república, dividindo uma casa com até 8 pessoas, com muitas emoções, claro, mas sem grandes traumas. Acho que a principal dica se você quer dividir a casa com outras pessoas é procurar por perfis semelhantes ao seu, o que nem sempre significa colegas de curso. Não tenha medo de perguntar sobre a rotina da casa, sobre como fazem a limpeza, se dividem ou não o saco de arroz, se todo mundo paga junto o telefone ou cada um anota suas ligações e paga separado. É muito importante que você se sinta em casa e tenha liberdade de definir como as coisas são feitas ou pagas, afinal, esta será a sua casa também. Não precisa fazer um “roommate agreement” como o Sheldon Cooper, mas um bom acordo de convivência onde as regras são claras para todo mundo é o ideal.

NUNCA tome a decisão de onde morar por impulso, não fique desesperado achando que não vai ter onde morar, estude com calma as opções. Se você não tem certeza, fique “adotado” em alguma república  ou more em uma pensão até decidir, não assuma nenhum compromisso caso não tenha certeza, você corre o risco de se ver atado a um contrato de 1 ano em um apartamento que não curte, ou ainda em uma república com pessoas que não tem nada a ver com você.

Na hora de escolher a moradia, considere fatores como a sua segurança, às vezes um local parece lindo e seguro durante o dia, cheio de estudantes, mas quando você voltar para casa à noite do estágio é super ermo, por exemplo. Também pese a questão da logística do transporte, nem sempre o lugar mais perto da faculdade é o lugar mais conveniente para você, pesquise se há supermercados, farmácias, assim como ônibus ou possível sistema de caronas. Às vezes vale a pena morar em um lugar um pouco mais longe, que talvez saia mais barato, e pode ser mais perto da casa de outros colegas com quem você fará trabalhos até tarde, perto de possíveis estágios, ou mesmo mais perto da vida urbana da cidade, não deixando você isolado no campus, que muitas vezes costuma ficar bem longe do centro das cidades.

Se você for morar em um prédio, conheça as regras do condomínio, que podem ser super restritas quanto à mudança – alguns prédios não permitem que você se mude em dias da semana, por exemplo. Se morar em casa, conheça seus vizinhos, que nem sempre serão universitários como você, e podem dar informações sobre o bairro, principalmente sobre segurança.

Para mobiliar sua casa, os usados podem são uma ótima opção. Muitos formandos costumam vender suas peças em bom estado de conservação, o que pode sair bem mais barato que comprar na loja de usados, e são geralmente divulgadas em cartazes pelo campus ou nas redes sociais, não é difícil de achar. Em cidades universitárias, as lojas de móveis usados costumam às vezes superfaturar os preços no começo do ano, mesmo se a qualidade do móvel-objeto não estiver tão boa, fique atento. Em alguns casos, vale a pena sim comprar móveis novos, que você poderá doar ou vender quando se formar, pesquise bem as opções antes de comprar usado ou novo. Aqui também vale o acordo dentro da república: vocês podem todos dividir os valores dos móveis, ou cada um compra um, sempre bem combinado para não haver brigas na hora de desmanchar a casa.

3. Aproveite, interaja com a cidade!

Para concluir, acho que uma coisa bacana é assumir uma postura de interação com a cidade. Muitas pessoas costumam se fechar e passar o mínimo de tempo possível durante os 4 ou 5 anos da graduação se envolvendo com a cidade. No começo pode ser assustador, mas com alguma informação e companhia, desbravar sua nova cidade pode ser muito prazeroso. Conheça o centro, praças, pontos turísticos. Convide seus novos colegas de curso para se juntar a você.

Dependendo do seu curso, pode ser que surja tempo livre para administrar nos primeiros semestres – enquanto não começam os estágios, iniciação cientifica, etc. Que tal aproveitar este tempo para descobrir um novo hobbie: andar de bicicleta pela cidade, que talvez seja mais pacata que a sua de origem … Fazer um curso de corte e costura, conhecer a biblioteca, desvendar a piscina do campus, começar a treinar ou entrar nos times esportivos, participar de cursos, grupos de atividades culturais como coral, teatro, fotografia.

Muitas cidades do Brasil tem unidades do SESI ou do SESC, onde você pode se inscrever como usuário, participar de cursos, assistir à sessões de cinema ou peças de teatro, sempre com preços muito amigos. Muitas cidades universitárias tem uma vida cultural muito agitada, com shows, cineclubes, teatro, encontros ao ar livre, e não necessariamente só baladas. Muita gente volta quase todo final de semana para casa, por conta de visitar família ou namorado/a, que tal inverter e convidá-los a conhecer sua nova cidade ?

E vocês, que dicas tem sobre o assunto ? Quem já passou ou está passando por esta situação, compartilhe com a gente nos comentários!

05 Feb 2013

Organizando um método de estudo

Começo este post dizendo que encontrar um método de estudo é um processo muito particular e que pode levar algum tempo até que cada um descubra o que é melhor para si. Eu mesma já tentei diversos métodos e somente ano passado consegui chegar a um que me deixasse satisfeita (pelo menos por enquanto). Assim, quando eu vou estudar um assunto, eu o divido por fases de estudo.

Este esquema de estudos funciona muito bem para quem estiver prestando vestibular ou estudando para concursos públicos.

Primeira fase

Fase introdutória, destinada ao aprendizado do conteúdo. Nesta fase, eu utilizo livros introdutórios, mais básicos, faço aulas, cursos, procuro esquemas, faço resumos. Eu descobri que assimilo muito o conteúdo quando faço resumos, escrevendo à mão mesmo. Algumas pessoas acreditam que isso é uma perda de tempo, e realmente aumenta o tempo investido nessa fase. Porém, é importante encontrar o que funciona melhor para você. Se para mim os resumos funcionam, acredito que o tempo gasto na sua produção na verdade seja um investimento. Por isso, eu gosto bastante de fazê-los.

Segunda fase

A segunda fase de estudos já leva em consideração que as disciplinas da primeira fase foram fechadas – ou seja, se você estiver estudando por tópicos de um edital, por exemplo, ou tiver uma lista de assuntos bem definidos para estudar, significa que você só passará da primeira fase quando tiver estudado de forma efetiva todos esses tópicos.

Então a principal característica da segunda fase é a revisão constante dos conteúdos, além da leitura dos resumos feitos anteriormente. Aqui também pode entrar a produção de fichas. Sabem aquelas fichas vendidas em papelarias, de diversos tamanhos? Algumas pessoas gostam de criar pequenos esquemas e resumos nelas, fazendo resumos dos resumos. Ou seja, sintetizar ao máximo o assunto estudado, para que a revisão seja feita somente por esses conceitos-chave.

Uma boa ideia nesta fase é estudar também por livros com questões comentadas.

Terceira fase

A terceira fase do estudo é quando você já se sente segura(o) para revisar o conteúdo somente fazendo exercícios de provas anteriores. Nesta fase, você pode baixar provas antigas de vestibulares e concursos e estudar somente por elas, revisando o conteúdo quando tiver dúvidas. É a minha fase preferida do estudo, porque significa que a matéria já foi bem assimilada e agora você só precisa fazer a manutenção na memória.

Como intercalar as fases

No estudo para concursos públicos, é comum começar com as matérias básicas (umas cinco disciplinas somente, por exemplo) e, aos poucos, ir introduzindo outras. Como eu já comentei aqui, utilizo o sistema de ciclos do Alexandre Meirelles, apenas para vocês terem como referência.

Então, suponhamos que você estude cinco disciplinas básicas durante uns seis meses. Isso significa que, nesse primeiro momento, você tem todas as disciplinas na fase 1.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 1
Disciplina 2 1
Disciplina 3 1
Disciplina 4 1
Disciplina 5 1

Depois de algum tempo, quando tiver fechado essas disciplinas, você adiciona mais três. Essas primeiras disciplinas estudadas já estarão na segunda fase, tomando menor tempo de estudo. Assim, você poderá concentrar suas forças na primeira fase das novas disciplinas, onde precisa aprender de verdade.

Disciplinas Fase
Disciplina 1 2
Disciplina 2 2
Disciplina 3 2
Disciplina 4 2
Disciplina 5 2
Disciplina 6 1
Disciplina 7 1
Disciplina 8 1

Aí você descobre, finalmente, que é hora de adicionar novas disciplinas – talvez depois do edital, quando saírem disciplinas inéditas. Então você adiciona essas duas disciplinas inéditas e continua o estudo das demais:

Disciplinas Fase
Disciplina 1 3
Disciplina 2 3
Disciplina 3 3
Disciplina 4 3
Disciplina 5 3
Disciplina 6 2
Disciplina 7 2
Disciplina 8 2
Disciplina 9 1
Disciplina 10 1

Para organizar esses ciclos, eu tenho uma planilha no Excel. É bem simples. Você também pode fazer no Google Calendar ou mesmo em uma folha de papel, para ter um controle básico de onde está.

Agora eu vou explicar como funciona o meu esquema de revisões que, ao meu ver, é o grande truque quando se trata de manter o aprendizado fresco na memória em médio e longo prazo. Eu divido meu estudo assim: por exemplo, se eu preciso estudar hoje o capítulo 18 do livro X, meu planejamento é o seguinte:

Assunto Data Tipo de estudo
Capítulo 18 – Livro X 05/02/13 Teoria
Capítulo 18 – Livro X 06/02/13 (no dia seguinte) Revisão 24h
Capítulo 18 – Livro X 13/02/13 (uma semana depois) Revisão semanal
Capítulo 18 – Livro X 13/03/13 (um mês depois) Revisão mensal
Capítulo 18 – Livro X 13/04/13 (um mês depois) Revisão mensal (…)

A revisão mensal segue indefinidamente.

O que eu faço em cada um desses tipos de estudo é basicamente o mesmo roteiro, mas altera de pessoa para pessoa.

Teoria: Leitura atenta do material.
Revisão 24h: Nova leitura, desta vez grifando as palavras-chave com caneta marca-texto.
Revisão semanal: Resumo.
Revisão mensal 1: Leitura do resumo.
Revisão mensal 2: Produção de fichas, por exemplo.
Revisão mensal 3: Questões comentadas.
Revisão mensal 4: Exercícios de provas anteriores.
Etc.

Existem outros tipos de estudo também, como assistir aula, fazer um curso etc. Neste caso, de cursos, a ordem seria: Aula – Teoria – Revisão 24h e assim por diante.

Algumas pessoas podem achar que as revisões tomam muito tempo, mas elas são necessárias. Se você não fizer revisões, esquecerá tudo muito rapidamente. Além do mais, com o passar do tempo as revisões vão ficando cada vez mais curtas, levando poucos minutos. Quando chegar a fase de exercícios, sequer haverá leitura de teoria, a não ser em pontos que ainda tragam dúvidas. Também há dias em que eu faço somente revisões.

É assim que eu organizo os meus estudos. =) Se tiverem dúvidas, por favor, postem nos comentários.

18 Dec 2012

Como estudar para concursos – parte 3 – Depois da autorização

Continuando a série sobre organização dos estudos para passar em concursos públicos, hoje o post falará sobre como organizar os estudos depois da autorização.

Antes de continuar, gostaria de dizer que, como expliquei no primeiro post da série, todas as dicas aqui foram fruto de pesquisas em fontes diversas, sempre citadas. Para não restarem dúvidas, seguem as minhas fontes:

  • Livro “Guia de aprovação em concursos públicos” – William Douglas
  • Livro “Como estudar para concursos” – Alexandre Meirelles
  • Livro “Manual de um concurseiro” – Alex Viegas
  • Livro “Vencendo a maratona de concursos públicos” – Lia Salgado
  • Entrevistas do Deme (Demétrio Pépice) coletadas pela internet
  • Dicas de aprovados no Fórum Concurseiros
  • Entrevistas de aprovados no site do Ponto dos Concursos
  • Dicas compartilhadas por amigos e conhecidos aprovados em concursos públicos

Dito isso, vamos continuar com a nossa série. =)

Continue seguindo todas as dicas dadas nos posts anteriores, além do direcionamento novo a partir da autorização, com as dicas deste post.

Analisando todas as dicas que eu li, percebi que existe uma diferença enorme entre você estudar antes do edital e depois da autorização. Por quê? Porque, antes da autorização, você pode até ter ideia de que concurso você quer prestar, mas a autorização dá a certeza de que ele vai acontecer. Significa que, a partir daquele momento, você pode focar exclusivamente naquele concurso. Suponhamos que você esteja estudando para uma área, com as matérias genéricas. A partir da autorização, você pode focar exclusivamente naquele concurso, se for o seu objetivo.

Assim, a primeira coisa que você deve fazer é:

1. Analisar o último edital

Você deve pegar o último edital do concurso em questão e analisar com calma as disciplinas e tópicos abordados. Também deve verificar quantas questões de cada disciplina caem na prova, quais os pesos etc. Essa análise servirá como guia de estudos daqui para a frente. É claro que matérias entram e saem, assim como podem continuar iguais, mas você precisa se arriscar. Vale a pena estudar o que caiu no último edital e depois utilizar o tempo para estudar as matérias novas.

2. Conhecer a banca

Muitas vezes, quando é publicada a autorização do concurso, já é anunciada também a banca que realizará as provas. Se isso acontecer, seu objetivo deve ser conhecê-la. Por quê? Oras, porque as bancas repetem as questões e têm um estilo próprio. É muito diferente fazer uma prova da FCC ou da ESAF, por exemplo. Você precisa entender como funciona a “cabeça” da banca, pois isso já garantirá um avanço enorme na hora de resolver as questões na prova.

Para fazer isso, baixe provas anteriores da banca, fique atento(a) às provas de concursos em andamento e resolva as questões relacionadas às matérias que te interessam. Sempre que acontecer alguma prova da banca com pelo menos uma matéria que consta no edital do seu concurso, vale a pena baixar e fazer.

É consenso entre os concurseiros bem aprovados que a resolução de provas da banca é fundamental na aprovação. Não descarte esse método, pois ele realmente é importante.

3. Fechar as matérias

Vejo muito nas discussões de concurseiros o termo “fechar a matéria”, que basicamente significa ter estudado todos os pontos abordados no edital anterior e um pouco mais, estudando pelos livros ou fazendo cursos. Procure ter essa meta de fechar as matérias antes da publicação do edital. Você terá cerca de três meses (ou mais) até isso acontecer, então foque nos estudos! Agora é a hora de intensificar o seu ritmo e correr atrás do que não fez antes.

Fechando as matérias antes da publicação do edital, você estará apto a pegar o documento e ficar feliz! Pense nisso! Você verá todos os pontos já estudados ali, na sua frente, e poderá se concentrar nas matérias novas que entrarem, por exemplo, ou nos tópicos diferentes. Mas sobre isso eu falarei no próximo post. =)

13 Dec 2012

Como estudar para concursos – parte 2 – Antes do edital

Continuando a série sobre organização dos estudos para passar em concursos públicos, hoje o post falará sobre como organizar os estudos antes da publicação do edital.

  • Parte 1 – Como começar
  • Parte 2 – Como estudar antes do edital
  • Parte 3 – Como estudar depois da autorização
  • Parte 4 – Como estudar depois do edital

Já é consenso entre os concurseiros aprovados que é imprescindível começar a estudar antes da publicação do edital. É claro que existem pessoas que conseguem passar estudando somente depois da publicação, mas isso depende de uma série de fatores, além de ser a exceção. O intervalo entre a publicação do edital e as provas é de 45 a 75 dias, se não me engano, então é realmente muito pouco tempo para se preparar para concursos de nível superior, por exemplo. O planejamento deve começar bem antes.

O bom de ter bastante tempo é que você pode comprar bons materiais aos poucos, estudar todas as matérias com calma e cuidado, fazer cursos, enfim, estudar de verdade. Veja algumas dicas para esta fase do seu estudo, então.

1. Encontrando tempo para estudar

A principal dúvida de quem começa a estudar é sobre como encontrar tempo. A primeira coisa que você deve fazer é um quadro com os sete dias da semana e anotar suas atividades regulares. Você descobrirá quanto tempo de estudo poderá disponibilizar. E sim, será necessário fazer alguns sacrifícios, como cancelar o curso de inglês, por exemplo.

Uma coisa que eu li no livro do Alex Viegas (“Manual de um concurseiro”) é a seguinte: toda vez que tiver que fazer algo na vida, pergunte-se se aquilo lhe favorece de alguma forma a passar no concurso. Se a resposta é não, descarte. Passar no concurso é o objetivo-mor agora. Se não for, talvez você deva buscar outro objetivo. Estudar para concursos é cansativo e demorado, demanda disciplina e motivação. Se você não estiver motivada(o) e disposta(o) a abrir mão de supérfluos no seu dia a dia, ficará quase impossível de passar.

Vale lembrar que cada tempinho é importante. Você pode estudar meia hora de manhã no trânsito fazendo uma pequena revisão do que estudou ontem, fazer exercícios na hora do almoço e estudar três horas de teoria de noite, depois que chegar do trabalho. Quanto mais você fizer isso, menos ficará tentada(o) a abrir mão do seu tempo de estudo para outras atividades desnecessárias.

Sua vida não para enquanto você está estudando para um concurso. Se o edital for publicado, segure as pontas durante uns dois meses até a prova, tudo bem. Mas, sem edital à vista, dIe atenção às pessoas que você gosta. Tenha uma noite para sair com o(a) namorado(a) ou ver um filme, separe um dia inteiro da semana para ficar com seus filhos etc.

2. Obtendo ajuda

Desnecessário dizer que, se você vai deixar de exercer uma série de atividades em casa, alguém terá que ocupar seu lugar. Por isso a conversa com parentes é tão importante. Seu companheiro (ou companheira) terá que assumir um monte de outras tarefas, pois você fará muito menos do que antes. Pode ser interessante contratar uma diarista para ir uma vez por semana ou a cada 15 dias, se existir a possibilidade financeira.

Muitas pessoas têm a possibilidade de somente estudar, sem trabalhar. Se esse for o seu caso, provavelmente a grana estará curta. Assim, tente intercalar as horas de estudo com as horas de cuidado com a casa. Encare o período de estudo como seu horário de trabalho e cuide da casa depois, por exemplo.

3. Métodos de estudo

Cada pessoa deve encontrar o melhor método de estudos para si mesma, que provavelmente será uma mistura de diversos métodos já conhecidos. Leia livros voltados à preparação para concursos públicos, como o do Alexandre Meirelles (“Como estudar para concursos”), o já citado do Alex Viegas (“Manual de um concurseiro”) e do William Douglas (“Guia de aprovação em concursos”). Todos eles oferecem métodos bacanas de estudos e podem servir pelo menos como base para você encontrar seu próprio ritmo.

4. Priorizando disciplinas

Como eu comentei no primeiro texto desta série, é importante escolher uma área para focar, pois seus estudos renderão mais. Desta forma, pegue o edital do último concurso que pretende passar e separe as disciplinas em categorias. Veja as que possuem peso maior na prova, as que são comuns a outros concursos da mesma área e as matérias que são mais específicas. O Alexandre Meirelles recomenda que se comece pelas básicas, pois assim você pode ter uma boa base nelas e prestar concursos semelhantes nesse meio-tempo. Quando estiver bem nelas, comece a adicionar outras e assim por diante.

5. Estudo em ciclos

O estudo por ciclos também foi inventado pelo Alex Meirelles (sou fã) e eu já falei um pouquinho sobre ele aqui.

6. Aulas

Algumas matérias difíceis ou que você não tem qualquer base podem demandar uma atenção especial. Se puder fazer cursos sobre elas, todos voltados para concursos, claro, será melhor. As aulas são boas para quem tem tempo, o que é o caso do estudo antes da publicação do edital. Procure no Fórum boas recomendações de professores e vá atrás deles.

7. Revisões constantes

O grande problema do estudo para concursos é que trata-se de uma quantidade massiva de disciplinas que você vai estudar durante muito tempo, provavelmente anos. Como se lembrar de tudo? Impossível se você não fizer revisões. Assim como com os métodos de estudo, cada pessoa encontrará a melhor forma de se fazer isso. O importante é que o conteúdo seja revisado constantemente para que nada se perca. De nada adianta estudar bastante e na semana seguinte não se lembrar de mais nada. A matéria precisa estar sempre fresquinha no cérebro.

8. Exercícios e provas anteriores

Outra dica que todos os aprovados sempre dão é para estudar pelos exercícios e provas anteriores da banca realizadora do concurso. Por quê? Em primeiro lugar, porque você treina seu aprendizado. Em segundo, e principalmente, porque as bancas são repetitivas e podem fazer perguntas semelhantes no concursos que você vai prestar. Pode acontecer de você já saber a resposta da questão antes mesmo de ler as alternativas, pois já fez outra parecida antes. Por isso, fazer provas anteriores da banca é essencial.

9. Registrando seu tempo de estudo

É legal registrar o seu tempo de estudo para saber quanto tempo você demora para resolver exercícios, por exemplo, ou ler um capítulo novo de matéria teórica. Além disso, você controla suas horas líquidas de estudo. É muito fácil dizer que estudou das 21h à meia-noite se você fez uma pausa no meio, tomou banho e jantou, tendo estudado 1h30, na verdade. Então, sente-se para estudar, olhe no relógio, anote a hora que começou e, quando terminar, anote novamente. Isso também dará um controle melhor do quanto você está estudando e permitirá que você preencha lacunas ao longo do seu dia.

Para registrar, você só precisa de um bloquinho ou caderno, onde anotará a disciplina estudada, o início, o fim e o que estudou.

10. Cuide do seu corpo

Pode parecer uma bobagem, mas estudar dá dor nas costas, ficamos mais cansados (física e mentalmente), entre outros efeitos. Encontre uma atividade física que lhe dê prazer (mas que não lhe tome tanto tempo), alimente-se melhor e pesquise sobre melhores maneiras de “alimentar o cérebro”. Cuide bem de si mesma(o) para estar sempre bem e 100% pronta(o) para estudar sem outros problemas te atrapalhando.

Bons estudos. =)

26 Nov 2012

Como estudar para concursos – Parte 1 – Como começar

Eu não gosto de postar no blog dicas sobre situações pelas quais eu não passei, pois gosto de dar legitimidade ao blog. No entanto, existem alguns temas que frequentemente me são solicitados, e tudo o que eu posso fazer é entrevistar algumas pessoas que tenham passado por isso e ler muito material de referência para conseguir montar um post interessante para vocês.

Como muitas pessoas estão solicitando dicas de organização para quem estuda para concurso público, fui atrás das informações para montar uma série de posts que será dividida em quatro partes:

  • Parte 1 – Como começar
  • Parte 2 – Como estudar antes do edital
  • Parte 3 – Como estudar depois da autorização
  • Parte 4 – Como estudar depois do edital

Este primeiro post, então, traz dicas de como começar a estudar para concursos. Talvez você já tenha pensado no assunto e não levou adiante porque não sabia como fazer. Ou talvez você tenha começado, estudou uma apostila para um concurso, não passou e desistiu, mas a ideia de voltar nunca saiu da sua cabeça. Ou talvez você já tenha passado em um concurso e queira voltar a estudar para outro. Seja qual for a sua situação, eu espero que este post possa contribuir de alguma maneira positiva no seu trajeto.

Separei algumas dicas para quem pretende começar e não tem ideia, ou está confuso a respeito. Essas dicas são importantes para “preparar o terreno”, para que você comece a estudar logo em seguida. São elas:

1. Encontrando a sua motivação

Muitas pessoas não conseguem levar adiante o estudo para concursos porque não encontraram sua real motivação. Lembro de um relato do professor Marcondes Fortaleza sobre isso. Ele disse que, desde novo, queria passar na faculdade de Medicina. Estudou, estudou e não passou. Mas ele trabalhava na área de contabilidade e sugeriram a ele que fizesse Ciências Contábeis. Ele pensou: “Ah, em CC eu passo!”. Foi lá, fez a prova confiante e passou. O ponto interessante é que ele fez a quantidade de pontos suficientes para passar em Medicina! Ou seja, a auto-confiança foi fundamental, e talvez ela tenha vindo do inconsciente dele quando encontrou sua verdadeira motivação.

Acho engraçado como as pessoas costumam optar por concursos públicos para ter um bom salário e estabilidade (afinal, ninguém nasce com o sonho de ser escrevente ou fiscal). Não tem nada de errado com isso porque, afinal, a iniciativa privada está cada vez mais competitiva e difícil e vivemos preocupados com demissões, salário, formação etc. Mas é importante conhecer o cargo que você pretende concorrer. De repente, ao encontrar um cargo que você realmente goste, você encontre a sua motivação. Ou, pelo contrário, você pode descobrir que o cargo que você tinha em mente não é muito legal, independente do salário.

Outra forma de encontrar a sua motivação é pensar nas principais dificuldades que você tem na sua vida. Talvez você tenha filhos e um emprego instável, pague aluguel, com um salário não tão bom, dívidas e muitas outras dificuldades. Quem vive dessa maneira não precisa pensar muito para encontrar a sua motivação, porque ela é óbvia. Mas, se não for o seu caso, você deve olhar para dentro de você e encontrar o que realmente te motiva a passar em um concurso para avaliar se é isso mesmo que você deseja para a sua vida. Sem essa motivação, você não conseguirá manter a disciplina para estudar. A jornada é longa e você precisará muito dela nos momentos mais difíceis. Se ela não for forte o suficiente, você não conseguirá prosseguir.

2. Escolhendo a sua área

Em todas as fontes que eu pesquisei sobre preparação de estudos para concursos, a recomendação é a mesma: escolha uma área e atenha-se a ela. Estudar para diversos concursos é furada, pois você não conseguirá estudar suficientemente as matérias necessárias. Você não precisa escolher um concurso específico no momento, mas é importante definir uma área, pois isso delineará seus estudos. As áreas mais comuns de concursos são: tribunais, polícias, fiscais, bancos, escolas.

A importância de escolher uma área é saber que matérias você estudará. Os concursos da mesma área costumam ter muitas matérias em comum. Sendo assim, mesmo que você foque em um concurso específico, você estará apto a prestar concursos semelhantes, pois estudará basicamente a mesma coisa, com poucas matérias específicas para cada um deles.

A escolha da área está diretamente relacionada às suas afinidades. Se você não gosta de exatas, pode não escolher a área fiscal, por exemplo. Acho isso relativo porque muita gente de humanas acaba escolhendo concursos da área fiscal e passando sem problemas – basta estudar, e estudar muito! Mas pode ser que você queira trabalhar escrevendo, por exemplo, e escolha a área de tribunais. Por isso é importante conhecer os cargos. Quando você escolhe alguma área com a qual você já tenha afinidade, pode ser até que você tenha um background de algumas matérias (se você for formado em Direito, pode ter mais facilidade para estudar as matérias relacionadas), e tudo isso facilita a sua preparação.

Enfim, a dica importante é não estudar para ser auditor da Receita Federal enquanto está estudando para ser escrevente do Tribunal de Justiça. Não dá. Você vai ficar maluco e não conseguirá absorver tanta informação ao mesmo tempo. Foque em uma área e torne tudo mais fácil.

3. Convencendo os familiares e amigos

Estudar para concursos vai te transformar em uma pessoa diferente para as outras. Você vai precisar mudar sua rotina e seus familiares e amigos vão estranhar. É muito difícil, especialmente para quem não mora sozinho. Quem é casado e tem filhos, então, enfrenta diversas dificuldades porque os filhos pequenos, por exemplo, não entendem. A rotina da casa muda. Quem vai limpar a sua parte? Preparar o jantar? Lavar a louça? Envolve uma mudança grande no dia a dia do casal e, por isso, é importante ter essa conversa.

Seu marido ou esposa deve ser compreensivo e dar suporte, porque será um período difícil. Se puderem contratar um(a) diarista, façam isso. Tudo o que puder ser feito para facilitar a rotina da casa deve ser implementado. E, para convencer seu(sua) companheiro(a), não é tão difícil: basta explicar qual é a sua motivação, e ela deve ser suficiente. Todo casal conhece as dificuldades pelas quais passa e tomar uma decisão como essa só mostra sua preocupação em melhorar, resolver os problemas. Sendo assim, é natural que a pessoa com quem você vive não só entenda como te dê suporte. Mas é importante “mostrar serviço” – estudar de verdade, e não usar o tempo como desculpa para fazer outras coisas. Nos próximos posts vou falar como conciliar os estudos com o trabalho e a família. Se você estiver realmente compromissado(a), fatalmente seu(sua) companheiro(a) observará isso e te ajudará.

O mais difícil, realmente, é lidar com os filhos que não entendem, tadinhos. Você terá que ser malabarista. Também não pode abandonar a sua vida e o suporte aos seus filhos, que são seus dependentes, de forma total. É importante balancear. Vou falar mais sobre isso no próximo post.

Os amigos também não irão entender – só darão razão depois que você passar. Então não se sinta culpada(o) recusando convites para churrascos e baladas. E sim, desnecessário dizer que você precisará fazer isso. Você está entrando em outro mundo agora!

4. Montando um bom ambiente de estudos

Você precisará de um lugar para estudar que seja eficiente. Se você tiver um cômodo da sua casa que você possa utilizar somente para este fim, ótimo! Se não tiver, será necessário pensar em outras maneiras (colocar a mesa no quarto, estudar em uma biblioteca etc). O ambiente precisa ser calmo, silencioso e com todo o seu material disponível. É necessário ter uma mesa, uma cadeira confortável e todo tipo de recurso que te ajude a obter silêncio, como protetores auriculares utilizados na área de segurança, se sua casa for muito barulhenta.

A mesa pode ser simples, mas sem distrações e com uma altura ideal. O Alex Meirelles deu uma dica que achei muito engraçada no livro dele, sobre a cadeira: ele disse para comprar a cadeira mais confortável que puder, não importa se não combina com a decoração. “Deixe para pensar em decoração depois que passar no concurso”, ele disse, e eu dei risada, porque sei que pensamos nisso. Não pense! Invista em uma boa cadeira pois você passará muitas horas sentado(a) nela estudando. Se a cadeira for ruim, você sentirá muitas dores e terá menos disposição pra estudar.

Outra dica do Alex é a de colocar imagens e frases de motivação no seu ambiente de estudos. Ele colocou a foto de um carro que queria comprar quando passasse, além do holerite de um amigo já concursado e frases como “força, guerreiro!”. Tudo isso serve de incentivo e pode sim ser utilizado.

À medida que você for adquirindo materiais, é importante organizá-los, mas falarei mais sobre isso nos posts seguintes.

5. Entendendo o mundo em que você está se envolvendo

Você está entrando em outro planeta, onde as pessoas normais te olharão estranho e seus amigos não terão muito assunto com você. Um mundo onde o normal é abdicar de tudo o que for supérfluo para conseguir estudar. Onde ir a um churrasco no sábado significa abrir mão de oito horas de estudo facilmente. Onde você gastará 100 reais com um livro porque sabe que seu primeiro salário de concursado pagará esse valor com folga.

Uma boa maneira de entrar no clima é participar de fóruns na Internet, pois você ficará sempre informado(a) e pode fazer amizades, trocar dicas e informações. O fórum mais famoso é o Fórum Concurseiros, mas existem grupos e páginas no Facebook também. A grande verdade é que você não terá muito tempo para acessá-los (sinceramente), mas uma vez por dia pode ser suficiente para se manter informado.

Estudar para concursos, como concurseiros famosos falam, é uma corrida de resistência, não de velocidade. É uma jornada que demanda disciplina e muita dedicação. Passar em concursos difíceis leva meses, até anos. Como o famoso “guru dos concursos” William Douglas fala, “concurso não se faz para passar, mas até passar”. Ter consciência disso é o primeiro passo para domar a ansiedade toda vez que for publicado algum edital interessante.

Espero que essa série de posts ajude quem estiver começando essa jornada. No próximo texto, falarei sobre a organização dos estudos antes da publicação do edital.

02 Nov 2012

Organizando os estudos em ciclos

O assunto surgiu em alguns comentários e a minha resposta estava ficando tão grande que eu resolvi escrever um post para que todos lessem. =) Resumo: algumas pessoas me perguntaram como poderiam organizar seus estudos, como conciliar com o trabalho e como eu fazia para conciliar. Bem, então hoje vou comentar um pouco sobre o que eu já fiz e o que eu faço hoje, que tem funcionado para mim. Espero que ajude.

Eu utilizo um sistema de estudos em ciclos.

Gosto de ler todo e qualquer material relacionado a organização. Se for um livro tipo “como organizar uma farmácia”, já estou interessada. Adoro ler sobre métodos e como as pessoas fazem sua gestão do tempo. Adoro o tema, muito muito, e procuro sempre estar lendo algo relacionado.

Pesquisando sobre métodos de estudo, encontrei as dicas de um professor chamado Alexandre Meirelles, que passou em concursos públicos disputadíssimos e hoje dá palestras sobre o tema. Me apaixonei pelas dicas imediatamente, porque ele é ótimo. Comprei seu livro e li em poucas horas. Como estou sempre estudando, as dicas foram muito úteis. O nome do livro é “Como estudar para concursos”.

Lá, ele ensina a montar uma rotina de estudos baseada em ciclos. E eu percebi que essa rotina pode ser aplicada não só para concursos, mas para qualquer área de estudos na vida. A ideia é que os assuntos sejam cíclicos, de forma que você nunca fique muito tempo sem ver cada um deles. Estou resumindo muito aqui, viu gente? A melhor fonte são os artigos dele e o próprio livro, que recomendo fortemente a quem estiver interessado no assunto específico de estudos para concursos.

 Como fazer

Você deverá listar todos os assuntos que precisa estudar. Se você estiver começando a estudar para um concurso público, a técnica muda um pouco (ele recomenda começar pelas disciplinas básicas e só depois ir acrescentando outras).

Suponhamos que você tenha que estudar, no momento atual da sua vida: inglês, duas matérias da pós-graduação e o TCC. Então você define quanto tempo de estudo por ciclo você pretende estudar cada uma delas. Isso depende da quantidade de tempo que você tem e do quanto precisa se dedicar a determinado assunto. O Alexandre recomenda (e eu também) que fique em torno de 1h30 e nunca ultrapasse 2h30, pois o rendimento começa a cair. Então ficaria assim:

Inglês: 1h
Matéria 1: 1h30
Matéria 2: 1h30
TCC: 2h

O seu ciclo tem 5h. O que você vai fazer é estudar quando puder, sem horários fixos, na ordem do seu ciclo.

Agora são 19h57 e você começa a estudar Inglês. Se você parar para ir ao banheiro (procure não fazer pausa em períodos curtos como 1h), anote a pausa. O importante é que você tenha 1h líquida de estudo, não 1h no relógio. Entenderam?

Se você estiver se sentindo bem disposta(o) e quiser continuar estudando durante mais 1h, passe para a disciplina seguinte, que é a Matéria 1. Estude durante 1h e, quando você for estudar novamente, talvez no dia seguinte, comece por ela e complete a 1h30.

Vá seguindo a ordem até recomeçar o ciclo pela primeira disciplina que você estudou. Você também terá uma noção de quanto tempo leva para “rodar um ciclo” de estudos.

Pegue uma folha em branco e desenhe um círculo. Faça as divisões como se fosse uma pizza, mas somente na quantidade de disciplinas que você estabeleceu (no exemplo acima, foram quatro). Escreva cada disciplina com a carga horária em cada divisão. Procure alternar os assuntos para não deixar disciplinas parecidas na sequência.

Cole esse ciclo na parede ou em seu mural e siga a sequência. Simples, não?

Vantagens

A vantagem do estudo em ciclos é que você não depende de um horário fixo para estudar. Isso é particularmente interessante para quem tem filhos, trabalha fora ou tem uma rotina com horários bagunçados. A outra vantagem é que você rotaciona os assuntos, de modo que todos têm sua devida atenção no tempo certo.

Eu tenho aplicado e gostado bastante. Costumava fazer quadros com horários mas, se algo atrapalhasse o meu dia (algum imprevisto, que sempre pode acontecer), adeus rotina. Com o ciclo, isso não acontece mais. E claro que você precisa ter a disciplina necessária para estudar, mas isso aconteceria com ou sem horários.

É assim que eu tenho feito diariamente, independente de estudar 3h ou 8h.