ou
Felicidade

Li recentemente o livro “O milagre da manhã” (“Miracle morning”, no original) e, depois de postar a foto no Instagram, muitos leitores me pediram para fazer uma resenha. Então aqui estou, com comentários sobre o livro e o conceito.

O livro foi escrito por Hal Elrod e publicado no Brasil pela editora Best Seller.

Trata-se de um livro que traz a seguinte filosofia: quando acordar, torne sua manhã mais significativa. Pois aquilo que você faz quando acorda determina seu astral para o dia inteiro. E então ele traz algumas ideias de como tornar essa primeira hora (ou alguns minutos, se você achar que não tem tempo) para realizar o seu “milagre da manhã”.

Apesar de ter gostado muito do livro e do conceito (já adianto que entrará para o meu hall de livros de impacto na produtividade, junto com “A arte de fazer acontecer” e “Trabalhe 4 horas por semana”), a primeira parte do livro quase me fez desistir. Passa-se tanto tempo explicando como o milagre da manhã é maravilhoso, como as pessoas transformaram suas vidas… só benefício e propaganda, sabem como é? Sem efetivamente entrar logo no conceito e na orientação. Isso me cansou um pouco e, quando for reler no futuro, vou pular essas partes. Se você for ler pela primeira vez, não pule, mas seja paciente. Fica legal depois.

Eu gostaria de testar os 30 dias que ele propõe para escrever uma resenha, mas eu já posso comentar um pouquinho sobre a experiência antes de isso acontecer (terminei de ler o livro na semana passada).

Eu já estava familiarizada com a ideia de que acordar mais cedo é bom. É mais silencioso, adoro ver o sol nascer e me dá uma sensação incrível saber que já fiz tantas coisas antes de a maioria das pessoas começar a trabalhar. Na prática, minha maior complicação é dormir muito cedo (existe toda uma rotina e logística da casa que acontece depois das 20:00 e termina mais tarde – quem tem filhos sabe como é). Mas resolvi vencer esse desafio e tentar dormir mais cedo e acordar apenas um pouco mais cedo que o tradicional. Para acordar às 05:00, eu teria que ir dormir às 21:00, e isso não é compatível com o meu estilo de vida. Estar na cama às 22:30 já funciona melhor, o que me permite levantar entre 06:00 e 06:30. Isso, claro, nos dias que trabalho em casa. Quando trabalho fora, é comum levantar antes, tendo dormido cedo ou não.

O que me ajuda a levantar cedo numa boa é ter um propósito ao acordar, e acredito que essa seja a grande motivação que o milagre da manhã traz. Te dá um caminho, mas você pode criar o seu. A rota básica do autor se baseia em:

  • Silêncio: Realizar atividades silenciosas, como meditar, fazer uma oração, refletir sobre algum assunto etc.
  • Afirmações: Fazer afirmações positivas para você mesma(o), a fim de trabalhar medos, inseguranças, auto-estima baixa e maus hábitos.
  • Visualização: Revisar grandes sonhos, objetivos, a pessoa que você quer ser. Basicamente, os horizontes mais elevados.
  • Exercícios: Atividade física como caminhada, yoga, alongamento ou o que você preferir.
  • Leitura: Ler histórias inspiradoras, algo que te desenvolva pessoalmente ou profissionalmente.
  • Escrita: Escreva suas reflexões, pensamentos, descreva seu estado de espírito, agradeça, faça listas.

A ordem pode ser variada: você pode escolher fazer exercícios primeiro ou por último, por exemplo. A ideia é personalizar.

Ele traz algumas dicas para fazer funcionar, como colocar o despertador longe da cama, escovar os dentes quando acordar e já vestir sua roupa para fazer exercícios. Mas o principal mesmo é lidar com a famosa crença limitante de que “eu não sou uma pessoa matinal”. Sério, pare agora de repetir isso. Pense no quanto essa afirmação já te prejudicou. Além do que, não se trata de ser uma pessoa matinal, mas de fazer do momento que você acorda (que pode ser às 4 da tarde) um momento significativo que vai impactar todo o seu dia.

Tenho acordado mais cedo desde então, mesmo aos finais de semana. Já escrevi aqui no blog como me ajuda manter esse ritmo metabólico. Tenho aproveitado muito mais os meus dias quando acordo cedo, o que já faço antes de ler o livro. Porém, o livro foi um excelente reforço. Gostei muito das ideias e da proposta da sequência de como tornar a manhã mais significativa. Fazer afirmações, revisar objetivos e ler algo inspirador tem feito grande diferença na minha vida realmente.

Você já leu esse livro? Vem implementando? Por favor, deixe seu depoimento nos comentários.

Thais Godinho
07/06/2017
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O milagre da manhã
Esteja presente onde quer que esteja
Pergunta do dia: qual a sua paixão?

O documentário “Minimalism: a documentary about important things” (“Minimalismo: um documentário sobre as coisas importantes”) entrou no ar em abril (no mundo todo) no Netflix. Caso você não tenha Netflix, pode assistir no Vimeo. Já assisti duas vezes e gostaria de comentar um pouco aqui no blog quais foram as minhas percepções.

Vale citar que o documentário foi inspirado na história de Joshua e Ryan, autores do blog Minimalists e de e-books como Minimalism, Everything that remains e Essential (todos disponíveis aqui).

Gosto muito da definição que eles mesmo usam para definir minimalismo: um resgate àquilo que realmente importa. Não se trata de ter menos coisas, de levar uma vida nômade, viajando pelo mundo, ou de ser egoísta e deixar pessoas e coisas importantes para trás. Não. Trata-se de saber identificar o que realmente importa e tentar manter sua vida (um eterno movimento) em torno delas. Podem ser coisas, sentimentos, relações.

Antes de você assistir o documentário, vale a pena entender o contexto em que esses rapazes surgiram. Ambos são norte-americanos, e os Estados Unidos são o templo do consumo. O minimalismo lá surge então como um grito de socorro e de protesto: parem de comprar, olhem o que estão fazendo, voltem ao que realmente importa. Não é à toa que esse movimento contracultural deles tenha gerado outros fenômenos como o sucesso arrebatador da filosofia da Marie Kondo (leia mais sobre ela aqui) e ideias como a criação de um armário-cápsula, além da popularização de programas de tv que lidam com acumuladores compulsivos.

Para nós, que vivemos em um país de terceiro mundo, em que vemos pessoas sofrerem com a falta, e não com o excesso, o conceito de minimalismo pode muitas vezes virar até motivo de deboche. Muitas vezes li, pela Internet, ou ouvi pessoas falando sobre “já sou minimalista kkk minha casa não tem nada” ou “meu armário já é cápsula, pois tenho menos de 30 peças de roupa”. Então existe uma visão (me atrevo dizer) distorcida do que realmente seja minimalismo, que é diferente de frugalidade ou até mesmo pobreza material. O minimalismo não se trata do pouco, mas do essencial. E infelizmente, a maioria das pessoas em nosso país realmente não tem o essencial. Por isso, para entender o contexto dos produtores do filme, é importante entender onde e em que meio eles vivem, e então tentar fazer paralelos com a nossa vida e realidade aqui.

Entendendo o contexto, dá para a gente aplicar à nossa vida sim, lembrando que o Brasil, por si só, tem múltiplas facetas. O recorte será diferente. Existem pessoas vivendo em um nível de pobreza material em que faltam recursos básicos de alimentação, higiene, moradia. O essencial para elas seria um luxo, de acordo com o que vivem. Isso pode nos fazer questionar (e é importante que nunca deixemos esse questionamento) por que elas não têm esse essencial.

Por outro lado, temos também pessoas que consomem além do básico. Não é à toa que temos cada vez mais movimentos de conscientização em consumo para comida, roupas e objetos de maneira geral. O lado bom da crise em nosso país foi nos mostrar que não dá para sair comprando o tempo todo. Porém, quando formos comprar, podemos pagar mais por algo de melhor qualidade, pois assim pode durar mais, ou a comprar menos, pensar no que vai comprar, no que realmente precisa. Estamos mais conscientes, ou pelo menos nesse caminho.

Além de objetos, existe a frustração material. Cada vez mais pessoas (e aqui nos tornamos iguais globalmente) vêm percebendo que apenas trabalhar, viver ocupadas, não basta. Falta algo. E esse algo não pode ser substituído por consumo e coisas caras. Mais valem as experiências que um produto comprado. Não é à toa que temos visto as pessoas viajando mais e comprando menos. Não dá para ignorar isso que está acontecendo com a gente e no mundo todo.

O documentário em si traz a própria história dos criadores do site, além de depoimentos de pessoas famosas no “meio do minimalismo”, como Sam Harris e Leo Babauta. Mostra exemplos de pessoas em situações variadas, como o casal que foi morar em uma “tiny house” (“casa minúscula” – clique aqui para ver mais) e famílias com crianças. Dá uma pincelada em pontos importantes, como o próprio armário-cápsula, como falei, além da personalização dos ambientes feita por um arquiteto.

Toda e qualquer escolha que podemos fazer vem de um privilégio que temos, mesmo sem que tenhamos consciência dele. Então, se você pode optar pelo modo de vida minimalista, é porque você é um privilegiado. Desse modo, caso você opte por ter menos coisas, pode fazer o bem ao próximo doando aquilo que você acredita não ser essencial a você. Nada impede que você venda alguns itens de consumo mais elevado, como gadgets e móveis, por exemplo, mas itens pessoais podem ser doados. Um único desodorante faz muita diferença para um morador de rua, por exemplo, assim como um jogo de canetas coloridas vai fazer o dia de uma criança em idade escolar que quase não tem material.

O minimalismo cai muito no assunto do consumo porque, como falei, o berço dele são os Estados Unidos. Mas, no geral, estamos falando de um planeta que não aguenta mais tanto lixo sendo gerado. Essa frase, falada pelo Joshua no documentário, resume o conceito, para mim: “Tudo o que eu tenho, eu tenho que justificar apenas para mim. Eu preciso disso? Tem algum propósito? Ou me traz alegria?” Trata-se de ter coisas com propósito.

Existem alguns equívocos comuns sobre minimalismo, e acredito que o documentário aborde muito bem cada um deles.

O primeiro é sobre você “ter que se desfazer de tudo”. Não é isso. O Ryan inclusive dá o exemplo mais comum, que são os livros. “Cara, mantenha seus livros. É uma coleção”. Ou seja, são objetos significativos para você. Então mantenha – isso é o minimalismo. Não se trata de quantidade, mas de qualidade, de significado, do que é essencial. Assim como vão existir pessoas que não se importam com o livro em formato físico e se dão bem com um único Kindle, e doam todos os livros que têm em papel.

O segundo é sobre a obrigatoriedade de adotar um estilo de vida nômade. O que acontece é que, muitas pessoas, quando abraçam o minimalismo, o fazem porque se sentiam presas a um lugar ou a uma situação. E, por isso, ao terem menos coisas, sentem-se mais livres para viajar sem tantas preocupações ou pertences. Isso também não é regra – é só uma possibilidade.

O terceiro é sobre ser um estilo de vida radical. Ou seja, se você optar por um estilo minimalista, precisa “fazer a rapa” em tudo, não pode mais “comprar um iPhone” e coisas do tipo. Não necessariamente. Trata-se de qualidade em vez de quantidade – simples assim. É você abrir o seu guarda-roupa e saber que todas as suas peças de roupa são as suas preferidas. É não ter tralha em casa. Mas isso não é um estilo de vida que você constrói da noite para o dia (como nenhum estilo de vida é) e nem existe um ponto final ou um estado ideal de existência. É só um modo de ver e viver a vida que você pode aplicar o quanto quiser, aos poucos ou de uma só vez (apesar de eu ter alguns comentários pertinentes sobre essa radicalização).

Uma das coisas que mais gosto (e também é um privilégio) é a escolha de poder questionar a forma de viver a vida. “Ou você faz faculdade e trabalha em uma empresa, ou empreende ou passa em um concurso público”. Você já ouviu isso? “Ou você casa ou vai ser solteirona para o resto da vida, sozinha”. E essa? Já ouviu? Por que nossa mente nos aprisiona em padrões assim? Outra frase que ouvi no documentário e anotei porque gostei muito foi: “Existe um template, mas é apenas um template, e não o template”. Ou seja, existem maneiras de viver a vida, e não uma única maneira. Não que o minimalismo seja a salvação de todos os problemas, mas é um desses caminhos. É contracultura, se pensarmos na sociedade do consumo. E nos impulsiona a questionar, repensar nosso modo de viver.

“É sobre buscar uma vida que seja boa para nós mesmos e para as pessoas ao nosso redor.” Eu gosto desse conceito como um todo. Você não?

Thais Godinho
06/06/2017
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Minimalismo
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Seus objetivos conversam entre si?
O milagre da manhã
Em que fuso horário você está?

Uma das coisas que mais me marcaram quando eu não usava o método GTD era o fato de eu nunca estar realmente presente onde quer que eu estivesse. Se eu entrasse em uma reunião, já ficava ansiosa pensando na hora que deveria sair da sala, pois tinha coisas mais importantes para fazer. Isso me fazia ficar pensando em outros assuntos, rascunhando outras ideias. Hoje vejo como uma oportunidade perdida. Eu poderia ter usado aquela reunião, por exemplo, para aproveitar a presença das pessoas, tirar dúvidas, discutir pontos importantes. Outro exemplo clássico é o de usar o celular enquanto está com outra pessoa (esse fenômeno já é mais recente). Por exemplo, se você sai com uma amiga para jantar, é porque quer ficar com ela e aproveitar esse momento. Então para que ficar no celular?

Estar presente é uma das maiores maneiras de exercitarmos a nossa mente plena e tranquila. “Ah, mas eu tenho coisas para resolver no trabalho, preciso ver meu e-mail”. Então talvez você devesse ter marcado com a sua amiga em um outro dia. Se quiser estar ali com ela, esteja ali com ela. Uma dica que dou, nesses casos, é verificar o celular quando a pessoa for ao banheiro, por exemplo, ou então combinar uma pausa recíproca entre as duas para que possam ver se receberam mensagens. Mas mexer no celular enquanto a outra pessoa quer estar com você… puxa, isso é ruim. E já vi pais e mães fazerem isso com filhos no restaurante, no parque, em vários lugares. Reclamamos tanto do tempo, mas não nos atentamos para atitudes puramente básicas como essa.

Meu objetivo com este post não é ditar regras, mas propôr um exercício: quando estiver com alguém, e estar com esse alguém for realmente a coisa mais importante naquele momento, guarde o celular (ou o que quer que seja usado como distração – um livro, um bloco de notas, o que for – o vilão não é o celular, mas sua falta de atenção!). Antes de se encontrar com alguém, pergunte-se: o que preciso fazer para estar completamente presente no momento? Muitas vezes, coisas simples. Fazer uma lista de coisas a fazer que esteja te preocupando, no papel mesmo, ajuda a esvaziar a mente. Enviar uma última mensagem para alguém dizendo que vai entrar em um compromisso e não poderá responder tão breve. Você decide.

É apenas um exercício. Tente! Ah, é claro: agradeça sempre pela presença da pessoa. Afinal, quem dedica um tempo para você, nesse mundo em que ninguém nunca tem tempo, merece sim ser valorizado. Não é?

Isso também vale para aquele momento em que você quer meditar, ler um livro ou fazer qualquer outra coisa curtindo sua própria solidão voluntária.

Thais Godinho
02/06/2017
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Seus objetivos conversam entre si?
Pergunta do dia: qual a sua paixão?
O milagre da manhã

Ontem eu postei uma foto no Instagram com uma legenda que levantava uma questão que acho fundamental: o ritmo de cada um. Como na foto as pessoas pensaram que eu estava me referindo a horários de trabalho (o que também pode ser, mas não é o ponto), resolvi explorar mais a ideia aqui.

Quero dizer que cada pessoa tem um ritmo. Vou falar um pouco sobre o meu.

Eu sou uma pessoa que gosta de fazer as coisas com significado. Mente plena. Atenção apropriada. Não gosto de coisas de última hora, mal feitas, desorganizadas, urgentes, porque sei que elas tiram a minha atenção apropriada e não é necessário que sejam feitas assim. Poderiam ter sido melhor planejadas em 99% das vezes. Portanto, acredito que todos possam se beneficiar da organização. É um ato de respeito com você, sua família, seus colegas de trabalho, cientes e todos que são impactados pelos seus atos.

Nem todo mundo trabalha o dia inteiro com a caixa de entrada dos e-mails aberta, respondendo cada mensagem que chega como se fosse um rebate do jogo de tênis. Nem todo mundo gosta de ficar o tempo inteiro batucando teclado. Nem todo mundo verifica o What’s App a cada três minutos. Nem todo mundo acompanha todas as atualizações e mensagens do Facebook diariamente.

Meu trabalho não se resume a isso. Eu sou escritora, e preciso de tempos de concentração, distração e descanso. Prefiro tornar todos os meus dias calmos, porém com atividades coerentes com a minha vida, que trabalhar de maneira insana de segunda a sexta e desmaiar no sofá durante o final de semana inteiro. Não é um “modo certo” de viver – é como eu vivo. Se existe um modo certo de viver, do meu ponto de vista, é aquele que você construiu para si.

Para mim, é importante ficar longe do computador muitas vezes, por exemplo. Minha criatividade (que é fundamental para o meu trabalho) depende disso. É muito comum eu escolher dedicar um ou dois dias, ou mais, para me concentrar em outra coisa. Meu trabalho (minha saúde, minha sanidade mental) depende de momentos como um passeio aleatório pela livraria ou regar as plantas no meio da tarde. Aí coloco uma resposta automática no meu e-mail, se ficar muito tempo fora, porque as pessoas precisam de um retorno. Eu respeito quem faz esse contato.

Também é muito comum eu não responder um e-mail no minuto em que ele entra na minha caixa de entrada, porque eu o acesso com uma determinada frequência. Eu tenho muitas atividades na vida que gosto muito de fazer, mas elas me tomam bastante tempo. Se eu não for rígida com o que for prioridade para mim, minha vida vai ficar extremamente tumultuada. E eu já fui assim. Não quero mais.

É extremamente comum eu ser convidada a participar de muitas, muitas atividades. Eventos, parcerias, cursos, reuniões, viagens. E isso tudo é muito maravilhoso e importante, mas eu tenho outras coisas importantes na minha vida também – meu filho, minha saúde, minha escrita. Coisas que são prioridades. E definir prioridades é ter que dizer muito “não”. Quando alguém não aceita um “não” meu, ficando desapontado(a) ou irritado(a), eu fico me perguntando que mundo é esse que as pessoas simplesmente não aceitam que existem ritmos diferentes de se levar a vida.

Para mim, é muito gratificante poder, em uma segunda-feira de manhã, acordar mais tarde, porque fiquei escrevendo no domingo de noite. Ou adiantar alguns e-mails no domingo, se isso me fizer ganhar horas na segunda-feira. Ou ir ao cinema na quarta-feira à tarde. “Mas Thais, a grande maioria das pessoas não pode”. Isso significa que eu não posso? Eu também não podia até alguns anos atrás, e fui construindo (ainda estou) um estilo de vida que me permitisse viver assim. E nem estou dizendo que é o certo. É o certo para mim, hoje. Posso mudar.

Quando eu falo que cada pessoa vive em um fuso horário diferente, estou me referindo ao tempo, ao ritmo de cada um. Eu gosto de sentar no Starbucks da Av. Paulista e ficar vendo as pessoas passarem, enquanto ouço música no celular. Eu não gosto de correria. Mas eu também sei aproveitar o meu tempo de trabalho – e sei que, muitas vezes, o que fazemos em 8 horas pode ser feito em 3 ou 4. Por eu saber aproveitar o meu tempo, consigo criar espaço na minha vida para tudo aquilo que considero importante.

Foi o que me permitiu, ontem à tarde, terminar uma sessão de coaching e ir passear com a minha cachorrinha. Voltei e continuei trabalhando. É o que me deixa super ok para estudar uma apostila de curso de noite, se meu marido estiver assistindo um jogo de futebol. Ou que me atenta ir dormir mais cedo ou mais tarde em alguns dias, porque depende do que quero fazer mais (dormir ou fazer algo). Eu só aproveito o meu tempo.

Aprendi, com os anos, e cada vez mais venho exercitando, a importância de alternar períodos de relaxamento com períodos de esforço. Já falei sobre isso aqui no blog (leia o post – é importante). É acordar 15 minutos mais cedo só para poder tomar o café-da-manhã devagar. Beber um chá.

Por favor, pare de correr em direção a uma estafa mental. Aproveite o dia. Sei que nem todo mundo vai mudar isso do dia para a noite, mas inicie nessa direção. Se todos iniciarmos, mudaremos o mundo que nossos filhos irão viver. Tudo a seu tempo, e cada um ao seu.

Thais Godinho
14/03/2017
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Esteja presente onde quer que esteja
Documentário “Minimalism”
Seus objetivos conversam entre si?

Nessa transição de um ano para o outro, é comum pensarmos mais nos nossos objetivos. O que é tudo bem mas, será que eles estão coerentes entre si? Ou seja, o que você quer a curto prazo tem a ver com o que você quer a longo prazo? Seus projetos atuais refletem tais objetivos? Neste post, você vai aprender a identificar e refletir sobre o que quer alcançar em curto, médio e longo prazo na sua vida, sem pressão. A ideia é entender se o seu tempo está sendo aproveitado de uma maneira que te deixa feliz.

A vida é uma aventura. Definir objetivos significa ter um mapa em mãos quando se coloca o pé na estrada. Você pode até mudar um pouco um percurso mas, se se perder, você sabe que o seu mapa está ali para te ajudar. A ideia de ter objetivos listados é a mesma. Eles não são engessados, cravados em pedra. Você pode mudá-los, se sua vida caminhar para isso. Mas, uma vez que você os tenha definido, isso te ajuda a não perder coisas que não tenham a ver com você e com a vida que você quer viver.

Às vezes é mais fácil pensar em objetivos de longo prazo, pois eles denunciam valores importantes. Por isso, podem ser um ponto de partida. No entanto, não existe jeito certo de definir objetivos. Você pode simplesmente identificá-los.

Vamos às definições:

  • Um objetivo de curto prazo é um objetivo que você pode querer alcançar em até dois anos. Essa definição tem muito a ver com o GTD (método de produtividade). O que você quer que seja verdade até o fim do ano que vem? Essa abordagem é interessante porque permite que a gente reflita sobre estados que não temos hoje em nossa vida. Analisando todas as áreas da minha vida, o que eu quero que seja verdade em cada uma delas? Em Finanças, por exemplo, pode ser algo como “Guardar X reais para dar entrada em um apartamento”. Em Saúde, pode ser “Emagrecer 10kg”. Em Carreira, pode ser “Mudar de emprego”. Perceba que todos esses objetivos podem levar menos tempo que até dois anos, por isso que falamos em “até”, e não “em”. Os objetivos de curto prazo expressam vontades.
  • Um objetivo de longo prazo é aquele objetivo de vida, que você vê lá na frente, como algo que você quer conquistar na sua vida. Pode ser “Comprar um apartamento no bairro desejado” ou “Ter uma família grande e unida”. Os objetivos de longo prazo expressam valores.
  • Já o objetivo de médio prazo é aquele no meio termo, que engloba a maior parte da sua vida. De 3 a 10, 20 anos adiante, você pode ter objetivos de médio prazo. Os objetivos de médio prazo expressam seu estilo de vida. Como eu quero estar vivendo daqui a 10, 15 anos? Como eu quero que seja o meu trabalho daqui a 20 anos? E, uma vez identificados, você consegue trazer metas intermediárias para mais perto, que talvez vão gerar projetos.

O exercício aqui só pode ficar mais personalizado se nós trabalharmos juntos no processo de coaching. <3 Porque a ideia é você exercitar esse raciocínio em cada uma dessas esferas e aí comparar um com o outro. Por exemplo: se eu quero ter uma família grande e unida, o que precisa acontecer antes? Casar, ter um, dois filhos, ou adotar. E para isso acontecer, o que tenho que fazer? Como isso impacta no meu hoje? Exemplo prático:

Objetivo de longo prazo: Comprar um apartamento no bairro desejado
Objetivo de médio prazo: Comprar um apartamento
Objetivo de curto prazo: Guardar X reais para dar entrada em um apartamento
Projetos que podem ter a ver: Buscar investimentos com lucratividade X por mês, Buscar uma segunda atividade remunerada, Definir o tipo de apartamento que consigo comprar e por aí vai.

Dá pra tirar uma tarde para pensar nisso, não? 😉

Thais Godinho
16/01/2017
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Em que fuso horário você está?
O milagre da manhã
Faça as pazes com sua vida pessoal e profissional

“Quantas horas você trabalha por semana?”. Costumo ouvir essa pergunta sempre que comento que esvaziei minha caixa de entrada em um domingo de manhã ou quando faço um webinar durante a semana, à noite. E eu sempre respondo com outra pergunta: “Quantas horas por semana você é mãe ou pai?” ou “Quantas horas por semana você cuida da sua saúde?”.

Outra pergunta que também ouço sempre é: “Devo organizar minhas listas de projetos para fazer no trabalho e ter outra para a minha vida pessoal?”. E eu também replico com perguntas como: “Se você vai fazer uma viagem a trabalho e isso impacta na sua rotina em casa, esse é um projeto pessoal ou profissional?”. O que gera um certo bug mental sempre que faço essa e as perguntas acima.

Agora, por quê? Porque somos uma só pessoa, com diversas áreas na nossa vida. Não se trata de “pessoal X profissional” mais. Você se preocupa e trata de problemas “pessoais” enquanto está no trabalho, assim como tem ideias sensacionais para projetos “de trabalho” quando está de férias ou em casa, descansando.

Este post é uma proposta para você. Afinal, estamos em clima de ano novo, e pode ser propício. Faça as pazes com a sua vida pessoal e profissional. Você tem UMA vida, e essa vida tem múltiplas facetas, múltiplos interesses, múltiplas áreas que devem ser equilibrados da melhor maneira para você. 

Atenção: isso não é uma permissão para se desfazer de limites. Não significa que é ok trabalhar 20 horas por dia e deixar de lado outras coisas. Muito pelo contrário. Significa que é ok você querer planejar um projeto “de trabalho” em um final de semana, se você estiver a fim de fazer isso. Sem neuras. Assim como é ok você fazer a lista de supermercado enquanto estiver no horário de trabalho.

Se a gente parar para analisar, a separação entre pessoal e profissional é recente na história da humanidade. Essa coisa de “deixar o trabalho no trabalho” ou “bato o cartão às 17:00 – depois disso esqueço do trabalho” é algo que a revolução industrial trouxe para a vida das pessoas. Pergunte a um fazendeiro se ele separa a vida pessoal da vida profissional. Não existe – é uma vida. Tudo se relaciona e se equilibra.

Antigamente os pais chegavam em casa do trabalho e a família nem sabia o que ele fazia no trabalho. Isso não existe mais hoje, porque as pessoas estão buscando engajamento com propósito. O que é ótimo. Estamos vivendo uma época que tudo está se misturando novamente. A partir do momento que você vai conquistando propósito na sua vida, é natural curtir as coisas do seu trabalho mesmo fora dele.

Mas atenção novamente: não estou dizendo que todo mundo tem que ser workaholic. Muito pelo contrário! Estou dizendo que cada vez mais as pessoas estão buscando trabalhos que permitam que, em uma terça-feira à tarde, elas possam parar para ler um livro. Ou pintar um quadro. As regras não estão mudando – elas estão voltando a um estado natural da humanidade. Então a gente precisa entender isso, se cobrar menos e equilibrar todas as áreas da nossa vida de acordo com o que faz sentido.

Uma vez que você tenha controle de todas as coisas que você precisa fazer, não importa se elas são pessoais ou profissionais – você vai realizá-las no contexto mais adequado. Mas vai economizar horas. O modelo de oito horas diárias de trabalho pode ser reduzido a três, quatro. Porque você aproveita melhor o seu tempo.

E, uma vez que você tenha algo a fazer, sua mente só consegue focar naquela coisa. Se você não tiver controle sobre tudo aquilo que não está fazendo, aquilo vai ficar te interrompendo mentalmente, seja pessoal ou profissional. E isso independe do lugar onde você esteja – em casa ou no escritório.

ANOTE tudo o que precisa fazer!

Fazer as pazes com a sua vida pessoal e profissional começa entendendo que não existem duas vidas diferentes, mas uma única vida com diversas áreas de foco que você vai aprendendo a equilibrar. Afinal, seu trabalho no escritório é tão importante quanto a sua saúde, seus cuidados com a casa, com a família, suas horas de lazer, de sono, tudo. Então nada deve ser negligenciado em detrimento de outra coisa.

Fala-se tanto hoje em “home-office como tendência” ou “usar ferramentas que tornem a nossa vida mais produtiva”, mas o núcleo da questão é outro: estamos vivendo em um mundo 24/7 que não pediu permissão para chegar e cada um tem as suas próprias regras sobre o que deve ser feito. Enquanto para uma pessoa é normal enviar uma mensagem no What’s App sobre um projeto no trabalho às onze da noite, para outra isso é o cúmulo, inadmissível. Enquanto o mundo se adapta a essa nova realidade, precisamos estabelecer limites próprios, e esses limites nascem apenas de uma busca por uma vida mais equilibrada, em todos os setores. Afinal, qual a diferença entre um What’s App de trabalho às 23h e um What’s App de um amigo? São interferências do mesmo jeito.

Se você costuma dividir a sua vida entre pessoal e profissional porque não quer ser interrompido quando está fazendo uma coisa ou outra, aqui vai uma notícia para você: você vai ficar chateado(a) se brigou com a sua mãe mesmo tentando se concentrar na reunião com o cliente. Você vai continuar tendo ideias para os seus projetos enquanto estiver tomando banho ou de férias. Não se cobre por isso. Faça as pazes com a sua mente e aprenda a capturar essas ideias e organizá-las adequadamente, de modo que, depois, você possa lidar com elas no momento que considerar mais apropriado. O ideal, na realidade, é que você possa fazer uma coisa de cada vez, sem ser interrompido especialmente pelos seus pensamentos. E é aqui que a organização te ajuda, porque te permite ter o controle de tudo o que você não está fazendo naquele momento, o que te dá tranquilidade.

Mas, sinceramente, sua vida é o seu trabalho. Viver é um trabalho. A qualquer momento, estando em casa, no escritório, na academia, na faculdade, você deve ser capaz de deixar todo o resto, seja o que for, de lado, e se concentrar no que precisa ser feito. E isso não tem nada a ver com uma separação simplista como “pessoal X profissional”. A pergunta a se fazer é: quais são as áreas da sua vida que demandam atenção e como você tem lidado com as demandas de cada uma delas? Isso é equilíbrio.

Responder e-mails em um domingo de manhã é super ok se foi uma escolha sua – e não algo que você está fazendo porque não deu conta durante a semana, te obrigando a deixar coisas mais importantes – como descansar ou ficar com a família – de lado.  Optar pela melhor escolha naquele momento, para você, é a chave.

Thais Godinho
07/01/2017
35
Esteja presente onde quer que esteja
Seus objetivos conversam entre si?
Pergunta do dia: qual a sua paixão?