Moda

05 Aug 2014

Montando um guarda-roupa básico para o trabalho (sem gastar muito dinheiro)

Um dos grandes desafios na vida das mulheres é ter um guarda-roupa bom e funcional para trabalhar porque acontecem diversas mudanças: de peso, de gosto, de cargo, além dos tecidos que vão ficando gastos, peças que precisam de reparos e por aí vai. Como o meu estilo é mais clássico, o post vai acabar refletindo um pouco isso. Meu trabalho atual tem a seguinte configuração: trabalho em casa, com roupa casual, mas frequentemente preciso ministrar palestras e treinamentos, com roupa social, participar de eventos e reuniões. Por isso, meu guarda-roupa de trabalho tende ao social mais formal, que pode servir para quem trabalha em ambiente corporativo também.

Seguem as minhas dicas:

Tenha boas bases

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Eu chamo de bases as roupas da parte de baixo do corpo, que seriam calças e saias. No dia a dia, prefiro a praticidade da calça, apesar de gostar de usar saias de vez em quando. Porém, eu prefiro montar o guarda-roupa primeiro com boas calças, pois são mais versáteis, e só depois investir em saias.

Gosto de comprar calças cigarretes, pois não preciso fazer a barra. Acho mais prático.

As cores que recomendo são: preta, bege, cinza e azul marinho. Com essas cores, consigo variar muito as combinações.

Também acho interessante ter mais de um par de cada cor. Já tive somente um e a peça se desgasta rápido, além de te deixar sem opção, caso esteja lavando.

Se seu trabalho permitir, ter pares de calças jeans escuro pode ser outra boa opção para suas combinações.

Invista em camisas

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Camisas nunca sairão de moda no ambiente corporativo, o que é ótimo, pois o acabamento formal é instantâneo.

Prefiro camisas de tecidos fluídos, que vestem melhor e não demandam tanto esforço de lavanderia. Camisas de algodão são chatas de passar e eu nunca mando engomar, pois não é prático. Ou seja, requerem cuidados que eu não tenho como assumir no meu dia a dia. Portanto, se você quiser usá-las, tenha isso em mente.

Em termos de quantidade, acho bom ter várias camisas brancas, off-white ou bege bem claro, pois são curingas. No geral, as camisas em tons pastel são mais fáceis de combinar e acho uma boa tê-las no armário, mas camisas estampadas e em cores mais fortes também têm seu charme. Fica a gosto da freguesa.

A terceira peça faz diferença

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Um recurso que sempre dá uma caprichada no look é inserir uma terceira peça: um blazer, um suéter, um cardigã, um trench-coat, uma jaqueta e por aí vai.

Não há regras aqui. Eu gosto de investir nas peças mais caras em cores básicas, pois sei que vou poder usar sempre. No entanto, se já tenho um sobretudo preto, me sinto à vontade para investir em um de outra cor, por exemplo, pois já tenho aquele básico, mas não compro um diferente se não tiver o básico em casa.

Minhas recomendações são as seguintes:

Blazer: preto, marinho, branco e vermelho (ou outra cor forte).

Suéter: preto, marinho, bege claro, bege escuro, marrom, cinza, vermelho. Para o cardigã, mesmas cores.

Trench-coat: preto, marinho, cinza, off-white e vermelho.

Saias e vestidos

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Acho interessante ter alguns vestidos bons no armário, pois eles são versáteis e fáceis de vestir (basta uma única peça e estamos prontas). Porém, para trabalhar, vale a pena investir em tecidos mais encorpados.

Para saias, acredito que a saia lápis seja a campeã das peças clássicas. Cores que recomendo: preta, marinho e uma estampada.

Aprenda a gastar

Tudo bem pagar barato em camisetinhas que usamos por baixo de camisas ou suéteres, pois a qualidade não ficará evidente, mas algumas peças, que demandam bom caimento, devem ter qualidade melhor, e às vezes isso demanda um preço maior. Por sorte, muitas vezes encontramos peças boas e de bom caimento com preços acessíveis, e aí não devemos pensar duas vezes. Mas a ideia aqui é comprar menos e escolher mais, priorizando a qualidade. Eu, pelo menos, estou em uma fase da vida em que não posso usar qualquer roupa para trabalhar, com qualidade e caimento duvidosos. Portanto, o investimento na roupa é essencial, pois é a minha imagem.

Tenha bons acessórios

Vale a pena ter bons brincos, bons colares, boas pulseiras, bons lenços, boas bolsas e bons calçados para trabalhar, pois eles mudam completamente a cara da roupa. Mesmo uma roupa mais ou menos fica boa se você estiver com um bom par de sapatos. Minhas recomendações:

Brincos: um par de pérolas, um par de pérolas douradas, outro par de prateadas, um par com pontos brilhantes e um par com pingente.

Colares: dois ou três maxi-colares, um colar de pérolas e correntinhas douradas/prateadas.

Pulseiras, tenho variadas. Compro quando gosto de alguma e acho de boa qualidade. O mesmo vale para lenços.

Para bolsas, eu prefiro ter uma boa bolsa a usar várias ao mesmo tempo. Costumo ter uma grande, para o dia a dia, uma menor, para saídas curtas, e clutches diversas, para eventos.

Com sapatos, acho mais difícil restringir a quantidade, pois existem diferentes modelos e todos eles são importantes no guarda-roupa (para mim). No geral, para trabalho, tenho os seguintes:

- um scarpin mais chique, preto, com salto trabalhado, que uso para eventos e ocasiões mais formais;
- um scarpin baixo, preto, mais básico;
- um scarpin nude, mais básico também;
- sapatilhas e loafers de boas qualidade, que prezem o conforto;
- um par de botas pretas e um par de marrons;
- uma única sandália bege de salto, para diversas ocasiões (não gosto muito de sandália).

Com esses pares, eu consigo me virar bem. Gosto sempre de ter algum par com estampa de animal (píton, oncinha, zebra) para variar nos looks básicos.

Cinto, recomendo:

- um preto, de couro liso;
- um preto, de couro croc;
- um marrom, de couro liso;
- um marrom, de tressê;
- um colorido, como vermelho;
- um estampado, como de oncinha.

Aprenda a se maquiar

Para mim, o momento da virada foi quando aprendi a me maquiar, fazendo uma maquiagem leve e que corrigisse as minhas imperfeições no rosto (olheiras, marcas etc). Além de aprender a se maquiar, recomendo que invista em bons produtos de maquiagem também. Em vez de ter vários, tenha poucos e bons. Aqui vai a minha lista:

- primer;
- paleta de corretivo;
- base em pó;
- paleta de sombras em tons de marrom;
- blush rosado;
- blush pêssego;
- máscara;
- lápis marrom;
- lápis preto;
- batom cor de boca;
- batom vermelho.

Esses são os itens de maquiagem que uso no dia a dia, para variar.

As dicas acima foram dadas a partir da minha experiência montando um guarda-roupa para o trabalho. Caso queiram algo vindo de uma profissional, recomendo o workshop da consultora de estilo Ana Soares, que vai acontecer no próximo sábado, em São Paulo, justamente com esse tema:

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Este post não é um publieditorial.

07 Aug 2013

3 livros de moda que eu li em julho

Eu gosto muito de moda. Nos anos 1990, quando eu estava em idade escolar, achava que faria faculdade de moda para ser estilista ou mesmo consultora de estilo, para trabalhar em revistas. Fazia clippings de reportagens legais, desenhava um monte de looks e realmente achava que aquele seria o meu futuro até, quando chegou realmente a época de prestar vestibular, eu ter mudado de ideia (prestei jornalismo). No entanto, nunca me separei exatamente desse assunto e confesso que chego a ser um pouquinho frustrada por nunca ter feito nada profissionalmente relacionado. Gosto muita da cultura de moda em si e, hoje, vejo que poderia ter trabalhado na área sem problema algum.

Enfim, essa pequena introdução foi para dizer que sempre leio muito sobre o assunto, acompanho blogs e tendências, e em julho comprei (e li) três livros lindos e bacanas, cada um no seu estilo, e gostaria de compartilhar com vocês porque eles têm um que de organização sim. Vou contar.

São eles: Moda Intuitiva, da Cris Guerra (Ed. Lafonte), A estratégia de estilo, da Nina Garcia (Ed. Best Seller) e Vista quem você é, das lindas Cris Zanetti e Fê Resende (Ed. Casa da Palavra).

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Os lindinhos <3

Uma das coisas que eu mais gosto dos livros de moda é a diagramação diferente e as ilustrações, mas esses se superaram. Vou falar sobre cada um deles e vocês entenderão por quê.

1. Vista quem você é

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Um dos exercícios do livro para descobrir nosso estilo. Deixei meio borrada a parte das minhas anotações, porque são muito pessoais. O livro é assim mesmo – para a gente interagir, responder e anotar o que tiver de ideias e insights sobre nós mesmas

A Cris e a Fê (íntimas, ui) são consultoras de estilo e mantêm há anos o blog Oficina de Estilo, um dos top top brasileiros sobre moda e com um conteúdo incrível, de grande valor. Já acompanhava o trabalho delas há muito tempo e, quando soube que elas lançariam um livro, já me preparei para comprá-lo. Em paralelo com as suas consultorias, elas também oferecem um workshop coletivo que deve ser o máximo, e que acredito que o livro tenha se baseado bastante, pelo que eu li.

Para começar, você já vê que o diferencial do livro não é focar no consumo, mas na autoestima. Aliás, as páginas são cheias de frases ótimas e de motivação nesse sentido, tais como “Quem a gente é não depende da aparência que a gente tem” ou “se vestir é parte deliciosa da vida, mas não é tudo o que a gente vive”. E assim vai todo o livro, empenhado em fazer a gente se conhecer para então encontrar o estilo pessoal e, com isso, mostrar para o mundo através das roupas como a gente se sente.

O livro é interativo, ou seja: há muitos e muitos exercícios para a gente refletir mesmo sobre quem somos e trazer isso para a moda.

Por que tem a ver com organização?

Porque conhecer o nosso estilo (independente de estarmos falando de moda, decoração ou outros gostos pessoais) faz parte da nossa realização pessoal e, com isso, aprendemos a priorizar. Sabemos comprar menos e melhor uma roupa – investir na qualidade, em algo que realmente tenha a ver com a gente, em vez de consumir desenfreadamente. Compramos com critério e propósito, ou nem compramos, porque de repente já temos tudo o que precisamos. Ter um estilo pessoal faz com que a gente enxergue prioridades no guarda-roupa, assim como enxergamos prioridades na vida quando somos organizados.

Um dos exercícios é justamente para fazer um balanço da nossa rotina e analisar onde passamos mais tempo: no trabalho, em casa, na academia, passeando etc. E, a partir disso, entender onde devemos investir mais no guarda-roupa, e que objetivos temos para cada parte. Eu posso descobrir que estou passando uma imagem diferente da que eu queria quando estou no escritório, então o que eu posso fazer para mudar isso? Dá um norte. Achei bem interessante.

Outro ponto legal, e que acabou servindo para mim, é que os exercícios que elas propuseram no livro também funcionam para aplicar em outras áreas da vida, como a decoração da nossa casa. Eu finalmente consegui aplicar o meu estilo de moda ao estilo de decoração que tem super a ver comigo, e eu estava precisando dessa definição (amo/sou definições) porque achava tanta coisa linda mas não encontrava o meu estilo, exatamente. E saber isso também direciona nossas decisões de compra nesse quesito, então valeu muito a pena.

Trecho do livro

“A gente entende que estilo pessoal é soma das preferências, do estilo de vida e da personalidade de cada uma de nós – e, por isso, também pode ser chamado de identidade visual. Não é estático e se aperfeiçoa à medida que a gente amadurece – ou se adapta a diferentes circunstâncias da vida! Como nós mesmas, ele tem uma essência e evolui. É quem a gente é, só que em forma de aparência.”

2. Moda intuitiva

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A diagramação do livro é encantadora e, as fotos da Cris, inspiradoras

Vou ser bem sincera com vocês: comprei esse livro porque a autora, Cris Guerra, é blogueira, e eu adoro ler tudo relacionado à “carreira” de blogueiros no geral. Eu já acompanhava o blog dela há muito tempo (ela foi a primeira blogueira brasileira a postar essa história de look do dia), começando até mesmo com o blog que ela fez para o filho dela, muitos anos atrás. Mas o livro foi uma surpresa maravilhosa. Como ela escreve bem! Não é à toa que merece todo o sucesso que tem.

Além de tudo, entende MUITO de moda, e toca em pontos certeiros. O livro tem uma pegada muito diferente do livro das meninas do Oficina, que tem um tom mais de orientação mesmo. O livro da Cris não – é extremamente pessoal, quase poético, cheio de fotos dela e opiniões sobre o que ela acha disso e aquilo com relação à moda e à criação pessoal de estilo e montagem do guarda-roupa perfeito.

Li o livro em um dia só, de tão delicioso que ele é. É um livro para dar de presente. A diagramação é fantástica, com cara de revista, muito colorido e cheio de fotos. E ela já começa chamando o livro de “não manual de moda”, porque é isso mesmo: como moda pode ter regrinhas se é a expressão do nosso estilo individual? Como ela mesma diz, moda é permissão, e é libertador entender que não há certos ou errados e que tudo o que mostramos ao mundo como parte do “nosso design” é simplesmente parte da nossa essência, e não teria como ser diferente. Um verdadeiro mimo, esse livro.

Por que tem a ver com organização?

Porque, além de nos conscientizar sobre a liberdade que a moda pode nos proporcionar, se soubermos nos encontrar, ela também dá dicas de como comprar peças com qualidade, quais seriam os bons investimentos, como conservar, como guardar, como organizar, como combinar cores, como misturar estampas, como aproveitar liquidações, enfim – aplicações práticas para o nosso dia a dia mesmo. E, como todas nós usamos roupas, mesmo as não muito fãs de moda têm que dar o braço a torcer que algum conhecimento é necessário para manter tudo em ordem. Então é um livro que agrega valor sim à nossa organização diária.

Trecho do livro

“Aprendi que a moda não deve ser mais uma forma de nos fazer infelizes, e sim um caminho para nos libertar. Não deve ser tratada de forma superficial, pois tem uma importância muito maior na nossa vida do que o admitimos. E nem pode ser limitada a especialistas, pois faz parte do nosso cotidiano como escovar os dentes. Saiba que você conhece muito mais de moda do que imagina: vestir-se é algo que faz parte do seu dia a dia; e não existe melhor especialista em você do que você mesmo.”

3. A estratégia de estilo

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Nina Garcia era diretora da revista Elle americana e integra o elenco do programa Project Runway, que já sobrevive há algumas edições (passa na tv a cabo – adoro!). Eu já tenho os outros dois livros dela (The little black book of style e The one hundred – ambos existem em português, mas comprei quando ainda não tinha, então os meus são em inglês) e uma das coisas que eu mais gostei foram as ilustrações internas, de um artista chamado Ruben Toledo. Elas realmente fazem toda a diferença na dinâmica do livro.

Como eu já conheço o estilo da Nina, já sabia o que esperar. O livro é muito mais focado no ponto de vista do consumo consciente, que é uma tendência hoje (todos os três livros falam disso, se a gente pensar bem). Ela divide todo o conteúdo em três grandes seções, que são: 1) O que eu tenho?, 2) Do que eu preciso? e 3) O que eu quero?, e essas seções delineam a leitura.

Por que tem a ver com organização?

No início, ela já propôe que a gente faça um inventário de todas as nossas roupas e acessórios, para ter consciência do que tem. Depois, devemos guardar o básico, o que gostamos, e dar adeus ao resto. Parece familiar? Sim, vivo falando sobre isso no blog – sobre a coisa de manter só o que a gente gosta ou usa, especialmente no caso do guarda-roupa.

Depois, na segunda parte, ela fala sobre como comprar – como fazer “investimentos”. Sei que é um termo polêmico para aplicar em moda, mas quando decidimos comprar um casaco que custa três vezes mais o valor de um outro similar, deve ter um motivo, e esse motivo é a qualidade, ou a quantidade de vezes que vamos usar a peça (o custo/benefício), ou ambas as coisas. Fazer esse filtro na verdade é priorizar, e priorizar é aplicar o que entendemos sobre organização.

Por fim, ela dá dicas para reformarmos antigas peças que tenhamos, e a mimarmo-nos (ai gente, tá certa essa palavra?) um pouco também, porque a vida é feita de pequenas coisas que trazem um frescor ao dia a dia tão corrido e estressante. É um bom livro, de leitura agradável e que com certeza agradará qualquer pessoa que tenha interesse no assunto.

Trecho do livro

“Todas nós passamos por momentos prósperos e momentos em que simplesmente precisamos economizar. (…) somos condicionadas a gastar sem pensar. (…) Você não precisa gastar uma fortuna para ficar linda ou sacrificar seu estilo quando a grana estiver curta. Menos realmente é mais. Faça um inventário do que você tem em casa. Conheça a si mesma. O estilo vem de dentro. Estilo é ter confiança de brincar com a moda, de ser criativa, de inovar.”

E você, já leu algum desses livros? O que achou?