Gravidez

26 Apr 2012

Mães e projetos de vida

Confesso que, quando eu me tornei mãe, não imaginava como a minha vida mudaria a partir daquele momento. Pode parecer extrema ingenuidade, mas acho que nós nunca estamos preparadas para ter filhos até que eles nasçam, por mais experientes que a gente possa ser com filhos dos outros. Ter uma pessoinha dependendo de você 24 horas por dia é trabalhoso demais e um impacto enorme na vida de qualquer mulher.

Quando eu paro para pensar em tudo o que aconteceu nos últimos três anos, fico chocada com as mudanças que aconteceram na minha vida. Foram muitas! Desde a notícia da gravidez até hoje, minha vida passou por muitas situações de extrema mudança que os apaixonados por astrologia atribuirão ao retorno de Saturno. Outra mudança nesse sentido foi ter mudado meu nome quando me casei, o que alterou a numerologia também, mas foi proposital, e é incrível como tudo se encaixa e agora as coisas estão começando a entrar nos eixos depois desse período que pareceu um furacão.

No dia em que fiz o teste de gravidez, estava completando um mês que eu tinha deixado meu último emprego para trabalhar em casa e nós não podíamos acreditar na coincidência. Uma felicidade tremenda tomou conta de mim, como eu nunca havia sentido antes, e naquele dia eu fui assistir ao show da banda do meu marido me sentindo a mulher mais bonita do mundo.

Quando nosso filho nasceu, resolvi me dedicar totalmente a ele porque fiquei extremamente cansada e sem forças para fazer qualquer outra coisa. Tive complicações na gravidez que se estenderam até depois do nascimento e eu demorei para me recuperar. Frequentemente recebo aqui no blog comentários de mães com bebês de um, dois, três meses me perguntando como fazer para organizar a casa, e eu sempre respondo: “gente, por favor, você tem um bebê recém-nascido em casa, esqueça o resto!”, porque me lembro dessa fase com o meu filho e a única coisa que eu conseguia fazer era realmente descansar sempre que podia. Eu estava extremamente voltada para os cuidados com ele e até criei um blog sobre o método da Encantadora de Bebês, pois estava dando tão certo conosco que eu precisava compartilhar o que estava vivenciando. Eu não sei como teria sido se eu não tivesse aprendido a importância de ter uma rotina com o bebê desde o dia em que ele nasceu.

Um projeto que deixei de lado foi estudar para concursos públicos. Quando engravidei e estava trabalhando em casa, achei que conseguiria aproveitar esse tempo para estudar bastante, mas em poucos meses precisei deixar tudo de lado. Quando recebi uma nova proposta de trabalho, e meu filho tinha oito meses de idade, eu aceitei porque eu sentia muita falta de trabalhar fora de casa. Ficar em casa estava me deixando um pouco deprimida, até, porque eu tinha deixado a minha carreira de lado. Era bom poder ficar com o nosso filho, mas eu sentia falta daquilo que sempre tinha sido a minha vida. E, assim, eu voltei a trabalhar em uma agência. Era perto de casa (ia e voltava a pé) e eu não ficava muito tempo longe do meu filho, mas foi um duro período de adaptação.

Em menos de um ano, eu não só voltei a trabalhar fora depois de ter um filho, como dei um up aqui no blog (atualizar todos os dias não é fácil, meninas!), comecei a minha pós-graduação e mudamos de cidade em decorrência de um novo emprego! Ou seja, foram muitas mudanças em pouquíssimo tempo e só aos poucos a nossa ficha vai caindo com relação a tudo.

Hoje, quando eu paro para pensar, acho que perdi muito tempo na vida com projetos bobocas que não tinham absolutamente nada a ver com meus objetivos de longo prazo, e isso pode ter feito diferença nessa vontade de querer fazer muito de uma só vez. Por exemplo, eu deveria ter feito a minha pós-graduação antes de engravidar. Poderia ter feito um intercâmbio também. Mas ao mesmo tempo eu penso que, se não fiz essas coisas, foi porque não tive a oportunidade mesmo, nem tempo (trabalhei três anos em dois empregos que me mantinham até bem tarde na empresa). As coisas acontecem quando a gente faz acontecer mesmo, e a gente só faz acontecer quando é prioridade e tem planejamento. Demorei para entender isso de verdade, mas agora me sinto nos eixos.

Na semana retrasada, meu filho completou dois anos de vida. Ele passou do estágio bebê para criança e a melhor decisão que eu tomei foi a de ter mudado para passar mais tempo com ele. Todo o meu dia, minha semana e minha vida foram adequados para que eu possa passar com ele o melhor tempo possível, mesmo com tantas atividades. Mas é uma luta diária, pois sempre recebo convites e ideias para projetos que envolvem finais de semana e tenho que ficar “ai, desculpa, queria muito poder participar, mas vou ficar com o filhote” etc. Eu não abro mão disso. Mas acho que isso é coisa pela qual todas as mães passam.

Porque, no final das contas, o que é importante na nossa vida? Cada um tem as suas prioridades. Toda mãe e todo pai precisam se lembrar que são responsáveis pela formação de um novo ser humano, e que isso envolve carinho, atenção, não só matricular nas melhores escolas e em dezenas de cursos extra-curriculares. Acima de tudo, envolve respeito, disponibilidade e exemplo. Quando eu recebi aquela primeira proposta de emprego depois que ele nasceu, eu me perguntei: “que tipo de mãe eu quero ser para o meu filho? Que exemplo eu quero dar a ele?”. E a minha resposta foi: quero ser uma mãe que tem vida própria também, mas nunca, nunquinha, deixando de ficar com ele para fazer coisas menos importantes. E a conclusão é que isso é uma resposta para qualquer situação, independente de trabalhar fora de casa ou me dedicar exclusivamente aos cuidados com ele.

Mães que trabalham em casa (e incluo aqui tanto o trabalho formal, assalariado, ou remunerado, quanto o trabalho de cuidar da casa e dos filhos) podem e devem ter vida própria da mesma forma. Eu não consegui fazer isso porque prefiro trabalhar fora – faz parte de quem eu sou. O que eu quero dizer é que a responsabilidade por ter vida própria vai de cada uma de nós. Não é porque você trabalha em casa que não pode ter isso. A vida é cheia de possibilidades e o trabalho é só uma delas.

Escrevi esse texto enorme apenas para dizer que precisamos tomar o controle da nossa vida, independente de trabalharmos fora ou não, independente de termos um ou sete filhos, independente de sermos casadas ou solteiras. Ter um ou mais filhos deixa a nossa vida trabalhosa, mas continua sendo vida. Se não fizermos um esforço para alcançar nossos objetivos, ninguém fará por nós. O negócio é deixar a desculpite de lado, traçar planos e pôr a mão na massa.

Boa sorte.

03 Aug 2011

Como organizar a chegada do bebê

Imagem: Getty Images

Este é um guia para mães e pais que estão aguardando a chegada do bebê e querem se organizar o máximo possível.

Eu preciso dizer uma coisa importante: apesar de vocês se organizarem direitinho, a chegada do bebê transforma radicalmente a rotina de uma casa e é muito provável que vocês abram mão de muitos pormenores envolvendo a organização. As dicas que eu darei aqui são baseadas em minha própria experiência e eu espero que ajudem, mas eu realmente peço para que vocês não queiram seguir tudo a risca, pois dependerá muito desse bebezinho que vem chegando por aí.

Os bebês, quando nascem, fazem só três coisas: mamam, dormem e fazem cocô. Não existem períodos de atividade muito extensos, especialmente nas duas primeiras semanas. As atividades de vocês, no entanto, triplicam. Eu sei que existem infinitos modelos de famílias, mas como não posso falar por todos, focarei em uma família que seja composta por pai, mãe, bebê e algumas pessoas que possam ajudar ocasionalmente.

Fica a cargo da mãe:

Descansar tanto quanto puder, pois o bebê dorme bastante, mas acorda com muita frequência, especialmente à noite. Não espere dormir mais de 3h seguidas no começo, pois você tem 99% de chances de não conseguir. Logo, você precisará aprender a dormir em curtos espaços de tempo. Isso foi complicado para mim, pois eu demoro para pegar no sono (mesmo exausta) e, quando dormia, meu filho acordava. Para não ficar com dor de cabeça, eu praticamente não dormia. Eu deveria ao menos ter ficado deitada, e não inventando de fazer coisas para lá e para cá, pois é cansativo.

Se alimentar direito, pois a alimentação do bebê depende da alimentação da mãe. E demanda muito! Para se ter uma ideia, eu emagreci 10kg na primeira semana após o parto e fiquei com anemia profunda. Precisa se cuidar! Vou falar mais para a frente como organizar a questão da alimentação para vocês não se preocuparem com isso.

Amamentar o bebê.

Cuidar do bebê.

Fica a cargo do pai:

– Aproveitar os poucos dias de licença-maternidade para descansar junto com a mãe, pois o bebê acorda ambos. Se você tiver a sorte de trabalhar em casa ou ter tirado férias, melhor para vocês.

Cuidar do bebê. A única coisa que o pai não pode fazer é amamentar, mas trocar fralda, dar banho, cantar e colocar para dormir, sim. Inclusive durante a madrugada, só para constar.

Deixar a esposa descansar, pois a amamentação cobra muitas energias dela.

Veja algumas dicas para organizar todas as atividades relacionadas ao bebê e à casa no geral:

Amamentação

– Até a primeira consulta com o pediatra, o bebê precisa mamar bastante, o máximo que você puder aguentar. Mamar de 2 em 2h é um intervalo ok. Algumas mães defendem a livre-demanda, que basicamente significa deixar o bebê mamando o tempo todo que ele quiser, mas geralmente ficamos tão cansadas na primeira semana que isso só torna tudo mais exaustivo. Se você se der bem com a livre-demanda, melhor! Se não, de 2 em 2h está ok. O que é importante saber: estabeleça bem a amamentação. Quando o bebê estiver mamando direitinho e ganhando peso, ele começará a espaçar as mamadas naturalmente, com o passar do tempo. Eu sei que na primeira semana é muito cansativo, mas tenha perspectiva. Seu bebê precisa de você e tudo melhora aos poucos.

– Como o bebê é muito novinho e não sabe ainda sugar o leite, as mamadas serão mais demoradinhas (cerca de 1h). Tente amamentar sempre em algum lugar calmo e longe de outras pessoas. A amamentação é um processo interativo entre a mãe e o bebê – você também precisa prestar atenção. É fundamental acertar a pega do bebê no seio, para que eles não doam tanto, e também para que ele consiga mamar efetivamente. O que é importante saber: você pode amamentar deitada, para descansar melhor. Só atente para a segurança da cama.

– Como você pode organizar a amamentação? Deixando sempre em mãos o que você precisará durante as mamadas. Eu deixava sempre um pano de boca limpinho e uma garrafinha de água cheia, porque dá muita sede (descomunal mesmo).

– Na primeira semana, especialmente se você fizer cesárea, é fundamental ter a ajuda de alguém para que você possa descansar. Assim, quando o seu leite começar a descer, tire-o com a bombinha e deixe estocado para alguém amamentar seu bebê alguma vez durante o dia, enquanto você dorme. Se alguém puder amamentá-lo durante a noite, aí você descansará bem. O descanso é importante para a produção de leite. O papai pode dar essa mamadeira para participar também da alimentação do bebê. O que é importante saber: se você pretende voltar a trabalhar em alguns meses, acostumá-lo com a mamadeira é fundamental. Há bebês que não pegam a mamadeira depois e as mães ficam desesperadas. A sugestão da Encantadora de Bebês (apelido da inglesa Tracy Hogg, especialista em cuidados com bebês) é dar essa mamadeira à noite, de preferência pelo pai do bebê, para que ele também participe. Você fica com uma mamada de descanso. No entanto, se você não pretende voltar a trabalhar e não quer correr o risco de desmamar o bebê precocemente, melhor não dar a mamadeira.

– Depois da primeira consulta com o pediatra (geralmente quando o bebê tem 1 semana de vida), você saberá se ele está ganhando peso corretamente ou não. Se estiver, poderá se organizar melhor e passar para uma rotina de 2,5hx2,5h na segunda semana e de 3hx3h a partir da terceira semana, sempre respeitando o ritmo do bebê. O que é importante saber: se a amamentação estiver bem estabelecida, você pode começar a diferenciar os choros do bebê, pois nem sempre choro significa fome. Até lá, encare todo choro como fome ou sono, para não correr o risco de deixá-lo sem leite o suficiente.

– Se por algum motivo seu bebê precisar tomar leite artificial, aproveite para dividir as tarefas com o pai do bebê, sua mãe ou alguma outra pessoa disposta a ajudar. Uma mamada que você descanse já faz muita diferença na sua recuperação. Vocês podem revezar para que tanto mãe quanto pai descansem algumas horas.

Se estiver dando leite artificial, deixe tudo pronto para a madrugada ser mais tranquila: mamadeiras limpas e esterelizadas, panos de boca, água quente na garrafa térmica e porções do leite em pó separadas. Isso fez uma diferença tremenda aqui em casa, além de ser mais ágil e não deixar que o bebê desperte de vez por esperar tanto tempo.

Atividades

– Pela manhã e no final da tarde, leve seu bebê a algum lugar ao ar livre, para que ele tome um solzinho e ar fresco.

– Quando ele começar a fazer bastante cocô, é bom dar dois banhos por dia – um de manhã e outro no começo da noite. O segredo é ter tudo em mãos antes de começar: toalha, fralda limpa, roupa, pomada, escova, frascos abertos e o que mais você quiser usar. Deixe para limpar e guardar tudo somente depois que o bebê dormir.

Para a troca de fraldas, mesma coisa: mantenha tudo à mão. Trocador livre de tralhas, estoque de fraldas limpas, garrafa térmica com água quente, pote com bastante algodão. Eu comecei a usar lenços umedecidos somente quando ele tinha 1 mês de idade, mas mesmo assim fiz um teste para ver se ele não tinha nenhuma reação alérgica. Não teve, então passei a usar.

Sono

– Seu bebê não sabe o que é um dia de 24h, mas você pode ir ensinando-o o que é dia e o que é noite. Escureceu, é hora de dormir. Inicie o ritual do sono quando anoitece (por volta das 18h), dando banho, amamentando-o e colocando-o no berço. Deixe-o acordar quando estiver com fome (a não ser por recomendação médica de acordar em intervalos regulares). Quando ele acordar, não acenda a luz nem tire-o do quarto. Dê de mamar ali mesmo, no máximo com a luz de um abajour. Só troque a fralda se tiver feito cocô. Não estimule o bebê. Beije, dê carinho, mas não seja divertida(o). E coloque-o novamente para dormir.

Não o deixe dormir mais de 2h por soneca durante o dia. Essa é uma das diferenças do dia para a noite: de dia, você o acorda. De noite, não.

Estabeleça um ritual do sono fazendo todos os dias as mesmas coisas antes de colocá-lo para dormir, pois assim ele passará a associar esse momento à hora de dormir.

– Se seu bebê não dorme, provavelmente está com fome, na primeira semana. Bebês satisfeitos dormem rápido. Sim, é difícil e cansativo, mas passa rápido.

Durmam quando ele dormir. Só assim vocês conseguirão descansar.

Outras coisas

Quando se sentirem bem dispostos, deixem tudo limpinho: quarto, berço, mamadeiras. Não se preocupe com a casa inteira agora – somente com o que for relacionado a vocês e ao bebê. Todo o resto pode esperar. Se você puder ter uma empregada, ótimo para você! Facilitará muito no início.

– Usem os momentos de boa disposição do dia para ir colocando ordem em tudo. Se estiverem cansados, não façam nada – só descansem. Mesmo um de vocês trabalha em casa, respeite o resguardo. Passa rápido. Isso vale especialmente para a mãe, que ainda se recupera fisicamente do parto.

– Tenham na agenda as datas de vacinação e das consultas no pediatra.

– Mantenham uma pasta com todos os documentos necessários para quando forem em consultas médicas. Isso inclui exames. Uma pasta com divisórias é a melhor opção.

– Organizem o horário de visitas para que a sua casa não vire uma bagunça – nem sua vida. Peça para alguém tomar conta disso para você. Eu preferi não receber muitas visitas no início e foi a melhor coisa que aconteceu. Galera geral precisa entender que o bebê ainda é muito novo para tanta agitação e que todos terão a vida inteira para visitá-lo. Você perceberá como muitas visitas deixam o bebê agitado porque ele vai chorar e ter dificuldades para dormir.

– Procurem revezar nas atividades. Por exemplo, a mãe amamenta o bebê, então o pai pode dormir enquanto isso e, quando ela acabar, ela pode descansar enquanto o pai troca a fralda e o coloca para dormir. É importante o pai fazer o máximo possível pois a mãe ainda está muito debilitada fisicamente com a recuperação do parto, as dores nos seios, a falta de energia demandada da amamentação e a queda dos hormônios, que podem gerar (e geralmente geram) uma depressão pós-parto.

A importância da ajuda

O fundamental desse começo é vocês terem ajuda. É muito trabalho mesmo para duas pessoas. Conversem com quem vai ajudar vocês antes do parto, para não se preocupar depois. O que essa(s) pessoa(s) pode(m) fazer por você:

– preparar a comida
– lavar suas roupas e as do bebê
– trocar as lixeiras
– limpar a casa
– trocar as fraldas
– dar banho no bebê

Se você for se virar sozinha (ou no máximo com o seu marido), seguem mais dicas:

– Deixem porções de comida congeladas no freezer para pelo menos as duas primeiras semanas. Acredite: vocês não terão tempo – nem pique – para cozinhar. Façam isso ainda durante a gravidez.

Comprem roupas a mais quando fizerem o enxoval, para precisarem lavar menos vezes. Roupas para o bebê e para a mãe também (você pode sujar calças e calcinhas de sangue, vai vazar leite e molhar a blusa etc.)

Tenham estoque de tudo para as primeiras duas semanas, no mínimo. Isso vale para fraldas, itens do bebê, comida, roupas, cosméticos seus e outros itens da despensa.

Quando meu filho nasceu, eu achei que poderia cuidar da casa enquanto ele dormia, por exemplo. Pura ilusão. Precisei ficar de cama a maior parte do tempo (resquícios da pré-eclâmpsia e a anemia profunda que me pegou) e não conseguia ter forças nem para amamentar direito. Foi uma época muito difícil, mas me ensinou que não tenho controle de nada na minha vida. Tudo depende das circunstâncias e da nossa disposição física e mental. Quando chegamos a um extremo assim, não dá para pensar em mais nada que não seja essencial. Portanto, quando o seu filho nascer, lembre-se do que eu falei: atenha-se ao realmente necessário. Todo o resto pode esperar. Mesmo. Questão de sobrevivência. Foque no bem-estar do filhote e no de vocês, para só depois, aos poucos, ir estabelecendo uma rotina e voltando a cuidar dos outros afazeres.

Boa sorte.

27 Jul 2011

Como decorar o quarto do bebê

Foto do quarto do meu filho (arquivo pessoal)

Há dois anos, quando descobri que estava grávida, eu mergulhei no universo materno para conseguir decorar o quarto do nosso filho. O resultado foi uma parede com o passarinho do Twitter, muito azul, verde, marrom e branco. Agora, estou planejando o futuro quarto dele (confira o Especial – Mudanças) e pensando novamente sobre o assunto. Confira algumas dicas que eu já havia publicado no Portal da Maternidade para ajudar você a decorar o quartinho do seu filhote:

Escolha uma cor predominante

De preferência, a sua cor preferida. Se você vai ter uma menina, será que precisa ser rosa, mesmo você preferindo laranja, por exemplo? Dá para usar qualquer cor. Esqueça o velho clichê de rosa para menina e azul para menino. Dá para fazer combinações lindas usando quaisquer cores. Escolha a cor principal e já terá um guia. Dica: escolha uma cor que já tenha predomínio em outras áreas da casa.

Exemplo de quarto azul para menina.

Escolha as outras cores

Não é preciso ser uma expert em artes ou decoração para combinar cores. Um esquema que dá muito certo é o seguinte: ter uma cor principal, que norteará a decoração (você já escolheu acima); duas cores neutras que geralmente guiarão os móveis, mas fuja do combinandinho (branco, marrom, preto, bege, prata, cinza etc); uma cor pastel relacionada à cor principal (rosinha para pink, azul calcinha para turquesa, ou verde limão pastel para turquesa, azul calcinha para vermelho, amarelo para laranja etc); e uma outra cor forte contrastando com a cor principal. Difícil?

(daqui) -> veja o link, é interessante

Suponhamos que a sua cor principal seja o vermelho. As cores pastéis que vão bem são as cores ao lado: rosinha e salmão, por exemplo. A cor forte que contrasta é o verde. Certo? Sim, mas nada impede que você brinque com as cores. Você pode usar um verde pastel com o vermelho também.

Berço vermelho (cor guia vista também no móbile), branco (cor neutra),
amarelo (cor fraca secundária) e verde bandeira + turquesa (cores fortes contrastantes).
Azul (cor principal), verde limão pastel + azul pastel (cores secundárias),
marrom + branco (cores neutras) e laranja (cor contrastante).

Não use as cores fortes em excesso

Escolha poucos itens, talvez os que você queira destacar, ou mesmo pequenos detalhes. Um bichinho de pelúcia, um abajour, um detalhe em um quadro, uma almofada. Se quiser pintar algo grande em uma cor forte (o berço, por exemplo), pegue leve no restante.

Use mais as cores neutras e fracas (pastéis)

Paredes, tapetes, cortinas, roupa de cama.

Definida a primeira cor, já comece a garimpar

Desde o começo da gravidez. Se você deixar para começar a decoração lá na frente, vai ter que se sujeitar aos artigos de sempre comprados nas lojas de bebês. Garimpe! Em seus passeios, vá ao shopping, em lojas de decoração, em feiras de antiguidades, em lojas de arte, em feiras de artesanato. Leia blogs, sites e revistas de decoração, quando tiver um tempo. Isso lhe dará uma informação enorme de decoração e ideias ótimas.

Compre somente itens pelos quais se apaixonar

Nada de ir ao Brás e comprar uma infinidade de coisas só porque são baratas. Fuja da quantidade e preze pela qualidade. Tenha a sua cartela de cores em mente quando for em lugares assim para comprar bastante coisa. De nada adianta ver um cobertor rosa e vermelho lindo se está usando lilás na decoração. É esse tipo de detalhe que faz diferença entre um quarto lindo e um quarto qualquer, bagunçado, desordenado. E compre somente aquelas coisas que vir e disser: “é lindo, precisamos comprar um desses!”. Nada de toalhas “porque estavam tão baratinhas” ou um kit berço que foi presente, se não tem nada a ver com o restante do quarto.

Fuja do óbvio

Border, móveis brancos, cores pastéis em demasia, formato berço + guarda-roupa + poltrona de amamentação. Como se foge do óbvio? Garimpando antes, com calma, em vez de deixar tudo para a última hora.

Não procure só em lojas de bebês

Vá por último nessas lojas! Como eu disse acima, frequente lugares diferentes. Se você fizer direitinho, deixará pouca coisa para ser comprada nas lojas específicas para quartos de bebês. Geralmente, do berço não dá para fugir. Apesar de berços comprados em lojas de antiguidades serem lindos, preze sempre pela segurança do bebê.

Customize

Você sempre pode pintar um berço branco de outra cor, contanto que faça isso meses antes de o bebê nascer (por causa do cheiro forte da tinta). Não fique de mimimi porque só existem berços brancos. Você também pode encapar caixas com um papel lindo que encontrou em suas andanças. Ou pedir para a sua mãe habilidosa para costurar a capa do trocador, ou fazer a cortina. Não pense só em comprar itens prontos. Muita coisa pode ser feita! Caixas pintadas, kit higiene, roupa de cama, bichinhos de pano, enfeites diversos de decoração. Na internet há um passo-a-passo para cada coisa que você quiser fazer.

Cuidado com “temas”

Escolher um tema para um quarto é chato e a coisa mais óbvia que existe. É claro que você pode ter, lá na sua cabeça, um tema para nortear algumas aquisições. Mas temas tipo “Princesas Disney”, “Moranguinho”, “Carrinhos”, “Trenzinhos”, “Safári” são chatos, clichês e fogem do original. É claro que você pode utilizar um tema, mas não caia na armadilha da decoração fácil, deixando o quarto do seu filho tão genérico e sem personalidade que qualquer bebê poderia viver ali. Tenha o tema mas vá além – não se prenda às ideias das lojas para bebês. Quer fazer safári? Comece pensando em cores diferentes, estampas, bichinhos comprados em outro lugares, e não no velho bege, verde, marrom, laranja, leões, girafas, hipopótamos bordados… zzz…

Foque nas funções que o quarto precisa ter

Um lugar para amamentar, um lugar para o bebê dormir, um lugar para trocá-lo. Não coloque a decoração acimas dessas necessidades, pois além de lindo o quarto também precisa ser funcional.

Não pense só no recém-nascido

Pense também no bebê que seu filho se tornará daqui a poucos meses. Um bebê que engatinha terá espaço nesse quarto? E brinquedos? Se encontrar um brinquedo super fofo, mas que só será usado quando ele tiver uns 8 meses, compre mesmo assim! Ele vai usar e você já deixa no quarto, dando personalidade. O mesmo serve para livros. Atente também para a segurança do quarto. Pense em tudo desde já, ou deixe margem para as modificações (um portãozinho na escada, grades nas janelas etc).

Fique dentro das suas necessidades

E espaço. Não adianta querer entulhar um quarto pequeno de móveis se você não tem espaço para tanto. Procure soluções proporcionais ao que vocês tem. Também não saia comprando desenfreadamente se você pode utilizar itens que já tem em casa. Aquela poltrona linda, sem uso, não pode servir de poltrona de amamentação? Claro que pode! Faça compras em casa também e descobrirá o quanto você já tem. Esqueça aquelas listas enormes de enxoval – na verdade, utilize-as somente como guia, jamais como regra. Não compre algo que seja bonito mas que não caberá ou não ficará bem no quarto. Esqueça. Existem milhares de opções e você encontrará outra mais adequada.

E, por último: fuja das regras! Ignore tudo o que eu falei acima e siga seu coração, pois o quartinho do seu filho deve ter a cara de vocês, única e exclusivamente. As dicas acima são somente uma orientação. Tenho certeza que você já tem muitas ideias e não vê a hora de colocar a mão na massa! Só espero que a minha experiência possa te nortear um pouco.

Você já passou por isso? Já decorou o quarto do bebê? Deixe mais dicas nos comentários!